A Ascensão da Magia
6 O casamento
Notas iniciais
*** Um mês depois ***
Minha mãe se foi e eu irei me casar, infelizmente ela não estará aqui para dar sua benção para essa união, suspiro. A vila Hydrus está em festa, menos eu, que estou encarando minha vizinha Margareth com tristeza no olhar, afinal minha mãe morreu por causa dos templários.
— Estás linda, senhorita Larissa. — ela diz, admirada de ver o resultado final do seu trabalho, afinal ela tinha me arrumado para o grande dia.
— Obrigada, senhorita Margareth. O que devo fazer agora?
— Só um instante. — ela me pede e sai, luto para não borrar a maquiagem que me foi feita.
Os nobres não comparecem a cerimônias dos menos abastados, não fazem questão sequer de comparecer, para eles é algo que não deveria ocorrer, já que preferem que os pobres continuem subjugados às suas vontades e isso me enoja, sinceramente. Tive pesadelos todos esses dias que se passaram, não só com a morte da minha mãe que foi reproduzida em meus sonhos, mas também a morte dos cidadãos daquele vilarejo, as súplicas, os gritos, as lágrimas, tudo fazia parte de um espetáculo de horror que resumia-se a caos e chamas.
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Alguns minutos depois ela volta, com um sorriso no rosto e me conduz até o lado de fora, estou trajando um vestido branco longo, de mangas compridas, bordado nas mangas, decote e na saia, na minha cabeça um véu transparente da mesma cor do vestido e em meus lábios um tom batom. Meus olhos pareciam pesados, não sei se por causa do sono ou da maquiagem que havia neles, todos esperavam a noiva chegar.
Haviam flores de diversas cores e tamanhos enfeitando as casas, principalmente as portas, agora fechadas dava para ver um círculo com flores em volta e o chão de terra batida que eu pisava, os sapatos eram da mesma cor do vestido, com um leve salto e uma meia calça também branca. Não sei se estou bonita ou não, para mim não estou, mas para os outros estou.
Mesmo Margareth tendo me dito que estou exuberante, não acreditei, também não a contrariei, apenas a agradeci, para não parecer mal educada, tampouco gostaria de sê-lo. Ao que imaginei ser um tapete vermelho que leva até o noivo, Margareth me deixou há alguns passos de Robert, fui caminhando até ele, sozinha e ao chegar perto dele, ele sorriu para mim e disse em um tom baixo.
— Você está linda, meu amor.
Em resposta, eu sorri. Confesso que não foi um sorriso sincero, entretanto ele pareceu preocupado e para minha surpresa, havia um padre vestido de preto para celebrar nosso casamento, o que me fez arquear uma sobrancelha, logo o padre Paul começou a falar.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
— Estamos aqui reunidos para celebrar a união de Robert Yupson e Larissa Damian,um dia de muita alegria para o casal e para nós aqui presentes, certamente Deus está feliz e abençoa essa união cheia de amor e companheirismo. Robert — ele dirigiu-se ao meu noivo. — Repita comigo: eu, prometo amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na pobreza, até que a morte nos separe.
— Eu, prometo amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na pobreza, até que a morte nos separe. — Robert repetiu as palavras do padre, uma menina de vestido rodado na cor azul veio com uma caixinha de veludo vermelha, o que atiçou minha curiosidade e vi meu noivo pegar a caixinha e abrir, retirando de lá duas alianças douradas, uma maior e uma menor. Ele pegou a menor e disse um “obrigado” à garotinha que voltou para perto da mãe e foi colocando a aliança em meu dedo anelar da mão esquerda.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
O padre virou-se para mim, peguei o anel maior com a mão direita e com a esquerda peguei a mão de Robert, esperei o padre falar, o que não demorou muito.
— Larissa, repita comigo: eu, prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na pobreza, por todos os dias da minha vida.
Aquelas palavras não me agradaram muito, todavia não havia muito o que fazer a respeito, a não ser acatar a vontade do padre e eu as repeti, depois de engolir seco.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
— Eu, prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na pobreza, por todos dias da minha vida. — em seguida, enfiei o anel no dedo anelar de Robert e o fitei.
— Alguém é contra essa união? Fale agora ou cale-se para sempre. — disse o padre, esperando alguém se manifestar, houve apenas o silêncio em resposta e ele voltou a falar.
— Pode beijar a noiva. — havia um sorriso brincando nos lábios de padre Paul, a felicidade dele parecia genuína.
Robert me pegou pela cintura e me beijou, retribuí ao beijo, não acreditando em como ele conseguiu fazer uma festa deste tamanho em um curto espaço de tempo, ele gastou as economias dele de uma vida para casar-se comigo e isso me deixou sem graça, completamente. Após o beijo, eu ri baixinho, os lábios do meu agora marido estavam manchados de batom e fomos embora, sob a chuva de arroz e pétalas de rosas vermelhas que caíam sob nossas cabeças, fomos para casa sorrindo feito bobos.
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