A Banda Que Nos Uniu

9 Capítulo 8 - O Silêncio Que Ficou


(Música: Dias de Luta, Dias de Glória – Charlie Brown Jr.)

Junho de 2026 – Jaraguá do Sul/SC

Meu mundo parou.

Eu não queria acreditar.

— Nossa colega, Eloáh, faleceu esta noite.

A frase da professora ecoava na minha cabeça, repetindo, repetindo, repetindo.

Eu estava no banheiro da escola, trancada em uma cabine, sentada, tentando respirar sem fazer barulho. Mas as lágrimas insistiam em cair.

Eloáh foi uma das pessoas que mais me ajudaram ali dentro. Quando eu estava tirando notas baixas por problemas pessoais, era ela quem sentava do meu lado, quem explicava a matéria de novo, quem dizia que ia dar certo.

E, de repente... ela não estava mais ali.

Comecei a lembrar de pequenos sinais. Do jeito que ela andava mais quieta. Do sorriso que às vezes parecia forçado. Das vezes que eu tentei puxar assunto e ela desviou.

Um peso caiu sobre mim.

Eu podia ter feito mais.

Eu devia ter ficado mais perto.

E se eu tivesse insistido?

E se eu tivesse perguntado mais uma vez?

Uma batida na porta da cabine interrompeu meus pensamentos.

— Tem gente — tentei manter a voz firme.

— Eu sei, Mari. Deixa eu entrar. — era a Carla.

Destranquei a porta. Ela entrou devagar, se ajoelhou na minha frente e segurou minha mão.

E foi ali que eu desabei de vez.

Carla sempre foi a "mãe" do grupo. A que cuida, a que percebe, a que acolhe. Quando ela me abraçou, eu senti que podia chorar sem precisar fingir que estava tudo bem.

Passamos o resto da aula conversando baixinho, lembrando de momentos engraçados com a Eloáh, tentando sorrir no meio da dor.

À tarde, cheguei em casa em silêncio. Almocei quase sem sentir gosto. Tomei um banho demorado, como se a água pudesse levar um pouco daquele peso.

Mandei uma mensagem rápida para o Rodrigo, dizendo que eu não estava muito bem e que talvez ficasse um pouco mais quieta nos próximos dias. Disse que ele não precisava se preocupar.

Deixei o celular de lado.

E dormi por horas.