A Arte do Caos

43 Uma escolha jamais pode ser confundida com um erro.


Notas iniciais
VAI TER ASSUNTOS DELICADOS NESSE CAPITULO. JÁ TO AVISANDO.

A festa da matilha de Altair era de cair o queixo. Ele tinha quase um castelo na beira do lago, dentro de seu território. Todo feito de pedra no estilo medieval. Segundo ele mesmo aquele lugar tinha mais de 800 anos de idade e tinha pertencido a todos os alfas da matilha do Sol desde que foi construído. O salão de festas amplo tinha uma porta tripla enorme que dava para uma área exterior que possuía uma vista linda para o lago. Combinado com o jardim aquele era um lugar magnífico, especialmente durante o pôr do sol que apreciavam. Os lustres enormes, os garçons vestidos com ternos e servindo inúmeros drinks com petiscos que nunca ouviu falar, lhe davam a sensação de pertencer a um livro de época.

Isso se quebrava um pouco com alguns elementos mais modernos como a música eletrônica e badalada que estava tocando no jardim. O vestuário também não era nada de época. De vestidos de tubo curtíssimos a camisas sociais propositalmente justas, lhe passava a sensação de entrar em uma balada no centro de Crocus.

De qualquer forma gostou de aceitar o convite que ele lhes ofereceu após terem resgatado a ômega, que parecia se divertir e se sentir acolhida e respeitada na matilha de Altair.

Pode ver Leticia, como descobriu ser seu nome após voltarem mais cedo, conversando e interagindo com outros lobos. Eles não deixavam de mostrar interesse físico, mas a respeitavam e se divertiam amigavelmente com ela, mesmo quando ela cortava suas investidas. Não podemos te foder mas podemos ser amigos.

Era um final feliz e uma ótima forma de comemorar o termino daquela missão maluca.

Vestida com um vestido azul escuro, com alças finas e um decote grande, que a apertava na cintura, mas logo caia leve até o nível do seu joelho, abrindo um corte lateral para a perna e fechando com saltos de ponta fina, podia dizer que estava com um look que se encaixava bem ali. Aquele vestido incrível era uma das mágicas de Isolde. Simplesmente o amava.

Acnologia também, já que ele não parava de olhar para sua bunda. Podia ver nos olhos dele seu desejo de come-la com aquele vestido.

Ele também não estava nada mau naquela calça jeans escura, quase preta, e uma blusa social branca com os 3 primeiros botões abertos e as mangas dobradas e recolhidas até o cotovelo, revelando parte daquelas tatuagens tribais maravilhosas que percorriam todo o seu corpo. Sexy. Alguém podia facilmente tirar uma foto e colocar em uma capa de revista. Venderia horrores.

Apesar de amar apreciar a beleza e gostosura de seu companheiro, estava se divertindo muito com as novas amizades que fez ali. Lobisomens não eram todos iguais, no fim das contas, aquela matilha era muito mais moderna e interessante. Riu de um caso engraçadíssimo de Amanda, uma das lobas em que se enturmou na rodinha enquanto bebia um drink doce de uva, que sem querer assustou um pobre padeiro humano em um dos festivais com sua forma lupina.

Foi um acidente e ela só queria pedir um pão doce sem ter que se transformar em humana e ficar completamente nua na frente do turista visitante.

—Eu juro. – Ela continuou. – Ele veio pra ser um dos feirantes estrangeiros. Ele ainda vem todo ano, mas fico constrangida de comprar o pão dele toda vez. É muito bom, mas eu ainda me lembro da cara de pavor dele. Pobrezinho. Quase mijou nas calças.

Não conseguiu parar de rir. A forma como ela contava e sua cara horrorizada por ter assustado alguém era o que deixava a história mais cômica.

Pelo canto do olho viu Acnologia sair de fininho, indo para a parte de fora do salão. Ele fazia isso as vezes por inúmeros motivos. Na maior parte das vezes era por não suportar multidões. Bebericou seu drink mais uma vez. O deixaria pegar um ar antes de segui-lo mais tarde.

Ele não gostava de atrapalhar sua diversão só por que sentia-se sufocado. Podia entender. Se tivesse sentidos tão sensíveis quanto os dele também não toleraria música alta, os cheiros de todas as partes possíveis e sabe-se lá mais o que. Era muita informação para administrar e lidar ao mesmo tempo. Bem estressante.

Queria se soltar um pouco. Um pouco de música, dança e conversa fiada não fariam mal.

—E você Lucy, como é a aventura de ser uma maga? – Daniel, um dos lobos da matilha perguntou.

Ele era gente boa, embora tenha chegado na intenção de ser algo mais. Ele não foi o único. Vários lobos tentaram se aproximar, sendo chutados de imediato, ou por ela ou por Acnologia. Quanto mais perto da lua cheia – no caso hoje – mais intensa a bruma ficava. Os solteiros estavam desesperados. Ao menos este seria o ápice do evento, já que a partir de amanhã ela tendia a diminuir.

Todos na roda a olhavam curiosos. A magia devia ser tão interessante para eles quanto suas transformações eram para si. Capturou um bolinho de um dos garçons antes de começar a falar.

—É bom. Eu sempre me enfio em furada por causa dos meus amigos. É raro ter uma missão que não termine em desastre.

Deu uma pausa, comendo um pedaço do bolinho delicioso antes de continuar, descrevendo seus momentos mais constrangedores nas missões.

A conversa fluía fácil, principalmente quando já tinha perdido a conta de quantos drinks tomava. Não soube bem quanto tempo se passou até uma pessoa desagradável esbarrar em seu ombro e derramar seu drink todo no chão.

—Ah, me desculpe.

—Sem problema...

Sua fala parou na metade quando viu quem era. Zola, usando um vestido vermelho vivo que contrastava com seus cabelos, tão curto que mal tapava sua bunda, a encarava. Seu ciúme queimou. Não gostava dela. Olhava pra cara dela e queria amassá-la. O álcool em suas veias não ajudava em nada para controlar seu temperamento e o sorriso de quem não se desculpava nenhum pouco na cara da megera lhe dava vontade de soca-la. Algo lhe dizia que ela fez de propósito.

—O que está fazendo aqui, Zola? -Daniel foi áspero em perguntar.

