A Beautiful Lie

8 Capítulo oito: The Mission


Notas iniciais
AAAAH, não aguentei esperar. Estava com todos os quesitos necessários para escrever. Inclusive inspiração, o que vem sendo raro pra mim. Adorei fazer este capítulo, e posso dizer que ele é fundamental, chocante, e além de tudo, plantará curiosidade em vossas mentes(risos).
Volto a dizer aqui, que não sei quando postarei algo novamente, pois estou viajando. Dia 23 agora é meu aniversário, me dêem muitos comentários de presente, que vos darei capítulo DUPLO. O que acham? Beijos, enjoy ;*

Minha cabeça martelava constantemente. Todo e qualquer ruído parecia ensurdecedor. Tonteira. Náusea. E no fundo: Culpa. Estava fraca para culpar-me. E fraca

para abrir os olhos.

Só depois de algumas pausas desconfortáveis foi que percebi que ouvia vozes. Uma era clara e exageradamente alta, cheia de preocupação. Outra era confusa,

frustrada, e seriamente sarcástica. Pareciam discutir. Não conseguia entender o que falavam... Parecia incapaz de exercer tarefas muito complicadas em meio à

uma ressaca. Concentrei-me em abrir os olhos. Finalmente as vozes cessaram ao meu redor.

Minha visão estava embaçada. A primeira coisa que enxerguei foi um azul atordoante. Podia jurar que era o céu. Mas então, minha inutilidade começou a diminuir,

e consegui distinguir os olhos do Jared, fixos nos meus.

- ...Jared?

Senti uma mão quente em meu rosto. Tentei movimentar os pés, porém uma dor lacinante me acometeu, seguidas por cãimbras que me fizeram dar um gritinho

agudo. Levantei-me rapidamente, choramingando.

- Mellanie, está tudo bem?

Aquela pergunta parecia errada. Cenas e mais cenas da noite anterior invadiram minha mente. Eu dançando, muito alegre e bêbada... E então, beijando Shannon.

O mais estranho era que ele havia retribuído. Isso fez eu sentir-me pior ainda.

Procurei o braço de Jared, que sabia que estava ali por perto. Não demorei a encontrá-lo. O abraçei com força, escondendo o rosto da vergonha, pois sabia que

Shannon estava ali, em algum lugar. Ele me acomodou de lado em seu colo, então fez com que eu me afastasse para fitá-lo.

- Você vai me contar o que aconteceu? — Jared perguntou, com um tom mais preocupado que curioso.

- Desculpa... — As palavras fluíam da minha boca como água de uma torneira — Eu não queria... Eu estava bêbada, eu...

- Calma. Do que você está falando?

Nesse momento meu olhar percorreu, o que agora eu percebia ser a sala do hotel em que eles estavam hospedados, até parar em Shannon, que estava encostado

em uma parede atrás de nós. Ele percebeu, e fez cara de inocente, erguendo os braços, dando um leve dar de ombros. Agradeci mentalmente e voltei a fitar

Jared.

- Desculpe por... — Pensava em alguma coisa pra dizer — Por ter saído no meio da madrugada sem avisar, e te deixar preocupado.

Ele sorriu.

- Hmmm, então você gosta de me dar satisfação? — Uma sombrancelha dele se ergueu, naquela carinha cômica que só ele sabia fazer.

Deixei a risada sair alta.

- Adoro. — Pisquei um olho e mordi seu lábio inferior com um pouquinho mais de força do que ele imaginava.

- Eu vou dormir. — Anunciou Shannon, interrompendo-nos. Ele tirou a Jaqueta de couro e a jogou em um canto. Então começou a andar até seu quarto.

- Nossa, eu preciso de um banho. — Realmente eu estava com o cabelo ainda suado, e os pés pretos por ter tirado o sapato na pista de dança. Sorri, pervertida e

acrescentei — Você vem?

Ele estava prestes a responder quando seu celular tocou. Jared me fitou significativamente, então pediu desculpas baixinho e atendeu. Enquanto ele falava, minha

mão já ia descendo até o zíper de sua calça jeans. Ele não fez questão de pará-la. Jared fez uma expressão estranha e então revirou os olhos.

- Tá, tá... Já vou. — Ele afirmou sem muita convicção e desligou.

- Ahmm — fiz manha — Você vai embora de novo?

- Desculpa, amor... — Já fazia aquela cara de culpado.

Beijei-o com força, com carinho, e principalmente com saudade.

- Não desculpo — Cruzei os braços — Você vai ter que me recompensar depois...

Ele parou pra chupar meu pescoço antes de responder.

- É melhor você ir se preparando então.

Senti um calafrio percorrer minha espinha quando ele me mordeu. Nem me dei o trabalho de responder na hora. Ofeguei audivelmente e fiz beiçinho quando ele se

afastou.

- Você tem que ir mesmo? — Continuava fazendo manha, queria que ele tivesse mais tempo pra mim.

Jared assentiu, parecendo meio triste também, porém depois fez uma cara de cafajeste.

- Quando eu voltar você que me aguarde.

