Notas iniciais
Olá pessoal! Mais um capítulo de A Batalha da Cidade para vocês ^.^

O vento frio da madrugada fazia com que nos encolhêssemos ainda mais um contra o outro. Estávamos sentados na escada, na porta da delegacia, há um bom tempo esperando por Rafael e Tainá que estavam presos. Aline recebeu uma ligação de Tainá e corremos para lá. O delegado explicou a situação superficialmente a Aline que depois contou para a gente. Enquanto esperávamos a liberação de nossos amigos fomos numa lanchonete ali perto, estávamos famintos. Esperamos com Alberto cochilando escorado no meu ombro. Aline puxava assunto para não dormirmos, era de madrugada e nunca se sabe o que pode acontecer por aí, mesmo na porta de uma delegacia.

Estávamos conversando sobre as diferenças entre o Colégio Realeza e o Preparatório quando ouvimos umas conversas vindas de dentro da delegacia. Virei a cabeça na direção das vozes e lá estavam Rafael e Tainá aliviados por terem sido liberados. Levantamos rapidamente, com isso Alberto que estava escorado em mim caiu na escada e acordou assustado. Involuntariamente Aline abraçou os dois. Não sei se ela estava feliz por eles estarem soltos ou por não termos mais que ficar sentados na escada ao relento.

— O que aconteceu? – Alberto perguntou sonolento.

— Eles foram soltos – respondi e me virei para Rafael e Tainá — Como vocês conseguiram isso?

Tainá ia começar a falar, mas Rafael a interrompeu.

— Fiz um trato com o delegado que liberou um garoto que nos disse onde o Patrick está. Em troca disso, tenho que vencê-lo e acabar com essa confusão.

Parecia que Rafael interrompera Tainá de propósito, o olhar dela parecia questionar a fala do menino.

— A gente precisa ir agora? – perguntou Alberto bocejando.

— Sim. A Batalha da Cidade está acabando e o tempo está correndo. ­— a baixinha respondeu.

— Mas, onde está o Patrick? – indaguei.

— Patrick e a gangue dele estão em um parque próximo ao colégio estadual.

— Então, o que estamos esperando? Vamos lá! – exclamou Aline que começou a correr sem nem mesmo saber qual direção seguir.

— Aline! – Tainá a chamou.

— Oi? – Aline parou sua corrida e se virou em nossa direção.

— O colégio estadual fica pelo outro lado.

— Ah claro! Eu sabia disso – a loira tentou disfarçar.

Rafael estava liderando o grupo pela cidade, não sei ele estava mais a frente porque queria nos mostrar o caminho até o parque ou porque não queria que vissem o nervosismo dele. Ele iria enfrentar um dos melhores treinadores da cidade e com fama de ser bem durão.

Começamos a correr para chegar mais rápido ao nosso destino e acabar logo com essa baderna que vem tomando conta da cidade. Era uma atividade exaustiva depois de um dia muito agitado, mas nós não nos importamos com isso. Tínhamos um objetivo maior.

Depois de subirmos uma pequena ladeira, finalmente avistamos algumas árvores e eu perguntei a Rafael se aquele era o parque e ele confirmou. Um amálgama de alívio e preocupação me tomou ao pensar no que estava por vir. Diminuímos o passo e nos demos um tempo para respirar e desacelerar o coração palpitante.

Assim que me aproximei do parque percebi que eu já conhecia aquele lugar. Estive ali algumas vezes quando mais novo. O parque era grande e provavelmente procuraríamos por Patrick dentro do perímetro se eu não tivesse um palpite de onde ele estaria. Guiei o pessoal por meio de árvores espaçadas que a essa hora da madrugada eram rodeadas por uma cerração que dava um clima sombrio e assustador ao local. Alberto se aproximou de mim e me cutucou. Olhei em seus olhos castanho-claros e tentei passar o máximo de confiança possível.

Não demorou a chegarmos a uma clareira enorme. As crianças normalmente usavam aquele lugar como campinho para jogarem futebol. É plano e possui grama em toda sua extensão, mas parecia que ninguém vinha aqui há um bom tempo, já que a grama estava mais alta do que deveria ser. Escutei um estalo vindo do alto e quando olhei para cima de um carvalho lá estava alguém nos encarando. Alguém que Tainá confirmou ser Patrick.

