A Ascensão dos Herdeiros - REESCREVENDO
1 Capítulo 1 - O Legado do Nanadaime
Notas iniciais
21 de abril
Konoha
—Ela é linda. — Sussurrou Sakura sorridente. Dentre todos os pensamentos que direcionava para o bebê em seus braços, esse era o que mais se sobressaia. Ela era perfeita, e mesmo depois de um parto tão difícil, a Haruno-Uzumaki não conseguia conter um sorriso brilhante de se formar em seu rosto suado e cansado. seu rosto. Longos nove meses de espera e enfim sua filha estava em seus braços.
E ela era perfeita. Absolutamente perfeita. Não havia outra palavra que fosse boa o suficiente, e talvez até mesmo "perfeita" não fosse capaz de descrever com veracidade total a formosura e encanto que estavam embutidos naquele pacotinho cor-de-rosa. Sakura só tinha sentido aquela sensação de pura plenitude uma outra vez na vida, no nascimento de seu primogênito. Aquela sensação indescritível de, de repente, tudo que você mais deseja estar assim em seus braços.
Naruto observava tudo de perto, emocionado e derretido. As lágrimas se acumulando em seus olhos de novo e de novo, e descendo graciosamente sem que ele percebesse. Ele as observava, com um amor queimando em seu peito que ele jamais pensou que seria capaz de sentir. Como era possível amar assim? Naruto não sabia explicar. Nos braços de sua amada esposa, havia um pequeno e delicado embrulhinho envolto numa manta de seda branco-pérola. Era a mais nova aquisição da família Uzumaki-Haruno, sua garotinha!
Desde o minuto que assumiram seu relacionamento para o mundo, Sakura e Naruto passaram a ser considerados the power couple, o casal mais queridinho e invejado de toda Konoha. E isso não era surpresa, afinal eles esperam praticamente celebridades, o herói de Guerra e futuro Hokage, Naruto Uzumaki, e Sakura Haruno, a kunoichi mais poderosa de sua geração, a mulher que superou Tsunade Senju em medicina ninja, e que em breve seria primeira-dama. O casamento deles foi o evento mais esperado do ano e durante a primeira gravidez de Sakura, que gerou o primogênito do casal, Shinachiku, o hospital teve que ser fechado às pressas pela quantidade enorme de pessoas que queriam dar uma olhadinha no mais novo Uzumaki. E mesmo agora, embora os dois tivessem tentado ser mais cuidadosos para não chamar a atenção, algo semelhante ocorreu.
O quarto em que a rosada tivera a bebê fora isolado, com ninjas do próprio Hokage, coincidentemente ex-sensei dos pais, Kakashi Hatake, sendo colocados em volta do perímetro para que o casal pudesse ter ao menos um pouco de privacidade. Contudo, Naruto sabia que no momento que saísse por aquelas portas, mil vozes esganiçadas gritariam em sua face. Naruto não gostava muito, mas era a vida que escolhera afinal. Ser o melhor sempre trazia consequências, algumas boas, outras nem tanto...
Mas nada disso importava no momento, porque naquele exato momento Naruto Uzumaki só tinha olhos para uma pessoa:
Ela.
Sua filha. Sua preciosa jóia. Tão amada e desejada mesmo antes de seu nascimento. Era quase inacreditável vê-la assim tão serenamente, ao alcance de seus braços.
Sakura notou o marido e seu turbilhão de emoções.
—Naruto, pegue-a no colo, venha. -Ela sorriu.
Naruto engoliu em seco e, nervoso, caminhou até as duas. Nem parecia que já tinha um primeiro filho. Pegou a filha nos braços e tocou com receio a bochecha da pequena. Sua pele era macia e quente, cor de caramelo, como se houvesse sido beijada pelo sol, assim como a sua, um contraste com a cútis clara de sua mãe. Os cabelos, por outro lado, e para a felicidade do rapaz, eram herança de Sakura. O tom róseo desbotado era idêntico e impossível de se copiar, no mundo não havia ninguém com aqueles cabelos, só elas, suas preciosas mulheres. A menininha era miúda, o nariz pequeno e arrebitado, as maçãs do rostinho rosadas e fofas, e as feições delicadas. Contudo, a face pacífica da menina durou pouco. Sua boquinha logo se entortou em um biquinho de choro, que por mais adorável que fosse, fez ambos pais ficarem nervosos.
