Notas iniciais
Olá, voltei! Agora é quase oficial. Essa história, provavelmente, terminará no capítulo 51, ou seja, teremos mais três capítulos além desse. Ainda tenho que resolver algumas coisas, mas isso é quase certo. A boa notícia é que, se acontecer o que estou pensando, o último capítulo será o maior de todos. Além disso, se vocês quiserem, posso postar um capítulo extra. Olha, não sei o que achar do capítulo de hoje. Não levo muito jeito para escrever cenas dramáticas nem românticas. Digam vocês o que acharam desse capítulo.

Edward ia à frente, tagarelando sem parar e cumprimentando várias pessoas enquanto eles percorriam as ruas movimentadas da Cidade do Leste. Akame não falava quase nada e seguia o alquimista que, vez ou outra, parava para comprar alguma coisa em uma das muitas barracas enfileiradas nos cantos da rua.

— Você ainda está aí? – ele virou os olhos para trás e a avistou a alguns metros de distância – Pensei que você fosse mais rápida.

— Edward – Akame chamou tão baixo que ele quase não ouviu.

— O que foi? – perguntou, diminuindo um pouco o passo.

— Obrigada por estar sendo gentil comigo – falou meio sem jeito – Nesses últimos dias...

Edward parou de andar na mesma hora, mas continuou de costas para Akame.

— Bom, isso não é uma opção – ele falou, ainda de costas – Mas acho que deveria te agradecer por... sabe – encolheu os ombros, sem jeito – por trazer de volta o Al...

— Acho que lhe devo desculpas – Akame continuou, chegando mais perto dele – por ter socado o seu nariz...

— Ah, aquilo? – Edward fez uma pose arrogante – Eu nem senti nada. Não precisa se desculpar.

— Ainda bem – Akame sorriu, levemente – Não pus força mas, mesmo assim...

Edward engoliu em seco.

— E também – ele hesitou um pouco, coçando a nuca, constrangido, e olhando para os lados – Eu meio que mereci e... Ei! Aquele ali não é o Wave?

Wave estava encostado próximo a uma das bancas, lendo um jornal com profundo interesse. Ou, provavelmente, tentando ler. Mas, logo em seguida, ele levantou os olhos e encarou Akame e Edward do outro lado da rua.

— Akame. Edward – Wave atravessou a rua e cumprimentou os dois animadamente, apertando a mão de ambos – Bom ver vocês por aqui.

— Você está muito feliz hoje – Edward lançou um olhar desconfiado para ele.

— Bom, é que tenho planos – Wave meneou a cabeça – Estou pensando em voltar para meu país em grande estilo.

— Como assim? – Edward enrugou a testa.

— Olhe isso – Wave desdobrou o jornal que trazia debaixo do braço e apontou para uma página.

Edward pegou o jornal e leu a parte destacada sobre um navio que sairia de Aerugo com destino ao Império, depois de anos sem contato entre os dois países. Edward percebeu que a data e o horário da saída, além do preço das passagens, estavam sublinhados com tinta preta.

— Vai voltar para o Império de navio? – Edward perguntou.

— O caminho é mais longo do que pelo deserto – Wave meneou a cabeça – Mas é mais seguro. Além de ser bem mais agradável.

— E toda aquela história de fazer carreira no Exército Amestrino? – Edward insistiu.

— Bom, acho que não é para mim – Wave sorri de lado – O que eu posso dizer? Eu tenho um buraco dentro de mim – ele colocou a mão sobre o peito e olhou para o horizonte – uma falta que não sei explicar e nem medir. E só sinto um pouco de paz quando estou em alto-mar.

— Entendo bem o que é isso – Edward suspirou – Eu também sentia uma falta que me movia a estudar Alquimia...

— Wave – Akame interrompeu os pensamentos dos dois – posso falar em particular com você?

— Por acaso, é o tipo de assunto que não pode ser dito em público? – Edward provocou.

— Por acaso, é o tipo de assunto que não é da sua conta – Wave rebateu – Não ouviu ela dizer que quer falar em particular?

— Bom, você pode ficar aí, se quiser – Akame encolheu os ombros, sem alterar a expressão – Vamos conversar na nossa língua mesmo.