Ele pulou do galho em que estava e pousou no chão com certa habilidade. Endireitou a postura e bateu a poeira das mãos e da calça jeans surrada que possuía alguns rasgos. Patrick usava coturnos de cano alto, uma blusa preta com uma caveira enorme estampada e uma grossa jaqueta de couro negro. O visual sombrio contrastava com a pele clara com sardas. Os cabelos ruivos ondulados estavam penteados num topete fixado com gel. Ele era bem alto, provavelmente passando de um metro e noventa. Musculoso como dava pra perceber pelo corpo marcado pelas roupas justas. Seus olhos verdes pareciam brilhar e um sorriso cruel estava em seu rosto.

— Ora, ora, ora... Olha quem veio me visitar – o ruivo falou lentamente com sua voz grave.

Olhei para trás e vi como Tainá estava brava. Rafael numa atitude defensiva tentava deixá-la atrás dele, mas não adiantou. Tainá foi para frente e começou a brigar com Patrick.

— Seu escroto! Você arruinou a competição! – ela estava furiosa.

— Eu? – Patrick se fez de desentendido.

— Não me venha com essa. Você é um canalha! Começou a perseguir todo mundo, inclusive espancar treinadores mais fracos para duelarem com você para que pudesse se promover e aumentar sua classificação. – Se dependesse de Tainá, ela já teria esbofeteado o ruivo, contudo eu e Rafael estávamos segurando-a. Alberto e Aline também estavam preparados caso alguma coisa acontecesse. A baixinha tinha um pavio bem curto.

— Perseguindo? Espancando? – deu uma risada irônica — Cuidado com as suas palavras, mocinha. Alguém pode querer cortar a sua língua.

O sarcasmo e o olhar cínico de Patrick eram absurdamente irritantes e por um momento, eu tive vontade de soltar Tainá e bater nele junto a ela. Acho que se ele não fosse uma montanha de músculos, talvez eu tivesse ido. Todavia, notar que os capangas do ruivo estavam ali por perto acalmou os meus ânimos.

— Já chega! – Rafael falou sério lançando um olhar profundo à garota que parou de lutar para se libertar. O mulato a soltou e deu um passo a frente. — Patrick, estamos cansados desse caos que você está fazendo nessa cidade. Perseguiram-me pela cidade e quando eu te persegui se escondeu aqui. Não sou o primeiro colocado, mas sou o segundo. Vamos batalhar e depois vai parar com essa palhaçada de uma vez por todas. Combinado?

Nunca vi Rafael falando tão sério desde que o conheci. Patrick levantou os braços em sinal de rendimento e começou a falar com a mesma cara de deboche de outrora.

— Sinceramente não acho que fiz algo errado. Mas terei prazer no acordo. Paro com a “baderna”... – ele fez aspas com os dedos —... Mas em uma batalha tripla contra os três – e apontou para mim, Aline e Rafael.

— Como é que é? – Aline perguntou.

— Vocês acharam mesmo que eu perderia a chance de batalhar com três dos melhores colocados? Como vocês são inocentes! – ele soltou uma gargalhada e depois tornou a ficar sério — E então? Aceitam uma batalha tripla valendo nove pontos?

Rafael, Aline e eu nos entreolhamos. Era muita prepotência para uma pessoa só. Esperar vencer nós três de uma única vez.

— Será que a gente consegue? – Aline questionou nervosa.

— Vai ser um desafio. – dei minha opinião – Acham arriscado?

— É a nossa única chance. Topam? – Rafael perguntou e nós concordamos

Eu nem sabia que batalhas triplas eram permitidas nesta competição. Acho que eu teria ganhado mais pontos em menos tempo se eu tivesse tentado isso antes. Aline parecia preocupada o que me deixava questionando o nível de dificuldade e a estranha escolha do adversário.

Estendemos nossas pokedex que oficializaram o início da batalha tripla. Pegamos nossas pokebolas e as lançamos ao ar. Elas giraram um pouco e seis raios luminosos vermelhos iluminaram o espaço e revelaram a forma de seis pokémons.

