A Assassina e o Alquimista

21 Carnificina Encarnada


Notas iniciais
Olá! Mais um terça! Infelizmente, não vou poder fazer a atualização dessa sexta por motivos pessoais. Mas pretendo voltar normalmente na próxima semana. Para compensar, deixo um capítulo novo hoje. Então, nos vemos na próxima terça!!

A generala Olivier Armstrong tinha razão. O ataque inimigo em pequena escala foi facilmente reprimido. Wave nem mesmo precisou liberar a armadura de sua Teigu. Mesmo assim, o tenente Erich Schönberg ficou muito impressionado com a coragem e a habilidade dos dois recrutas. Apesar de serem muitos jovens, os dois se comportavam como combatentes experientes e ele precisava reportar isso imediatamente para a general. Estava impressionado, especialmente com a garota. Ela cortava cabeças com a mesma facilidade com que se corta um tablete de manteiga. Schönberg julgou Akame muito erradamente. A primeira impressão da garota foi de que ela era delicada demais para aquele ambiente. Ficou de queixo caído quando a viu avançar com o cavalo e decepar a cabeça de um soldado da infantaria inimiga, sem hesitação. Precisou se recompor e prestar atenção na batalha ou o próximo a perder a cabeça seria ele.

O destacamento amestrino era superior em força em relação aos ameaçadores combatentes inimigos. Tão superiores que não precisaram nem de duas horas de luta para conseguir sufocar o ataque. Quase todos os soldados amestrinos, depois de verificar se os mortos tinham armas e equipamentos melhores, voltaram ao acampamento, sujos e maltratados, mas vitoriosos.

— Ei, Akame – Wave sacudiu as rédeas de seu cavalo para poder alcançar o cavalo que ia mais a frente – Está tudo bem?

— E por que não estaria? – ela respondeu sem voltar os olhos para ele.

— Não sei – ele balançou a cabeça – Eu me lembrei daquela vez no Quartel-General Central. Aquelas suas tatuagens – Wave insistia em fazer gestos inúteis. Akame ainda estava de costas para ele – Iguais àquelas que você tinha quando lutou com a taichou – ele nunca deixou de chamar Esdeath de taichou – Mas, pelo que eu me lembre, foi depois que você se cortou com a Murasame. Mas você não estava com a Murasame quando elas apareceram da última vez...

— Você se lembra disso? – Akame perguntou, olhando para frente – Achei que você estivesse muito ocupado nocauteado no chão...

— Também não precisa jogar na cara, né, Akame?! – ele falou um pouco irritado e, depois, suspirou longamente para se recompor – Aquele era o trunfo da Murasame, não é? Eu pensei, se ele apareceu agora sem você ter se cortado com a Murasame, quer dizer que ainda tem restos do veneno no seu sangue daquela luta com a taichou, não é? – Wave esperou uma confirmação, mas como ela não veio, ele prosseguiu – Isso não é um pouco perigoso?

— Não se preocupe – Akame disse.

— Como não me preocupar? – Wave falou para as costas de Akame – E não sou só eu. Alphonse Elric me perguntou o que seria isso. Ele é gente boa – e fez uma breve pausa – E está preocupado com você.

— Eu sei – Wave não podia ver o rosto de Akame mas, pelo tom da sua voz, sabia que ela deu um suspiro de frustração – Ele se preocupa demais. Eu tentei me afastar dele quando percebi isso. Mas, a comida dele era muito boa – acrescentou, casualmente.

— Não acredito que você estava pensando em comida em uma situação dessas – uma gota escorreu da testa de Wave – Você realmente é a irmã da Kurome – falou para si mesmo.

— Não só no prato principal – Akame falou em um tom bastante sério – A sobremesa também é muito importante.

Se não estivesse a cavalo, Wave teria caído para trás com esse comentário.

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Aquela pequena vitória não deixou a general Armstrong mais tranquila. Ela andava para lá e para cá em seu escritório, pensando qual seria o próximo passo do inimigo. Além disso, ela ouviu atentamente o relato do assombrado tenente Schönberg. Segundo o tenente, dessa vez Mustang acertou na sua escolha. E isso intrigava a general. Onde o Exército havia arranjado aqueles dois malucos? O rapaz havia sido capturado pela sua própria divisão, mas ele não demonstrou ter nenhuma qualidade excepcional à primeira vista. E a garota tinha surgido de onde? Baseando-se nas descrições de Schönberg, aquela forma meio suicida de lutar, principalmente da garota, não era normal.

