A Assassina Em Mim

21 Metade de Mim é Fantasma


A porta bateu de novo.

Não deu tempo nem de respirar. Ele voltou, o rosto vermelho, os olhos úmidos.

— Você não pode simplesmente me deixar sair com isso atravessado — disparou. — Preciso entender o que acontece dentro dessa sua cabeça.

Revirei os olhos, mesmo sabendo que ele odiava esse gesto.

— Dentro da minha cabeça é caos. Você não aguentaria.

Ele deu dois passos, rápido, como se quisesse encurtar o abismo entre nós.

— Prefiro o caos à parede que você ergue. Você acha que me protege, mas só me afasta.

Sorri sem humor.

— Protege você de mim.

Ele se calou por um instante, respirou fundo, e percebi que estava lutando contra algo maior que a própria raiva.

— Eu durmo com você todas as noites e acordo sem saber quem você é. Isso me mata mais do que qualquer silêncio.

Notas finais
Olá! Alguém aí? Comecei a escrever essa história aos 13 anos. Hoje, prestes a completar 29, decidi retomá-la. Se ainda houver alguém daquela época por aqui, que queira acompanhar novamente, vai encontrar alguns easter eggs espalhados pelo caminho — pequenos resgates do que me inspirou a escrever e de como tudo se conectava com meu drama adolescente (sim, intenso e exagerado como só a adolescência consegue ser). #beijoscomsazon
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!