A Ascensão dos Semideuses
1 Jennifer 1.1
Meu dia já não estava muito bom, antes de eu ser atacada por minha colega de classe. A propósito meu nome é Jennifer, tenho 15 anos. Estava indo para o colégio aquela manhã na companhia dos meus melhores amigos, Sophie e Eddie. Na verdade meus únicos amigos. Ninguém naquela escola falava com a gente. E talvez eles tivessem um bom motivo para fazer isso.
Íamos a uma excursão aquela dia, um daqueles passeios chatos de colégio.
Era horrível ir pra aula. Eu tenho hiperatividade, dislexia e TDDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). Na verdade é uma escola para pessoas “delinquentes”. Vamos dizer que eu cometi alguns deslizes. Algumas coisas apareciam na minha bolsa, mas eu nunca lembrava como, mas aquilo nunca convencia os donos das lojas.
Antes vou tentar te dar uma ideia de como somos. Sophie tem um cabelo comprido preto e olhos pretos, é muito pálida, e isso ficava mais evidente devido as suas roupas sempre pretas; eu tenho os cabelos castanhos e olhos cinza; já Eddie usa muletas, tem o cabelo encaracolado e sempre usa um boné de um time que eu desconheço.
Estávamos num ônibus, íamos ter que caminhar muito por uma floresta, com muitos mosquitos e sem nenhum riacho por perto. Pra completar teríamos que subir para o topo de um vulcão não ativo. É minha escola era legal assim.
–Meninas eu trouxe uma coisa para vocês. –disse Eddie.
–O que é Eddie? –perguntei.
Ele tirou do bolso dois objetos. Eddie com presentes? Achei estranho. Um era um tique-taque de cabelo de coruja, esse com certeza era meu, eu adorava corujas. Outro era um anel de caveira prata, bem a cara da Sophie.
–Pra que tudo isso? –perguntou Sophie desconfiada.
–Eu não posso dar presentes as minhas amigas? –ele perguntou inocentemente.
–Claro que pode. Mas não venha me dizer que isso é normal, porque não é. O que você quer Eddie? –perguntei estreitando os olhos.
–Nada ué. –Eddie respondeu.
–Atenção alunos!- disse o Sr. Stevens, nosso professor de história. – Daqui a alguns minutos a gente vai começar nossa caminhada, quero todos em silêncio e sairemos em ordem.
–Tomem. –Eddie entregou um a cada uma, exatamente com eu tinha previsto, fiquei com o tique-taque e Sophie com o anel.
–Obrigada Eddie. –sorri.
Assim que o ônibus parou, todos saíram correndo praticamente atropelando o Sr. Stevens. Eu, Sophie e Eddie ficamos por ultimo. Olhamos em volta, um calor intenso. Coloquei meu novo acessório. Sophie fez o mesmo. Descemos do ônibus.
–Eba! Diversão, vamos lá meninas! –disse Eddie com um sorriso um tanto irônico.
–Quanta diversão! –disse Sophie revirando os olhos.
E começamos a caminhar. Depois de mais ou menos meia hora todos pararam pra descansar.
–Eu estou morrendo! –disse Sophie.
–Também, quem vem vestida como um morcego para fazer caminhada? –disse eu.
Sophie fez um gesto um tanto indelicado, mas eu apenas sorri. Já tinha me acostumado com aquilo.
– Estão cansados coleguinhas? –disse uma voz familiar.
Virei e dei de cara com a garota que eu menos gostava, Kelly, umas das garotas populares que evitava a gente. Ela tinha certa implicância com nós três desde que entramos no colégio. Achava que tudo era culpa nossa. Ela era morena, de cabelos longos e crespos e olhos cor de mel. Todos os garotos babavam por ela. Pra mim até uma barata esmagada era mais atraente.
– Não, paramos apenas para admirar a paisagem. –Sophie disse com frieza.
– Ah, claro! –disse Kelly sorrindo – Horrível não é? Também alguns alunos devem reconhecer isto como seu lar. Não é mesmo Jenn?
–Por que você num vai procurar um espelho? Vamos pessoal, todos já começaram a caminhar. –eu disse com raiva.
–Ah não, esperem! –disse Kelly — Eu queria dar uma palavrinha com as minhas amiguinhas prediletas, pode ir andando Eddie.
Eddie olhou relutante para nós.
–Pode ir Eddie. –eu disse.
Então Eddie se foi com os outros, olhando constantemente para trás. Assim que ele sumiu de vista, Kelly se aproximou mais de nós.
–Onde está? –ela perguntou.
–Onde está o que? – eu disse um pouco assustada, pois a voz dela estava muito estranha.
–Eu sei que vocês roubaram, devolvam-me e saíram vivas! –ela disse.
–Ei, só porque a gente tá nesse colégio não significa que somos ladras! –disse Sophie.