Do lado de Patrick, um grupo forte e sisudo de pokémons: Muk, Hitmonchan e Houndoom. Muk era realmente fétido. Um Pokémon enorme, pegajoso e amorfo feito de lodo roxo com uma boca enorme, olhos minúsculos e membros semelhantes a braços. Um líquido tóxico escorria de seu corpo com cheiro de chorume matando a grama e as plantas ao redor de tantas toxinas existentes neles. Seu toque provavelmente era tóxico. Um Pokémon mortalmente perigoso.

Houndoom era um canídeo assustador. Coberto por um pelo negro lustroso, com exceção dos pelos alaranjados da barriga e do focinho alaranjado, possui dois chifres recurvos que saem de sua cabeça. Suas patas são esguias e com garras. Possui um "pingente" de caveira adornado por uma estrutura cinzenta que se assemelha a um colar, além dessas mesmas partes no dorso e nas pernas. Sua cauda é longa e com uma ponta em triângulo. Tem uma mordida poderosa e uma natureza encrenqueira resolvendo tudo nas brigas. Seu hálito cheirava a fogo.

Hitmonchan é um Pokémon humanoide notavelmente lutador. De pele bronzeada, com cinco protuberâncias na cabeça, túnica, saia e sapatos lilases e luvas de boxe vermelhas revelam que sua especialidade é socar. Ele está sempre em movimento não deixando o sangue esfriar. Embora ele seja bom com socos, nunca deixa sua guarda baixa mostrando uma boa defesa.

Rafael havia liberado Heracross que era um Pokémon inseto parecido com um besouro. De exoesqueleto azul-marinho, ele possuía braços e pernas fortes com garras grandes e firmes além de um único chifre no topo da cabeça terminando em uma cruz. Li em um livro que o Heracross é capaz de levantar objetos até cem vezes mais pesados que ele.

Já eu liberei Vaporeon, um Pokémon quadrúpede que compartilha características tanto terrestres quanto aquáticas com um corpo azul, uma crista mais escura que segue até a cauda partilhada como a de um golfinho, uma espécie de coroa e três barbatanas ao redor da cabeça.

A minha maior surpresa foi o Pokémon liberado por Aline. Um majestoso Tyranitar. Um enorme réptil bípede semelhante a um dinossauro com uma armadura rochosa natural que o protege de diversos tipos de ataques. Tem vários espinhos protuberantes saindo de suas costas, cabeça, pescoço e ombros. Possui dois pequenos pares de presas e dois pequenos braços em relação ao corpo, mas possui uma longa cauda com um anel de espinhos na ponta. Parecia extremamente forte e poderoso.

Uma branda tempestade de areia se iniciou no local. Era a habilidade Corrente de Areia de Tyranitar que se ativou com a chegada dele ao campo. Automaticamente colocamos nossos braços na frente dos olhos para proteção. A tempestade de areia ia e vinha com força e não agia de maneira circular semelhante a um tornado como eu imaginava.

Patrick estava surpreso. Eu podia jurar que ele esperava Aline usando Chikorita ou quem sabe Togetic. Mas, não demorou muito para que ele retomasse a pose de durão e comandasse o primeiro ataque.

— Houndoom, Lança-Chamas no Heracross. Muk, Tóxico no Vaporeon e Hitmonchan use o Mega Soco no Tyranitar. – Patrick ordenou rapidamente.

— Vaporeon anule o Lança-Chamas com a Hidrobomba!

— Heracross, Ataque Aéreo no Hitmonchan.

— Tyranitar, vamos partir para o ataque. Poder Antigo no Muk – Aline comandou.

Instantaneamente deu para perceber qual seria a nossa estratégia. Iríamos proteger uns aos outros contra o nosso oponente em comum. Heracross atravessou a campina voando numa velocidade incrível, mesmo com a areia atrapalhando o percurso, fazendo com que seu corpo fosse rodeado de ar e energia. Houndoom lançou o jato de chamas contra o Heracross em movimento, mas Vaporeon conseguiu impedir antes que o inseto fosse atingido. Infelizmente, com isso meu Pokémon baixou a guarda, mas o réptil rocha noturno atacou o Muk que interrompeu o ataque.