— Interessante – Olivier coçou o queixo – Gostaria de ver essa menina atuando.

— Bom, eu ouvi uma história dos soldados da Cidade Central, general – Schönberg estava sentado em uma cadeira meio bamba, observando a general Armstrong andar pelo escritório – Não sei se é verdade, mas dizem que a espada da menina é amaldiçoada.

— Amaldiçoada? – Olivier parou de andar e encarou o tenente com uma sobrancelha levantada – Que bobagem é essa agora, tenente?

— Uma história meio esquisita – Schönberg se mexeu, incomodado com o olhar da general sobre ele – Dizem que a espada foi feita com Alquimia, sei lá, só sei que ela dá uma força sobre-humana para o dono. Me falaram que a garota até derrubou o major Armstrong.

— Alex é um molenga – Olivier sacudiu a mão com desprezo – Não seria uma grande surpresa. Mas e o rapaz? Ele também teria uma arma parecida?

— Isso eu não sei – o tenente abanou a cabeça – Mas ele sempre carrega uma espada negra. A da garota tem uns tons de vermelho e, realmente, eu nunca vi nada parecido.

— Descubra tudo que puder desses dois – Olivier disse – Mustang pode ser um preguiçoso, mas não é nenhum burro. Alguma coisa não está certa nessa história.

— E dizem que os dois estavam sob os cuidados do Exército na época do Führer Grumman – Schönderg completou.

— Será que era por isso que o Exército tinha tanto interesse de capturar aqueles foragidos? – a general parecia ter acabado de se lembrar de algo – Por que eles fizeram tanta questão em capturar criminosos tão perigosos vivos? Se é que eles são mesmo criminosos. Parece que aquele bode velho “esqueceu” de nos contar alguma coisa – ela deu um longo suspiro de irritação – Onde estão as cópias daqueles cartazes dos foragidos, tenente? Vou querer dar uma boa olhada em todos aqueles rostos...

Contudo, ainda havia um problema maior para resolver. E ela precisava resolvê-lo imediatamente. A fácil vitória sobre o pequeno ataque inimigo era a prova de que havia coelho naquele mato. E dos grandes.

— Notou algo de estranho, tenente? – a general resolveu sentar em sua cadeira.

— Está perguntando sobre os rebeldes, general?

— Não, tenente. Estou perguntando como foi seu dia – a general respondeu de forma irônica – É claro que é sobre os rebeldes. O que eles estão aprontando?

— Parece que chegou um carregamento novo de armas, general – o tenente inclinou-se sobre a mesa – Eles estão começando a se alinhar nas trincheiras da linha de frente. É melhor nos prepararmos para um novo ataque.

— Tem razão – a general coçou o queixo – Nossas armas são melhores, mas não podemos subestimá-los. Reforcem a linha de frente. Apesar de que eu duvido que eles tenham força suficiente para superar as linhas de defesa.

O tenente saiu apressado para cumprir as ordens da generala. Em pouquíssimo tempo, Olivier Armstrong teve a prova de que estava certa. Nem se passara meia hora desde o último ataque, a tropa de vigilância do Exército Amestrino foi alertada por uma sequência de estrondos vindo da linha de frente.

— Ataque de canhões!! – os vigias berravam a plenos pulmões – Preparem o contra-ataque!!

Dezenas de canhões foram alinhados contra o acampamento amestrino. O ataque anterior desviou a atenção do Exército e eles não perceberam o motivo da movimentação no front inimigo. Apesar dos canhões dos rebeldes serem mais pesados, dificultando o posicionamento das armas, o elemento surpresa trabalhou a favor deles. Os amestrinos correram desesperadamente para os seus canhões, debaixo de uma chuva de explosões e poeira.

— Carreguem os canhões!! – a general lamentava-se por não poder ter trazido seus amados tanques de guerra – Andem logo com isso!!

A ofensiva foi tão intensa que podia ser sentida há quilômetros de distância. No hospital, as luzes tremiam e piscavam enquanto as camas sacudiam com os tremores provocados pelas sucessivas explosões. Alguns feridos do ataque anterior haviam acabado de chegar, entre eles o capitão Vato Falman trazido por Lan Fan. Os dois tinham sido incorporados ao pelotão de reconhecimento e, por causa disso, o grupo deles precisava ir à frente do Exército para verificar os obstáculos e os pontos estratégicos do terreno. Falman acabou recebendo um tiro de raspão no braço direito e foi enviado ao hospital, depois de receber os primeiros socorros.