De repente algo muito estranho aconteceu, Kelly começou a mudar. Sua pele começou a perder a cor, seus olhos ficaram vermelhos, seus dentes cresceram até se tornarem presas gigantes e suas pernas estavam diferentes. Uma era de bronze e a outra parecia à perna de um burro. Eu tinha uma suspeita, mas não era possível... Aquilo eram mitos. Ela não poderia ser uma...
–Você é uma vampira? –perguntou Sophie com os olhos arregalados.
–Ah, não queridinha. Essa lenda foi baseada em nós. Eu sou uma empousai. –ela disse, com a voz semelhante a da nossa antiga colega de classe, mas não tão humana.
–Uma empousai? O que é uma empousai? –perguntei. Já tinha visto aquele nome em algum lugar. Um livro de história antiga talvez.
–Somos servas de Hécate. A deusa da mágica. Eu sou Kelly, a empousai sênior. Mas chega de conversa. Onde está?–insistiu Kelly.
–Nós não sabemos! –eu disse.
–É feio mentir queridinha! –então ela nos atacou.
Aconteceu tão rápido que eu só lembro vislumbres. Assim que a monstra nos atacou cada uma de nós foi para um lado, o que a confundiu por um instante. Ela nos encarou imaginando qual de nós morreria primeiro. Ela atacou Sophie, que de alguma forma conseguiu desviar e pular no galho de uma árvore próxima. Então se virou pra mim. Então Sophie pegou um livro e fez um verdadeiro facebook. Sophie correu para perto de mim.
–Para com isso já dissemos que somos inocentes. Que tipo de monstro é você? –eu disse com a voz trêmula.
–Ora ora, pensei que você soubesse de tudo espertinha. Eu já disse, sou uma empousai. Já devorei vários meios sangues, normalmente prefiro homens, mas vocês são perigosas demais para ficarem vivas. –disse Kelly.
–Meios sangues? Mas que diabos são meios sangues? –perguntou Sophie.
Então ouvimos passos apressados. Tinham sons estranhos, quase como se um burro tivesse correndo e nossa direção. Eram sons de... Cascos.
–Argh! Isso ainda não acabou, queridinhas. – disse Kelly que explodiu em chamas.
Ficamos paradas encarando o fogo até ele se extinguir. Sophie foi a primeira a quebrar o silêncio.
–O que foi aquilo? –disse ela muito devagar.
–Eu não sei. –eu disse.
Então Eddie apareceu entre os arbustos. Ele segurava a muleta num ângulo estranho, quase como se tivesse as segurado e vindo correndo em nossa direção, o que era impossível, já que ele precisava daquelas muletas para se locomover.
–O que aconteceu? Por que vocês demoraram tanto? –disse ele. Percebeu que eu olhava intrigada para suas muletas, então as alinhou, colocando uma em cada lado do corpo.
–Estávamos tentando fazer uma fogueira, não vê? –disse Sophie amargamente erguendo os braços dramaticamente e apontando para o lugar onde estivera Kelly há alguns segundos. Tudo que restou foram galhos em brasas.
–Ei, se acalme! –eu disse. Não podíamos contar aquilo pra ele. Ele ia achar que ficamos loucas, e parte de mim também achava. –Kelly veio implicar conosco dizendo que tínhamos roubado alguma coisa. Mas explicamos pra ela que não fomos nós, e ela foi embora.
–É! Só não sabemos o porquê ela nos acusou. –continuou Sophie.
–R-Roubo? –disse Eddie gaguejando.
–Sim! Por quê? Você sabe de alguma coisa? –perguntou Sophie.
–Não, claro que não! –disse Eddie aparentemente nervoso.
–Não seria melhor encontrarmos os outros? –perguntei.
–Sim, vamos. Eles pararam pra descansar a alguns metros daqui. –disse Eddie.
Caminhamos, com Eddie tomando à dianteira. Depois de mais ou menos 100 metros chegamos a uma clareira onde todos estavam sentados no chão. Aparentemente apenas o Sr. Stevens mantinha o bom humor, pois todos estavam de cara emburrada.
–Eu vou ali à frente falar com o professor que vocês já voltaram. –disse Eddie e se dirigiu em direção ao Sr. Stevens.
–Será que ele sabe algo sobre o roubo? –eu sussurrei.
–Acho que não. Eddie nunca participaria de uma coisa dessas. –sussurrou Sophie.
–Bom meninas, falta pouco para chegarmos ao topo do vulcão! –disse Eddie voltando para o nosso lado.
–Que maravilha! –disse Sophie com ironia.
Pegamos nossas mochilas e partimos. O resto do dia passou como um borrão. Subimos ao topo do vulcão, voltamos para o ônibus, depois de três horas chegamos à escola e fomos para nossos dormitórios. Pelo menos amanhã eu estaria em casa. Era o que eu esperava.
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