Notas iniciais
Olá! Mais uma sexta-feira. Ultimamente, não estou podendo revisar tão bem como antes, então perdoem e me avisem se tiver algum erro grosseiro. Então, vamos ao capítulo de hoje.

Winry não conseguia nem mesmo balbuciar. Ela estava encolhida contra a parede, olhando para aquela garota muito parecida com Akame que andava à sua frente, atenta ao menor movimento nas sombras. Elas voltaram pelo mesmo caminho que Winry percorrera e encontraram Falman ainda lutando com outros três soldados. Em menos de dois minutos, os corpos dos três inimigos jaziam no chão com estranhas manchas negras sobre a pele e poças de sangue ao redor.

— Bom trabalho, subtenente – Falman sorriu para ela enquanto apertava a sua mão – Veio sozinha para aqui?

— Não – Akame respondeu com a maior tranquilidade do mundo – Só vim na frente.

— Estávamos indo buscar, Alphonse Elric – Falman explicou porque, aparentemente, Winry havia perdido a capacidade de falar – Iríamos levá-lo para a Enfermaria Três. Ele está ferido. Mas, felizmente, não é nada grave. Edward está com ele.

Akame assentiu com a cabeça e os três voltaram pelo caminho anterior, com Falman à frente do grupo e Akame logo atrás de Winry. A propósito, Winry olhava de forma receosa para Akame.

Eles encontraram Edward e Alphonse sem grandes problemas na mesma sala onde o deixaram. Edward se assustou um pouco ao ver Akame e a expressão de pavor no rosto de Winry, mas não pôde fazer nada com relação a isso. Eles precisavam sair logo dali e ele e Falman trataram de acomodar Alphonse na maca para sair apressadamente na direção da Enfermaria Três.

A enfermaria continuava a mesma bagunça com várias pessoas correndo de um lado para o outro. Falman e Edward depositaram Alphonse em uma cama vazia e Edward procurou um dos médicos que estavam atendendo no local. Enquanto isso, Falman recebia as últimas atualizações do exército por Akame.

— Sabe dizer se estão todos aqui, capitão? – Akame se dirigiu a Falman.

— Não. Não estão todos – Falman deu um longo suspiro – Provavelmente, os demais estão espalhados pelas outras enfermarias. Não conseguimos nos comunicar com eles. A maioria dos rebeldes está no vilarejo e alguns deles estão tentando invadir o hospital.

— A principal preocupação é identificar de onde os inimigos estão vindo – Akame falou, séria, olhando para as camas lotadas – Proteger os feridos e verificar alguns pontos estratégicos. Preciso reportar tudo isso ao major Armstrong.

— Cuidarei disso, subtenente. Descanse um pouco – Falman sorriu e saiu apressado.

Akame resolveu acatar a sugestão de Falman e andou entre as camas em direção ao leito onde estava Alphonse. Winry e Edward também estavam com ele, sentados na beirada da cama. Akame notou que Edward parecia estar dizendo algumas palavras para reconfortar Winry.

— Akame-chan – Alphonse falou, sentado na cama, e tanto Edward quanto Winry voltaram os olhos para ela, com as expressões ligeiramente assustadas.

Akame hesitou em se aproximar mais, porém o sorriso de Alphonse era convidativo e ele fez um sinal para que ela chegasse perto.

— Fico feliz que esteja bem – Alphonse sorriu ainda mais e segurou a mão de Akame.

— Eu digo o mesmo – ela respondeu, séria.

— Bem, bem, eu não estou exatamente, mas eu vou ficar – Alphonse meneou a cabeça com um sorriso brincalhão, sacudindo de leve o braço de Akame –Winry estava muito preocupada com você também – e indicou a cunhada.

Winry engoliu em seco e balançou a cabeça de maneira mecânica.

— Winry? – Alphonse percebeu a atitude estranha da garota – O que foi?

— Ela não diz – Edward abraçou os ombros da esposa – Parece estar em estado de choque.

— Eu estou bem, Winry – Alphonse levantou mais o corpo, encostado na cabeceira da cama – Foi só um susto. Logo vou estar bem.

— Não é isso – Winry virou o rosto para o lado enquanto apertava as mãos fechadas sobre os joelhos – É que... bom, é que eu vi – ela olhou diretamente nos olhos de Akame que continuava parada em pé ao lado deles – eu vi você matar... matar aquelas pessoas... como se não fosse nada de mais...

— Winry... – Alphonse começou, porém foi interrompido por Edward.