Com isso ele começou a se levantar, porém eu o puxei e o beijei com mais vontade do que podia imaginar. Deixei meu corpo grudado no dele e passeei minhas

mãos por suas costas. Não pude deixar de arranhar aquela pele clara. Ele também retribuía avidamente. Suas mãos desçeram livremente para minhas coxas.

Já estava começando a pensar que ele havia começado a cogitar a idéia de ficar em casa, quando ele se afastou. Nós dois respirando com dificuldade. Estava

observando seu rosto quando fiz um comentário totalmente fora do prazo.

- Até que você ficou bonito desse jeito. — Falei e passei a mão entre seus cabelos loiros.

- Bonito? — Ele repetiu, sabendo que eu queria acrescentar mais alguma coisa.

- Quando digo bonito quero dizer irresistível.

Senti meu rosto corar levemente, pois ainda que parecesse estranho me sentia infantil perto dele. Jared sorriu. Aquele sorriso que eu amava. Nesse momento

percebi o quão indispensável ele era pra mim. O quanto fez falta aquele tempo que ele passou longe. Subitamente tive medo. Medo de que ele um dia me

deixasse.

- Que foi? — Ele perguntou esfregando o rosto no meu, numa espécie de carícia que sabia que eu gostava.

- Nada. — respondi automaticamente.

- Sério?

- É sério! — Ri descontroladamente. Porque ele nunca me levava a sério? — Agora acho melhor você ir, antes que se atrase. — Comecei a empurrá-lo para a porta.

- Eu te amo. — Jared disse e me beijou brevemente antes de sair.

- Eu também te amo.

Satisfeito, ele tornou a caminhar e fechou a porta atrás de si. Resolvi que iria tomar um banho antes de tudo. Dito e feito. Enquanto a água quente me relaxava

Fiquei pensando em como iria agradecer Shannon por não ter contado nada, e antes que percebesse já estava indo em direção à seu quarto. Hesitei perante à porta,

sem saber bem o que fazer. Por fim, bati.

- Entre. — Ele respondeu após uma breve pausa.

- Te acordei? — Perguntei meio sem graça e com tom de desculpas.

- Não... — Então ele me fitou da cabeça aos pés, percebendo que eu usava apenas um roupão, pois minhas roupas estavam ligeiramente sujas. — Você quer alguma

roupa emprestada?

- Ah... — Pensando bem, não era uma má idéia. Ficar desfilando semi-nua pela casa com seu irmão lá dentro não ia agradar muito Jared quando ele voltasse. Assenti

brevemente. Ele se levantou e pegou algum coisa dentro do closet. Por fim, jogou uma camisa preta de mangas curtas, simples, mas que obviamente ia ficar

imensa em mim. — Shannon?

- Hmm? — Ele disse distraído, provavelmente procurando algum short ou algo do tipo.

- Obrigada.

- Pelo que?

- Você sabe... — Pigarreei antes de prosseguir — Por não ter contado nada pro Jared.

Ele riu.

- Não tinha nada que ele precisasse saber. — Concluiu.

Fui até a suíte e vesti a camisa que ele me dera. Estava certa. Quase batia em meus joelhos. Então voltei ao quarto. Ele estava com uma samba-canção na mão.

- Serve? — Perguntou.

- Perfeito. — Sorri. Nem precisei ir até o banheiro dessa vez. Vesti por debaixo da camisa e apontei pra mim mesma logo após. — E aí, o que você acha?

- Pessoalmente? Fica melhor em você do que em mim.

Ri alto e ele me acompanhou. Sentei na beirada da cama. Conversamos sobre vários assuntos. A hora passou rapidamente. Com Shannon era sempre assim: O tempo

voava.

Agora, encontrava-me deitada confortavelmente em um dos travesseiros macios. Me espreguiçei e levantei-me, caminhando até um espelho ali perto e observando

o estado catastrófico em que meu cabelo estava. Tentei inutilmente desembaraçá-lo com uma de minhas mãos. Foi então que senti dois braços envolverem minha

cintura. Shannon beijou meu pescoço de forma carinhosa, nunca esperava aquele tipo de tratamento por parte dele.

Virei-me de frente pra ele.

- Shann...

Porém fui interrompida. Ele me beijou sem convite. Tentei resistir, porém era inútil, pois sabia que no fundo, uma hora ou outra eu o teria beijado, estando

bêbada, ou não. Comecei a retribuir cautelosamente, provocando-o.

- Não estou para brincadeiras — Ele disse e então me beijou de maneira mais corrompida.

Deixei ele me guiar pelo quarto, até que senti meu corpo chocando-se contra alguma coisa dura. Percebi que era a escrivaninha. Não reclamei. Separei minha boca

da sua, apenas para tirar sua blusa. Shannon começou a beijar meu pescoço, então acresçentou uma leve mordida. No mesmo lugar onde Jared havia mordido mais

cedo. Tomei consciência do que estava fazendo.

- Para, para...

Repeti essa mesma palavra várias vezes até ela surtir efeito. Eu realmente não tinha o que dizer. Apenas fiz que não com a cabeça e saí correndo do quarto.

