Notas iniciais
Olá, meus amores. Bom dia! Desculpa, de verdade por não ter atualizado essa fic antes, é que ano passado estava metida em tanta coisa que não tive tempo para atualizar nada. Espero que gostem desse capítulo. Um comentário sempre será bem-vindo e eu os responderei com o maior carinho que há em meu coração, sintam-se à vontade para fazê-lo. ♥ Boa leitura! o

O cenário repentinamente se desfez, meus sentidos alertaram-me do perigo eminente, algo roçou em meu calcanhar, é peludo e fazia barulho semelhante a um rato. Tentei me espreguiçar e fui impedida por algo que tinha som de metal, parecia estar presa a alguma coisa que não sabia dizer o que era.

Abri os olhos, deparei-me com paredes cheias de musgo e… Ratos? RATOS! CREDO! Odeio ratos, são seres sujos e asquerosos a meu ver, peço desculpas se gostas desses bichinhos, mas eu não gosto deles, transmitem doenças às pessoas.

A pouca luminosidade do local, me permitiu ver as correntes em meus pés, tentei me mover, porém não tive êxito, foi tudo em vão. Suspirei. Tentei usar o elemento fogo a meu favor, sem chance, não saía nada de minhas mãos, o que me fez entrar em desespero, já imaginaste uma maga sem magia? Se bem que, ainda não sou uma maga, estou no caminho para tornar-me uma.

Seja quem for que fez isso a mim pagará caro por isso, infelizmente não encontrei ninguém, pelo menos não que tenha visto, apenas ouvi o som de passos se aproximando de minha cela.

Tap Tap Tap Tap.

Os passos cessaram, ouvi o som de chaves a serem balançadas por alguém, não estava em meu quarto, isso deu para notar. Onde está meu livro de Magia? Quem o pegou?

— Ora, ora. Vejo que a pequena aprendiz de elementarista finalmente despertou. — o tom de voz parecia de um homem, grosso e ríspido, também irônico, não gostei desse tom de voz.

— Quem é? — indago, vendo orbes verdes brilhantes me encararem, pareciam chamas verdes a sair das órbitas, avistei um cajado feito de ossos na mão direita do meu carrasco, ainda sem entender o que está acontecendo.

— Saberás na hora devida, pequena aprendiz. — retrucou o homem, enquanto se aproximava de mim, como uma cobra se aproxima de sua presa e parou diante de mim, inalando meu cheiro, o que deu calafrios pela espinha.

— O que queres tu de mim? — indago novamente, tentando desvendar o mistério que há por trás de minha súbita prisão, uma hora estava em quarto, agora estou aqui, nessa masmorra.

— Sei de tuas habilidades com os elementos fogo e água, também sei o que fizeste àqueles aldeões. — afirmou. Essa afirmativa foi como um tapa bem cheio na minha cara, trazendo à tona a angústia e a vergonha, fazendo-me abaixar a cabeça ao lembrar-me do fato, minha mãe havia morrido aquele dia e agora, além de estar sem ela, estou com uma imensa culpa de ter matado todas aquelas pessoas.

— O que isso tem a ver com minha prisão? — questiono. Uma risada debochada me é dada pelo homem, fazendo-me arquear uma sobrancelha, o que ele quer, afinal?

— Tudo, minha jovem. — diz, como se fosse um velho homem, parecendo carregar consigo uma maturidade milenar.

Paro e penso: a voz desse homem, por mais distorcida que esteja, parece-me familiar e levando isso em consideração, só uma pessoa sabe, tirando meus professores, do que faço na torre, quando estou sozinha e é Robert. Não… Nego-me a acreditar que ele seria capaz de algo tão nefasto como prender uma mulher para satisfazer seus caprichos, isso seria o cúmulo do absurdo.

— Robert? És tu? — indago, mais uma vez, não ouço risada, tampouco a respiração do homem diante de mim, o que me faz perguntar se ele ainda está vivo para tanto ou se está apenas prendendo a respiração por tensão ou algo assim.

— Sabes, sempre gostei de ti por tua astúcia e ousadia, mas também por sua beleza. Quero que seja minha, não por um contrato nupcial, por outros meios mais… Fáceis, por assim dizer. — cada palavra dita, parecia uma apunhalada, uma apunhalada no meu ego, na minha alma e no meu coração, pude sentir e notar a cobiça em cada palavra que foi proferida a mim, como se não pudesse mais segurar o desejo de me ter.

— Sem chance. Não serei tua, seja lá quem tu sejas, recuso-me a ser tua concubina. — despejei minha ira contra o homem, jamais me entregaria a um homem que sequer nutre qualquer sentimento por mim, que não seja apenas o da carne, meu sonho é casar e ter filhos, por mais que seja um sonho comum, como o de tantas outras jovens, ainda é um sonho. Ouço-o bufar e bater a ponta do fim do cajado no chão, surgindo um círculo de magia negro e de dentro do círculo sai um esqueleto armado com uma espada sem bainha e agora quem riu fui eu.

— Hahaha! Pensas que vai fazer o que com essa coisa? Agredir-me? — notei que além do homem sentir-se desconfortável com meu comentário, não devia tê-lo feito, pois senti um pulso de ar em meu abdômen, de modo que meu campo de visão ficou escuro, à medida que ia perdendo os sentidos e o ar.

— Tu me serás útil no momento certo, só tenhas paciência e saberás teu real propósito, tudo o que precisas saber é que preciso mesmo de ti para atingir meus objetivos. Não demorará muito para seres uma elementarista e tanto, pequena aprendiz.

