A Aventura dos Gêmeos
4 Superando a Evolução - P.O.V Bruno
Notas iniciais

Uma enorme explosão de coloração roxa ocorreu, fazendo com que eu caísse no chão, tapando meus olhos para protegê-los da luminosidade causada pelo roxo. Depois de um tempo, abri meus olhos novamente, e percebi que não fui o único a cair no chão: muitos dos telespectadores ainda estavam no chão, entre eles Vitor, que em um pulo levantou-se e estendeu sua mão para mim, deixando com que eu a usasse como apoio para que eu pudesse levantar do chão. Quando olhei para o rosto do meu irmão, seus olhos estavam brilhando e a boca aberta. De início não entendi o por que de tanta surpresa, mas quando me virei para o campo de batalha — no caso, a ponte — fiquei no mesmo estado que Vitor, tanto que parecíamos duas réplicas com vestimentas e tamanhos diferentes, porém com feições idênticas.
– Olha aquele Lucario — disse Vitor, em tom de excitação — Ele é lindo!
– Não tão bonito quanto esse Blaziken — opinei — Olha só essas chamas saindo do pulso dele! Incrível!
– Definitivamente não! — discordou meu irmão — Eu aposto que o Lucario irá vencer essa batalha.
– E eu aposto que Blaziken irá vencer — disse eu enquanto remexia minha pasta em busca da PokéBola roxa, lar de meu Fennekin — Vou até pegar meu Fennekin para que ele assista e sirva de testemunha para quando seu Lucariozinho voar pelos ares! — e apontei a PokéBola roxa para o chão, emitindo um canhão de luz de mesma cor e materializando minha linda raposinha na minha frente.
– Chefe! (Fennek!) — meu Pokémon pulou em meus braços, e logo virou o rosto para a ponte, que fez com que sua face ficasse com a mesma feição da minha à vinte segundos atrás — Que Pokémon demais!(Fennekin, Fen, Fennek!)
– Se é assim, meu Charchar — esse foi um apelido dado para o Charmander dele enquanto brincávamos com nossos Pokémon na Cafeteria, tudo isso com muito estilo — também vai servir como testemunha — Vitor aponta sua PokéBola de coloração normal para o chão, que faz com que um canhão de luz laranja materialize no chão seu Pokémon.
– Olá chefe! (Char, Char!) — Charmander olhou para a ponte e viu os dois Pokémon — Que demais! (Charmander, Char!)
– Isso — disse Vitor — Agora estamos quites. E que o melhor saia vitorioso!
Todos rimos, inclusive os Pokémon, porém, poucos segundos depois, paramos de rir para nos focar na batalha.
– Agora sim! — disse Korrina — Agora sim essa batalha vai ficar emocionante!
– Pode apostar — retrucou o guru — Blaziken, use Proteção!
– Lucario, Soco do Fortalecimento — comandou Korrina quase que em uníssono à fala do guru.
Blaziken arqueou suas pernas e posicionou suas mãos para frente, de forma em que uma espécie de aura vermelha com traços pretos circular surgisse em sua frente, sendo a mediatriz da mesma o meio das mãos de Blaziken. Enquanto isso, Lucario também arqueava as pernas e posicionava sua pata superior direita para trás, onde se concentrava muita energia branca, o que parecia ser o "do Fortalecimento" que ocorreria.
– AGORA! — gritaram os dois inimigos, dessa vez em sincronia perfeita de som.
Blaziken ajeitou sua posição e parecia estar colocando mais energia em seus braços para aumentar a força do escudo, enquanto Lucario começava a correr em direção ao guru, com o objetivo de acertar seu Pokémon, mais expecificamente a Proteção dele. Quando Lucario ficou o suficientemente próximo ao escudo, ele puxou sua mão "de socar" para frente e atingiu a Proteção do Pokémon adversário.
O choque foi tão forte que emitiu um som alto e estridente, fazendo com que a maioria dos telespectadores (se não todos) pressionaram suas mãos contra os ouvidos.
Ficamos nessa posição por volta de dez minutos, quando finalmente Lucario tirou a mão do escudo e posicionou-a novamente no mesmo lugar onde ele estava quando começou a correr, fazendo com que o barulho cessasse. Tirei minhas mãos do ouvido e pude ouvir a conversa dos dois novamente:
– Agora sim — disse Korrina, em tom irônico — Agora sim minha estratégia está completa!
– Como assim? — perguntou guru, assustado.
– O Soco do Fortalecimento do meu Lucario fez com que o Ataque dele fosse aumentando constantemente, até chegar ao máximo, que no caso é agora — explicou Korrina — E agora, nem mesmo seu escudinho poderá detê-lo!
