A Bad Dream

1 Nightmare


Stark sobrevoava o céu de Nova York, vestido com sua armadura Mark VII. As coisas não estavam muito bonitas por lá.

Viúva Negra atacava os soldados no solo, junto com Thor, Hulk e Capitão América. Gavião Arqueiro estava no alto de um prédio, mirando nos pontos falhos das máquinas de guerra.

Deu pra deduzir, um vilão novo investia contra a cidade.

− Thor, cuide do início da Quinta Avenida. Hulk saia por aí e esmague essas máquinas...

− HUAAARRRR.

− Vou entender isso como um sim.

Stark ouvia as ordens de Steve pelo comunicador. Todos os combatentes receberam um, a fim de entrar em contanto um com o outro.

− Natasha, vá para... a outra ponta, precisamos encurralar esses homens em um único lugar.

− Certo, Capitão. – Disse a ruiva, roubando uma moto estacionada por ali e saindo em seguida.

Stark reparou que Steve parecia ofegante enquanto falava. Procurou sobrevoar a área onde Steve se encontrava e viu que ele estava sozinho. Alguns inimigos estavam se aproximando dele pela esquerda. Se o Capitão não agisse rapidamente, seria apanhado.

− Stark, você c-cobre – Steve falava com dificuldade, parecia lhe faltar o ar. Apoiou o corpo contra um poste, parecia não aguentar o peso do próprio corpo. – o espaço a-aéreo...

− Gavião, me cubra. – disse Stark, sem nem ao menos pensar no que iria fazer. Ele simplesmente sabia que algo estava errado. Não por ter visto. Ele sabia que havia algo errado quando Steve lhe chamou de “Stark”.

− Certo. Deixa comigo.

Stark voou rasante em direção ao Capitão. Dispersou os soldados inimigos que se aproximavam com uma rajada de energia disparada por suas mãos, colocou Steve sobre os ombros e saiu o mais rápido que pode dali.

O primeiro prédio alto o suficiente para lhes dar certa proteção foi usado. No terraço, Stark colocou Steve sentado, repousando suas costas contra a parede.

O loiro não parecia bem. Suava, respirava com dificuldade e estava semiconsciente. Stark pediu uma análise superficial a Jarvis e o computador constatou que Steve não recebera nenhum ferimento.

− Aguente Cap, eu volto daqui a pouco.

E realmente, não demorou muito. Hulk destruiu todas as máquinas grandes e eles fizeram o resto. Prenderam os envolvidos e os entregaram as autoridades competentes.

Stark, porém, não ficou quando a imprensa apareceu. Deixou os outros Vingadores cuidarem dessas coisas e voou como um louco até o local onde deixou Steve.

O encontrou consciente, e Stark observou que o loiro não estava nada bem.

− Eu vou levar você pra um hospital.

− N-não precisa, eu já estou bem – tentou levantar Steve, fraquejou e foi amparado por Stark.

− Você não me parece nada bem. E não adianta me olhar com essa cara, você vai, nem que seja amarrado.


No Mount Sinai Hospital, Stark aguardava enquanto os médicos realizavam uma bateria de exames em Steve. O loiro tentou convencer o moreno que devia ser apenas cansaço, mas Stark não se convenceu disso. Ele não sabia se cansaço deixava as pessoas com a pele branca feito leite.

Esperou mais algum tempo, já impaciente. Era estranho estar num hospital, e o doente ser uma pessoa que não podia ficar doente. Steve possuía invulnerabilidade. Sobreviveu setenta anos congelado.

− O que ele tem? – perguntou Stark para si mesmo.

− Ele... está morrendo. – respondeu o médico.

Stark pareceu não ouvir. Steve não poderia morrer, quase cuspiu essa frase na cara do médico. Quase. Quando ele olhou para o homem vestido com jaleco branco a sua frente, ele viu que o médico estava lhe falando a verdade.

O ar faltou. O chão deixou de existir. Não havia paredes, não havia barulho. Só o eco da voz do médico na sua mente: morrendo... morrendo... morrendo...

− Fizemos uma bateria de exames, ressonância, tomografia. No exame de sangue nossa laboratorista encontrou uma mutação nas células. Elas estão envelhecendo normalmente, porém, não há mais substituição por células novas.