Os lobos na roda pareceram ficar hostis contra a fêmea lupina.

—Vocês a conhecem?

Era uma pergunta idiota. Todo mundo entre as matilhas deviam se conhecer, mas estava bêbada demais para formular uma pergunta melhor.

—Ela é a beta da matilha do Maximus. – Carina, a outra loba na roda, respondeu. – E não é bem-vinda. – Acrescentou firme.

Zola deu de ombros, sem se importar.

—Fui convidada. Não estou aqui para causar confusão. Vim apenas ver a nova ômega que conseguiram.

Pelo que Altair tinha dito, perder a beta foi um grande golpe em Maximus. Ele a desejava e, como o garoto mimado que era, não suportava ver o que desejava ser negado. Infelizmente para ele, ela estava na matilha de outro Alfa e se quisesse pegá-la teria que caçar uma guerra com as quatro outras matilhas, pois isso seria quebrar o pacto. A outra alternativa era Leticia desejar mudar para o bando dele, algo que ela não parecia estar disposta a fazer.

—Ninguém gosta de você aqui. – Alfinetou Daniel.

Ela rolou os olhos sem se importar.

—Só vim arrumar um companheiro para passar a bruma. – Algo em sua voz e na forma que ela a olhou fez seu sangue ferver. Sua intuição lhe dizia que ela veio atrás de Acnologia.

Um sorriso cruel surgiu em seu rosto quando respondeu a ruiva.

—Boa sorte. – Disse sem se abalar, lembrando-se muito bem do que tinha acontecido com a última mulher que tocou seu dragão.

O braço de Lissana nunca se recuperou das marcas de queimadura. Dessa vez não se sentiria culpada de Acnologia perdesse o controle e queimasse a cara daquela vadia. Na verdade, quase torcia para isso acontecer.

O sorriso arrogante dela vacilou quando percebeu que não ligou nenhum pouco para sua tentativa de paquerar seu companheiro.

Ela acenou a mão e um dos garçons com drinks apareceu.

—Como prova de que não estou aqui para causar confusão, aqui está um novo drink. Se me dão licença.

Ela disse saindo com o nariz em pé.

—Vaca. – Carine exclamou.

Pegou o ultimo drink da bandeja do garçom que tinha aparecido e o bebericou enquanto fuzilava as costas da ex de Acnologia.

O gosto de morango com álcool forte e mais alguma fruta a surpreendeu.

—Hum. Esse é muito bom. Do que é? – Perguntou ao grupo.

Carine se aproximou e cheirou.

—Acho que é um dos afrodisíacos. Armut, beta que organizou a festa, disse que ia trazer umas frutas exóticas. Você foi sortuda. Esses drinks especiais acabam rapidinho.

Bebeu mais um pouco. Era um sabor doce e bom, mal sentia o sabor ruim do álcool. Estranhamente deixava um sabor cítrico na boca.

—Ela deve ter vindo aqui a mando do Maximus, para ver o quanto de proteção estamos dando a ômega. Desgraçado maldito.

Pelo que tinha entendido, apesar da sua experiência meio ruim com os lobos inicialmente, apenas a matilha de Maximus era opressiva e machista. Quer dizer, ainda havia resquícios de machismo na hierarquia de dois dos 4 alfas, mas nada muito preocupante.

—Esse moleque vem custando a nossa reputação há décadas. Uma pena não ter nenhum macho mais forte no bando dele para desafiá-lo. Qualquer um seria melhor para o resto de nós do que tê-lo no comando.

Eles começaram a coloca-la a par de todas as fofocas e problemas. Aparentemente, Maximus sempre criava algum conflito com os visitantes. Isso piorava já que parte deles se envolvia com os ritos sexuais dos lobos em busca de diversão, mas ele e alguns membros de sua matilha frequentemente machucavam os visitantes que entravam na brincadeira deles.

Nenhum dos quatro alfas queria confusão com o rei de Fiore, ele respeitava e incentivava o estilo de vida deles. Não havia razão para confusão, porém Maximus não aceitava estar no mesmo nível que humanos.

Em meio a conversa começou a se sentir com calor. Seu rosto começou a ficar quente e queria desesperadamente algo para se abanar.

—Com licença, eu vou ao banheiro. – Informou aos novos amigos.

Passando em meio a multidão de pessoas, saiu da muvuca, entrando em um dos corredores quase desocupados nas laterais próximos a varanda. Daniel tinha dito que tinha um banheiro por lá.

No meio do caminho se sentiu zonza e escorou na parede. O calor se espalhou por seu corpo, descendo por seu ventre fazendo-o se contrair. Escorou na parede, fechando os olhos e respirando fundo. Será que tinha bebido muito?

Não, não tinha passado da conta. Já tinha bebido além dá conta antes e nunca sentiu seus seios tão sensíveis por causa disso. Os bicos raspavam no tecido fino do vertido, mandando um choque direto para o meio de suas pernas. Arfou apertando as cochas uma na outra, sentindo seu interior ficar molhado e desejoso.

O que estava acontecendo consigo?

—Finalmente fez efeito! – A voz de Zola entrou em seus ouvidos.

Se virou, vendo-a vir em sua direção junto com um homem vestido de garçom.

—Ela é dura na queda. Foram 3 drinks pra surtir efeito. – O homem respondeu.

Seu cérebro processou o que aconteceu. Ela a tinha drogado com alguma coisa. Tentou andar, mas cambaleou, apoiando-se bruscamente na mesinha decorativa no meio do corredor. Cada vez que tentava andar seu ventre pulsava de prazer. Um gemido sofrido escapou por seus lábios. O calor corria por suas veias como fogo.

Ouviu a rizada nojenta do homem.

—Olha só! Ela tá totalmente dopada. Posso sentir o cheiro da buceta dela molhadinha. Ela tem cara de safada, aposto que vai durar a noite toda, gostosa como ela é.

Um grunhido de nojo saiu de Zola.

—Tanto faz. Você pode se divertir com ela depois que Maximus tiver terminado. Pega ela logo e leva pra ele antes que ele fique ainda mais puto.

—Sim senhora.