— O que está acontecendo, capitão? – Winry enrolava, nervosamente, uma bandagem ao redor do braço de Falman.

— Pelo barulho, são tiros de canhão – Falman respondeu com uma careta de dor – Lan Fan, pode retornar ao seu posto. Provavelmente, vão precisar de você.

Lan Fan fez uma breve reverência e correu para fora do hospital.

O hospital estava uma confusão. Todas as camas estavam ocupadas e muitas pessoas corriam de um lado para o outro, apressadas e assustadas com o barulho.

— Onde está o doutor Marcoh? – Falman perguntou a Winry.

— Acho que está com o Ed e o Al – as mãos de Winry tremiam enquanto ela tentava cortar o excesso da bandagem com uma tesoura – Eles estão usando Alquimia apenas nos feridos mais graves. O problema é que não para de chegar feridos. Pronto, capitão. Mantenha os curativos sempre limpos para evitar uma infecção.

— Obrigado, Winry – Falman deu um sorriso discreto para ela – Temo que o número de feridos vá aumentar depois de hoje – ele comentou, observando as luzes piscarem mais uma vez.

Do lado de fora, a agitação era maior. O major Armstrong transmutara uma imensa barreira de pedra para conter a artilharia inimiga, mas eram muitos tiros alternados para deter. Além de que a barreira impedia que os amestrinos revidassem, muitas vezes as balas de canhão passavam por cima e acertavam em cheio as fileiras de soldados do Exército. A generala Armstrong berrava ordens atrás da linha dos artilheiros, apesar do barulho dos canhões. O calor das explosões obrigava os soldados que manejavam os canhões a usarem regatas, ao invés do uniforme.

— General Armstrong – Mustang chegou correndo, acompanhado da capitã Riza Hawkeye – Eles estão nos atacando com quase cem canhões!!

— Obrigada por avisar, Mustang – a general devolveu com sarcasmo – Eu quase não percebi.

— Onde eles arranjaram tudo isso? – Mustang ignorou sua resposta – Não tinha como eles conseguirem todo esse armamento – e acrescentou, inseguro – Ou tinha?

— Onde eles conseguiram, não interessa agora – a general disse – Resta saber como vamos frear o ataque. Capitã Hawkeye – ela virou-se para Riza – quero você coordenando as ações dos atiradores. Coloque um grupo em formação de combate na linha à frente dos artilheiros. Atirem em tudo que se mexer – e completou em um tom mais sombrio.

— Sim, senhora – Riza bateu continência e se apressou para cumprir as ordens.

— E suas crianças, Mustang? – a general Armstrong começou, depois da capitã se afastar – Onde elas estão? Não vai chamá-las para reforçar a defesa?

— Pode ter certeza que sim – Mustang confirmou com a cabeça – Já mandei ordens para o Wave e a Akame. Eles vão avançar pelos flancos, juntamente com a cavalaria.

— Eles também conseguem aparar balas de canhão com as mãos? – a general Armstrong debochou – Quais são as habilidades ocultas desses garotos?

— Veja você mesma – Mustang estendeu um par de binóculos para a general.

Olivier Armstrong tomou o objeto das mãos do novo Führer, depois de lançar uma careta de desprezo para Mustang, e ajustou as lentes do binóculos. Como eles estavam em um lugar mais alto, a general pôde ver nitidamente os dois recrutas avançando em seus cavalos com o restante da cavalaria. Apesar de ambos usarem uniformes como todo mundo, a general conseguia reconhecer aqueles dois de longe.

— Você pega os mil sujeitos da direita – Wave comentou com a sua companheira – E eu fico com os mil da esquerda.

— Se for demais para você – Akame rebateu em um sussurro – pode mandar o excesso para mim.

— Eita – Wave suspirou alto – Quanta falta de modéstia!

— Estou apenas sendo realista – Akame completou, séria, antes de sacar a Murasame e sair distribuindo golpes mortais em ambos os lados. A lâmina da espada subia e descia trazendo sangue e pedaços de corpos humanos junto.

— Bom, acho que tenho que fazer mais dessa vez – Wave observava o avanço de Akame com certa admiração.