− Sem renovação celular... – a mente de Stark trabalhava como um louco, não acreditava no que seus ouvidos escutaram há poucos minutos.

− Ele irá morrer.

Simples.

O homem que ele amava estava morrendo. E nem sequer havia dito que o amava. Iria deixar de existir. O peso dessa informação esmagou o coração do moreno.

− Quanto tempo? – foi tudo o que conseguiu dizer.

− Na velocidade que as células estão morrendo... viverá no máximo três semanas. Quatro, se for muito otimista. Você pode levá-lo para casa, se quiser. Ele saiu do soro há cinco minutos.

Stark sentia como se o mundo inteiro tivesse desabado sobre seus ombros. A única coisa com que ele se importava na vida iria ser tirada dele, sem que houvesse algo que ele pudesse fazer para reverter o quadro.

Tony se sentia um inútil

− Envie para mim os resultados dos exames. – foi o que conseguiu dizer.

Ele queria socar o médico, matar alguém, só pra fazer a dor do seu coração diminuir, nem que fosse um pouco. Infelizmente teria que deixar isso pra depois. Entrou no quarto onde Steve estava. O loiro estava de pé, esperando pelo moreno.

− Eu já estava saindo. O médico me deu alta, então não deve ser nada, não é? – perguntou Rogers, sorrindo.

Stark sentiu um nó na garganta. Seus olhos se encheram de água, mas controlou os sentimentos. Não queria parecer fraco, não agora.

− Acho que me preocupei atoa, não foi? – disse Stark, forçando um sorriso e estendendo a mão direita para o homem a sua frente – Vem, vamos pra casa.


Dois dias inteiros.

Steve estava preocupado.

Fazia dois dias que Stark se trancou no laboratório. Só saía para comer e tomar banho e não falava o que estava fazendo. Respondia o que Steve entendeu como resposta padrão.

− Estou trabalhando num projeto novo, então tenha paciência.

É, Steve teve paciência nas primeiras cinco horas. Dois dias depois, ele estava era preocupado. Resolveu que iria socar Stark, mas saberia o que ele estava fazendo. Esperou chegar à noite, que era o horário que Stark saía do laboratório para tomar um banho e comer alguma coisa.

Quando Stark entrou no quarto, Steve viu que ele carregava uma porção de papéis sobre os braços. Ele não parecia feliz, parecia aliviado.

− Então, vai me contar o que estava fazendo ou eu vou ter que te socar até você falar?

− Você ficaria chateado se... – Stark hesitou por um momento – precisasse ficar congelado novamente?

− O quê? Como a-assim... O QUÊ?

− É, acho que ficaria.

− Mas do que diabos você está falando?

− Eu estava trabalhando até agora numa forma de retardar a situação. Eu encontrei uma, mas você precisa ficar congelado por um tempo – disse Stark, jogando os papéis para o alto, parecendo exasperado.

− Mas pra que eu iria querer ficar congelado? Isso não faz o menor sentido.

− Você precisa.

− Não, eu não preciso. Eu fiquei setenta anos congelado, preso. Você não faz ideia de como aquilo foi um inferno. Minha mente não parou de funcionar, eu ficava sonhando sempre com as mesmas coisas o tempo todo, lembrando as pessoas que eu havia deixado para trás.

Stark parecia à beira das lágrimas.

− Você vai morrer se não fizer isso.

− Espera, eu vou morrer? – riu o loiro. Depois viu o olhar do moreno e constatou que ele não estava brincando. – Ah, claro, isso explica as coisas que eu venho sentindo ultimamente.

− Entendeu agora? Eu encontrei um jeito de parar essa, essa... o que quer que esteja te fazendo morrer. Criogenia. – o moreno começou a falar tudo de uma vez. Explicou a doença de Steve, lhe mostrando os exames – Não vai ser tão difícil. Com você congelado eu ganho tempo para encontrar a cura e...

− Anthony... não.

− Você nem esper...

− Anthony, NÃO. – disse o loiro, mais firme. Steve fez Stark sentar ao lado dele, na cama. Segurou forte a mão do moreno. – Eu não quero passar por isso de novo. E não quero nem imaginar você tentando fazer essas coisas que estava dizendo agora pouco.