Parte de sua mente entendeu o que aconteceu e o que iria acontecer. Zola a tinha drogado com um drink afrodisíaco que a incapacitava e a deixava excitada a mando de Maximus. Ela e seu capanga iriam leva-la para algum lugar que permitisse que ele a estuprasse.

Tentou com todas as forças ordenar seu corpo a se mover, a pegar suas chaves, a socar a cara deles e afoga-los nas águas de aquários ou nas chamas de Loki, mas simplesmente seus músculos não obedeciam. Seu corpo ardia e cada movimento parecia sofrido. Queria arrancar aquele vestido que raspava em sua pele sensível demais. A bebida que tinha tomando também fazia sua visão girar.

O lobo se aproximou de si rindo de sua tentativa de andar para longe, apoiando-se na parede.

—Vem aqui sua gostosa. – Ele a agarrou pela cintura e a puxou contra seu corpo.

As chamas azuis explodiram de seu corpo, lançando-o pela parede, e fazendo-o cair em meio aos destroços no chão da varanda. Todos olharam para o homem gritando de dor, se contorcendo no pátio da varanda e para o barulho ensurdecedor da explosão.

O choque a fez cair de bunda no chão, na direção contrária do lobisomem. A marca queimava em seu corpo, furiosa, estendendo-se por toda sua pele para protege-la.

O parceiro de Zola, parcialmente carbonizado, ergueu-se do chão, começando a se transformar em lobo.

—Vadia! – Ele gritou, rosnando e tomando a forma lupina completa antes de voar voando em sua garganta.

Seu pulo foi interrompido por Acnologia em pessoa dessa vez, que apareceu do nada lhe deu um soco no estômago tão forte que ele bateu as costas contra a mureta de pedra da varanda e a quebrou, caindo no jardim decorado logo abaixo.

Os lábios do dragão se repuxaram sob os dentes, as garras negras aparecendo em suas mãos assim como suas escamas em seus braços e os olhos vermelhos furiosos. Ele rugiu. O som ensurdeceu todos da festa e chocou todos os presentes. A multidão de lobos e não lobos recuou instintivamente com medo.

—Quirion! – Zola gritou, preocupada com seu companheiro de matilha.

—Merda! – Outro garçom gritou. – O que aconteceu Zola?

—A vadia conseguiu se defender e ele apareceu! – Ela disse rápido enquanto encarava o olhar ameaçador de Acnologia.

As pernas de Zola bambearam e seu instinto mandou sair rápido.

As garras longas fincaram-se na borda do peitoral da varanda e Quirion se ergueu, cambaleando. Ele rosnou mostrando os dentes enormes e afiados para Acnologia antes de avançar outra vez.

O dragão foi rápido em desviar, enfiando as garras na lateral de seu corpo e rasgando-o no processo. O cachorro ganiu antes de ser chutado para o outro lado da varanda, onde a multidão pulou para os lados, evitando ser atingida pela enorme massa peluda e ensanguentada.

—Maldito! – Zola gritou e se transformou, assim como seu outro comparsa.

Gemeu quando, com muito esforço, conseguiu se colocar de pé. A briga lá fora não lhe interessava. Subiu as escadas laterais que levavam ao segundo andar, escorando-se no corrimão. Seu corpo suava como se estivesse correndo uma maratona.

Bateu contra uma porta e a abriu, entrando dentro do cômodo. Era uma biblioteca. O cheiro de livros, o carpete fofo embaixo de seus saltos e a prateleira a qual se escorou lhe diziam isso. Arrancou os sapatos quando chegou a conclusão de que não seria capaz de se equilibrar neles.

Escorou os quadris contra a mesa de madeira no canto da parede e levou a mão a própria vagina por cima do vestido. Gemeu. Aquilo não era o bastante. Seu corpo queimava, sua pele ardia contra o tecido, sua mente não funcionava direito. Precisava desesperadamente gozar, precisava se sentir saciada.

Sua mente contaminada e estimulada pelo afrodisíaco imaginou a boca do dragão em seus seios, como havia feito há alguns dias atras, a língua quente raspando em seus mamilos enquanto os dentes afiados cravavam em sua pele fazendo seu ventre pulsar de desejo. Arfou sentindo sua calcinha ficar encharcada e agarrou seus seios por cima do tecido. Precisava dele. Seu corpo inteiro clamava por ele, mais forte do que na primavera.

Ativou a marca, que se espalhou ainda mais por seu corpo e fez algo que detestava fazer: ordenou.

—Acnologia! – O nome dele saiu como uma lamúria desesperada, transmitindo sua necessidade ardente de tê-lo ali. – Venha aqui!

Não demorou mais do que alguns segundos e a porta da biblioteca se abriu. Tinha sangue em sua roupa branca e em seu rosto, mas não importava. Ele entrou rápido fechando a porta atras de si.

—Lucy! – Sua voz carregava preocupação. – O que acont...

Ele não conseguiu terminar por que se atirou contra ele, jogando-se contra o peito duro e musculoso, beijando sua boca de forma ardente e esfregando o máximo possível de seu corpo no dele. Não se importava que seu vestido ficasse manchado de sangue também. Precisava dele, precisava do toque dele, senti-lo domina-la por completo.

Quando tirou sua boca da dele seus olhos não estavam apenas azuis, estavam vermelhos vivos. Bom, precisava do Acnologia selvagem agora, mais do que tudo.

—Por favor! – Implorou puxando seus cabelos em direção a seus seios.

Ele a agarrou, bruto e a prensou de volta contra a mesa, abaixando uma das alças do vestido, puxando seus seio para fora e abocanhando o monte macio. Gemeu, jogando ainda mais o corpo contra o dele e prensando seu rosto contra seu colo. Ele o sugou com maestria, os dentes rasparam em sua pele sensível e a língua quente acariciou o mamilo. Choramingou de prazer sentindo seu interior contrair.

Mas queria mais. Aquilo não era o bastante. A roupa era um incomodo, queria ele em cada parte de seu corpo.

—Rasgue! – Ordenou entredentes.

Ouviu o tecido do vestido se desfazer sob suas mãos e suspirou de alívio quando se viu quase totalmente livre dele. Agarrou a mão que não estava em suas costas e a levou ao seio recém liberto.

Ele o agarrou obediente e começou a fazer aquela mágica deliciosa no bico junto com a sucção forte. Não precisava de muito, estava super excitada.