A mais nova Uzumaki começou a chorar em plenos pulmões. E que pulmões... Expressando logo de cara sua herança sanguínea com perfeição. Escandalosa, como seu atrapalhado pai, e autoritária, demandando atenção imediata, como sua mãe. Por mais que a filha chorasse, Naruto não podia deixar de se encantar até mesmo com isso, até em seus prantos sua filha provava ser uma misturinha perfeita entre ele e sua esposa.
—Ei, ei, princesa, não chore, vamos lá, se não papai vai chorar também- Começou Naruto ninando a filha de forma desajeitada nos braços, Sakura só ria. O loiro acalentou a bebê, passando as mãos de leve pelos sedosos fios cor-de-rosa. A recém-nascida ainda não podia compreender as palavras de seu genitor, porém, pareceu captar o desespero em sua voz porque parou o berreiro no mesmo instante, abrindo os olhos pela primeira vez, talvez numa tentativa inocente, mas eficaz, de acalmar seu bobo pai. E Naruto se viu encantado mais uma vez.
Eram grandes olhos azuis celeste. Encará-los era como fitar o próprio céu numa límpida manhã de primavera. Uma imensidão de fácil de se perder, e que contradizia totalmente a personalidade agitada da bebê. Aqueles olhos, que em Minato tinham sido símbolo de confiança para aqueles que cruzavam seu olhar, em Naruto tinham representado coragem e amizade; as safiras que haviam trazido paz ao mundo ninja reencarnavam em sua filha, com um belo legado para ser prosseguido para a nova geração. O que seu olhar significaria para as pessoas no futuro? Que tipo de sentimento traria aos corações que cruzassem seu caminho? Era incrível se imaginar. Tantas expectativas. Tanto potencial.
—Boa menina. — O Uzumaki elogiou com um sorrisinho. -Você é linda como uma princesa. Como sua mãe. Mas seus olhos vieram de mim, me lembram os do meu pai. São iguais aos meus. São bonitos, sabia disso? — A rosadinha encarou o pai por alguns segundos, e lançou em sua direção um sorriso babado banguela. Naruto riu.
—Ela gosta mais de você do que de mim. -Brincou Sakura com um bico, contrariada, cruzando os braços. A pose não durou muito, no entanto, pois a Sra. Haruno-Uzumaki logo estava sorrindo novamente, observando com carinho sua pequena família.
—Shinachiku gostava mais de você quando nasceu. — Provocou Naruto com um sorriso de canto, se referindo ao primogênito do casal. Mesmo já sendo um adulto, e pai, jamais perderia aquele jeito crianção.
Sakura deu língua ao marido. Fazendo uma careta de dor em seguida.
—Está tudo bem, Sakura-chan? — Perguntou Naruto preocupado, deixando a felicidade de lado por um momento.
—Está... Não se preocupe. — A rosada o tranquilizou e respirou fundo, tentando afastar o cansaço. — Que nome você gostaria de dar à ela? É uma menina. Quem sabe Kushina? — Ela ofereceu com um sorriso terno. Alguns anos antes, quando se casaram, Sakura e Naruto, que compartilhavam uma vontade de criar uma grande família, combinaram que Sakura teria o direito de nomear seu primeiro filho, Naruto, o segundo filho, e assim por diante.
Naruto não respondeu. Fitou o chão por alguns segundos, sem saber o que responder. Shinachiku, nome de seu primeiro filho, não fora uma escolha aleatória. Era o nome de um dos ingredientes do famoso Rámen — de longe o prato preferido de Naruto — assim como seu próprio também. Fora uma forma de Sakura homenagear o homem que tanto amava e que a amou durante toda sua vida. Naruto não pôde se sentir mais honrado na época. Agora que era a sua vez, ele não tinha muita certeza do que fazer.
Diante daquela pergunta. Naruto parou para refletir sobre os acontecimentos daquele dia. O equinócio da Primavera no Japão é um feriado nacional e ocorre por volta do dia 20 ou 21 de março e é chamado de Shunbun no Hi. Uma das suas características principais é o desabrochar de diversas flores, especialmente as flores de sakura (flores de cerejeira), que começam a florescer do sul ao norte gradualmente, um fenômeno chamado Sakura Senzen. Nessa época é comum as famílias fazerem várias atividades ao ar livre por causa do clima agradável.Um dos costumes mais populares em todo o Japão durante a primavera é o Hanami.
