Capítulo Nove
Rica.

No dia seguinte, assim como no dia do almoço nos Diggory, Tori foi levada junto com todas as suas coisas para a casa de Akin, para novamente usar sua lareira.

A diferença era que naquela vez o auror iria junto, para ajudar com as coisas. Enquanto a menina levaria a coruja Kiki, o adulto levaria o malão, que era bem mais pesado.

— Tome cuidado. — disse Akin, enquanto observava a menina pegar um punhado de Pó de Flu.

— Eu sempre me cuido. — sorriu de leve e segurou com mais firmeza a gaiola, enquanto atirava o Pó na lareira — Cabeça de Javali! — pronunciou com o máximo de clareza o possível.

Assim como da primeira vez, Tori se sentiu sugada por um ralo. Tudo girou e ela sentiu Kiki completamente desconfortável, pois batia as asas e beliscava o ferro, da última vez acabando por beliscar o dedo da menina, que soltou um gritinho.

Quando todo o mal estar passou, a menina caiu sentada na lareira do mesmo lugar esquisito da outra vez. Aberforth permanecia no mesmo lugar, limpando o mesmo balcão e com o mesmo pedaço de pano.

— Olá. — o cumprimentou e recebeu o olhar de alguns dos peculiares clientes por ali.

Antes que a menina pudesse sentir o mesmo desconforto causado da outra vez, Akin apareceu na porta do lugar e acenou para ela. Imediatamente ela correu para lá, passando pela porta e tropeçando nos próprios pés no percurso. Mas alguém a segurou antes que pudesse cair.

Ao erguer o olhar para ver quem era, um sorriso automático se abriu no rosto de Tori ao avistar o amigo Olívio, que assim que a colocou de pé, a abraçou.

— Que bom que você realmente veio. Eu pensei que fosse fugir! — riu enquanto a erguia do chão rapidamente.

— Eu disse que viria, então eu cumpri! — engoliu em seco quando a mesma sensação enjoativa incomodou seu estômago.

Instintivamente, Tori se afastou e arregalou os olhos, causando uma expressão confusa no amigo.

— Que foi? — ele perguntou.

— Ahm... Eu... Uh... A Kiki me beliscou e está doendo. É só isso. É... Isso! — ergueu o dedo atingido, que sangrava um pouco.

— Vem, vamos para casa. Lá a mamãe cuida disso para você. — pegou a gaiola da coruja e saiu andando na frente.

— Kiki? Mas que desculpa mais boba! — sussurrou Akin de maneira brincalhona, o que fez a menina ficar sem graça.

— Pelo menos não ameaço prender ninguém só para puxar assunto! — rebateu e saiu andando na frente, fazendo o amigo adulto rir.

Os três caminharam pelas calçadas pouco movimentadas de Hogsmeade, enquanto os dois do sexo masculino iniciavam um assunto aleatório sobre times de Quadribol que cada um torcia. Tori ficou um pouco atrás, quieta, enquanto organizada seus pensamentos.

Agora que havia chego ali e estava prestes a iniciar seu treinamento em tudo o que envolve Quadribol, Tori sentiu medo. Não medo de despencar de uma vassoura e morrer, mas medo de desapontar o amigo que parecia tão decidido e empolgado. Não queria ser responsável pela baixa estima dele em pensar que não era bom em ensinar, quando o problema na verdade estava nela. Não era filha de Tiago Potter e já demonstrou não ter facilidade alguma com qualquer coisa que a tirasse do chão.

— Tori, você está aí? — Olívio estalou os dedos na frente do rosto da menina.

— Ahm? O quê? — Tori piscou algumas vezes.

O garoto riu.

— Você estava viajando. — sorriu — Só tente manter a cabeça no lugar quando estivermos treinando, porque não quero que você se machuque! — apertou uma vez o ombro dela e adentrou o chalé, por onde Akin já havia entrado.

— Então essa é a famosa Tori? — um homem muito parecido com Olívio foi a primeira pessoa que a menina viu ao entrar.

— Famosa? — ela sorriu e se aproximou, estendendo a mão para um aperto.

