A Banda Que Nos Uniu

15 Epílogo - A Música Que Ficou


O sol da tarde entrava pela janela, pintando a sala com uma luz dourada.

Eu estava sentada na minha poltrona de sempre, com uma manta sobre as pernas, enquanto três pares de olhos curiosos me encaravam.

— Vó... conta de novo — o menor pediu.

Eu ri baixinho.

— De novo?

— A história do vô! — a mais velha insistiu.

Balancei a cabeça, sorrindo.

— Vocês nunca se cansam, né?

— Não! — responderam juntos.

Olhei para a estante ao lado.

A corujinha de pelúcia ainda estava ali, um pouco desgastada pelo tempo. Ao lado, uma foto antiga.

Eu e Rodrigo.

Jovens.

Felizes.

— Tudo começou com música... — comecei, olhando pra eles. — Eu tinha treze anos quando vi o vô de vocês pela primeira vez.

— Ele já era bonito? — o menor perguntou.

Eu ri.

— Sempre foi.

Eles se aproximaram mais, atentos.

— Ele estava num palco... cantando Mamonas Assassinas... e eu achei ele o garoto mais incrível do mundo.

— E você já amava ele? — a mais velha perguntou.

Balancei a cabeça.

— Ainda não... mas acho que meu coração já sabia antes de mim.

— E depois? — o outro perguntou, impaciente.

— Depois a gente se conheceu... conversou... e teve que esperar.

— Esperar quanto tempo?

— Anos.

Eles arregalaram os olhos.

— Tudo isso!?

— Tudo isso — respondi, rindo. — E valeu cada segundo.

— E o vô esperou mesmo?

Uma voz surgiu atrás de mim:

— Esperei.

Eu sorri antes mesmo de virar.

Rodrigo apareceu na porta da sala, apoiado no batente, com aquele mesmo sorriso de sempre... só que agora marcado pelo tempo.

Mas ainda o mesmo.

Sempre o mesmo.

— Vô! — os três correram até ele.

Ele abriu os braços, abraçando todos de uma vez.

— Tão falando de mim sem eu estar aqui, é?

— A vó tava contando tudo! — um deles disse.

Ele olhou pra mim, com aquele olhar que eu reconheceria em qualquer idade.

— Espero que você tenha contado a melhor parte.

Cruzei os braços, fingindo pensar.

— Qual delas?

Ele se aproximou, sentando ao meu lado na poltrona.

— A parte em que eu fui a melhor escolha da sua vida.

Soltei uma risada.

— Convencido até hoje...

Ele pegou minha mão.

Entrelaçou nossos dedos.

Como sempre fez.

— E você ainda continua sendo a minha melhor história — ele disse, mais baixo.

Senti meu coração aquecer do mesmo jeito de anos atrás.

Os netos voltaram correndo e se jogaram perto da gente.

— E aí? O que aconteceu depois? — perguntaram.

Olhei pra eles.

Depois pra ele.

Sorri.

— Depois... a gente viveu.

Rodrigo apertou minha mão de leve.

E, naquele momento, com o sol se pondo lá fora e risadas preenchendo a casa, eu tive certeza:

Algumas histórias começam com música...

E algumas...

Nunca deixam de tocar.

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