A Assassina de Adarlan
2 Sam Cortland está morto
Notas iniciais
Como Arobynn estava fora da Fortaleza dos Assassinos, a menina decidiu que seu primeiro passo seria resgatar o corpo de Sam, e o segundo seria enterrá-lo. Já havia falhado muito com seu amado e dessa vez iria fazer alguma coisa certa. Sorrateiramente ela entrou pela janela, conferiu tudo, o local parecia estar deserto.
Foi até onde Sam estava, o encontrou exatamente como deixara, não poderia demorar, então deixou os sentimentos para mais tarde. Com muito pesar enrolou o corpo em um lençol, pegou uma corda e o amarrou as próprias costas.
Não sabia como, mas conseguira sair pela janela com o corpo de Sam amarrado às costas. Como sempre, havia um assassino de guarda, patrulhando os arredores da fortaleza. Fora fácil entrar sem ser vista, mas com o peso de Sam nas costas seria difícil sair sem chamar atenção.
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Andara até quase sair de Forte da Fenda, parou embaixo de uma árvore para descansar e dar seu último adeus. Achou que ali, embaixo de uma árvore, seria um bom lugar para Sam descansar, e também poderia ir até lá visitá-lo quando pudesse. Escreveu o nome do rapaz na árvore e começou a cavar uma cova, como não tinha nenhuma ferramenta, cavou com as mãos mesmo.
A cada pouco de terra que tirava era uma lágrima que escorria. Não queria estar ali, cavando a cova de seu amigo de infância. Logo Sam, que conhecia desde de criança. Aprontaram muitas coisas um com o outro e agora que cresceram, estavam se entendendo, até se apaixonando, e aí aconteceu essa brutalidade. Era para ser ela e não ele. Era para ser o corpo dela deitado ali sem vida. Deveria ter imaginado. Deveria ter ido no lugar dele.
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Enterrar Sam deixou Celaena acabada, ela passara a noite ao lado da cova chorando, conversando e fazendo promessas ao rapaz. Ela tinha medo, mas não se deixaria ser vencida. Viveria não só por ela, mas por Sam. Faria tudo o que ele iria querer que fizesse. Ela fechou os olhos e respirou fundo mentalizando o truque de Sam.
— Meu nome é Celaena Sardothien, e não vou sentir medo – ela tomou fôlego e falou, dessa vez com muito mais convicção – Meu nome é Celaena Sardothien, e não vou sentir medo!
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Bem de manhãzinha, Celaena decidiu seguir em frente. Não era exatamente o que queria, mas sabia que era o certo a fazer. Sam iria querer que ela seguisse em frente. E foi o que realmente fez, caminhou nas sombras até chegar em seu apartamento.
Já lá dentro trocou de roupa, lavou o rosto, pegou alguns de seus pertences e a maior parte de seu dinheiro — o restante das coisas ela escondeu em fundo falso do guarda-roupa, um esconderijo que só ela conhecia — e então deu o fora dali.
Seria óbvio de mais permanecer em seu apartamento, então achou uma estalagem razoável, se apresentou como Lilian Gordaina e pegou a chave de um quarto. Depois de tomar um bom e demorado banho, a menina desceu até o bar, tomou um pouco de cerveja enquanto analisava o ambiente e as pessoas.
Viu um rapaz sentado sozinho em uma das mesas, era um tanto bonito, de cabelos pretos que iam até o ombro, parecia ser um pouco forte, e quando ele a olhou, percebeu que tinha olhos negros como a noite.
Um pouco depois entrou em um jogo de cartas para se misturar, havia duas garotas jogando, ambas trajavam vestidos belos. Além de três homens que aparentavam ter uns 30 anos. E o rapaz, continuava sentado sozinho, apenas observando seus arredores. A julgar pela aparência, parecia um pobre coitado gastando o que restara de suas economias.
— Quem é aquele? — perguntou a menina, como quem não queria nada — ele parece bem solitário.
— O rapaz da outra mesa? — perguntou um dos homens, Celaena confirmou com um maneio de cabeça — aquele é Samael, ele está sempre por aqui, parece até que mora na estalagem.
— Então ele deve ter bastante dinheiro — diz ela sorrindo.
— Na verdade não muito — diz o outro homem — se eu fosse você, não investiria naquele, ele está quase falido.
— É uma pena — disse ela fingindo desânimo — um rapaz tão bonito.
Durante o jogo de cartas conseguiu mais algumas informações sobre o rapaz, sabia que seu nome era Samael, estava empobrecendo, morava na estalagem a um bom tempo e estava a procura de emprego.
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Esperou o rapaz ir para o quarto, o que levou a tarde inteira. Descobriu que o dela mesma ficava no andar abaixo ao dele, e que a janela dava exatamente para a dele, que por acaso estava aberta. Estava planejando entrar sorrateiramente pela janela e surpreender o rapaz, mas não estava com a mínima vontade de tratar do assunto naquela tarde. Então apenas deitou na cama e dormiu.
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Quando acordou, a noite já caíra, não sabia exatamente que horas eram, mas parecia estar perto das 21h00. Subiu no parapeito de sua janela e observou a cidade, estava cheia de pessoas, como sempre fora, mas depois da morte de Sam, não parecia mais ser a cidade dela.
Observou a janela de Samael, viu que ainda estava aberta, então começou a subir. Chegou a janela do rapaz e pulou para dentro do quarto. Lá dentro estava tudo escuro, enquanto seus olhos se acostumavam à escuridão, Celaena permaneceu parada tentando observar os móveis.
Assim que seus olhos se ajustaram a pouca luz do ambiente, percebeu que o quarto estava vazio, nele tinha uma cama de solteiro, e uma cômoda, exatamente como o seu próprio. Analisando os arredores, pode perceber a luz do banheiro acesa através de uma fresta, na porta que estava fechada.
Samael estava ali, atrás daquela porta. Ela teria de convencê-lo a se tornar seu pupilo. Precisava dele, tanto para matar Farran, quanto para mandar uma mensagem a seu antigo mestre, Arobynn Hamel. Agora que estava ali, percebera que não tinha um plano totalmente formado. Precisaria ter uma boa lábia para convencê-lo.
Enquanto pensava no que dizer ao rapaz, o mesmo saiu do banheiro — trajando apenas uma pequena toalha branca — estava observando janela afora e até o momento não pareceu notá-la. Sem ter reação a garota continuou parada, como se não estivesse ali. Samael só a notara depois que caminhou até a cômoda — que estava ao lado da menina — provavelmente para pegar roupas para vestir, e então entrou em um pânico cômico. Primeiro correu de volta para o banheiro, depois retornou, olhando-a com certa cautela.
— Quem é você? — perguntou o rapaz — o que está fazendo aqui?
— Sou Lilian Gordaina — respondeu a menina com um olhar zombeteiro, avaliou o corpo do rapaz lentamente, depois voltou novamente a atenção para seu rosto — estou aqui para te fazer uma proposta.
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