A Ascensão da Magia
3 Tornei-me mocinha?
Notas iniciais
Após conseguir me levantar, fiz rapidamente meu café da manhã, comi e fui para minha aula de magia da Terra, a professora Rosana era uma senhora de idade, não muito, mas era.
Passou exercícios para nós praticarmos, sendo um deles para erguer escudos de terra, cara, como eu ia conseguir fazer isso? Ela estava doida só podia ser e eu ouvi a melodia Velha e Louca soar lá fora
Só porque ela tem dois mil anos para mais que eu conseguiria fazer uma coisa dessas, não é? Fiquei lá tentando erguer aquele escudo de terra, sem varinha, o que era mais difícil fazer isso com as mãos.
Senti-me uma idiota e desejei estar em casa, estou aqui, morrendo de sono agora tentando erguer esse escudo que parece não querer colaborar.
Passei o dia todo lá, quando fui embora, senti-me aliviada e suspirei.
"Ufa, pelo menos hoje ela largou do meu pé" — pensei, indo para minha casa, até que senti uma mão no meu ombro.
— Senhorita Larissa, peço que tenha paciência para praticar magia da terra, uma maga, ainda mais elementarista precisa se esforçar para conseguir atingir seu objetivo. — ela me disse, com um sorriso nos lábios, que me deu vontade de arrancar os dentinhos dela, um por um.
Forcei um sorriso amigável, o mais que consegui e a respondi.
— Eu sei, professora Rosana, estou me esforçando o máximo que posso.
Ela me deu um tapinha no ombro e acenou para mim, acenei para ela de volta e voltei para casa. Robert já estava me esperando e me cumprimentou, assim que cheguei.
— Parece brava, o que aconteceu? — me perguntou, vendo pela minha cara que não estava muito boa hoje.
— Não foi nada, não se preocupe com isso, não. — o respondi, tentando ser o mais gentil possível, mas estava difícil.
Ele serviu a comida para nós dois e sentei à mesa com ele, comendo junto a ele.
— Hm, como foi seu dia hoje? — indaguei, querendo saber.
— O meu foi tranquilo, sem novas descobertas. — respondeu-me ele, me lançando um olhar carinhoso que me deixou sem jeito.
— Entendo. O meu foi horrível, aquela professora velha e louca de magia da terra quer que façamos um escudo de terra. — disse, bufando, o que arrancou uma risada dele e o olhei sem entender.
— Você fica uma gracinha com raiva. — comentou e eu senti minhas bochechas queimarem.
— Come que o teu caso é fome. — disse, sem graça e ele riu de novo.
A convivência com Robert era uma das melhores que eu poderia ter nessa vida, ele era gentil, educado e um alquimista bem esforçado, só precisávamos tomar cuidado com a Inquisição ou viraríamos churrasco, literalmente.
A Inquisição abominava qualquer prática de magia e, mesmo que não tivesse prática de magia, quem nascesse ruivo, como eu estava fadado a morrer queimado na fogueira e sinceramente, eu não queria morrer não.
A noite havia chegado e trazido as estrelas para enfeitar o céu, junto da doce Lua que recebia companhia das estrelas no céu negro. Terminei de jantar e me levantei, indo para o quarto.
Ao chegar lá, comecei a me despir, deixei as roupas no cesto de roupa suja e entrei no banheiro, fechando a porta. Fiz minhas necessidades e tomei um banho longo, mas notei algo diferente entre minhas pernas: havia um líquido quente, vermelho e com cheiro de ferro.
— AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
Gritei, meu grito ecoou e Robert veio correndo ver o que tinha acontecido, a porta do banheiro fora aberta e ele surgiu com uma clara expressão de preocupação estampada no rosto.
— O que foi? O que houve? — disse, procurando o indivíduo que poderia ter me machucado ao olhar para os lados e mostrei a mão direita com os dedos sujos de sangue a ele.
— Estou sangrando, Robert. O que está acontecendo comigo? Será que me cortei?
Ele amenizou a expressão e sorriu para mim, dizendo o que seria aquele sangue que estava a escorrer. Ele ia me pagar por isso, ah! se ia.
— Não se preocupe, você se tornou uma mocinha, Larissa. Vou pedir ajuda aqui, já volto. A propósito, belos seios.
Desgraçado! Mergulhei o corpo na água e me lavei encolhida, ficando ainda mais corada.
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