— É melhor contar toda a verdade para ela.

— Qual verdade? – Winry olhou para Edward com os olhos arregalados.

— Ed – Alphonse falou mais alto – você prometeu...

— Mas a situação saiu do controle – Edward o cortou – Admita isso.

— Isso é pessoal – Alphonse rebateu, irritado – Não é assunto para ficar sendo discutido.

— Pessoal o caramba – Edward rosnou – Isso já está envolvendo todo mundo.

— Esse seu ciúmes já está passando de todos os limites – Alphonse provocou.

— Ora, cale a boca – Edward rangeu os dentes.

— Cale a boca você – Alphonse devolveu.

— Calem a boca os dois – Winry se irritou – E expliquem direito essa história.

— Você quer que a gente cale a boca ou conte a história? – Edward perguntou.

— Você entendeu!! – ela berrou, irritada – Não se faça de idiota!!

Alphonse deu uns tapinhas na cama, em um pedido mudo para Akame sentar ao lado deles.

— Tudo bem para você? – ele perguntou para Akame e ela concordou com a cabeça. Alphonse deixou escapar um longo suspiro antes de voltar a falar – Olha, Winry, o que vou contar agora é muito sério. Peço apenas que você não me interrompa e nem julgue nada sem pensar, ok?

Winry assentiu e Alphonse começou a contar toda a história desde quando conheceu Akame até o dia em que Akame aderiu ao Exército de Amestris, começando pelo passado trágico da garota, isto é, apenas aquilo que Akame contou para Alphonse.

A expressão de Winry mudava gradativamente à medida que a história avançava. Passando de uma careta assustada para espantada, em choque ou amargurada em questão de minutos e, ao final do relato de Alphonse, ela parecia prestes a explodir.

— Winry? – Edward chamou, preocupado, quando viu Winry tremendo da cabeça aos pés como se estivesse tentando se controlar para não cair no choro.

— AKAME-CHAN – ela deu um grito inesperado e se atirou nos braços da outra aos soluços – Eu sinto muito. Muito mesmo. Eu não sei... não sei como você suportou... Ah, Akame-chan!!

Akame ficou sem reação. Arregalava os olhos em uma inédita expressão de surpresa enquanto olhava para Alphonse como se pedisse instruções para agir naquela situação.

— Winry!! – Edward levantou da cama e ficou na frente das duas, tentando desprender os braços de Winry em volta do pescoço de Akame, sem sucesso – Você endoidou?! O que deu em você?!

— Como se atreve?! – Winry berrou com ele e, no minuto seguinte, Edward segurava a própria cabeça, caído no chão ao lado da cama – Seu insensível!!

— Você me bateu!! – Edward olhava espantado para ela.

— E vou bater de novo – Winry berrou ainda mais com ele – Como você teve coragem, mesmo depois de saber da história toda, como você teve coragem de tratar a Akame-chan tão mal?!

— Será que está todo mundo doido?! – Edward levantou de um pulo – Não vem, não. O fato de ela ter passado por tudo isso, não a isenta de todos os seus crimes!!

— Não dá para acreditar que você e o Al sejam irmãos – Winry cruzou os braços com a cara emburrada – Você não tem nenhuma compaixão!!

— Compaixão eu tenho – Edward rebateu – Mas, só para quem merece!!

— Ora – Winry levantou, batendo os pés – Eu não tenho nem paciência para discutir com você!!

— Aonde você vai? – Edward seguiu Winry.

— Qualquer lugar bem longe de você!! – Winry respondeu, passando feito um furacão por entre as camas da enfermaria. Algumas pessoas espichavam os pescoços dos leitos para observar a briga e cochichavam com os companheiros das camas próximas.

— Espera um pouco aí – Edward se apressou para acompanhá-la – Winry!!

— Não se preocupe. Eles vão ficar bem – Alphonse sorriu enviesado para Akame ao vê-la com uma cara de espanto enquanto acompanhava com os olhos o casal briguento se afastar – Você parece cansada – comentou depois de olhar atentamente para ela, com o sorriso se desfazendo.

— Um pouco – Akame piscou os olhos e abanou a cabeça.

— Vem aqui – Alphonse indicou o lugar ao lado dele.