O Hanami Matsuri – O festival das flores de cerejeira. O Hanami Festival significa "contemplar as flores de cerejeira"; contemplar as sakuras. Nessa época que implica entre fim de março à meados de abril ou maio, várias espécies de cerejeiras florescem por todo Japão, e parques e Templos são organizadas para a apreciação. Nesse Festival, o foco principal é o sakura, símbolo da Primavera e são feitas diversas atividades, envolvendo esse tema. A principal atividade é com certeza, o tradicional piquenique sob as árvores repletas de flores da cerejeira.Devido a isso, é comum haver uma superlotação e dificuldade de encontrar lugares bons para se fazer piquenique. Mas quando se é o herói da vila e o mais próspero candidato a Hokage — e quando se tem Sakura Haruno com esposa — fica mais fácil.
Naruto, porém, não queria arriscar. E meses antes fez uma reserva para que ele e a esposa, acompanhados do primeiro filho, pudessem apreciar as flores e deu desabrochar. Ele sabia que a gravidéz estava sendo difícil, por mais que Sakura fosse a mais calma entre os dois, ele sabia que no fundo, estava tão preocupada quanto ele, embora se apresentasse com serenidade para todos, mais para acalmar Naruto do que qualquer coisa. Então, ele pensou que esse seria um presente perfeito.
E de fato, foi.
A família Uzumaki chegou de manhã, no lugar exclusivo e privilegiado que Naruto havia conseguido com muito esforço e aproveitou o passeio até o escurecer. No momento que o sol começou a se pôr, tingindo o céu dos mais variados tons, até atingir um róseo que combinava perfeitamente com as flores desabrochando, Sakura avisou ao marido que o bebê estava vindo e o jovem casal sair praticamente voando para o hospital.
Mas o Hanami possuía um significados muito além do simples contemplar das flores. Pelo menos para a família Uzumaki.
Quando receberam a notícia de que teriam um segundo filho. Naruto e Sakura não podiam estar mais felizes. Ele, que sempre fora carente de laços, mal podia conter o entusiasmo de ver seu legado sendo gerado. E ela, que desde criança carregava a vontade de ser mãe, também estava contente. Entretanto, para a infelicidade do jovem era casal, era uma gravidez de risco, eles foram avisados, que poderia acabar com a vida de ambos, mãe e bebê.
Foi-lhes dada a opção de desistir. Eles eram jovens, ainda em seu primogênito, mais filhos viriam, não era um perigo que precisavam correr. Contudo, Sakura decidiu seguir em frente com a gestação. Fora uma decisão dela e que só ela poderia fazer. Naruto passou todos os meses morrendo de medo por sua esposa, duplamente cuidadoso com todos os seus movimentos. Ele preocupava-se com Sakura do momento que acordava até o momento que deitava-se ao lado dela e finalmente notava sua respiração tranquila e adormecida junto a si. Durante a gravidez que gerou Shinachiku, Naruto foi um marido exemplar: Cuidou da maior parte da limpeza e organização da casa, deixando que Sakura contribuísse apenas com as mais leves das tarefas, tomou conta dela, realizando suas vontades, e claro, proveu todo o suporte e carinho que uma mulher necessita quando carregando dentro de si uma nova pessoa.
Ao contrário do marido, por mais que tivesse medo, Sakura estava confiante. E quando Naruto tremia ao pensar que a hora do parto se aproximava, ela sorria e dizia:
"Se o pai é forte, não há dúvidas de que os herdeiros também serão"
Sakura tinha consciência dos riscos mesmo antes da consulta. Era médica também. Discípula da Quinta Hokage. E não era cega. Os sintomas estavam bem em sua frente. Entretanto, não tivera coragem de contar à Naruto sobre eles. Ele parecia tão estupidamente feliz que uma fé inexplicável tomou conta de seu coração. A mesma fé que tivera por Naruto nos Exames Chunnin, de que aquele moleque barulhento e atrapalhado conseguiria conquistar seu sonho impossível, e pela qual estivera disposta a ela mesma desistir, a fé de que ele traria Sasuke de volta para a vila como prometido, a fé que a fez gritar seu nome quando Pain atacou a Folha o traria de volta ao seu alcance porque Naruto sempre, sempre aparecia para apoiá-la quando precisava dele, e que a fez acreditar que o loiro seria capaz de ganhar a Guerra contra Madada e salvar todos como de costume. Fora justamente com Naruto, o perdedor da classe que acreditava que poderia se tornar Hokage simplesmente porque queria muito, com quem ela aprendera a ter fé. E agora essa fé, inquebrável e teimosa, se passava para seu filho. Sakura tinha certeza de viria à vida, forte e saudável, surpreendendo e calando a todos, assim como seu próprio pai fizera tantas vezes, anos antes.