— Está bem – Edward resmungou, se afastando – Vou ali comprar umas frutas, cabeçuda.

— Esses amestrinos são todos esquisitos, não é, Akame? – Wave comentou, acompanhando com os olhos Edward se dirigir para uma das barracas mais afastadas.

Akame não respondeu e continuou olhando para o alquimista que, pela maneira como gesticulava, começou uma discussão com um dos vendedores.

— O que queria falar comigo, Akame? – Wave recomeçou depois de esperar por alguns minutos.

— Quero que me leve até o túmulo de Kurome – disse, sem rodeios.

— O quê?! – Wave se assustou – Não está ainda pensando em voltar...

— Não sei o que vai ser daqui para frente – Akame o interrompeu – Quero visitar minha irmã uma última vez.

— Mas você não tem esperança que possamos achar a cura? – ele insistiu.

— Tenho que pensar em todas as possibilidades – Akame fechou os olhos, lentamente – Mas visitar o túmulo de Kurome sempre foi um desejo meu. E eu sei que foi você quem a enterrou. Eu pretendia procurar sozinha mas, já que você vai para lá, não achei que seria problema.

— Entendo – ele suspirou – Então, vai partir comigo quando eu for pegar o navio, não? Mas ele só vai partir daqui a um mês.

— Me encontre daqui a onze dias na estação de trem de uma cidade chamada Fotset, no sul de Amestris – Akame continuou – Depois de me levar até o túmulo de Kurome, você poderá ir embora. Aliás, eu aconselharia a você ir embora. Não é muito seguro ficar perto de mim...

— Mas – Wave hesitou – você vai mesmo ficar bem? Quer dizer, vai embora sozinha?

— Nascemos e morremos sozinhos – Akame suspirou – Por que viver seria diferente?

— Certo – ele concordou com a cabeça, sem saber direito o que responder.

— E tem uma última coisa que eu queria te pedir – Akame falou para o lado, meio sem jeito – Quando eu e Kurome éramos mais novas, costumávamos caçar Bestas Perigosas na floresta...

— Duas crianças caçando sozinhas aqueles monstros?! – Wave arregalou os olhos.

— A última coisa que eu iria querer – Akame parecia não ter percebido a interrupção de Wave – era virar um monstro como aqueles que caçávamos. Sabe, você me lembra o Tatsumi – ela sorriu, levemente – Uma vez, pedi a ele que, caso a maldição da Murasame consumisse totalmente minha humanidade, eu iria preferir que ele me ajudasse a ir em paz.

Wave ficou uns bons minutos em silêncio, processando as palavras de Akame.

— COMO VOCÊ ME PEDE UMA COISA DESSAS?!! – o grito de Wave acabou atraindo a atenção de algumas pessoas na rua. Envergonhado, ele abaixou a voz em um sussurro. Apesar de ser desnecessário porque não tinha como as outras pessoas entenderem a língua deles – Você tem noção do que você acaba de me pedir?

— Você é a única pessoa que eu posso pedir isso – Akame continuou, tranquilamente – Por favor. Não estou pedindo para fazer isso por mim, e sim, por Kurome.

Essas últimas palavras desarmaram Wave. Ele suspirou, olhando para os lados e bagunçando os cabelos nervosamente.

— Tenho certeza que Kurome não iria querer isso para mim também – Akame suspirou.

— Mesmo que – ele recomeçou, com a voz vacilante – Mesmo que eu concordasse em te ajudar, como eu poderia matar você? Você é praticamente imortal.

— Soube da lenda de uma espada – Akame falou, séria – Forjada especialmente para matar youkais – e acrescentou muito formalmente – A espada Koma.

— A espada... – Wave gaguejou – A espada Koma?

— Se eu começar a perder o controle, não hesite em usá-la – Akame assentiu – Mas, com certeza, o demônio não vai querer morrer, então se prepare para lutar.

— E você sabe onde está essa espada lendária?

— Não – Akame abanou a cabeça – Mas sei por onde começar a procurar.

— Mas... o que pode acontecer com você, Akame? – ele perguntou, com a voz baixa – Se eu usar essa espada contra você...