— Não tem como não saber sobre Tori Evans, quando se mora com um fã número um dela! — o homem sorriu e apertou de leve a mão da menina.

Tori olhou em direção ao amigo e o viu sorrir de maneira aberta, como se aquela revelação do pai não o abalasse ou o incomodasse em nada, como se não tivesse o que temer. O invejou, pois sua interpretação sobre aquilo a fez corar um pouco.

— Sou Dominc Wood, ou Dom, sou pai do Olívio e você já deve ter conhecido minha esposa, Lexus! — apontou para a esposa, que estava logo ao lado.

— Você veio mesmo! — senhora Wood recebeu a convidada de maneira calorosa, a abraçando.

— Viu como não fui o único a duvidar? — o garoto relembrou a amiga.

— Eu fui um pouco rude, aí pensei que você não iria querer vir. — disse a mulher, desapertando o abraço — Eu só estava... Na verdade, ainda estou irritada com aquela ameba que dizem ser seu pai. Acho que nenhuma mulher merece ter suas vontades violadas! — desabafou enquanto se sentava no sofá.

— Está tudo bem, senhora Wood. Eu sei quem é o meu pai verdadeiro, e não é esse senhor, por mais que o sangue diga o contrário! — Tori falou e foi para perto dela — E obrigada por me receberem aqui, mesmo se eu corrompi o Olívio uma vez... — soltou um risinho e encarou os Wood.

— Não se preocupe. Ele aprendeu a lição! — Dom olhou e depois deu uma piscadinha para o filho — Filho, ajude Tori a levar as coisas para o quarto. — pediu.

— Sim, senhor. — Olívio puxou o malão e seguiu para a escadaria.

— Vou levar sua coruja para junto das outras, ok? — a mulher pegou a gaiola.

— Ok, muito obrigada. — Tori sorriu e apressou os passos para alcançar Olívio nos degraus.

Os dois subiram por uma escada breve e logo chegaram ao segundo andar. Eles seguiram por um curto corredor, contando apenas três portas de, obviamente, quartos, e Olívio entrou na terceira.

— Pode ficar à vontade e sinta-se em casa. Quando precisar ou estiver com medo, meu quarto é o da porta da frente, é só bater lá. — sorriu — Ah, e esqueci de comentar... Tem problema se começarmos a treinar hoje, depois do almoço? Todo tempo é precioso para que você fique ótima em Quadribol em apenas um mês! — abriu um sorriso animado e esfregou uma mão na outra.

— Tudo bem. Mas, onde vai ser? No Campo de Hogwarts? — perguntou Tori, se sentando na beira da cama para se livrar dos tremores nas pernas pela ansiedade.

— Não. Eu fiquei um pouco sem jeito de pedir para usar o espaço, por ter sido banido por alguns meses. Então treinamos pelas ruas, aproveitando que está tudo muito vazio por aqui. Quando for a vez do Quadribol, nós damos um jeito! — Olívio se sentou ao lado da amiga.

— Sério que vai ter platéia para me ver caindo de cara no chão? — o nervosismo piorou.

— Você não vai cair, não se preocupe. E caso eu perceba que vai, eu vou te segurar a tempo! — garantiu — Só confie em mim, que eu sou bom no que faço! — deu uns tapinhas leves no ombro da menina e se levantou.

— Tomara... — não conseguiu ser tão segura em suas palavras.

◾ ◾ ◾

Assim que deixou as coisas no quarto e tirou os vestígios de sujeira da lareira de sua roupa, pele e cabelo, Tori desceu a tempo de se despedir de Akin. Ele teria que trabalhar para continuar com o disfarce no mundo trouxa, então teve de recusar o convite para o almoço, que tinha um cheiro ótimo.

Enquanto Olívio o levava até a porta, a menina seguiu para a cozinha a procura da dona da casa. Acabou a encontrando na pequena sala de jantar e ofereceu sua ajuda para colocar a mesa, que foi concedida.

— Você é boa nisso, para sua idade. — Lexus Wood a elogiou, enquanto trazia algumas panelas levitadas por magia.