E foi assim durante os meses que se passaram vagarosamente. Enquanto os médicos diziam que o bebê seria fraco e doente, e Naruto era consumido pelo medo de perder o filho que nunca teve e a esposa que sempre amou, Sakura mantinha a calma, não se deixava abalar. E continuava a dizer que tudo daria certo no final. Naruto era grato por isso. Era grato por ela. Todos os dias. A garota durona que com socos fortes e palavras sábias o mantinha na linha. Ela o fizera homem, em vários sentidos e de varias maneiras. O homem mais feliz que poderia ser.
Na hora do parto, a rosada deu tudo de si e um pouco mais. Gritou de uma maneira que Naruto jamais esqueceria, e sofreu de forma indescritível, mas ainda estava ali. Viva e pronta para o próximo desafio que a vida quisesse lhe jogar.
Então naquele Hanami, Naruto parou para apreciar a beleza de sua Sakura. Uma mulher forte, física e emocionalmente forte a quem ele amava — sempre amou e amaria até seu último suspiro — com todas as forças. Uma mulher forte porque desde de cedo soube amar com pureza e doar-se completamente a esse amor. Uma mulher forte cujo poder ele enxergava muito mais brilhante em seu capacidade de consertar, salvar, criar, do que na de destruir. Uma mulher, uma menina, que nunca desistiu dele. Que bombeou seu coração com suas próprias mãos e o trouxe de volta a vida a força.
O que não havia de se amar sobre ela?
E também, é claro, apreciar sua filha. O bebê que todos disseram que não chegaria a nascer, e que agora estava chupando o dedo alegre e despreocupadamente em seus braços.
—Hanami. — Disse ele ao fim do que pareceu séculos de meditação. — Hanami Uzumaki. Porque seu nascimento me lembrou que eu jamais devo esquecer de contemplar e agradecer por ter sido agraciado com a sakura mais bela de todas. Você.
Sakura sorriu abertamente. Pequenas lágrimas se formando ao redor de seus olhos verdes analíticos e cansados.
—Você é tão bobo. Me fazendo chorar num momento como esse. — Disse ela, os prantos já escorrendo livremente por sua face de porcelana. -Eu amo você, Naruto.
E ele sorriu.
—Eu amo você, Sakura-chan.
Sakura balançou a cabeça, rindo e o Uzumaki depositou um beijo carinhoso e protetor em sua testa.
—Sabe, sua testa é tão grande e charmosa que eu sempre tenho vontade de beijá-la. — Brincou Naruto e a rosada revirou os olhos. Seu coração se aquecendo instantaneamente com o lembrete de que seu maior defeito, aos olhos do homem que amava, era uma de suas maiores qualidades.
Depois disso, Sakura finalmente se permitiu deitar. Estava exausta, e adormeceu quase imediatamente. Naruto sorriu, feliz que ela estivesse descansando. Colocou a filha delicadamente ao lado de sua mãe, e a pequena Hanami aconchegou-se na rosada mais velha, que abraçou a filha ternamente mesmo sem saber.
O momento dos dois foi interrompido por batidas na porta. Era Ino, trazendo em seu colo o primogênito do casal. Shinachiku Uzumaki. Afilhado da própria. Um garotinho sereno e adorável de dois anos de idade, que lembrava o pai em tudo, menos na personalidade. Com os cabelos louros dourados e levemente espetados e a pele bronzeada de Naruto, e as esmeraldas inteligentes de Sakura, Shinachiku era muito esperto e perceptivo para uma criança de sua idade, e estava bastante animado com a perspectiva de ganhar um irmãozinho.
Naruto sorriu com a presença do filho mais velho, tomando-o do colo da loira.
—Gostaria de conhecer sua irmãzinha, Shina? -Perguntou Naruto bagunçando os cabelos do garoto. Shinachiku afirmou com a cabeça, sendo uma criança muito educada e discreta que sabia que não era indicado fazer barulho em um hospital, ao contrário de seu pai, que alguns minutos antes estava gritando desesperadamente com a pobre atendente da recepção por não o deixarem ver sua esposa.
Naruto encostou-se na cama, ao lado da filha e da esposa, com o filho em seu encalço.
Shinachiku parecia estar enfeitiçado.
—Essa é a minha imouto, Otou-san?- Perguntou o menino apontando para o bebê com os olhos brilhantes. Naruto assentiu com a cabeça. Shina se aproximou, tocando o nariz do bebê de leve e Hanami soltou uma risadinha. Shinachiku sorriu abertamente.
