A Batalha do Caos
10 Entramos no buraco confuso.
Notas iniciais
Estávamos na longa e interminável fila para embarcar para a pequena ilha que a Estatua da Liberdade se encontrava. Um grupo de italianos estava a nossa frente. Quando os guardas começaram a revista-los, virei-me para meus amigos.
— Meninos, o que vamos fazer? Todos aqui tem alguma arma e coisas que o guarda vai estranhar. E ainda, só temos 14 e 15 anos.
— Falou a filha de Hécate. — disse Luccas. — Você ainda não aprendeu a controlar a Névoa?
Balancei a cabeça, negativamente. Nicolas soltou um suspiro.
— É melhor você aprender agora. Não estou afim de viajar pelas sombras.
O grupo de italianos saiu da fila. Tentei me concentrar e imaginar as bolsas sumindo ou o guarda já ter achado que tinha nos revistado.
— Garota, — disse o guarda. — entregue sua mochila.
Respirei fundo e fechei os olhos. Imaginei o que aconteceria. O guarda abrindo as mochilas e encontrando um estojo, um caderno, uma máquina de fotografar e uma muda de roupa. Depois abrindo a do Nicolas e do Luccas. Senti um estalo nos ouvidos.
— Poderia me dar sua mochila, por favo. — insistiu o guarda.
— Não consigo. — sussurrei para os garotos.
— Desculpe, senhor. É que ela não consegue se desgrudar da mochila nem por um instante. Esse foi o último presente de sua mãe antes de...morrer. — mentiu Luccas.
O guarda pareceu entender.
— Então deixe-me ver o que tem.
Ele foi para as minhas costas e senti ele abrindo o zíper da mochila. Me concentrei e fiquei imaginando a cena que aconteceria. Senti novamente o estalo nos ouvidos em um puxão no abdômen. Voltei a abrir os olhos e o guarda piscava como se tivesse acabado de acordar de um sonho.
— Podem passar. — ele disse.
Luccas me abraçou.
— Yes! Sabia que você iria conseguir, bruxinha.
Encarei ele com um olhar mortal.
— Não me chame de bruxinha novamente. Eu tenho uma adaga muito afiada e magias ao meu favor. — ameacei.
Ele riu.
— Você não machuca nem um mortal.
— Isso porque não dá para machucar mortais com as arma. — murmurei.
— Sofia, — disse Nicolas em um tom sério. — depois você vai mesmo ter que aprender a controlar a Névoa.
— Eu sei, eu sei. É que não são vocês que vai ter que aprender vários outros poderes.
— Eu não sei controlar nem dez porcento dos meus poderes.
— Vocês são uns bobos. — disse eu.
***
Uma hora depois, já estávamos aos pés (podemos dizer que ela tem pés?) da estatua.
— Onde começamos a procurar? — perguntou Nicolas.
— Em todo local. — respondeu Luccas. — Desde que veja o triângulo de Delta.
— Luccas, Nicolas, quero que vocês procurem o Delta aqui em baixo. Vou procurar em cima.
Eles não questionaram e cada um foi procurar o Delta. Entrei dentro da base da Estatua e quando vi o que me aguardava, desejei que mil dracenas estivessem ali. Eu teria preferido isso do que subir 215 degraus para achar o maldito triângulo.
Dei de cara com uma área em formato de rosa dos ventos. Pessoas andavam de um lado para o outro, tirando foto de tudo que viam. Algumas pessoas se viraram para mim e me encararam de forma estranha. Talvez por causa de meus olhos roxos. Ou talvez por que eu era mesmo estranha. Olhava de um lado para o outro, procurando aquele maldito Delta. Dava voltas e voltas e nada. Suspirei e me sentei em um banco que tinha ali perto. Fiquei encarando o horizonte por um tempo, até ouvir alguém gritar.
Infelizmente, eu reconhecia aquele grito.
Desci as escadas o mais rápidos que pude. Usei a magia para que a pulseira se transformasse em adaga. Encontrei Luccas e Nicolas lutando contra dracenas. Luccas estava ferido na barriga, mais ainda continuava lutando com sua espada e, ocasionalmente, lançava um jato de fogo nos monstros. Nicolas tentava ajuda-lo, mas também estava em seus próprios problemas. Ele lutava, com sua espada, com várias dracenas. Enquanto observava, uma ergueu a lança e o acertou no braço. A raiva me consumiu. Senti meus braços formigarem e, quando notei, já estava recitando uma magia de uma voz que viera em minha mente.
— ékrixi tis fotiás! — uma onda de energia tomou conta do local e os monstro, junto com os semideuses e mortais, foram jogados para longe. Alguns monstros sobreviveram, o que foi um erro deles.
Corri naquela direção, com a Neá Selini erguida, e ataquei. Uma pegou sua lança de volta mas eu a roubei e parti em dois. Logo em seguida, acertei minha adaga em seu quadril, assim transformando-a em pó dourado. Eu girava e acertava um dracena. Rolava e acertava outra. Desviava, mais uma ia ao chão. Atacava, uma pilha de pó dourado ia na minha cara. Eu lutava como nunca havia lutado antes. Quando finalmente notei, todos os monstro agora eram pó dourado. Dei um sorriso e transformei minha adaga novamente em pulseira.
Os meninos ficaram me encarado, boquiabertos.
— So-Sofia. — gaguejou o filho de Hefesto. — Como você fez isso?
— Não temos tempo. -disse Nicolas. Ele apontou para uma abertura em baixo da letra Δ. — Vamos.
Todos entramos no buraco que se fechou.
Estávamos presos no Labirinto.
Fale com o autor