— Eu sempre ajudei minha tia em serviços de casa, por mais que ela me criticasse o tempo todo e por ser super perfeccionista! — riu ao se lembrar da tia — Se algo não estiver bom, você pode arrumar. — colocou os últimos talheres e deu uns passinhos para trás.

— Está ótimo. De qualquer forma os meninos vão bagunçar tudo em questão de segundos! — riu e usou magia para colocar um quinto prato.

Quando Tori moveu a boca para perguntar a quem pertencia, ouviu passos sa aproximando da sala de jantar e se virou a tempo de ver Olívio juntamente com Carlinhos caminharem até ali.

— Oi, tia. — cumprimentou a dona da casa com um abraço breve.

— Carlinhos veio nos dar uma força no treinamento. — Olívio respondeu as interrogações da amiga.

— Oi, Tori! — sorriu para a conhecida.

— Olá, Carlinhos. Como vai a família? E os meninos? — Tori tratou logo de perguntar sobre os amigos, só então se dando conta que fazia muito tempo que não escreviam para ela.

— Todos bem, principalmente o Fred. Mas depois ele te conta as últimas novidades. — mexeu os ombros.

— Quais novidades? Não custa me contar agora que começou! — cruzou os braços e insistiu.

— Melhor não. Eu não quero apanhar por ele e você tem que se concentrar! — o garoto negou.

Com a curiosidade latejando em sua cabeça, Tori ficou emburrada com o Weasley. O ignorou o máximo que conseguiu durante o almoço, que se iniciou quando Dom apareceu.

◾ ◾ ◾

Depois do almoço, Olívio levou Tori para o andar superior novamente e entregou para ela um uniforme de quadribol, a deixando sozinha para se vestir. A menina vestiu tudo e só teve dificuldade com os últimos itens, onde chamou o amigo para ajuda-la.

— É mesmo necessário tudo isso? Eu mal consigo me mexer! — Tori reclamou enquanto Olívio prendia as cotoveleiras.

— Se quiser ir para o St. Mungus, não será necessário nada disso. — respondeu Olívio, agora colocando e começando a prender o protetor de cabeça, que chegava ao queixo.

Com a proximidade com o garoto, Tori sentiu um grande incômodo e ficava se mexendo toda hora, o que o fazia ter de começar de novo toda hora.

— Sabe mesmo o que está fazendo, Olívio? — Carlinhos adentrou o quarto.

Tori soltou um suspiro aliviado.

— Faz você então, esperto! — reclamou o goleiro.

— Claro. — riu e se aproximou da menina, que agora estava quieta — Pronto. Qual a dificuldade? — terminou de fechar o protetor e se afastou, debochando do amigo.

Enquanto os dois trocavam soquinhos e riam, Tori se virou para o espelho do quarto e encarou seu reflexo, totalmente protegida por equipamentos de proteção de Quadribol. Por mais que não conseguisse se mexer, acabou concordando com os meninos que seria necessário tudo aquilo. Pelo menos enquanto não fizesse uma trégua com a vassoura.

— Ei, tartaruga, vamos! — Olívio a assustou quando deu uns tapinhas no capacete.

— Tartaruga é você! — deu um empurrãozinho nele e foi para a porta — Eu estou ridícula com essa roupa! — desabafou e riu.

Os três desceram para o andar inferior outra vez e Tori foi elogiada por Lexus, que alegou que ela estava uma gracinha com aquela roupa. Olívio reclamou que a mãe não o elogiou também e Carlinhos debochou do ciúmes do amigo.

Eles saíram do chalé e os outros dois logo montaram em suas vassouras, deixando a menina para trás.

— Eu estou bem aqui, não se preocupem! — ironizou e observou a vassoura em sua mão — Será que realmente um raio não cai no mesmo lugar duas vezes? — falou sozinha.

Vendo que Olívio matava a saudade de voar em vassoura e Carlinhos jogava uma goles para ele toda hora, ambos distraídos, Tori passou a perna por cima da vassoura e respirou fundo. Ela esperou até estar pronta e tomou impulso, onde começou a subir muito rápido. Tentou não entrar em desespero e apertou as mãos no cabo.

— Tori, o que está fazendo? — Olívio gritou para ela.