—Qual o nome dela? — Perguntou o loirinho, curioso.
—Hanami. -Respondeu o patriarca orgulhosamente.
—Nami-chan...
Naruto sorriu. Aprovando o apelido.
—Nami-chan é sua imouto, Shinachiku. E como irmão mais velho, ela é sua responsabilidade. Você tem que tomar conta dela com muito cuidado. Sempre lembrando de que ela vai olhar para você buscando orientação. Tem que protegê-la enquanto ela é incapaz de o fazer sozinha e estar do lado dela quando precisar de apoio para se levantar. — Era muita coisa para uma criança de dois anos entender. Mas Naruto sabia que seu filho era um pequeno gênio, tendo puxado os neurônios da mãe, e compreenderia perfeitamente cada palavra que havia dito. — E claro, manter os garotos pervertidos o mais distante dela possível, 'ttebayo. — Shinachiku balançou a cabeça, levando tudo muito a sério.
—Hai. -Ele disse.
Ino arqueou as sobrancelhas.
—Não é muito cedo para pensar sobre isso, Naruto?- Perguntou a Yamanaka tomando o afilhado nos braços
—Nunca é cedo demais para manter os marmanjos longe da minha Hime. -Declarou o loiro com convicção fazendo Ino revirar os olhos.
O Uzumaki primogênito bocejou. Lembrando Naruto que já estava tarde, e definitivamente já tinha passado da hora do pequeno ir para a cama.
—Acho que já passou da sua hora de dormir, campeão. — Disse o mais velho para o filho.
—Mas Otou-san... Eu não quero ir pra casa... -Retrucou o menino já se rendendo ao sono e encostando a cabeça de leve no pescoço de Sasuke. -Quero ficar aqui com a Nami-chan... E a Okaa-san...
—Não se preocupe, logo elas vão estar em casa também. -Garantiu. Shina se se convenceu e aceitou ir para casa.
—Ino, pode levá-lo para fora pra mim? Já estou indo.
Sakura e Hanami passaram aquela noite no hospital, ainda eram necessários alguns exames para verificar se tudo estava bem com ambas. Naruto, é claro, ficaria com a filha e a esposa, e havia pedido que Ino e seu marido tomassem conta de seu filho durante aquela noite. Ele sabia, no entanto, que Shinachiku faria birra sobre ficar longe de ambos e pais e antes que Ino pudesse levá-lo para casa, teria que conversar com jeitinho com o menino.
—Hai. -Afirmou ela dando de ombros. -E Naruto...
—Nani?
—Parabéns.
—Arigatou.
Ino saiu pela porta, com Shinachiku em seus braços, indo em direção à Sala de Espera. Porém, Naruto não ficou sozinho. Quase simultaneamente à saída dela, Shikamaru e Temari adentraram o recinto juntamente com seu filho de alguns meses de idade, o pequeno Shikadai Nara, e trazendo consigo um buquê de flores e pequeno presente.
—Parabéns, Naruto. — Disse Temari sorridente dando um abraço no Uzumaki. — Gaara está louco para vir da uma conferida em seu novo herdeiro.
—Arigatou, Temari. — Agradeceu Naruto sorrindo abertamente. — Espero que ele venha logo.
—É uma menina, certo? — Questionou ela e Naruto assentiu.
—Hanami Uzumaki.
—É um bom nome. — Disse a Kunoichi da areia. -Espero que ela faça amizade com Shikadai.
—Também espero. -Afirmou Naruto apertando as bochechas do bebê e fazendo uma careta que causou risinhos no menino. Shikadai tinha nascido com as feições de Shikamaru. Mas o resto era da mãe. Ele tinha os cabelos louros cor-de-areia, como ela, e os olhos castanhos, estreitos e intensos do pai.
—Podem tomar conta delas por uns minutos? Eu preciso convencer Shinachiku a ir pra casa com Ino.
—Claro. Pode ir. — Afirmou a ex-Sabaku. Naruto assentiu agradecido e saiu apressado deixando o casal à sós.
—Ouvi dizer que Naruto te convidou para ser padrinho dela. — Disse Temari quebrando o silêncio que havia se formado. -Acho que deveria aceitar.
—Não sei se eu quero aceitar...
—Por quê?
—Porque essa insistência? -Resmungou o Nara.
As palavras de Shikamaru teria confundido qualquer um. Não havia uma razão lógica aparente para que ele recusasse o pedido de Naruto, um amigo querido. Seria até um pouco desrespeitoso. Mas, claro, Temari sabia exatamente do que aquilo se tratava.