Meu queixo caiu e minha boca se escancarou do nada. Essa garota era muito esperta, e não era à toa que ela era a sucessora do guru. Mas eu tinha certeza de que o guru ainda tinha uma carta na manga.
– Que vacilo em, guru? — debochou Vitor — Eu disse que esse Lucario iria vencer, Bruno!
– Espera — disse eu, começando a ficar irritado — Ainda não acabou.
– Mal sabia você que... — dizia o guru até que foi interrompido.
– Você acha mesmo que eu não sei sobre seu Impulso de Velocidade? — riu Korrina.
– Como... — o velho gaguejou — Como você sabia?
– Da próxima vez — disse a sucessora, sorrindo — , não deixe suas pesquisas sobre a mesa.
Tá bom, agora é oficial: eu ainda não sei se serei o vencedor dessa aposta. Korrina se mostrou muito esperta e ofensiva nessa batalha, enquanto guru ficou apenas na retaguarda, esperando para dar o bote. Atualmente, Korrina está levando uma vantagem mais do que percebível, mas o guru ainda tem chances. Mas acho que isso não vale para o escudo do Blaziken...
– Lucario, continue o Soco do Fortalecimento — grita a garota — Força total!
O Pokémon da sucessora faz o mesmo movimento de quando chagou perto do escudo de Blaziken pela primeira vez, e o atingiu, dessa vez com mais força do que antigamente. Um barulho ecoa altamente pelo ar, mas dessa vez não tão agudo, mais parecido com o som de algo quebrando e um baque surdo quando o escudo quebra e Blaziken é atingido e voa pelos ares.
– Eu sabia! — disse Vitor enquanto tira as mãos dos ouvidos — Eu sabia que o Lucario iria vencer!
– A batalha ainda não acabou — minha boca espuma de raiva — Olhe lá para o Blaziken levantando!
O Pokémon do velho se ergue com usando as mãos como apoio. Aparenta estar muito machucado, com um enorme machucado na perna direita e fuligem esparramada por todo o corpo.
– Blaziken — chama o guru da Mega-Evolução — Ainda está em condições?
– Claro, senhor (Blaz, Blaz) — ele assente com a cabeça.
– Então tá, vamos dar prosseguimento. Blaziken, fuja dos próximos ataques! — Blaziken assente novamente, sem dizer nada.
– Ah, é? — debocha a sucessora — Você vai mesmo fugir? Então vamos ver se consegue mesmo... Lucario! Velocidade Extrema! Sem piedade!
Lucario simplesmente desaparece em um vulto cinza, e, quando Blaziken percebe esse movimento, faz o mesmo, formando um vulto vermelho e preto que deixava, de vez em ora, uma pequena chama que se apagava rapidamente. E assim começou uma espécie de círculo vicioso — uma espécie de caçada, onde o vulto azul e marrom era o caçador, e o vermelho e preto, a caça. Permaneceram assim por um bom tempo até que Lucario toma uma atitude que quebra o círculo: o Pokémon de Korrina salta por cima da caça e para em sua frente, atingindo-o com mais um ataque, fazendo com que Blaziken novamente voasse pelos ares e aterisasse próximo aos meus pés.
Abaixo em direção à Blaziken e passo a mão em sua testa toda machucada. Deixo também com que meu Fennekin faça carinho nele e o lamba, como demonstração de carinho.
– Vamos lá Blaziken, você consegue — incentivo — Essa é sua chance, use o seu máximo no próximo comando. O guru certamente sabe o que faz.
– Claro! Você consegue, amigão (Fennek! Fennekin, Fenn, Fennek) — meu Fennekin lambe o Blaziken pela última vez antes de pular novamente para o meu colo.
– Farei o possível (Blaziken, Blaz) — Blaziken se levanta com muita dificuldade, mas mesmo assim se mantém de pé. Percebo que, onde o Pokémon havia caído, uma enorme rachadura circular havia se formado.
– Blaziken, você ainda consegue? — pergunta o guru da Mega-Evolução, que parece muito tranquilo. Blaziken novamente assente com a cabeça — Ótimo! Essa pode ser sua última chance, galinha vida loka! — todos da "platéia" riram, inclusive nós, o que parece que anima Blaziken — Enfim, use agora, Combinação Pulo & Chute! — Lucario percebe a ação e se transforma em um vulto novamente, só que não tão rápido quanto antes. Enquanto isso, Blaziken pula tão alto que desaparece de nossas vistas, sendo visível apenas por meio de um ponto material no vasto universo.
