Notas iniciais
Arte Original "Prologo" por :Isabela Ames 
A imensa parede de neblina acompanhava o pequeno barco, solitário. As águas estavam escuras e frias como jamais antes e as pequenas ondas acompanhavam o vento gélido e suave, que parecia ter o poder de mover aquela embarcação sem vela alguma. Estava a navegar em um grande limbo, um pequeno ponto em uma imensidão infinita, mas não estava perdido. A passageira se confundia à embarcação.
Ao longe, uma praia que pela primeira vez via um clima tão obscuro. Soldados em guarda, já desconfiados que algo estranho estava por vir, preparados com enormes armaduras prateadas e azuis, com lanças, espadas, martelos e animais. Assustaram-se ao perceber que ao longe, uma pequena silhueta negra surgia da neblina, suave, leve, lenta e aterrorizante. Os olhares dos soldados diante daquilo expressavam seu espanto. O pequeno barco finalmente chegou à areia. A passageira permanecia escondida em suas vestes, estática, como uma estátua sendo lapidada. Dois jovens guerreiros andavam vagarosamente em direção a ela, apontando suas lanças, esperando por rendição do inimigo. Todos ali olhavam atentamente, os metros se tornam centímetros, até que as duas pontas afiadas chegam próximo de sua face. Desconfiado, um dos soldados toca suavemente o gorro com sua arma, tentando por ventura revelar o rosto da passageira.
O espanto paralisa todos que a olhavam. Uma mulher conhecida por aquele povo, parecia estar marcada por eventos desconhecidos, seus olhos estavam com uma estranha íris branca, expressavam medo, e seu olhar mirava o nada. Os dois soldados permanecem no mesmo lugar.
—S-senhor?— Um deles olha para o comandante, diferenciado pelas vestes cinzas.
— Levem-na para o Imperador — Ele ordena. Sua voz parecia estar sem forças, não acreditava no que via.
Os jovens largam suas lanças e seguraram os braços da mulher. Ela parecia guardar algo que os assustou, fazendo com que o comandante se aproximasse. O som fino e quase imperceptível de choro surgia dela. O homem de vestes cinzas chegou na beira do barco, ajoelhando-se a altura de sua antiga amiga, observou aquilo que ela segurava em seus braços, escondido por panos, os quais ele tirou com delicadeza. Chocou-se ao perceber que era um bebê, mas por um segundo, aterrorizou-se ao observar os olhos da criança, laranja brilhantes, que se perdiam aos poucos até adquirir uma cor castanha habitual. Jamais em sua vida, aqueles soldados sentiram uma magia tão pesada originada de um ser tão jovem. E calados, seguiram em passos lentos até o palácio.
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