— Temos que pensar no que provocaria mais danos – ela continuou, firme – e evitar ao máximo. Minha vida não vale tanto quanto as vidas de outras pessoas. Na verdade – suspirou e olhou para o infinito – você sabe que um assassino deve cumprir sua função e depois desaparecer, não? Talvez, não esteja muito longe da hora de me juntar a eles.

Os dois ficaram em silêncio por um tempo, perdidos em seus próprios pensamentos.

— Você – Wave foi o primeiro a falar – só falou de Kurome porque sabia que eu não poderia recusar, não foi?

Akame exibiu um sorriso triste.

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Depois de brigar com quase todos os vendedores que encontrou e gastar um tempo particularmente desnecessário para escolher as mercadorias, Edward finalmente voltou para Resembool na companhia de Akame. Já havia escurecido e o caminho de volta foi feito em um carro de aluguel. Akame ajudou Edward com as compras ao pararem na frente de casa.

— Ninguém vem para ajudar a carregar as coisas, heim? – Edward comentou – E, ainda por cima, deixaram todas as luzes apagadas. Aqui parece uma casa de malucos.

Assim que eles chegaram à porta da sala, as luzes se acenderam e ouviram um barulho de pequenas explosões. Instintivamente, Akame recuou, com os olhos arregalados, mas Edward deu um empurrãozinho nas suas costas e ela deu dois passos para frente, entrando na sala cheia de gente e objetos coloridos da casa dos Rockbell.

— SURPRESA!! – gritaram todos ao mesmo tempo.

— Parabéns, Akame-chan – Winry saiu correndo do meio do povo e abraçou a outra, que não conseguiu esboçar nenhuma reação.

— Não tivemos tempo para arrumar muita coisa – Pinako apareceu logo atrás da neta – Mas esperamos que goste.

— Desculpe, Akame-chan – Winry sacudia Akame pelos ombros – Esse bobo do Al nos avisou em cima da hora que era seu aniversário e tivemos que correr para arrumar tudo.

— Meu... – Akame balbuciava, sem entender – meu... aniversário???

— Aliás, você é uma péssima atriz, Winry – Edward estufou o peito, vaidoso – Se não fosse por mim, a cabeçuda aqui teria sacado logo o que estávamos planejando.

Akame pensou seriamente se deveria dizer que não era seu aniversário, ou melhor, dizer que não tinha certeza. Porém, teria que dar uma longa explicação sobre o porquê dela não saber quando era, de fato, seu aniversário.

— Akame! – Wave apareceu com os braços para cima e abraçou Akame, sacudindo-a – Nem me avisou que era seu aniversário. Não pude nem comprar um presente.

— Que desculpa esfarrapada – Edward resmungou – Muita cara de pau a sua vir aqui comer de graça e nem trazer um presente.

— Você é tão cruel, Edward – Wave resmungou.

E a festa foi bastante animada. Havia várias pessoas espremidas na pequena sala da casa de Pinako Rockbell. Izumi Curtis e seu marido, Sig, sorriam enquanto organizavam várias caixinhas coloridas que, provavelmente, eles haviam trazido. Doutor Marcoh conversava no fundo da sala com o major Armstrong que fazia um longo discurso sobre suas habilidades artísticas passadas de geração a geração na família Armstrong. Havoc discutia de forma acalorada com seus colegas Fuery, Breda e Falman porque os três debochavam de seu anúncio sobre ter arranjado uma nova namorada. Denny Brosh e Maria Ross ajudavam Pinako com a organização das comidas. Jelso, Heinkel, Darius e Zampano conversavam animadamente enquanto bebiam. Riza Hawkeye abanava negativamente a cabeça ao lado de Roy Mustang que não cansava de declarar em voz alta o quanto o seu presente era o mais magnífico de todos.

Akame gostou de ver todos alegres e reunidos mas, em um determinado momento, sentiu vontade de sair um pouco para a varanda e respirar o ar frio da noite sozinha.