O loiro olhou nos olhos do moreno. Ele já não tentava segurar as lágrimas. Eram poucas, mas elas vinham de toda a dor que ele teve que suportar desde que soube da situação.

“Sabe, Anthony. Eu vivi uma vida boa. Da primeira e da segunda vez. Apesar da segunda ter sido melhor, porque você estava nela. Eu não me arrependo de nada. No fundo, eu fico feliz por ter você para dividir meus últimos momentos. Eu só sinto que você tenha que suportar esse peso sozinho. Por isso, me desculpe, antecipadamente. Você me fez sentir o homem mais feliz do mundo, e eu te amo por isso.”

Stark sentia como se a vida dele tivesse se esvaindo. Sentia-se egoísta e mesquinho perto de Rogers. Não suportou mais, pulou no pescoço de Steve. Como o loiro podia amá-lo, ele não sabia.

− Eu não mereço você na minha vida, Steve. – murmurou Stark.

− Você me deu um motivo para viver, Anthony.

− Eu te amo, vovô.


Era uma quarta feira. O mundo parecia ter perdido a cor, brilho, qualquer coisa que significasse vida. Stark havia perdido naquele dia o motivo de continuar respirando.

Dentro do caixão, já no cemitério, repousava o corpo de Steve Rogers, e sobre ele estava seu escudo e uma bandeira dos Estados Unidos.

Steve havia pedido para viverem bem as três semanas que lhe restavam, e Stark fez o que o loiro queria. Viajaram para a casa de campo de Stark, no Colorado. Fizeram as coisas que deixariam Steve feliz. E ele partiu numa chuvosa manhã de quarta feira, após ter vivido seus últimos dias acompanhado do homem que ele amava.

Stark havia mudado também, nesse tempo. Ficara mais reservado, discreto. Demorou para admitir, mas estava curtindo aquela vida. Era uma pena que ela tinha data para expirar.

Ele olhava para o caixão já sendo colocado dentro do túmulo. Sentiu o ar faltar. Ele queria gritar, explodir o universo por terem lhe tirado o homem que deu sentido a sua vida vazia.

Era tão injusto, Steve não merecia morrer. Tony sim. Stark nunca valeu nada, ele sabia disso. Mas Steve? Ele era a pessoa mais doce, amável e zelosa que Stark conhecia. O único que conseguia enxergar um lado bom no moreno. Esse destino era um ser sádico, por ter tomado a vida de um homem como ele.

Quando voltou a si, percebeu que já estavam jogando terra em cima do caixão. Cada pá de terra jogada na cova, era um tapa na cara do moreno. E seu coração ficava mais sombrio.

Deixou de sentir o chão sob seus pés, seus olhos ficaram escuros, sua mente o abandonou por um momento e com um grito, caiu.


− Anthony, você está bem?

− O que, mas... você?

Steve ajudava a tirar o edredom do corpo de Stark. O moreno havia caído da cama enquanto dormia. Rogers estava preocupado, acordou com um grito do moreno e viu que ele estava no chão, enrolado até o pescoço com o edredom.

− O que foi? Eu moro aqui agora, esqueceu? – disse Steve, finalmente deixando Stark livre do edredom. O moreno estava suando, parecia agitado e seus olhos estavam cheios de água. – Ei, não foi nada, viu? Foi só um pesadelo.

Stark abraçou Steve com tanta força que o loiro quase ficou sem ar. O moreno começou a chorar sobre o ombro de Steve. O loiro não sabia o porquê, apenas afagava os cabelos de Stark e lhe dizia que nada havia mudado, que estava tudo bem.

Demorou um pouquinho até o moreno ter condições de falar alguma coisa.

− Nunca me deixe, ouviu? – disse Stark, por fim.

− Eu prometo.

− Eu te amo.

− Eu sei. Eu também. – Steve respondeu, corando. Era a primeira vez que Stark dizia que o amava, e essa declaração o pegou de surpresa.

Steve beijou o pescoço de Stark e o levou de volta para a cama. Aconchegou o moreno nos seus braços e ficou assim, com ele sobre si, até que o moreno pegasse no sono novamente.

Notas finais
Gente, oi *-*

Mais uma fic Stony, porém essa é um pouco diferente.

Espero que tenham gostado do resultado, eu gostei de escrevê-la, mesmo surtando de vez em quando.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!