Gozou gemendo e puxando seus cabelos com força enquanto jogava a cabeça pra trás. Aquele prazer foi um fôlego de alívio em meio ao caos em seu interior, mas não era nem de longe o bastante. Seu ventre se contraia dolorosamente por se sentir vazio, desesperado para ser preenchido.

Puxou sua cabeça de novo tomando seus lábios com força. Os dentes afiados morderam seu lábio inferior, contestando sua dominância.

Não se importava com isso. Queria ser dominada. Queria que ele a levasse até os confins do inferno de tanto prazer, mas ele estava muito lento, para seu desespero. Precisava dele mais rápido, bruto e selvagem.

—Tire! – Ralhou, agarrando aquela blusa branca suja.

Ele mordeu seu pescoço com raiva. O ronronar fazia seu peito tremer com força sob suas mãos.

—Lucy, espere. – A voz era humana e dracônica ao mesmo tempo.

Ela lhe deu um arrepio na espinha.

Não podia esperar. Seu corpo parecia prestes a desfalecer se ele não a tocasse agora. Apenas o pensamento de esperar a deixava em pânico e fazia seu ventre contrair de dor.

—Não! – Disse ríspida, enfiando a mão em sua calça e puxando o pau duro e pingando de prazer para fora. – Eu quero você, AGORA! – Sua voz demandava urgência.

Empurrou a calcinha para o lado e o enfiou para dentro, puxando seus quadris com as pernas.

Sua respiração travou. Estava tão molhada que ele deslizou como manteiga. A sensação de ser preenchida por seu comprimento duro foi tão avassaladora que gozou outra vez, apertando toda sua extensão quente em seu interior, se agarrando a ele. Os quadris dele se moveram com violência, agarrando seus cabelos e a beijando enquanto gemia contra seus lábios. Seu interior ficou mais húmido ainda, foi quando notou que ele também tinha gozado.

Quando seus lábios se separaram, agarrou a blusa outra vez.

—Tire! – Dessa vez ordenou.

Precisava sentir a pele dele contra a sua, desesperadamente. Ardia por isso.

As chamas azuis e negras destruíram toda a roupa que tinha restado. Ele a puxou contra si, beijando-a outra vez e a carregou. Seus olhos se reviraram de alívio quando sentiu a pele quente dele contra a sua sensível.

Repentinamente foi jogada contra uma superfície macia, um sofá que nem tinha notado estar lá.

Ele saiu de dentro de si.

—Não! – Protestou em desespero, determinada a ordená-lo a voltar.

Não foi rápida o bastante. Ele abriu suas pernas, puxando-a mais para perto antes de se curvar sob si e levar a boca direto ao seu clitóris.

Gemeu, contorcendo seu corpo e agarrando os cabelos longos para puxá-los, tentando se permanecer na terra. Ele sabia exatamente quais pontos apertar e estando drogada mal precisou apertá-los para que desfalecesse a sua frente. Estava tão sensível que a mera sensação da língua quente se movendo contra seu clítoris foi o bastante.

Gemeu, gritando seu nome, enquanto seus pulmões e veias queimavam em mais um orgasmo. Seus órgãos se retorciam por dentro, se esticando de felicidade e prazer.

Nunca tinha gozado tantas vezes tão rápido. O ar parecia rarefeito e seu corpo parecia ser pudim, mas ainda assim o afrodisíaco a fazia desejar mais. Queria mais daquele homem. Por um momento se perguntou se era assim que ele se sentia na bruma.

Ele se ergueu, para seu deleite, voltando a entrar em seu corpo. Gemeu, sentindo-o deslizar deliciosamente duro pra dentro, a cabeça grossa de seu pau massageando cada parte prazerosamente seu interior, e desejou que ele soubesse o quanto precisava dele ali, o quando queria que ele começasse a se mover. Seus quadris se ergueram ao mesmo tempo em que ativou o fluxo.

O corpo dele tremeu com a sua necessidade e com o desespero que transmitia pra ele, e um gemido de agonia saiu de sua boca. Ele se deitou contra si, puxando a contra seu peito, satisfazendo sua necessidade voraz de ter sua pele tocando em cada área disponível.

—Lucy. – Ele gemeu contra sua orelha. – Por favor, confie em mim. – Ele murmurou sôfrego enquanto sua mão apertava com força seu seio e sua boca pairava, salivando, contra o outro monte macio.

Passou a mão pela barriga trincada e suada. Os músculos dele estavam duros como nunca antes, ele tremia sob sua palma. Todo o corpo dele estava ainda mais quente do que já era. Agarrou seus cabelos com força, puxando-o para mais perto, o que parecia ser impossível.

—Eu confio em você. – Respondeu apressada. – Por favor!

Um tremor o chacoalhou quando ele resistiu ao desejo ardente em suas palavras. Pode ouvir deus dentes rangerem e seu maxilar contrair com o esforço hercúleo para não ceder a seu comando. Ele balançou a cabeça negativamente e esclareceu melhor.

—Eu vou tirá-la desse frenesi, mas precisa ser do meu jeito.

Entendeu. Ele queria que parasse de comandar dessa vez. Não importava, desde que ele parasse aquele desejo avassalador que a consumia, desde que ele apagasse o fogo que fazia seu corpo doer com a necessidade, faria qualquer coisa.

—Só por favor anda logo! – Implorou.

Ele a beijou, as duas mãos enormes apertaram seus seios com força e os quadris começaram a se mover lentamente, mas com pressão e força, esmagando seu clitóris a cada batida.

Revirou os olhos sentindo o prazer se acumular.

Ele cumpriu a promessa.

~*#*~

Suspirou aproveitando o calor do corpo quente dele enquanto sua mão acompanhava a linha de sua coluna, subindo e descendo lentamente em uma caricia gentil.

O fogo daquele frenesi completamente maluco tinha diminuído, mas não se apagado. Podia senti-lo voltando devagar em seu ventre, as pulsações quentes reverberando por dentro. Estremeceu assustada com a potência daquela droga afrodisíaca. Sentia seu corpo em frangalhos. Se não fosse aquela poção preciosa de recuperação que Altair a tinha dado no dia anterior como forma de ganhar sua confiança, tinha certeza que estaria morta.