— Continue o que está fazendo, que eu estou bem! — gritou de volta e sentiu os pulsos tremendo ao ver a altura que estava.

— Muito bem, Tori. Agora dê impulso para frente e venha até nós! — Carlinhos a incentivou.

Respirando fundo, Tori impulsionou o corpo para frente e começou a se mover. No começo, seguiu devagar em direção aos meninos, para logo depois a vassoura tomar uma velocidade que a menina nunca quis.

— EU VOU MORRER! EU VOU MORRER! — Tori gritou enquanto enquanto vassoura descontrolada seguia para telhados pontudos de pubs de Hogsmeade.

Ela ergueu as pernas quando passou raspando por alguns deles e acabou dando uma cambalhota, escorregando da vassoura e ficando pendurada por um braço só.

— EU NÃO QUERO MORRER! — gritou estérica e choramingou.

Dali até o chão era uma queda que, no mínimo, a quebraria em milhões de pedacinhos. Tori acabou odiando ter se oferecido para aprender a voar em vassoura, mesmo se aquilo havia deixado um amigo feliz. De que adiantaria ele estar feliz, se ela estaria morta e não veria?

— Tudo bem, Tori, estamos chegando! — gritou Carlinhos.

— Rápido. Minha mão está suando! — a menina gritou de novo e tentou ao máximo manter a força, mesmo os dedos começando a tremer.

Tori viu Carlinhos voar em certa distância embaixo dela, enquanto Olívio surgiu ao lado. Ele voava segurando uma mão na vassoura e a outra estendida para ela.

— Me dê sua outra mão. — ele pediu.

— Não consigo! — gritou, pessimista — Eu vou cair... a minha mão... — não teve tempo de terminar a frase, quando a mão escorregou.

Mas Olívio foi mais rápido e tocou na mão dela, abaixando com a vassoura e acabando por conseguir pegá-la.

Assustada, Tori agarrou o pescoço do menino e ficou presa ali, por mais que ele reclamasse que não estava enxergando nada.

— Se não me deixar enxergar, não temos como descer. — a voz estava abafada pelo capacete e alguns fios ruivos estavam grudados no buço e queixo dele.

— Não consigo, desculpa! — Tori permaneceu dura de pânico.

— Confie em mim, você não vai cair. — o garoto pediu.

Demorou alguns segundos até Tori conseguir afrouxar o aperto e aos poucos devolver a visão do amigo. Ele apoiou a mão na cintura dela, enquanto com a outra ele segurou o cabo da vassoura.

Então desceram devagar, até Olívio apoiar os pés no chão e Tori correr para longe da vassoura. Ela ficou resmungando até conseguir tirar o capacete, onde o jogou com força no chão.

— Eu não sou boa nisso! — gritou, ofegante — Não sou... — choramingou e saiu correndo.

— Onde você vai? — Carlinhos gritou, dando uns passos para frente.

— Anda, Tori, não foi tão ruim assim! — ouviu Olívio a incentivar.

Mas ignorou ambos. Estava chateada por ser uma bruxa que não consegue aprender a voar em vassoura, onde isso não fazia o mínimo de sentido, que a fazia de sentir uma completa farsa. Estava mais chateada ainda por, provavelmente, também não ser boa no esporte favorito de Tiago Potter, na única coisa que a faria ser semelhante a ele.

Frustrada, Tori caminhou de volta ao chalé e parou ao ver Dom na porta, em companhia de uma mulher desconhecida, porém com roupas bem formais.

Ao vê-la, o pai de Olívio acenou para que se aproximasse.

— Senhorita Victória Marlene Evans? — a mulher perguntou.

— Sim, sou eu. Quem é você? — observou a mulher para tentar se lembrar se a conhecia.

Acabou concluindo que não.

— Sou Care Goldsoft, advodada da família Rosier. Podemos conversar em outro lugar? — segurou a mão da menina e apertou uma vez.

— Venham até a sala. — o dono da casa convidou.

— Obrigada, senhor. — a advogada agradeceu.

