A Batida do Coração 3: O Acorde final

42 ​Epílogo: O Reencontro na Eternidade




​O peso dos anos costuma ser silencioso. Aos 64 anos, Logan já não tinha a mesma agilidade da juventude, mas carregava no olhar a sabedoria de uma vida inteira dedicada aos que amava. Naquela tarde morna, o peito apertou de repente. Não houve tempo para despedidas longas ou sofrimento prolongado; um infarto fulminante apagou as luzes do mundo físico em um piscar de olhos.

​O último suspiro na Terra deu lugar a um silêncio absoluto.

​E então, o ar mudou.

​O Despertar

​Logan abriu os olhos. O peso que sentia nas articulações havia sumido. O ar que entrava em seus pulmões era leve, puro e tinha o aroma inconfundível de maresia e sal. Olhou para as próprias mãos: as rugas da idade desapareceram, a pele estava firme, os músculos fortes. Ele correu os dedos pelos cabelos e percebeu que a prata dos 64 anos dera lugar aos fios cheios e escuros de quando tinha 25 anos.

​Ele estava descalço na areia branca e fina. À sua frente, o mar de Angra dos Reis brilhava sob um sol perfeito, que aquecia sem queimar. O som das ondas quebrando suavemente trazia uma paz que ele há muito tempo não experimentava.

​Alguns metros adiante, a casa de praia — o refúgio de tantas memórias — erguia-se exatamente como ele se lembrava em seus melhores dias.

​A Promessa Mantida

​Logan caminhou em direção à varanda, sentindo a areia morna sob os pés. Cada passo parecia flutuar. Antes que pudesse tocar a maçaneta da porta de vidro, a fechadura girou.

​Uma explosão de energia e cabelos ao vento passou pela porta. Era Kyara. A menina parecia congelada no tempo, com seus eternos 10 anos, transbordando a pureza e a alegria que sempre a definiram. Os olhos dela brilharam ao vê-lo.

​— Papai! — gritou ela, a voz ecoando como música pela praia.

​Kyara correu com os braços abertos e saltou no colo dele. Logan a segurou no ar, o impacto do abraço parecendo a coisa mais real que já havia sentido. Ele enterrou o rosto nos cabelos dela, sentindo o cheiro de infância e mar.

​— Meu amor... Você está aqui — Logan sussurrou, a voz embargada pela emoção.

​A menina se afastou um pouco, ainda pendurada no pescoço dele, com um sorriso que iluminaria o universo inteiro. Ela se virou para o interior da casa e gritou a plenos pulmões:

​— Mamãe! Finalmente ele chegou! Vem rápido!

​O Reencontro com o Amor da Sua Vida

​Logan colocou Kyara no chão lentamente, o coração batendo com a força de um jovem de 25 anos. A porta se abriu completamente e, de lá de dentro, surgiu a figura que ele buscou em cada pensamento desde que ela se fora.

​Kayla. Sua baixinha.

​Ela estava exatamente como na época em que o amor deles desafiou o mundo: com seus 18 anos, os olhos vibrantes, o sorriso doce e o caminhar decidido que ele conhecia tão bem. O tempo ali não tinha poder sobre ela.

​Ao ver Logan — jovem, forte e com o mesmo olhar apaixonado de décadas atrás —, as lágrimas rolaram pelo rosto de Kayla. Ela não caminhou; ela correu. O espaço entre eles desapareceu em segundos quando ela se jogou nos braços dele.

​Logan a envolveu pela cintura, tirando-a do chão, colando seus corpos. O beijo que se seguiu foi o encontro de duas almas que esperaram uma eternidade por aquele momento. Um beijo faminto, mas cheio de alívio, de paz e de certeza de que nunca mais precisariam se separar.

​Ao afastar os lábios minimamente, ainda com a testa colada na dele e as mãos acariciando o rosto do seu eterno amor, Kayla sorriu, com a voz embargada pela felicidade:

​— Finalmente... Finalmente meu doutor chegou.

​Logan sorriu, deixando uma lágrima de pura felicidade escapar, segurando-a como se ela fosse o seu bem mais precioso — e era.

​— Eu prometi que voltaria para você, minha baixinha. Demorei, mas cumpri.

​— Você não demorou nada, meu amor — Kayla respondeu, acariciando o peito dele. — Aqui, o tempo é só nosso. O seu tempo de lá acabou, e o nosso para sempre começa agora.

​Kyara se aproximou, abraçando as pernas dos dois. Logan olhou para a filha, depois para a esposa, e olhou ao redor, contemplando a imensidão azul de Angra. Não havia mais dor, não havia mais saudade, não havia mais a barreira da morte.

​Eles estavam juntos, jovens e eternos, no lugar onde o amor deles sempre pertenceu.

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