—Me desculpe... – Sussurrou depois de um tempo naquela pausa muda.

Finalmente tinha recuperado o pensamento racional e a culpa a consumia. A mão em suas costas continuou ritmicamente calma.

—Pelo que? – A voz dele saiu rouca e confusa.

Se encolheu com a vergonha, escondendo o rosto em seu pescoço.

—Por ter sido uma idiota e... – Sua voz saiu baixa. – Por ter te ordenado a... – Não conseguiu terminar a frase. – Você sabe, contra sua vontade.

A mão em sua coluna parou e ele riu. A gargalhada chacoalhou seu corpo junto, já que estava deitada em seu peito.

—Como se me fazer te comer fosse algo contra a minha vontade. – Ele riu ainda mais, como se contasse a maior piada do mundo. – Eu te pedi para esperar por que você estava emanando desejo Lucy, estava jogando tão forte na minha cara e em todos os meus sentidos que eu fiquei com medo de te machucar. Você me arrancou a sanidade sem me dar um segundo sequer para respirar. Para piorar ainda por cima usou o fluxo jogando cada grama de sentimentos em cima de mim. Sabe o quanto foi difícil não deixar meu outro lado sair? Se isso tivesse acontecido estaríamos no meio de cinzas e você estaria bem pior.

—Ah... – Disse finalmente entendendo.

Ele suspirou com um pouco de pesar.

—Acredito que eu é que tenha que pedir desculpas. – A ponta de seus dedos saiu da linha de sua coluna e começou a seguir sua costela, passando perto da borda de seus seios e descendo por sua cintura. – Eu te machuquei.

Finalmente desceu os olhos pelo próprio corpo, notando as marcas vermelhas que, em breve, se tornariam hematomas. Alguns estavam em seus seios, outros em sua cintura. Havia marcas de mordidas por toda parte e chupões.

—Eu não percebi isso. – Falou vincando as sobrancelhas, tentando se lembrar de quando aquilo tudo aconteceu.

A única coisa que preenchia sua mente era o prazer que ele lhe dava, de novo e de novo, ao ponto de se afogar nele. Nem mesmo agora, olhando para eles, sentia a dor ou desconforto. Talvez por causa da adrenalina e do afrodisíaco que ainda contaminava seu sangue. A marca blindava seu corpo, mas tinha um limite. Apenas ignorava esse limite com frequência, mas dessa vez não deu tanta sorte.

—Eu que te ataquei. Não tem que se desculpar. – Afirmou firme antes que ele mergulhasse na culpa e voltou a apoiar a cabeça em seu peito. – Sem falar que Wendy dará um jeito nisso em dois minutos.

Ele suspirou forte, sabendo que não adiantaria discutir, e pulou para outro assunto.

—Quero ver qual vai ser sua desculpa quando ela perguntar qual a origem dos hematomas. – Tentou afastar a situação vergonhosa de sua mente. — Se importa de me explicar o que aconteceu? – Inquiriu.

Os dedos voltaram a acompanhar a linha de sua coluna carinhosamente.

Torceu a cara.

—Tive uma péssima experiencia com sua ex ficante maluca. – Não usou a palavra namorada, como provocava antes, por que sabia que ele ia surtar. – Aparentemente ela é da matilha de Maximus que mandou ela junto com alguns amigos me drogar com algum afrodisíaco maluco e me sequestrar. Eles iam me levar pra algum lugar onde o alfa estava.

Não precisou completar e dizer a brutal e assustadora palavra com E. Sua mão parou outra vez no meio de sua coluna e o rosnado brutal e longo fez seu peito tremer como uma tempestade embaixo de seu rosto.

Ele fez menção de levantar, mas foi rápida e jogou mais o dorso em cima dele para impedi-lo.

—Não! – Exclamou.

Os olhos vermelhos sangue e a esclera negra estavam tenebrosos e inflexíveis.

—Você não vai me impedir Lucy!— A voz dele era áspera e a raiva transbordava em cada palavra. – Eu vou mata-los. Saia!

Tinha certeza que se fosse outra pessoa ele teria arremessado para longe. Ignorou a sede carmesim que emanava dele e falou rápido.

—Eu não estou nem aí pro que você vai fazer com eles, mas se você sair daqui agora eu vou surtar. A merda desse afrodisíaco ainda está no meu corpo e a única coisa que mantem a minha sanidade é o fato de você estar aqui. Eu preciso de você!

Isso foi o bastante para persuadi-lo. A única coisa que superava seu desejo por violência era sua necessidade, e nenhuma das palavras que disse era mentira.

Ele respirou fundo, claramente chateado por não caçar seus possíveis estupradores, mas indisposto a abandoná-la. Voltou a se acomodar no sofá, puxando-a para junto de si.

Se acomodou nele de novo e esfregou as coxas. Subitamente algo importante foi lembrado por sua mente.

—Por Merlin! Estamos na biblioteca de Altair! Alguém pode entrar aqui a qualquer momento!

Acnologia falou com uma voz calma e carregada de certeza.

—Eles não vão. – Atestou. – Eles estão ocupados arrumando a bagunça lá em baixo. Altair tentou vir aqui antes, mas minha aura deixou bem claro o que aconteceria se alguém abrisse aquela porta. Não há ninguém no segundo andar.

Tentou se lembrar quando o dragão tinha exposto sua natureza alfa, mas nada aparecia. Seu cérebro parecia mingau, só registrando seus toques e o prazer. Sequer ficou surpresa pela aura dele afastar outro alfa de outra espécie de forma tão fácil. Frustrada mudou de tópico.

—O que aconteceu com os três lá embaixo?

O peito dele tremeu com um rosnado baixo e grave, mas sua voz saiu inabalada.

—O cachorro que tocou em você está morto. Zola esta ferida, mas a energia da lua cheia deve fazê-la se curar em algumas horas e seu parceiro inútil perdeu um braço tentando defende-la. Eu ia mata-los se você não tivesse me ordenado a vir aqui com tanto desespero. Achei que você tivesse se machucado ou algo assim.

