A Batalha do Caos
8 Aceito ser condenada.
Notas iniciais
— Como assim? — perguntou Kevin. Senti todos os olhares do chalé voltados a mim.
— Eu...eu tive um sonho sobre a terra engolindo Hécate e uma voz feminina que vinha da terra falava que ela não havia morrido e que logo, logo traria alguém de volta a vida. — disse um pouco envergonhada com toda a atenção. Ouve murmúrios pelo chalé todo até Elina falar.
— Vocês tem trabalho a fazer, não? — depois de mandar todos as suas funções matinais, ela se virou para mim. — E Sofia, eu não quero você estragando a paz nesse chalé.
— Como se eu fosse o problema. — murmurei baixo mas deu para perceber que Elina tinha ouvido.
— Você também tem coisas para arrumar. Então comece para não nos atrasar para o café.
***
Eu estava no palmar de Zeus observando a noite que caia rapidamente. O vento frio que batia em meu rosto me fazia estremecer de frio mas tentava não me importar. Ouvia os ruídos da floresta. Monstros rugiam, pássaros cantavam, lobos uivavam. Fechei os olhos mas não tinha sido uma boa ideia. Vi uma onde de terra vindo em minha direção e quase me engolindo. Antes que conseguisse minha mãe se materializou na minha frente, de braços abertos e de costas para a onda. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Quando a onda de terra vinha a bater nela, abri os olhos com medo do que eu viria. Levantei e fui para dentro da mão da estátua. Olhei para a mesa bagunçada que estava no canto. Vários papeis se encontravam em cima dela. Peguei um dos papeis e vi que era a estatua de uma mulher com o punho erguido. Peguei outros dois papeis que estavam presos um no outro e vi que era uma carta em língua de runas e uma outra folha que provavelmente estavam usando para traduzir. Guardei no bolso e ouvi uma trombeta de caramujo. Estava na hora da fogueira.
Voltei correndo e, por sorte, cheguei na hora que o chalé 20 estava sentando na arquibancada. A fogueira estava com fogo verde e com fogo baixo.
— Boa noite, campistas! — saudou Quíron que estava em sua forma de centauro. — Como a maioria sabe, fomos roubados. Quaisquer informações sobre o velocino, por favor, avisar para a casa grande. Mas mudando um pouco de assunto, talvez vários de vocês notaram que a Névoa está em sua forma física e que cada vez está sendo mais difícil dos mortais acreditarem nos truques dela.
Rachel Elizabeth Dare, a oráculo do acampamento. Ela vestia uma blusa branca do museu de artes de New York e uma calça jeans rabiscada. Ela tinha cabelos ruivos cacheados, olhos verdes e sardas no rosto. Na luz da fogueira os cabelos dela pareciam uma cachoeira de fogo. Ela encarou a bandeira do chalé 20.
— Chalé de Hécate, sabem alguma coisa a respeito?
Elina se levantou e encarou o fogo por alguns instantes.
— Hécate está sendo aprisionada. — respondeu depois de 10 segundos calada. Os outros campistas a encararam mais assustados.
— Está sendo presa por Gaia. — murmurei baixo, de modo que só a Lilia consegui-se me ouvir.
— Mas você sabe por qu.... — ela se curvou para frente e seus olhos brilharam verde. Uma névoa, também verde, saia de sua boca. Dois campistas pegaram um banco de três pernas e colocaram ela sentada. A voz que saiu de sua boca era a mesma voz da silhueta.
"Filha da magia,
com inimigos se alia.
Decerás na escuridão do infinito
e verás algo reerguido.
No fim, vivos sairão
mas um preço alto pagarão.!
Todos os outros campistas ficaram assustados. Aquela não era a voz do oráculo. Rachel caiu para frente mas os dois campistas que estavam em seu lado, a seguraram.
— Bem... — disse Elina. — pelo menos já sabemos o que devemos fazer. E eu gostaria de ir nessa missão.
Eu me levantei, um pouco envergonhada com os olhares que recebi.
— E...eu também gostaria de ir nessa missão.
— Porque alguém como você ia querer ir nessa missão? — provocou.
— Vocês poderiam ir juntas. — sugeriu alguém do chalé de Deméter.
— Eu não vou ir a nenhum lugar com ela. — Elina apontou o dedo para mim. Quíron nos observava apreensivo. — E ainda por cima, você é novata em magias. Então me diga por que você iria nessa missão.
— Nossa mãe é deusa da encruzilhada. — disse calmamente e ouvindo um sussurro em minha mente. — Você sabe que eu tenho de ir. Caso o contrário, a missão falhará.
Elina refletiu nessas palavras por alguns segundos. Logo em seguida sentou.
— Então, — disse Quíron. — Sofia Ramos, você aceita participar dessa missão, mesmo sabendo dos riscos?
— Eu aceito, Quíron. — disse sem hesitar.
— Então está decidido. Você pode escolher dois acompanhantes.
A fogueira acabou e eu me aproximei dos meninos.
— Nicolas Elpízio, aceita ir na missão comigo?
— É claro, madame. — ele respondeu com um sorriso no rosto.
— E você Luccas Afosíosi, aceita nos acompanhar na missão.
— Acha que eu não vou? — riu.
Despedi-me deles na porta dos chalés e voltei correndo para o meu. Alguns dos meus irmão me ajudaram a arrumar a minha mochila com tudo necessário e depois fomos dormir.
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