A Baby-sitter

11 Capítulo 11 - "Uma estranha, Tom"


Notas iniciais
Lay♥


Durante o passeio com Sarah, lhe fiz algumas perguntas sobre a sua família.


- Então…gosta muito do papi…- sorri


- Sim – sorriu, olhando as flores


- A mãe e o pai estão quase chegando – a olhei

- Pois tão…


- Tem saudades da mamãe não é?


- Sim – respondeu menos credível


- Então e o seu tio? Ele é sempre assim?


Sarah me olhou confusa, talvez eu já estivesse fazendo demasiadas perguntas.


- Eu gosto do tio Bi – respondeu prontamente e correu um pouco pelo relvado do pátio


Sorri com a investida dela por entre as ervas e olhei a janela da sala. Talvez eu tivesse de ter alguma paciência com o tal tio, ou o melhor a fazer era ignorar, afinal só me restavam mais duas semanas e o mais provável era nunca mais ver nem Sarah nem a sua família.
Era melhor não criar nenhuma ligação com a criança, depois poderia ter saudades do seu sorriso inocente e dos seus cabelos claros que voavam felizes quando brincava.


- Vamos Sarah, está na hora do lanche!


Entrámos as duas e senti o cheiro intenso de tabaco vindo da sala. Fui trocar as roupas de Sarah e lhe dei o seu lanche. A pequena ficou no seu quarto brincando e eu me dirigi até á cozinha para arrumar alguma roupa, mas ao descer as escadas escotei uma conversa “sem querer”, vinda da sala.


- Está no quarto a brincar…pois, não sei deve andar pela casa a olhar todas as nossas coisas…ah vai-te foder…e eu quero lá saber disso! Não a tivesse metido aqui em casa. UMA ESTRANHA, TOM! E você sabe perfeitamente que não pode dar confiança assim a qualquer uma, ainda por cima você confiou a casa e a sua filha…e depois? Eu? Ah tá…essa teve piada, eu é que arruinei a sua carreira, olha vai-te foder.


Ouvi o telefone de casa a ser desligado e uns passos se aproximando. Recuei e comecei a arrumar a roupa. Estavam falando de uma estranha que calculei que fosse eu, deveria ser Tom ao telefone perguntando por Sarah e por mim. Este Bill era mesmo rude e asneirento. Parecia não se importar com nada e julgar todos.


- Ignora Rita – sussurrei.

“Que saudades de Portugal e de carne” Pensei lamentando o meu triste destino. Estava numa casa de gente doida, mas Sarah não tinha um melhor fado do que o meu.
Os seus pais eram ricos, podiam dar tudo para ela, menos amor pelo que vejo, pelo menos da parte da mamãe Ria. E o seu tio parecia ser um louco e tinha sido consumido pela estupidez, pela sua frieza com ela.

Bill saiu da sala, com uma expressão arrogante e me olhou pelo canto do olho, subindo as escadas rapidamente, provavelmente para seu quarto.