Akame lhe lançou um olhar de quem não estava entendendo nada e, ao invés de se explicar, ele a puxou pela mão, fazendo a garota se sentar com os ombros colados aos dele e as pernas estendidas sobre a cama. Cuidadosamente, Alphonse a abraçou pela cintura com um braço e, com o outro, trouxe a cabeça de Akame para junto dele, pousando-a sobre seu ombro. Akame retraiu os braços junto ao corpo, achando aquela situação bastante estranha e constrangedora. Alphonse percebeu que Akame estava tensa e afagou levemente seus cabelos para acalmá-la. Depois de alguns minutos, a respiração dela foi relaxando e Alphonse sentiu que ela, finalmente, dormiu.

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Os amestrinos iniciaram o contra-ataque no meio da tarde com a infantaria organizada em quadrados, como recomendara a capitã Hawkeye, disparando rajadas contra o inimigo em três fileiras de soldados. Enquanto os soldados da frente atiravam, os de trás carregavam as armas, aproveitando a barreira de soldados como proteção.

Para deter o contra-ataque amestrino, os rebeldes alinharam cerca de cinco mil soldados na frente para prosseguir contra o inimigo. Mas, os cavalos dos rebeldes se assustaram com aqueles quadrados, compostos por soldados atirando alucinadamente, e se recusaram a avançar. Isso provocou um leve recuo no ataque dos rebeldes.

A generala Armstrong se aproveitou dessa retirada e enfileirou os canhões à frente da infantaria. Os canhões abriram fogo, provocando pesadas baixas no exército inimigo.

Enquanto isso, o batalhão comandado pelo major Armstrong esperava apenas uma ordem para invadir o hospital de campanha pelo outro lado, aproveitando que os inimigos estavam todos concentrados na linha de frente. O major dividiu alguns dos soldados em pequenos grupos de reconhecimento, que deveriam usar roupas camufladas porque precisavam entrar no hospital e na cidade discretamente.

— Vamos conversar um pouco para diminuir a tensão – Havoc sorriu simpático para seus companheiros do grupo de reconhecimento – Pena que não podemos nem cantar umas músicas.

— Ah – Fuery reclamou – Você não vai começar a cantar aqui, não é?

— Eu prefiro morrer – Breda concluiu, de mau humor.

— Que péssimos amigos eu tenho – Havoc choramingou – Viu todo o sofrimento que eu tenho de passar, subtenente?

Akame os observava, sem dizer nada, e se surpreendeu quando Havoc lhe dirigiu a palavra.

— Vocês só dão trabalho – uma veia saltou na testa de Riza – Era para ficarmos quietos.

— Estamos quietos, capitã. Relaxa, ninguém vai achar a gente aqui, não – Havoc a tranquilizou – Daqui dá para ver perfeitamente toda a movimentação nos arredores do hospital.

— A general vai reclamar que estamos falando demais, Havoc – Breda aconselhou.

— Que nada. Nós estamos com a subtenente – Havoc indicou Akame – Qualquer coisa, é só dizer que a subtenente também estava aqui com a gente.

— Quer arranjar problemas para a garota, Havoc? – Fuery disse.

— Que problemas? – Havoc levantou uma sobrancelha – Vocês viram que os olhos da general brilharam quando ela viu a subtenente fazendo os inimigos em picadinhos? Se a general pudesse, ela adotava a subtenente como a filha dela.

— Adotar a subtenente como filha?! – Fuery piscou os olhos, admirado, e adotou uma postura pensativa – A generala Armstrong tem um instinto maternal?!

— E a subtenente iria virar uma Armstrong?! – Breda arregalou os olhos, espantado.

— Iria se dar bem, subtenente – Fuery deu uma piscadela e um sinal de positivo na direção de Akame – A família Armstrong tem posses.

— Porém, ninguém naquela família é normal – Havoc abaixou ainda mais a voz e se inclinou para Akame – Conheci o pai da generala Armstrong. O homem mais chato de Amestris. Não é nem um pouco modesto, uma característica passada de geração em geração na família Armstrong. Fica o tempo todo falando – Havoc adotou uma postura esnobe exagerada e falou em uma voz pomposa – “A família Armstrong é a mais nobre das famílias nobres em Amestris... blá, blá... Gerações e gerações de generais... blá, blá...”. Você pode apenas ignorá-lo ou se jogar pela janela. E, acreditem, eu fiquei tentado com a segunda opção. A mãe dela é assustadora, sério. Não precisa ser gênio para perceber de onde a generala herdou todo o seu carisma. E a filha mais nova é delicada à primeira vista, mas seu passatempo favorito é carregar pianos!

— Ele só fala isso porque levou um fora da irmãzinha da general – Fuery tentava, inutilmente, abafar o riso.

— Me deixa em paz, Fuery!! – Havoc ralhou com ele.