A forma áspera e carregada de ódio como ele disse a palavra cachorro a fez tremer. A morte de um dos lobos de uma das cinco tribos seria um problema. Os lobos viviam sob o território de Fiore, mas não seguiam as leis do reino. Era como um reino dentro de um reino. Havia um acordo de paz e reciprocidade, eles viviam do turismo e do comercio de especiarias locais e, desde que não causassem problemas aos cidadãos de Fiore, estava tudo bem. Teria que encarar as consequências dessa quebra de pacto mais tarde.

Empurrou esse problema para os cantos de sua cabeça. Não queria lidar com ele agora.

Suspirou.

—Eu devia ter sido mais esperta quando vi ela na festa. Não imaginei que o garçom poderia ser parceiro dela. O drink era tão bom.

O tremor em seu peito passou a se tornar um ronronar acalentador. Ele enfiou o nariz em seus cabelos, um hábito que ele adquiriu quando estava com raiva e queria se acalmar. Ele sempre lhe dizia que sei cheiro o acalmava.

—Não é sua culpa Lucy. Você tem o direito de querer se divertir.

Fechou os olhos e se apertou mais contra ele. Seu corpo buscava contato com a pele quente.

—A droga voltou. – Ele murmurou em meio a seus cabelos com uma certeza pétrea.

Suas bochechas ficaram vermelhas de vergonha.

—Não. – Disse rapidamente. – Eu estou bem.

Mal falou e seu corpo se apertou mais contra o dele, contrariando seus pensamentos racionais. Ele riu, em meio a seus cabelos, descendo o nariz até perto de seu ouvindo onde sussurrou:

—Você mente muito mal. – E riu de novo. – Posso sentir você, Lucy. Você esqueceu de desligar o fluxo e, mesmo que tivesse feito isso, eu posso sentir o cheiro da droga no seu sangue. Está mais fraco, mas ainda está lá. Todos os meus sentidos podem captar claramente cada gota de seu desejo.

Estremeceu de pavor por que tudo o que ele dizia estava certo. Não sabia como seu corpo poderia querer mais. Sentia que aquilo não pertencia a ela, que era algo horrível que não conseguia se livrar. Estava assustada.

Os lábios de Acnologia a beijaram com carinho e ele pareceu perceber seu dilema.

—Vai passar. – Murmurou suavemente. – Está muito mais fraco agora. Não vai durar muito. Não precisa ficar assustada, eu estou aqui.

Mesmo assim tremeu. Seu corpo contraia de deleite a cada mísero toque gentil que ele dava em sua pele sensível. Seu ventre contraia, molhado e desejoso de ser preenchido de novo. Quase chorou.

—Desculpe... – Pediu de novo. Sua voz saiu como uma lamúria.

Ele pegou seu queixo, puxando-o para cima e beijou cada canto do seu rosto, carinhosamente. Quando encarou seus olhos a esclera negra estava lá, mas o azul que tanto amava que coloria suas íris.

—Eu já disse para parar de pedir desculpas por algo que não é culpa sua.

Ele beijava seu maxilar, descendo para seu pescoço, com carinho e gentileza enquanto a puxava delicadamente seus quadris para cima de si.

—Use-me, Lucy. Me use até que esteja satisfeita.

Ele puxou uma de suas mãos, colocando-a em cima de seu peito, onde pode sentir o coração quente pulsando galopante e com vida.

—Meu coração, meu corpo e minha alma são seus. Use eles da forma que desejar. Eu vou amar cada segundo disso. – A voz dele era rouca, carregada de desejo e devoção.

Um arrepio passou em sua espinha e ficou sem fôlego. Sorriu.

Seu coração derreteu com aquelas palavras e seu medo perdeu força. Acnologia sabia fazer com que se sentisse segura e feliz. Amava isso. Seus braços eram seu lugar preferido no mundo e nada mudaria isso. A forma como ele a tocava e a amava, a delicadeza e a reverência a faziam se sentir tão especial e tão acolhida que simplesmente seus problemas sumiam.

—Pra um cara que não gosta de romance, você é um amor. – Sussurrou, passando os dedos em uma carícia em seu maxilar.

Ele sorriu de volta e suas pupilas felinas se dilataram. Empurrou os quadris para trás para encontrar seu pau. Ficou surpresa – e assustada – ao encontra-lo duro. Incapaz de se conter o fez deslizar para dentro, tomando cada centímetro, até o talo e suspirou de alívio ao se sentir preenchida outra vez.

A droga não contaminava todo o seu cérebro dessa vez, então podia pensar em outras coisas, como por exemplo:

—Você é um maníaco! – Acusou.

Ele riu de sua cara chocada. A risada provocava seu clitóris de um jeito incrível. Mordeu o lábio inferior para não gemer. Os olhos azuis estavam húmidos e cheios de diversão quando ele esticou a mão para acariciar sua bochecha.

—É a bruma, linda. Está no ápice dela. Ser influenciado por ela e sentir seu desejo me faz passar do limite. Não consumi nenhuma droga afrodisíaca, mas é como se tivesse. Você não tem ideia do quanto eu queria te agarrar naquele vestido azul no meio da festa. Sinto muito por ter rasgado ele. Era lindo.

Deu de ombros.

—Tenho certeza que Isolde vai adorar fazer outro.

Ele puxou seu rosto para perto, aproximando os lábios dos seus.

—Tenho certeza que sim. Agora se mova por favor. Você está me deixando maluco e estou tentando ser mais gentil dessa vez.

~*#*~

A necessidade de ficar com Lucy era maior do que a de matar os responsáveis por seu quase estupro desde que ela disse que precisava de si ao lado dela. Pode sentir pelo cheiro quando a droga finalmente foi totalmente consumida e saiu de seu sistema, deixando apenas uma Lucy totalmente exausta para trás.

Ela dormia, deitada em seu peito e aproveitando o calor de seu corpo, enquanto sua mão voltava a subir e descer por sua coluna. Ela estava totalmente acabada e dormia tão profundamente que se uma bomba explodisse sequer atrapalharia seu sono.

Entretanto, pendencias precisavam ser resolvidas e não permitiria que ela tivesse que encarar aqueles malditos de novo. Nenhum trauma ficou em sua mente aparentemente – graças aos deuses – mas o efeito da droga a assustou. Ela sentiu medo da própria ganância de seu corpo e da forma como aquilo parecia não acabar.