E realmente o vento lá fora estava frio. Akame esfregou as mãos nos próprios braços enquanto olhava as silhuetas dos galhos das árvores balançando ao sabor do vento. A luz que vinha da casa não era suficiente para vencer a escuridão da noite e as estrelas apareciam bem brilhantes no céu. Ela estava tão distraída, observando-as, ao sentir algo macio e quente caindo do alto e se envolvendo em seu pescoço. Olhou para trás e ainda deu tempo de ver Alphonse segurando a ponta do cachecol vermelho que estava enroscado no pescoço da garota.

— Não é o meu presente – ele se apressou em responder – É de Winry. Ela pediu para eu trazer isso para você. Esfriou demais.

— Obrigada – Akame puxou o cabelo por cima do cachecol.

— A propósito – Alphonse pegou algo no bolso – Eu não dei meu presente para você. Aqui está.

Alphonse mostrou na palma de sua mão uma delicada pulseira prateada com alguns pingentes minúsculos pendurados ao redor dela.

— Eu mesmo fiz. Sem usar Alquimia – acrescentou, orgulhoso – Quer dizer, eu usei um pouquinho – e exibiu uma mão em pinça, com o polegar quase encostando no indicador – Mas só um pouquinho mesmo.

— É bonito – Akame deu um meio sorriso.

Alphonse segurou a mão de Akame e colocou o presente no pulso dela.

— Viu? Ficou ainda mais bonito em você – ele sorriu de lado e olhou Akame nos olhos por alguns segundos antes de, em um impulso, abraçá-la.

Era um abraço meio desajeitado e Akame nem poderia retribuir porque Alphonse acabou prendendo os braços dela.

— Você continua com essa mania de me abraçar inesperadamente – Akame comentou, após alguns segundos silenciosos.

— Não gosta? – ele se retraiu um pouco, com o rosto parcialmente coberto pelos cabelos dela.

— Às vezes, me assusta.

— Desculpe – Alphonse se afastou, meio triste.

Ele ficou olhando para o chão, sem saber o que dizer, até sentir a mão de Akame puxando a sua. Ele suspendeu os olhos e viu Akame segurando sua mão com as duas mãos e a aconchegando no cachecol, perto do rosto dela. A única coisa que Alphonse conseguia pensar era o quanto as mãos dela eram tão quentes e ele não conseguiu evitar sorrir.

— Alphonse-san – a voz de Akame despertou Alphonse – Deixe-me falar um pouco de mim – ela suspirou profundamente, soltando uma baforada de ar quente – Bom, acho que já sabe que não sou humana. Ao menos, não mais. E, também – falou com receio, desviando os olhos – eu destruo a vida de qualquer um ao meu redor. Então – Akame falou, vagamente – tudo bem se você me esquecer e ir viver sua vida.

— Mas eu nunca vou te esquecer – Alphonse gaguejou, nervoso – Eu...

— Ei, vocês dois – Jelso os chamou de dentro de casa – Venham para cá. Está na hora das fotos!

— É mesmo – Alphonse se animou – Vamos, Akame. Eu não tenho nenhuma foto sua – suplicou quando ela fez uma cara de assustada.

Mesmo com um pouco de resistência, ela acabou o acompanhando até a sala onde ocorria uma nova discussão.

— Sai pra lá, major – Edward se esquivava de um Armstrong que, sem camisa, tentava abraçá-lo para a foto – Isso já está ficando estranho.

—Ficando? – Fuery perguntou, quase sufocado pelo braço do major – Era estranho desde sempre!

— Ora, não sejam tímidos – o major esmagou Edward, Fuery e Denny em um abraço sufocante enquanto os três esperneavam, tentando fugir.

Na opinião de Alphonse, as primeiras fotos foram extremamente engraçadas.

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Todo mundo já havia ido embora há muito tempo. Edward e Winry tinham ido para a casa deles, a casa que havia sido reconstruída sobre a velha residência dos Elric. Alphonse havia os acompanhado porque ainda queria conversar um pouco com Edward, mas logo voltaria.

Akame olhava para os presentes que ganhara sem conseguir entender muito bem. Engraçado esses amestrinos terem dado presentes para ela como se a conhecessem há muito tempo. Isso era um costume bem estranho deles.

— Akame-chan? – Akame levantou os olhos e deu de cara com a figura pequena de Pinako Rockbell segurando duas canecas fumegantes – Tome um pouco desse chá, querida. É ótimo para dormir.

