A Assassina Em Mim
21 Metade de Mim é Fantasma
A porta bateu de novo.
Não deu tempo nem de respirar. Ele voltou, o rosto vermelho, os olhos úmidos.
— Você não pode simplesmente me deixar sair com isso atravessado — disparou. — Preciso entender o que acontece dentro dessa sua cabeça.
Revirei os olhos, mesmo sabendo que ele odiava esse gesto.
— Dentro da minha cabeça é caos. Você não aguentaria.
Ele deu dois passos, rápido, como se quisesse encurtar o abismo entre nós.
— Prefiro o caos à parede que você ergue. Você acha que me protege, mas só me afasta.
Sorri sem humor.
— Protege você de mim.
Ele se calou por um instante, respirou fundo, e percebi que estava lutando contra algo maior que a própria raiva.
— Eu durmo com você todas as noites e acordo sem saber quem você é. Isso me mata mais do que qualquer silêncio.
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