— Que fofo! Um protegendo ao outro. – Patrick realmente gostava de debochar.

— Heracross, Ataque de Chifre no Hitmonchan!

O Pokémon inseto do Rafael era bem veloz e isso certamente ajudaria o time, mas o time adversário não ficava para trás. O Pokémon lutador por instinto conseguiu se esquivar do Heracross e acertá-lo com um Mega Soco.

— Não deixem esse babaca ganhar de vocês! Desce a porrada nele! – gritou Tainá incentivando.

— Poupe seu fôlego, baixinha, essa luta já está ganha. Muk use o Gás Venenoso e Houndoom, Poluição. Hitmonchan use o Soco do Trovão no Vaporeon.

Já íamos comandar ataques, mas o fator clima nos defendeu. A tempestade de areia estava mais forte e levou os gases venenosos para longe e o excesso de areia impediu o ataque de Hitmonchan.

— Droga! Nessa forte tempestade não posso fazer Heracross voar – Rafael resmungou baixo, mas consegui ouvi-lo.

— Desculpe-me, mas essa tempestade está nos salvando dos gases venenosos daquele monstro fedorento. – Aline também conseguiu ouvir e revidou.

— A briga é comigo! – Gritou Patrick. – Houndoom, Lança-Chamas; Muk use a Bomba Tóxica e Hitmonchan use a Mão Amiga.

— Essa é a hora de nos mantermos unidos. – Disse aos meus amigos. — Vaporeon use o Raio Aurora.

A tempestade de areia suavizou-se outra vez. Hitmonchan liberou um raio azul para os aliados que tiveram seu poder aumentado, por causa disso, os ataques de Houndoom e Muk dobraram de tamanho. O raio gélido de encontro às chamas gerou uma grande quantidade de névoa que ainda mais a visibilidade já baixa e os pokémons foram atingidos pela Bomba Tóxica.

—Hitmonchan, Mega Soco no Tyranitar; Houndoom, Bola das Sombras no Vaporeon e Muk use o Choque Venenoso no Heracross!

— Heracross use o Arremesso Sísmico!

— Tyranitar, Cauda de Ferro!

— Vaporeon, Raio Aurora!

O fato de Heracross ter se movido para impedir que Hitmonchan atacasse foi algo bom, pois ele desviou do líquido verde venenoso do Muk, mas isso fez com que Tyranitar fosse atingido e não realizasse a Cauda de Ferro que tinha como objetivo impedir a Bola das Sombras de acertar Vaporeon. Meu Pokémon foi acertado, mas lançou o raio gélido multicolorido ainda assim que congelou as asas de Heracross fazendo com que este fosse acertado pelo Mega Soco do Hitmonchan. A tática de um proteger ao outro estava indo por água a abaixo.

— Droga! – Rafael estava estressado com a situação, assim como todos nós, mas eu entendia que ele estivesse mais tenso com tudo aquilo. Ele prometeu ao delegado que ia derrotar Patrick. Com seu Pokémon congelado não havia muito que ele pudesse fazer.

De repente, eu tive uma epifania. Uma luz se iluminou na minha cabeça e eu fui juntando detalhes sutis até descobrir o que realmente estava acontecendo ali.

— É isso... – comentei comigo mesmo.

— Isso o quê? – Aline perguntou

— Eu entendi porque Patrick queria uma batalha tripla. – comecei a explicar — Ele reuniu três treinadores sem afinidade alguma entre si para lutarem juntos contra um inimigo em comum. Patrick já imaginava que não conseguiríamos criar uma boa estratégia de combate em tão pouco tempo e ainda lidar com as nossas diferenças de estilos. Ele está usando nossa falta de compatibilidade a seu favor e nesse ritmo ele pode ganhar.

Notas finais
Por favor, comentem! Isso nos anima a continuar a história e nós respondemos os comentários com o maior carinho. Ou como diria a Snowy, autora de Conquista do Destino, nosso moveset não tem Bite. Até a próxima!