— Havoc – Riza chamou em tom de reprimenda – Você quer denunciar a nossa localização?

— Desculpa aí, capitã – ele disse, meio envergonhado – Mas, falando sério – Havoc cochichou no ouvido de Akame – não aceite nenhum convite na casa dos Armstrong. Não é nada saudável.

— Seus comentários são tão necessários quanto as pulgas do Black Hayate, Havoc – Breda ria.

— Quem disse que o Black Hayate tem pulgas? – Riza perguntou, severamente, e uma gota escorreu da testa de Breda.

— Ninguém, não, capitã – Breda deu um sorriso amarelo.

— O problema de vocês é que vocês falam demais – Riza usou um tom sombrio e engatilhou a arma. Os rapazes começaram a suar frio.

— O major está demorando a dar o sinal, não é? – Fuery deu um sorriso horrivelmente amarelo, tentando disfarçar o nervosismo.

— Não se preocupe. Quando ele der o sinal, nós vamos ver – ironizou Breda – Com certeza.

— Como assim? – Fuery enrugou a testa – Você não acha que ele vai fazer alguma daquelas esculturas extravagantes dele, não é? A general pediu para sermos discretos.

— Resta saber se ele sabe o significado dessa palavra – Havoc deu uma risadinha.

— Apenas a existência dele não é nem um pouco discreta – Breda comentou.

— Eu queria ser como ele – Fuery ergueu os braços, exibindo o que ele achava serem seus músculos – Já pensou se eu tivesse os braços do tamanho de uma árvore?

— Iria ficar ainda mais feio do que você já é – Breda caçoou.

— Você tem é inveja dos meus braços fortes – Fuery fez uma imitação barata do major – Mas, é sério, o que será que ele faz para ter uns braços tão grandes?

— Ele quem, tenente?

Fuery se arrepiou como um gato assustado ao perceber que o major Armstrong estava parado bem atrás dele.

— N-ninguém, n-não, major – Fuery gaguejou.

— O Fuery falou que queria ficar forte igual ao senhor, major – Breda parecia estar se deliciando em ver o amigo se ferrar.

— Ora, por que não disse antes? – o major estufou o peito e a parte de cima de seu uniforme desapareceu como mágica – Basta comer muita comida saudável e levantar alguns pesos todos os dias. Quando eu era mais jovem, costumava carregar o trator da fazenda do meu avô, passada de geração em geração na gloriosa família Armstrong – ele tagarelou animadamente e nem percebeu várias gotas escorrendo das testas de seus subordinados – Mas, depois falamos disso. Vim aqui dar as últimas instruções. Como vocês são o primeiro grupo de reconhecimento a se infiltrar no hospital e no vilarejo, preciso que vocês informem tudo que possa nos servir. Descubram de onde os inimigos estão vindo, pontos estratégicos, obstáculos, os melhores lugares para posicionar as armas e, principalmente, a localização dos reféns.

— Sim, senhor – disseram todos em uníssono.

— Capitã Hawkeye – o major chamou – Quero que cuide da parte norte do vilarejo. Localize um lugar alto para poder acertar os inimigos com a sua excelente pontaria.

— Com certeza, senhor – Riza bateu continência.

— Tenentes Fuery e Havoc, vocês cuidam da parte leste e oeste – o major virou-se para eles – Sejam discretos e extremamente cuidadosos. Invadiremos o hospital nessa noite com o resto do batalhão e vocês devem providenciar uma passagem segura para entrarmos no prédio.

— Pode deixar, major – Fuery e Havoc responderam juntos.

— Tenente Breda, cuide da área sul – o major continuou – vigie e nos avise, caso seja preciso proteger a retaguarda de um possível contra-ataque inimigo.

— Sim, senhor – Breda fez uma reverência.

— E, ah, subtenente Akame – o major a encarou – você acha que consegue localizar o capitão Falman que estava dentro do hospital quando aconteceu o ataque? Passe a ele toda a informação necessária. Encontre o máximo possível de reféns lá dentro e nos informe sua localização.

— Sim, senhor – Akame concordou com a cabeça.

— E mais uma última recomendação, não morram – o major completou, sério – Fiquem firmes que logo chegarão os reforços – ele enrugou a testa, sério – Estejam preparados para hoje à noite porque, nessa noite, ninguém dorme.

Notas finais
Ah, não sei se vocês perceberam logo mas, essa segunda parte aconteceu antes da parte de cima. Eu não sei porque eu faço essas quebras de tempo. Até terça.