A Ascensão da Magia
5 O chamado
Notas iniciais
Havia um tempo que não visitava minha mãe, por isso fiz uma coisa que detesto de todo meu ser: faltei à aula, não era algo bom, mas era compreensível, não é?
Demorei um tempo para chegar até a casa dela, era uma casa simples, como ela, com uma porta de madeira de entrada e divisórias simples: um quarto, uma cozinha-sala e um banheiro. Bati na porta e não tive resposta, até perceber que a porta estava aberta.
— Mãe? — chamei.
Entrei em casa e estava tudo bagunçado, a cama revirada, copos quebrados no chão, junto de pratos e ela não estava lá, um medo súbito tomou-me e saí correndo para fora da casa. Senti cheiro de fumaça e algo queimando, isso com certeza não era bom sinal.
— Mãe, cadê a senhora? — indaguei ao nada.
Há cerca de dois quilômetros da casa dela, vi um tronco de árvore e o corpo de alguém em chamas, com uma roda de pessoas em volta e uma fogueira acesa. Enfiei-me no meio das pessoas e constatei o que temia: minha mãe havia sido vítima da Inquisição. Lágrimas rolaram por meu rosto quase que imediatamente.
Uma melodia começou a soar, em tom alegre e suave, mostrando a realidade falsa daquele momento tão cruel.
O ódio cresceu dentro de mim, sim, eu estava irada, porque minha mãe, assim como eu era ruiva, mas tinha os azuis. Algo bem raro.
Por que a igreja não aceitava que as pessoas são diferentes? Não fomos feitos aos olhos de Deus?
— Uma bruxa! — exclamou alguém na multidão, eu exalava uma aura vermelho azulada e minhas mãos brilhavam entre azul e vermelho: a direita continua uma chama e a esquerda um pequeno jato de água.
Mandei bolhas grandes o suficiente para pegar apenas o rosto dos inquisidores, que prepararam-se para me matar, assim como mataram minha mãe. Cega de raiva, deixei as bolhas tomarem conta de seus rostos e sufocá-los até a morte.
Não havia escapatória para a água, uma voz dentro da minha cabeça falava comigo, num tom suplicante: " Mate-os, eles não merecem viver", não, eu não estava sóbria. Havia bebido na fonte inesgotável de ódio e tomei cuidado para não matar populares.
Entretanto, um deles escarrou no corpo inerte e queimado de minha mãe, o que me deixou ainda mais revoltada, fazendo-me mandar uma bola de fogo na sua direção na hora. Vi o homem sair correndo, gritando por socorro, enquanto eu caminhava a passos lentos e ia mandando bolas de fogo e bolhas de água, matando-os por queimação e sufocamento.
Não estava nem ligando para o estrago que eu estava fazendo, minha mãe era a única coisa boa que restou em minha vida, depois de Robert. Era minha família, sabe?
Quando dei por mim estava dentro da igreja e inutilmente os padres me jogaram água benta, enquanto via os templários se aproximarem de mim, armados com espadas, lanças e espadas largas.
— É inútil. — disse, com a franja a cobrir meu rosto, ergui o rosto para fitar o padre que pareceu assustado com minha expressão.
— Bruxa! — disse, mostrando-me a cruz.
— Queime em nome de Deus. — disse o padre e eu ri, sério, eu ri mesmo.
— Hahaha! Ars... — ri um pouco mais, tomando ar depois de suspirar. — Você me diverte padre... Peço sua bênção, por favor.
— Não dou bênção às bruxas, elas devem ser exterminadas. — disse-me o padre e aquilo me deixou ainda mais irada.
— Ah! É? — indago, ficando séria e ergui a mão direita na direção dele que se escondeu a fim de fugir do meu ataque. — Então não vai se importar se morrer pelas mãos de uma bruxa, não é?
— Piedade, pelo amor de Deus. — rogou-me o padre.
— Poupe-me de sua hipocrisia, padre. — disse ao padre, padre Miguel era o tipo de padre que benzia as crianças cobrando o dízimo nosso de cada dia, em quantidade absurda até e isso era errado, mas ele via isso? Não, tudo era válido em nome de Deus, me pergunto se Deus concorda com essas coisas.
Vejo que minha bola de fogo atinge a parte de trás da igreja, ao fundo, tinha um pano sobre o altar que pegou fogo imediatamente, espalhando-se por toda a igreja, que era pequena. Vejo os templários se aproximarem irados comigo, porém não estava ligando para a raiva deles, não.
Ouvi os gritos dos populares lá fora, aquilo era música para meus ouvidos e sorri aos templários.
— Ora, vieram brincar, então?
— Maldita! Vai pagar por isso com a vida. — disse-me um dos templários e partiram para cima de mim, que desviei dos ataques e invoquei um chicote de água, lançando-o contra eles e puxei as armas de alguns deles com a mão esquerda que ficaram desarmados no segundo seguinte.
Outros vieram para cima de si e fechei a mão direita, fazendo-os explodirem de dentro para fora da armadura, fazendo o sangue dos impiedoses templários mancharem o solo sagrado da igreja lá fora. Fui matando-os assim, um a um e peguei uma espada no chão, quando chegou reforços.
Eu juro que não sei mexer com uma espada, sinto minha mana esgotar-se com esses ataques, por isso parto para o padrão mesmo e vi-me medindo forças contra um dos templários e desarmando outro com uma mão só.
— Minha mãe. — vociferei baixinho. — Vocês mataram minha mãe, seus imundos! — gritei e enfiei a espada na parte que não tinha proteção da armadura, vendo um deles cair e um por um eu lutei até me cansar, tendo-os mortos a "ficha" caiu e a espada manchada de sangue caiu da minha mão direita.
Comecei a tremer e saí dali, com os populares que tanto tentei proteger sucumbindo às chamas que joguei, pois elas se alastraram por aquele vilarejo todo. Sorte que ficava longe da torre que morava com Robert, deixei um cenário de fogo e morte para trás.
Será que Robert iria me perdoar? Melhor dizendo: será que Deus me perdoaria pelo o que fiz? Já não sei mais.
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