– De acordo com minhas pesquisas — explica o velho — Quando um Pokémon usa Velocidade Extrema, sua velocidade sobe momentâneamente, porém sua defesa cai. Então, aproveitarei isso para vencer a batalha — Agora, dava para ver a sombraa de Blaziken, descendo tão rápido ao ponto de ser apenas um borrão — E aí está sua encomenda: a DERROTA!
Blaziken chega próximo ao solo e ajeita seu pé esquerdo, de modo em que suas garras penetrassem em Lucario e que seu chute se tornasse mais efetivo, e pousou no chão com um magnífico — literalmente — na fuça do Pokémon de Korrina, fazendo com que ele voasse até os muros da parede, que não resistem e desabam juntamente com Lucario ao rio Corde. Toda a platéia aplaude.
– Eu sabia — diz uma voz estranha atrás de nós, o que me faz virar para ver de onde a mesma vem — Sabia que você iria vencer essa aposta, Bruno!
– Quem é você? — pergunto, montando hipóteses mentais sobre quem seria ela — E como sabe meu nome?
– Eu sou Vitória — responde a garota, que agora tem um nome — Filha do professor Sycamore e líder de ginásio na cidade de Santalune.
– Muito prazer — Vitor diz, tentando ser agradável — Sinto muito, mas infelizmente, você irá perder sobre nossas mãos, as mãos dos irmãos Xavi!
– É isso aí — reforço.
– Depois veremos isso — desafia Vitória — Ei, o que acham de irmos até meu ginásio juntos? Preciso treinar um de meus Pokémon na floresta.
– É claro que sim! — eu e Vitor assentimos em uníssono.
Vitória é uma garota magra, com a pele levemente pálida, enormes cabelos castanhos e olhos azuis. Ela usa um boné com estampa de Pokébol, e no "furo de trás" do mesmo, há um enorme rabo de cavalo colocado misteriosamente para cima. Há também um pouco de cabelo saindo pelos dois lados da face. Está com uma blusa regata branca embaixo de um colete preto também sem mangas. Usa um short "beira-bunda" ridicula e extremamente curto, com os bolsos estourados e seu interior para fora. Parece que aquilo havia sido feito propositalmente, já que estavam em perfeita congruência entre si. Vitória usa pulseiras nos dois pulsos e uma enorme bota com parte da sola rosa. Leva consigo também uma bolsa roxa.
– Garotos, esperem apenas um minuto — diz Vitória. Ela está remexendo o interior de sua bolsa, provavelmente procurando por algo — Preciso analisar o nível de meu Pokémon.
– Nível? — pergunto enquanto Vitória retira um certo aparelho roxo de sua bolsa, que percebo que possui uma espécie de câmera atrás — Como assim nível dos Pokémon?
– O nível a que me refiro é uma unidade de medida para controlar a evolução de alguns Pokémon — explica a filha do professor, que puxa uma Pokébola da bolsinha logo em seguida — Como por exemplo...
Vitória aponta a Pokébola ao chão, formando um canhão de luz verde, amarelo e vermelho, que materializa, próximo aos pés de Vitor, uma lagarta verde com um chifre vermelho — Caterpie.
– No caso, irei evoluir esse Caterpie na floresta — diz nossa nova companheira — Para saber o nível dele, preciso apontar essa câmera ao Pokémon, e ele medirá o nível do mesmo.
Com a câmera do aparelho apontada para Caterpie, Vitória aperta um minúsculo botão que fica em cima do aparelho. Um laser vermelho irrompe da lente de imagem do "troço" roxo. Depois, de um tempo, o aparelho apita e esse laser se torna azul. Provavelmente é um sinal para mostrar que a análise já foi concluída. Assim que o laser muda de cor, Vitória aperta um botão maior embaixo do visor, que faz com que o laser desapareça e o aparelho começa a falar:
– Seu Caterpie está em nível 4. Caso queira evoluí-lo para um Metapod, evolua-o até o nível 7.
– Legal! — Vitor diz, maravilhado — Onde podemos comprar isso?
– É mesmo! — auxilio a petição de Vitor — Onde podemos adiquirí-los?
– Na verdade — diz Vitória enquanto remexe novamente a bolsa, a procura de algo — Meu pai ia entregar um desses para cada um, mas acabou se esquecendo devido ao susto que levou ao ver Artic... — nossa companheira para imediatamente de falar quando percebe que Vitor começa a se deprimir um pouco.
– Enfim, estão aqui — continua Vitória, tirando de sua bolsa, não um, mas dois aparelhos de medição do nível, um cinza e outro vermelho — O seu é o vermelho, Vitor. Preciso dizer algo, Bruno?
– Não — digo, tomando das mãos da garota meu medidor — Não precisa não.
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