Ele apressou o seu cavalo para conseguir, ao menos, acompanhar o ritmo de sua colega, apesar dele saber ser uma tarefa quase impossível. Depois de derrubar meia dúzia de inimigos, o cavalo de Wave foi atingido e caiu, derrubando o cavaleiro no chão. Wave só teve tempo de jogar o corpo um pouco para trás para não ser esmagado pelo animal. Vendo-se sem cavalo, ele não teve outra opção, senão ativar sua Teigu.

— A Arma Imperial em forma de armadura – ele gritou ao cravar a espada no chão, depois de desviar dos golpes de dois soldados rebeldes – Carnificina Encarnada, GRAND CHARIOT!!

Uma luz ofuscante envolveu o rapaz e ele se ergueu, logo em seguida, em uma imponente armadura negra. Com um pequeno impulso, Wave decolou e voou por cima dos canhões inimigos. Além dos amestrinos, os rebeldes ficaram de queixo caído com a aparição e precisaram de alguns minutos para se refazer do susto mas, tão logo eles se recuperaram, abriram fogo contra o marinheiro. Debaixo de fogo hostil, Wave nem se abalou e pulou em cima dos canhões dos rebeldes, fazendo um grande estrago.

— Mas que droga é essa?!! – a general Armstrong quase derruba o binóculos.

— São as minhas crianças – Mustang deu um sorrisinho cínico – como você disse.

— Quando acabarmos com essa revolta – Olivier resmungava consigo mesma – esses dois poderiam ser muito úteis em Briggs.

— Vai ter que entrar na fila, general – Mustang cruza os braços – Todo mundo quer esses dois.

— Eu não sou mulher de pegar fila, Mustang – Olivier usou um tom frio – Se eu quero algo, eu simplesmente pego.

Porém, mesmo com todos os esforços dos soldados amestrinos e o reforço dos dois usuários de Teigu, os rebeldes promoveram um novo ataque com uma fileira de canhões reserva, causando pesadas baixas entre as tropas amestrinas.

— Detesto fazer isso, mas... – a general sussurrou baixo para ela mesma – RECUAR, HOMENS!! Recuo temporário!! Andem logo com isso, se quiserem continuar vivos!!

— Recuar, general?! – Mustang se espantou – Você endoidou?!

— Olhe para lá, Mustang – a general apontou para os estragos na linha de frente. Os soldados amestrinos tentavam se defender o máximo que podiam, mas era difícil fugir de todas aquelas explosões – Já tivemos muitas baixas por hoje. Precisamos poupar nossos soldados.

— Tem razão – Mustang olhava para o local indicado pela general, preocupado com o avanço inimigo – Mas vamos recuar para onde?

— Vamos ter que perder um pouco de terreno – a general respondeu em um tom sombrio.

Para poupar as tropas, a general ordenou que os soldados recuassem e se protegessem, aproveitando as elevações do terreno. Seguros do fogo inimigo, eles poderiam tratar os feridos menos graves e contar os mortos.

— Gente demais para o hospital – Mustang comentou enquanto olhava para os soldados feridos deitados pelo chão.

— Não temos escolha – Olivier acenou para seus subordinados – Ou eles morrem lá ou morrem aqui. Pelo menos, no hospital terão algum momento de paz.

— General Mustang – Havoc vinha correndo e tropeçando pelo caminho – General Armstrong! Péssimas notícias!

— Não me venha com notícias ruins – a general esbravejou – O que pode ser pior do que a situação atual?!

Havoc recuou, meio receoso, por causa da reação da generala e ficou alguns minutos parado, sem falar nada, cogitando se seria mesmo uma boa ideia dar a notícia que trazia para a generala.

— Não fique aí parado feito um poste, tenente – Mustang berrou – Vamos logo, homem! Diga o que precisa ser dito!

— O hospital – Havoc arquejou, quase sem ar – O hospital foi atacado.

Notas finais
Quando eu tive a ideia inical dessa história, eu calculei que o último capítulo seria o vinte. Mas, quando eu postei o capítulo 9, acho, eu percebi que minha conta estava errada. Deve ser por causa do cansaço mesmo. Desde que começaram as aulas, minha cabeça anda tão cansada que eu já estou até errando as contas. A prova disso é que eu disse no capítulo 19 que dez quatrilhões tem 15 zeros, porém no sábado, eu estava olhando para a parede e do nada pensei "dez quatrilhões tem 16 zeros, e não 15". Ai, ai... Acontece...