Aster percebeu a fúria dela, e imaginou que algo ruim deve ter acontecido e que era melhor mudar o assunto, antes que ela decidisse ir embora.

— Posso saber qual o seu nome? – perguntou Aster educadamente com um tom levemente ansioso, que fez com que a bela mulher a sua frente desse um sorriso deslumbrante que o atordoou por alguns instantes.

— Meu nome é Jeanne. E você? – respondeu Jeanne, enquanto sorria ao lembrar que depois de tudo isso ainda não tinha se apresentado. Depois de tanto tempo na selva com macacos e monstros, quase perdeu o jeito de falar com outra coisa com inteligência avançada. Ela percebeu que o jovem a sua frente ficou fascinado quando ela sorriu, e com surpresa entendeu que ele estava encantado com sua beleza de um jeito como um garoto que encontra a garota que o fascina, quando ela fala com ele pela primeira vez, e ficou um pouco tímida quando ele voltou ao normal.

— Meu nome é Aster Crowler. Filho e herdeiro do grande Lorde Demônio Leon Crowler. – disse Aster orgulhosamente, quando viu a expressão de Jeanne mudar de surpresa, a tristeza quando a ouviu dar um suspiro cansado.

— O que houve Jeanne? – Aster perguntou ansioso, por ter um mal pressentimento.

— Eu pensei que poderíamos ser amigos, já que eu gostei de você, e também era o primeiro homem que me olhava sem indecência, mas acho que no momento não é possível. É uma pena. – disse Jeanne meio triste. Logo quando encontra alguém que poderia se tornar um amigo pelo primeiro olhar, apesar que ela ainda teria que confirmar sua personalidade antes de confiar, mas ele tinha que ser filho do Lorde demônio. Uma coisa tão clichê nas histórias de herói.

— E por que não podemos ser amigos Jeanne? – perguntou Aster surpreso ao ouvir que ela queria sua amizade, mas imaginou que não gostar de ouvir a resposta, o que foi confirmado logo depois.

— Não podemos ser amigos, porque o seu pai Aster, é meu inimigo destinado, apesar de eu não ligar para essa baboseira de destino, mas a sua raça não irá pensar assim. E como eu não quero começar uma relação com mentiras, melhor dizer a verdade e desaparecer. Eu sou uma pessoa convocada como dizem as lendas desse mundo. Uma heroína, por assim dizer. Eu aposto que seu pai o mandou aqui, sem lhe dar nenhuma razão ou um porquê. A deusa desse mundo deve ter contado a ele da minha chegada. E também, eu não quero colocá-lo em risco Aster. Você deve adivinhar agora, que pelo motivo ridículo e idiota de eu ser uma heroína de outro mundo, agora todos os deuses do norte e sul estão atrás de mim querendo me matar. Desde que eu cheguei nesse mundo, eu estava dentro dessa floresta maldita. Espectros, guerreiros deuses, bestas mágicas, valquírias, e vários enviados dos deuses entraram nessa floresta, e lutaram contra mim para me aniquilar. Muitas vezes estive a beira da morte. Tudo nesse mundo são meus inimigos, exceto vocês da raça demônio que estranhamente ainda não vieram pela minha cabeça. – disse Jeanne finalmente desabafando o que ela guardava por quase um ano. Ela percebeu que os demônios que guardavam Aster se aproximaram dele para protege-lo em um círculo ao escutar que ela era o herói.

Aster a ouviu falar, e sentiu seu coração doer com um sentimento estranho de impotência. Ao olhar para a pele visível dela, que deveria ser limpa e sedosa como a beleza que possuía, era marcada por várias cicatrizes que eram profundas, e algumas horríveis que mostravam certamente o perigo que tinha enfrentado. E ao ouvi-la dizer que todos nesse mundo queriam matá-la, ele sabia que devia ser por causa da profecia antiga. Mesmo se esse fosse o esquema de seu pai e da deusa, ou alguma outra força que o forçasse a entrar em contato com ela, ele decidiu que ficaria mais forte para protege-la de todos os males desse mundo. Chegando a um mundo estranho, cercada por toda malicia e maldade, com tentativas de assassinato, tornou a mulher a sua frente que com sua beleza poderia ter uma vida de uma rainha ao encontrar alguém e se casar e ter uma família alegre e feliz, em uma assassina bela e mortal que desconfiava do mundo, e matava quem cruzasse o seu caminho. Mesmo quando ele a ouviu dizer que queria sua amizade por não ter olhado sujo para ela, ele podia sentir que ela ainda o analisava e não confiava nele. Era apenas o desejo dela que deve ter saído involuntariamente.

— Eu entendo Jeanne. E não irei pressionar você. Mas quero que saiba de algo. Não me interessa esse negócio de destino, herói o que quer que seja. Por mim, todas essas tradições antigas podem ir para o raio que o parta se for por mim. Eu quero ser seu amigo, mesmo você sendo uma heroína, porque antes de você ter esse título você é a Jeanne que salvou minha vida. Uma mulher bela e poderosa, que mesmo desconfiando do mundo inteiro, ainda salvou minha vida, que é considerada pelo resto do planeta como sendo de uma raça suja e maligna que deveria ser erradicada para a paz. – disse Aster com uma expressão sincera com um toque de desprezo na última parte.

— Eu agradeço você por isso Aster. Eu suponho que essa parte de raça maligna e suja, deve ter algo a ver com alguma religião ou igreja que no passado deve ter pregado isso antes da descida dos outros deuses, quando esse mundo era dominado pelas leis naturais de demônios inimigos de humanos ou algo assim. Acertei? – disse Jeanne com um ar sábio que fez Aster surpreso.