Seus lábios se repuxaram sob os dentes, refletindo sua raiva. Ginseng. Reconhecia o cheiro por que os elfos usavam. Uma erva facilmente misturada com frutas que dopava e aumentava a libido de forma exponencial. Não havia antídoto. Você tinha que queimá-la em meio ao sexo, obrigando seu corpo a metaboliza-la mais rápido e satisfazendo suas necessidades. Caso não o fizesse seu corpo se tornava febril, sua mente poderia ser permanentemente lesionada com alucinações e a morte também era uma possibilidade. Os delírios eram dolorosos.

A droga era proibida em muitos lugares. Algumas pessoas se tornavam viciadas quando a consumiam por um longo tempo. Os efeitos eram problemáticos por que fazia seu organismo trabalhar a 200% da potência. Seu corpo se contorceria de dor e agonia por não ter suas necessidades atendidas, e a hipertermia era quase certa, muitos até deixavam de comer ou beber apenas para sentir de novo a sensação da luxúria. Lucy ficaria bem apesar da dosagem alta que recebeu, mas, se tivesse demorado muito, seu corpo poderia começar a ter espasmos ou convulsões, gerando consequências.

Com cuidado a tirou de seu peito, se levantando e voltando a reacomodá-la de forma confortável no sofá. Ela nem se quer resmungou.

Usando o anel incrível dado por Viego (um presente inestimável, diria. Quebrava um galho em todas as missões, e Orn tinha fundido o feitiço do colar de Shinuky nele, então não precisava se preocupar com suas roupas ou em quebra-lo ao se transformar) pegou um cobertor grosso de seu estoque dimensional e uma calça escura.

A admirou dormindo por um momento, acariciando sua bochecha, antes de embrulha-la para que não sentisse frio até que voltasse e se vestiu, saindo da biblioteca. Ela ficaria bem e segura ali por enquanto.

Quando Altair subiu junto com parte de seu bando para tentar ajuda-lo a entender o que tinha acontecido, sua aura se chocou contra a dele. Ele recuou cinco passos largos pra longe da porta da biblioteca, o instinto do medo se sobrepondo a qualquer outra coisa em seu cérebro. Ele tentou disfarçar esse medo na voz quando falou:

“Não deixem ninguém subir até segunda ordem. Esvaziem o segundo andar.”

Os lobos prontamente o fizeram, principalmente por sentirem a energia perigosa que sondava a biblioteca. Ele foi esperto em esvaziar o andar inteiro para evitar riscos de algum desavisado curioso tentar a sorte na roleta russa.

Desceu as escadas sem se importar com o olhar desconfiado e curioso de alguns lobos que estavam no primeiro andar. A festa tinha acabado e só a matilha de Altair praticamente estava no castelo. Podia sentir o cheiro dele, foi fácil segui-lo.

Foi até a varanda, descendo as escadas que davam para o jardim e seguindo um pouco mais a frente até chegar em uma área do castelo que era um salão oval enorme com portas gigantes de metal. Alguns lobos guardavam essa porta. Expôs os dentes e eles desistiram imediatamente de fazer qualquer intervenção, abrindo os portões enormes.

O salão não era tão grande quanto as portas faziam parecer, mas a claraboia central que enquadrava perfeitamente a lua e trazia sua luz para dentro dele o tornava bastante imponente. Cinco tronos se distribuíam de forma quase igual pelo salão, na intenção de nenhum se sobrepor ao outro.

Zola e seu comparsa estavam ajoelhados no chão, imobilizados pela presença de quatro dos cinco alfas.

Apesar deles terem autoridade ali, o clima mudou totalmente quando pisou no salão. A ameaça agora não eram os quatro alfas, era ele.

Andou vagarosamente, os pés descalços emitindo um barulho quase mudo contra o chão de granito polido, analisando todos ali. Dois dos quatro alfas pareciam mais jovens que Altair. Ele sem dúvida parecia ser o mais velho e mais sábio, a qual os outros respeitavam. Todos se reuniam em pé, próximo a um dos tronos enquanto pareciam decidir alguma coisa que foi interrompida por sua presença.

Zola parecia menos machucada do que antes, provavelmente por causa da regeneração extra provida pela lua. O seu comparsa permanecia sem braço, mas o sangramento tinha sido estancado e um curativo já tinha sido feito, amarrado firmemente ao seu ombro.

Cansado do silêncio mórbido, começou.

—Olá, Zola. – A voz da besta saia ácida e com asco. — Gostou das consequências de drogar minha companheira?

Ela tremeu intimidada por sua voz sinistra e pela força de sua aura que a esmagava contra o chão.

—Ela drogou alguém? – Um dos alfas perguntou.

Aparentemente eles ainda não estavam a par de toda situação.

Altair suspirou com raiva, mas não se virou para prestar atenção neles. Seu foco era em Zola.

—É o que parece. Ela e Quirion estavam disfarçados de garçons na festa. Encontramos Ginseng com eles.

Parou na frente da ruiva que ergueu os olhos do chão para encará-lo.

—Por que queriam pegar minha companheira?— O tom foi diferente de antes, era seu tom de alfa.

Observou com deleite os olhos dela se tornarem desesperados e repletos de medo quando as palavras simplesmente começaram a sair por sua boca.

—Meu alfa soube que foram vocês que o impediram de pegar a ômega. Ele ficou irritado por que a queria. Ele também já tinha visto sua companheira no festival, mas não podia fazer nada na cidade, então ele nos ordenou que a pegássemos na festa para que pudesse tê-la no lugar da ômega, já que ela estaria protegida demais para a pegarmos de volta. Parecia uma captura fácil.

Ela levou a mão aos lábios com assombro. Via de regra, mesmo que outros alfas tivessem influencia sob si, sua obediência e lealdade pertenciam a um só. Estava chocada que tivesse obedecido e traído a confiança de seu alfa com alguém que nem era um lobo. Tinha sido compelida a responder por seu instinto.

Então Lucy tinha captado bem. Maximus queria estupra-la. O motivo, tinha descoberto agora, era desejo e vingança.