Ela agradeceu e aceitou uma das canecas. Pinako sentou ao lado dela na cama da garota, assoprando sua caneca.

— Espero que tenha gostado – Pinako começou – Desculpe por não pudermos fazer mais...

— Eu que agradeço – Akame olhava para o copo em seu colo, sorrindo – Recebi muito mais hoje do que em minha vida inteira.

— Imagino – Pinako falou, vagamente. Seguiu um pequeno silêncio – Você sabe que eu criei Edward e Alphonse quando a mãe deles morreu, não?

Akame assentiu com a cabeça.

— Eles não contaram que pretendiam reviver a mãe – Pinako continuou – Sempre viviam de segredos aqueles dois, principalmente Edward. E, depois que Edward virou Alquimista Federal, eles viviam indo de cidade em cidade procurando recuperar seus corpos – ela deu um longo suspiro – Não davam notícias por dias, se metiam em confusão e voltavam arrebentados. Eu nunca perguntei o que eles faziam. Eu apenas confiava que eles não estavam fazendo nada de errado – e suspirou novamente.

Akame observou a matriarca dos Rockbell por um tempo. Apesar de estar com a expressão levemente cansada, Pinako sorria ligeiramente.

— Eu vivi muito tempo e vi muita coisa – Pinako deu um gole em sua caneca e a pousou sobre uma mesinha do lado – O mundo pode ser um lugar muito cruel para duas crianças sozinhas. Por isso, quis criar os dois. Mas, infelizmente, nem todas as crianças têm a sorte de ter alguém que cuide delas.

Pinako limpou as lentes dos óculos no avental.

— Desde o primeiro dia que eu te vi – Pinako estava concentrada na tarefa de limpar os óculos – eu notei algo curioso em seu olhar. Era o olhar de uma pessoa que cresceu muito em pouco tempo. E, acho que posso arriscar, viu coisas terríveis. Olha, não vou julgar o que você precisou fazer para sobreviver, mas quero dizer que você também pode ter um lugar para voltar quando precisar. Igual àqueles dois.

Pinako colocou novamente os óculos e sorriu para Akame.

— Você me lembra um pouco o Edward – Pinako meneou a cabeça – Eu sei que você não precisa ser cuidada por ninguém. Eu sei que você se recusaria a jogar seus problemas para cima dos outros para evitar preocupações desnecessárias, mas quando você pôde se sentir totalmente em paz em toda a sua vida?

— Eu me senti assim aqui – Akame sussurrou – Algumas vezes.

— Eu sinto muito – Pinako usou um tom triste – Sinto muito mesmo por você, Akame. Queria poder ter feito algo por você quando era criança...

— Está tudo bem – Akame sorriu, triste – A senhora já fez muito por mim agora.

Pinako abriu a boca para falar algo, porém desistiu. As duas ficaram em silêncio por alguns minutos, de vez em quando, bebendo o chá.

— A propósito, feliz aniversário de novo – Pinako quebrou o silêncio – Eu sei que é um pouco tarde, mas posso te dar um abraço?

Akame se inclinou um pouco para o lado e, muito desajeitadamente, deitou a cabeça sobre os ombros de Pinako. A senhora a ajeitou melhor e deu tapinhas nas costas da garota.

— Se você quiser – Pinako sussurrou com o rosto de Akame escondido em seu ombro – eu posso ser sua avó. Como fui daqueles dois cabeças-ocas – riu – Ora, não diga que você também é manhosa – Pinako brincou quando sentiu Akame soluçar baixo – igual ao Edward?

Notas finais
A espada Koma citada no capítulo pode ser vista nos animes Ao no Exorcist e Yu Yu Hakusho. Mas, se eu não me engano, em Yu Yu Hakusho, a pessoa que é cortada pela espada vira um demônio. Em Ao no Exorcist, a espada Koma (também chamada de Kurikara) foi forjada especialmente para matar Rin e Yukio Okumura quando eles eram bebês, mas o padre Fujimoto não conseguiu completar a missão. Outra coisa, se vocês quiserem, posso postar um capítulo nessa quarta e outro no sábado. Se não, postarei apenas o próximo capítulo no sábado. Hasta luego.