O mistério ficou no ar. Não pude entender as últimas palavras do meu carcereiro, apenas encontrei a escuridão, da qual tanto fugi e agora estou totalmente entregue ao meu destino, mesmo contra a minha vontade.

*** Alguns minutos depois ***

Abri os olhos com um odor de coisa podre no meu nariz, os aposentos haviam mudado, bem como minhas vestes, estou em um quarto com tapeçaria de primeira, cama de casal com lençol vermelho, travesseiro com plumas de cisne, armário entalhado com folhas de outono, escrivaninha, cadeira e uma estante grande com vários livros. Olhei em torno de mim mesma e me surpreendi, estou com um manto nas cores: vermelho (remete ao fogo), azul (remete à água), verde (remete ao vento) e marrom (remete à terra).

Meu vestido é azul com detalhes levemente dourados, não há chapéu pontudo em minha cabeça, mas há botas da mesma cor do vestido nos meus pés, meu livro de magia está sobre a cama macia e corri para perto dele, peguei-o e abracei-o, saudosa dele. Meu desjejum encontra-se na outra extremidade da cama, deixei meu livro sobre a cama e fui tomar meu desjejum, demorando-me a tomá-lo, apreciei pão com algo doce em forma líquida, com um sabor único, um gosto meio amargo na boca.

Degustei meu desjejum e deixei a bandeja sobre a cama, batendo uma mão na outra para tirar os farelos do pão e levantei, fui ao banheiro e peguei um galho de hortelã e escovei os dentes, cuidadosamente, terminando alguns minutos depois. Guardei o galho de hortelã no armarinho, o banheiro tinha banheira, assento para fazer necessidades fisiológicas, armarinho e pia, tinha uma torneira também.

Girei a torneira até a água parar de descer pela pia, tinha uma toalha no banheiro, felpuda, por isso me enxuguei nela, o rosto e a mão, voltando para o quarto em seguida, onde sentei e voltei a estudar magia da terra, no livro tem um detalhe que não tinha me atentado antes: cristais de terra, eram em forma de losango, marrom claro e com gotas de marrons escuras dentro. A janela está fechada, parece que quem trouxe-me para cá não quer que vejam-me, ou saberem que estou aqui, estudo magia da terra tranquilamente, deixando o livro sobre a cama para praticar lá fora até encontrar uma parede humana como obstáculo.

— Se queres sair, peça permissão. — o ambiente está meio escuro, pude ver os orbes verdes brilhantes me encarando, aquilo ferveu-me o sangue a um ponto que bufei.

— Permissão para praticar magia da terra? Ora, faça-me o favor. Uma aprendiz não precisa pedir permissão para praticar magia. — senti leves tapinhas sobre minha cabeça, como um pedido de calma silencioso da parte do ser.

— Tenha calma, pequena aprendiz. Magia requer paciência, se não a tiveres, jamais poderá praticá-la com excelência. — dito isso, o ser deixou espaço suficiente para eu passar e foi me ensinando tudo o que a professora Rosana não me ensinou, me passou a teoria e como poderia ser aplicada na prática.

Parece que o tempo que ficarei aqui será bastante estressante, ainda assim preciso ter paciência para aprender, como o ser disse a mim, mesmo assim praticar magia com alguém que não vês o rosto é deveras complicado para mim. Não sei para ti, é como jogar xadrez no escuro, não dá para ver o próximo movimento, nem para saber quando será o xeque-mate.

Quando o ser ensinava-me, estava sempre com um manto escuro a cobrir todo seu corpo e rosto, dando para ver apenas os orbes verdes brilhantes sobressaindo-se da escuridão do capuz, sua voz distorcida tem uma calma tão grande que assusta-me, mesmo assim ouço-o atentamente, sem perder nenhuma explicação ou mesmo dica que ele tem a passar-me.

Acho que a professora Rosana e os demais professores devem estar preocupados comigo, ou com o fato de não ter ido à aula hoje, já que sempre fui assídua em relação a horário. Suspiro. Calma, Larissa, tudo vai dar certo.

— Algo de errado, pequena aprendiz? — indaga-me ele, querendo saber o porquê do meu suspiro.

— É que não fui à aula hoje, a professora Rosana e os demais professores devem estar preocupados comigo. — afirmei, cobrindo minha cabeça com o capuz do meu manto, está frio, afinal de contas.

— Compreendo. Não te preocupes, os avisarei que agora tens um tutor que te passará todo o conhecimento necessário para que sejas uma elementarista formidável. — garantiu-me, fiquei receosa dessa tal garantia que ele deu-me, por isso parti para a próxima pergunta.

— Como os avisará? — ele ficou uns segundos em silêncio, para depois responder-me.

— Por carta, pequena aprendiz. — a simplicidade da resposta foi tão grande, que perguntei-me: como assim por carta? Onde estou? Como vim parar aqui?

— Peço desculpas pela pergunta, mas onde estou? — indaguei, querendo realmente saber da minha localização.

— Em Londres. — respondeu-me. O QUE? EU ESTOU EM LONDRES? QUE DIABOS DE SONO FOI ESSE QUE NÃO ME PERMITIU ACORDAR PARA VER PARA ONDE ESTAVA INDO?

Peço desculpas, estou histérica mesmo, não é todo dia que tu dormes e acorda bem, bem longe de casa assim.

— Santa Magia! E agora? Como voltarei para casa? — pensei alto demais, a resposta veio cortante como o vento gélido do inverno.

— Esqueças aquela torre, este é o teu novo lar. — assegurou-me o encapuzado da escuridão, o que deixou-me aflita o suficiente para sentir meu coração se apertar, a pergunta que não quer calar: de que forma ele me trouxe até aqui? Talvez essa pergunta jamais seja respondida.