Um pouco atônita ao ouvir aquele sobrenome, Tori foi a última a se mover do lugar para entrar. Ela caminhou desconfortável até o sofá, onde a advogada já estava acomodada, e se sentou de canto.

— Victória, eu vim até aqui para ler sua parte no testamento do seu pai. Ele morreu... — começou a falar, mas foi interrompida.

— Foi morto. — Tori a corrigiu — Ele foi morto por aurores após lutar ao lado de Voldemort. Se não morto, estaria em Aszkaban! — contou.

— Sim. Ahm... Foi morto. — Goldsoft pigarreou, desconfortável — Você é a única herdeira legítima dele, comprovado pelo St. Mungos da última vez que esteve lá. É uma Rosier e terá direito a todos os bens que Evan acumulou em seus vinte e poucos anos de vida. Pulando a parte chata e que provavelmente não vai ser interessante para você, e resumindo: você está muito, muito rica! — sorriu como se aquilo fosse algo feliz.

Mas Tori permaneceu quieta e inexpressiva.

— Seu cofre no Gringots é o 9051 e aqui está a chave. — tirou de sua bolsa uma chave bronze e um pouco descascada — Pode ir quando quiser, inclusive em sua próxima compra de materiais para Hogwarts! — novamente sorriu.

— Obrigada! — Tori agradeceu e conseguiu sorrir, antes de se levantar — Com licença, que vou guardar essa chave muito bem guardada. Não quero perder essa mina de ouro! — avisou e subiu os degraus correndo.

A menina voltou algum tempo depois, a tempo de ver Lexus irritada pedindo que a advogada se retirasse e parasse de torturar uma criança com a lembrança de quem era o pai de verdade. Goldsoft se retirou alegando ter dito tudo o que precisava e reclamou da falta de educação da anfitriã, que respondeu mostrando o dedo do meio. Tori acabou rindo daquilo.

— Ah, meu bem, eu sinto muito por isso. Dom não tem muito juízo em deixar esses estranhos entrarem aqui, principalmente sendo um relacionado àquela ameba! — revirou os olhos e foi para perto da menina, tocando seus ombros — Você está bem? — perguntou.

— Se eu estou bem? — arqueou as sobrancelhas e depois começou a rir — Eu estou ótima! Maravilhosa! Não ouviu o que aquela senhora disse? Eu estou rica! Muito rica! Eu vou usufruir do meu direito, não tem orgulho que me faça não querer isso. Eu vou usar todo o dinheiro desse idiota. Se ele pensava que eu fosse recusar, se enganou! Bobão! — gargalhou e saiu dançando até a porta.

— Onde vai? — a mulher perguntou, meio preocupada.

— Eu vou contar para os meninos que agora eles tem uma amiga ri-ca! — gargalhou de novo e saiu dando pulinhos.

Assim que teve certeza que a senhora Wood não a observava mais, Tori desacelerou e tocou os joelhos, sentindo-se ofegante pela euforia e pela novidade. Ela respirou fundo enquanto se lembrava de cada palavra da advogada, mas principalmente da parte em que revelou que ela estava rica.

Acabou rindo de novo ao ouvir o flashback em sua mente, para parar logo em seguida.

— Eu vou usar meus direitos. — falou sozinha — Mas o Tiago ainda é o meu pai! — foi firme e apressou os passos.

Acabou encontrando os meninos na metade do caminho, parecendo que estavam voltando para o chalé. Gritou para eles descer e tomou de volta o capacete, o colocando sozinha. Depois tomou de volta a vassoura e recebeu olhares confusos dos dois amigos.

— O que foi? Se esqueceram do que viemos fazer? — ela arqueou as sobrancelhas — Andem logo. Não temos o dia todo! — resmungou e montou na vassoura.

Olívio fez o mesmo e foi para o lado da amiga, por precaução.

— A propósito, eu acabo de saber que estou rica! — gargalhou e encarou os dois amigos, que trocaram olhares confusos.

Inesperadamente, a menina levantou vôo e conseguiu seguir de maneira segura, coisa que não aconteceu da primeira vez. Estava disposta a ser semelhante ao pai que considerava e não mediria esforços para isso.

◾ ◾ ◾ ◾ ◾ ◾