—Chie jamais será substituída.-Afirmou Temari firme. Shikamaru permaneceu em silêncio por alguns segundos, soltando um suspiro em cansado logo em seguida.
—Isso não é sobre Chie...
—Amar essa menina não substituirá o amor que tem por ela, que sempre terá por ela. E fará bem a você. Quero que se cure. Que preencha o vazio que ela deixou em seu peito no lugar onde costumava estar.
Shikamaru encarou a esposa. Mas como de costume, era ela uma das únicas que o deixava sem palavras, e ele não soube o que dizer.
—Precisamos seguir em frente. Por nós dois. Pelo Shikadai. E sinceramente, é a filha do seu melhor amigo...
—Chouji é meu único melhor amigo.
—Sabe que isso não é verdade. Não seja ridículo.
Shikamaru suspirou.
—Que problemático... — Ele reclamou cruzando os braços. Temari sorriu arrogante, sabia que a discussão estava ganha.
—Vamos, pegue-a. -Ela incentivou. Shikamaru mordeu o lábio. Mas acabou cedendo. Suavemente pegou o neném em seus braços e o encarou.
Shikadai, nos braços da mãe, curioso como sempre, esticou as mãozinhas tentando desesperadamente alcançar o embrulho que o pai carregava. Ele acabou conseguindo. E os dois bebês ficaram de mãos dadas, trocando sorrisos desdentados.
—Shikadai já gosta dela. -Observou Shikamaru.
—Assim como o pai, ele tem um bom gosto quando se trata do gênero oposto. — Disse a loira com um sorrisinho convencido. — Um Gênio Nara somado a uma Uzumaki Hiperativa... Prevejo que nosso filho não estará na lista dos bem-comportados.- Lamentou-se a moça. Shikamaru riu. Não podia deixar de discordar dessa afirmação. Se Naruto era um imã de problemas, tornara-se tarefa de Shikamaru tentar ajudá-lo a se livrar deles, e tinha a impressão que seu filho não teria um destino muito diferente com a próxima geração de Uzumaki.
Temari cortou o contato entre as crianças. E Shikadai imediatamente começou a choramingar. Ela o ninou, caminhando em direção à porta.
—Onde você vai? — O Nara perguntou.
—Shikadai está cansado. Vou levá -lo para casa. Além disso, você precisa de um tempo a sós com sua nova afilhada. Não se esqueça do presente.
E com essas palavras, a matriarca dos Nara deixou o quarto.
Shikamaru encarou o bebê. O bebê encarou de volta. Altamente curiosa com o brinco do homem.
—Você até que é kawaii, ne? -Comentou ele passando os dedos pelas bochechas da menina. -Eu trouxe um presente para você. -Anunciou pegando com um dos braços, uma pequena caixinha rosa decorada. De dentro, tirou uma presilha branco-pérola em forma de pétala de cerejeira. Era um acessório delicado e lindo, feito a mão e encomendado especificamente para a recém-nascida em questão. Ideia de Temari. Obviamente. Por que "ela sentia que seria uma menina " mesmo meses antes do nascimento do bebê e quando sua esposa "sentia" essas coisas, Shikamaru não podia fazer muito além de concordar e dar o que ela quisesse.
Um dos milagres do amor.
O ninja das sombras prendeu devagar o objeto nos cabelos de Hanami. E depois observou sua face. Combinara com ela. Achou que fosse chorar com o incômodo, mas ela permanecia risonha. Característica certamente adquirida de seu pai.
—Você vai causar muita confusão... -Disse Shikamaru com um sorriso. — E com certeza cabelos brancos em seu pai antes da hora.
O bebê nada disse. Mas como sempre, o Nara estava certo.
Depois de alguns minutos brincando o bebê, Shikamaru decidiu que era hora de ir para casa, mas sabia que não podia simplesmente deixar a menina nos braços de Sakura, afinal aquilo era muito perigoso para um bebê recém nascido. Então, ele saiu timidamente do quarto de espera, em busca de Naruto, Sasuke ou alguma enfermeira a quem pudesse entregar a criança. Hanami agora dormia pacificamente em seus braços, e ele caminhava cuidadoso, com medo de qualquer coisa que pudesse acordá-la.
Ao andar, Shikamaru percebeu que os corredores do hospital pareciam ficar mais e mais desertos. E achou estranho. De repente, ele sentiu uma presença maligna atrás de si, mas já era tarde demais. A princesa de Konoha hava sido raptada.
[...]
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