Parei em frente à uma janela aberta, e deixei o frio se espalhar por meu corpo dolorosamente. Já podia sentir as lágrimas se acumulando em meus olhos, porém

não me permiti chorar. Tinha que tomar cuidado à partir dali, pois concerteza Shannon era uma tentação que estava absurdamente à meu alcance.

Nesse momento desejei que Jared chegasse logo. Tudo ficava bem com ele por perto. Ah, amor... Onde você está?

Jared;

Merda, merda, merda! Andava de um lado pro outro pelo quarto. Estava nervoso, sabia que havia feito algo muito ruim.

- Jared, para de se culpar e vem cá. — Falou Cameron com a voz entediada — Você não pode ficar pensando nisso por muito tempo, ou vai enlouquecer.

- Será que você pode ficar quieta um minuto? — Pedi.

Queria ficar um pouco sozinho, porém, isso parecia impossível perto dela.

- Awnn... — Cameron começou a se aproximar. — Alguém está chateado...

Ela começou a alisar meu peito e beijar meu pescoço. Não demonstrei reação. Ela percebeu, ficou em minha frente e me empurrou para a cama, antes que eu

pudesse impedí-la. Então deitou-se em cima da minha cintura.

- Vamos brincar um pouquinho.

Coloquei minhas duas mãos atrás dá cabeça, me acomodando.

- Eu não quero transar com você, pare de insistir.

- Sério? — Ela fez tom de deboche. — Não é o que parece. Cameron levantou-se apenas o suficiente para que eu pudesse enxergar minha própria cintura. Mal dava

para acreditar que estava excitado. — Vai ficar fingindo que não quer?

Suspirei, derrotado. Inverti as posições, ficando por cima, com o rosto perigosamente perto. Ela riu e tentou me beijar, porém virei o rosto no último instante,

sorri e sussurrei.

- Não.

Então, levantei-me da cama e coloquei minha calça rapidamente, nem me dando o trabalho de por a blusa no mesmo cômodo que ela.

- Me liga amor! — Ela gritou enquanto me via sair.

Dei o dedo do meio. Aquilo já dizia tudo. Não podia mais transar com ela. Afinal, eu amava outra pessoa. Aquilo não fazia o mínimo sentido. Enquanto vestia

minha camisa, peguei o celular, discando um número mais que famíliar.

- Jared? — Perguntou Mellanie, com a voz meio estranha.

- Sim. Está tudo bem?

Houve uma pausa.

- Comigo sim. E você? Você parece meio estranho.

Nem hesitei em responder.

- Estranho? Não, só estou com saudades mesmo.

- Você já está vindo? — Ela perguntou com aquela voz manhosa que fazia eu me derreter por dentro.

- Dez minutos, amor.

Quando cheguei, Mellanie estava na cozinha bebendo água. Fiz questão de não fazer barulho nenhum, procurando surpreendê-la. Fiquei parado no batente da porta,

observando-a, até que ela finalmente percebeu minha presença, sorriu e correu na minha direção.

Mal a deixei me abraçar, já estava beijando-a antes que ela percebesse. Apertei-a com força contra o meu corpo, estava com saudades de tudo, desde o mínimo

toque, até a sensação de felicidade que ela trazia à mim.

Quando estava ficando sem ar, desci para seu pescoço, dando beijos suaves ali, pois já havia uma marca avermelhada naquele mesmo local. Ela ofegou, com a boca

em minha orelha, o que só me deixou mais louco por ela. Coloquei Mellanie sentada numa bancada proxima dali. Ela arrancou minha blusa com facilidade, beijou-me

brevemente, então foi desçendo a boca por meu corpo. Quando estava na altura da virília ela parou, com a expressão assustada, chateada e muitas coisas mais.

- Jared, o que é isso? — Ela perguntou cheia de lágrimas os olhos.

Olhei para onde ela apontava. Puta que pariu. Uma marca de batom, vermelho e inconfundível jazia ali.

Ela começou a se afastar de mim, e só essa sensação de tê-la longe já doeu. Agora lágrimas rolavam livremente por seu rosto.

- Mellanie, eu... — Comecei a dizer com a voz embargada, carregada de culpa.

- Não fala nada! — Ela gritou e começou a sair da cozinha. Meu instinto automático foi impedí-la. Segurei seu braço.

- Por favor... Me escuta — Pedi.

- Me solta! Eu não quero ouvir.

Então, Shannon apareceu no cômodo.

- O que está acontecendo aqui?

Mellanie soltou-se do meu aperto e correu pra perto dele, sem hesitar.

- Shannon, me leva pra casa...

Ele me olhou significativamente, então saiu, guiando-a para fora. Observei a cena, e fitei-a até que desaparecesse. Uma lágrima solitária caiu de um de meus olhos.

Sentia um aperto horrível no coração. Talvez aquela fosse a última vez que a veria. Nesse momento pensei no quão estúpido era. Parecia que eu tinha a missão de

chatear todas as pessoas que amava. Idiota.

Notas finais
Mereço reviews?