Suas veias se encheram de adrenalina com o desejo de caçá-lo, sua boca lotou de veneno e sua língua desejou o sangue dele entre seus dentes. Fechou os olhos quando um rosnado brutal ecoou pelo salão. Poderia parecer estar calmo, mas fervia por dentro.

Contrariando qualquer instinto de sobrevivência, Zola gritou:

—Eu não entendo! Por que você escolheu alguém? Ainda mais alguém como ela? Uma humana qualquer e inútil!

Ela nem conseguiu reagir quando chutou seu maxilar, sentindo-o trincar. O corpo dela voou até o outro lado do salão e bateu contra a parede. Ela ainda estava viva mas não conseguiu se mexer ou se levantar.

Virou-se lentamente para os quatro alfas. Altair se manteve firme, mas os olhos dourados revelavam sua dificuldade em não se transformar com o instinto de se defender.

—Devo pedir minhas sinceras desculpas. Não imaginei nem por um segundo que nosso convidado fosse ser visado por um dos nossos. Maximus já fez coisas problemáticas antes, mas nunca chegou a algo deste nível.

—É, fui eu que mandei eles trazerem a vadia gostosa pra mim. Algum problema com isso?

Entrando no salão com arrogância, um sorriso debochado e liberando sua aura de alfa, Maximus parecia não ligar para as consequências de suas ações. Passou a língua nos dentes. Iria amar arrancar o sorriso daquele idiota de cabelo colorido que o fazia parecer um frango.

—Maximus! Isso é inconcebível! O que você fez é imperdoável. Passou dos limites! – Um dos alfas falou.

Ele parecia realmente revoltado e prestes a se transformar. O garoto arrogante riu com deboche.

—Ah é? E vocês vão fazer o que? Amam demais suas preciosas regras e não vão atras de uma guerra comigo por que sabem que sou aliado dos Wyverns do norte.

Essa era a única razão para não terem dado um jeito naquele garoto a mais tempo, optando por fazer apenas controle de danos colaterais quando ele aprontava. Ele tinha uma aliança de alguma forma com as feras aladas do norte. Talvez as quatro matilhas unidas ganhassem a guerra, mas a que custo?

—Basta! – Altair ordenou, sua aura alfa conflitava com a do garoto. – Isso já foi longe demais, garoto. Essa foi a gota d’água.

Ele bufou.

—Até parece. Ela e só uma humana inútil que veio aproveitar o festival. Eu só ia acelerar o processo. Ela pegou o que era para ser meu e eu ia pegar algo de volta.

Acnologia gargalhou. A rizada era seca e fria. Ria por causa da soberba dele e de sua estupidez. Já tinha conhecido pessoas burras, mas aquele se superou. A rizada chamou a atenção de todos. Irritado com o seu riso, ele perguntou com raiva:

—Qual a graça?

Abanou a mão em negação.

—Só estou surpreso que a única coisa que impediu esses caras de se livrar de um idiota como você fosse um bando de galinhas voadoras do Norte.

Ele aprumou o corpo, irritado pela forma que falou. Isso o lembrava de uma criança birrenta.

—Wyverns são criaturas poderosas e eu também sou, seu imbecil. Você que é o idiota por nunca ter visto o poder de um.

Ok, cansou de joguinhos. Seus olhos ficaram ainda mais rubros e sua voz ficou ríspida.

—Ponha-se em seu lugar, pirralho.

A aura de alfa saiu, suprimindo a dos cinco. Maximus cambaleou para trás e seu sorriso arrogante morreu.

—Você tentou estuprar minha companheira e achou que sairia daqui sem consequências? Que gracinha. Pelo menos me polpou o trabalho de ir atras de você para te enterrar.

A forma calma como suas palavras saiam faziam o lobisomem recuar mais e mais. Sua feição endureceu quando falou com o tom de autoridade.

—Transforme-se, cachorro.

E ele se transformou, seguindo seu instinto de autopreservação. O enorme lobo com pelagem rubra e olhos dourados fortes de quase cinco metros de altura. Ele se apoiava nas pernas musculosas ficando ereto, os dentes enormes foram expostos com um rosnado de aviso.

Seu punho se chocou com força contra seu estômago peludo, arremessando-o porta a fora, caindo a bons 30 metros de distância de si. Ele nem conseguiu reagir. Decepcionante. Andou até ele de forma lenta e descompromissada.

—Você é tão arrogante. Achei que tinha algo mais a oferecer. Mas pelo visto é só um cachorro que late e não morde e depende de humilhar aqueles que são mais fracos que você.

O enorme lobo se ergueu nas quatro patas e rosnou, se atirando em sua direção. Desviou apenas o necessário de suas garras e colocou uma boa quantidade de força no braço direito, atingindo-o direto na mandíbula. Pode sentir os ossos dele se quebrando contra seu punho antes que ele saísse voando pelo jardim outra vez, batendo contra uma moita bem podada e que foi arruinada com o choque.

Inclinou a cabeça ao observá-lo se levantar de novo e colocar a mandíbula no lugar. A ferida se curou razoavelmente rápido. Bom, a lua amplificava os poderes deles, significa que aquilo não acabaria rápido desde que evitasse um golpe letal. O desejo pelo sangue molhou sua língua.

—O que você é?

Finalmente! Ora bolas, ele só precisou ser espancado primeiro para se questionar com quem estava lidando. Que gracinha.

—Um dragão! – Zola apareceu na porta, escorada no beiral, o sangue ainda escorria por seu corpo. – Alfa, ele é m dragão!

Os olhos do pirralho se arregalaram com a informação e sua postura mudou para algo mais sério e defensivo. Bom, não fazia mais sentido esconder.

Se transformou na forma humanoide. As escamas negras cobriram seu corpo, ganhou altura e seus músculos se encheram de energia. Esticou a calda longa e as asas que ficaram guardadas durante muito tempo. Não havia as listras azuis que Lucy gostava, só havia a escuridão. A única coisa que o destacava no escuro da noite eram suas presas brancas que saltavam com seu sorriso macabro e os olhos vermelhos sangue.

Apesar de arrogante, Maximus ainda era parte animal e seus instintos gritavam para achar uma forma de se defender.

—Você não pode me matar! Seria quebrar o tratado. Além disso os Wyvernes viriam para me vingar!

Riu. A rizada rouca ecoava pela noite como o tilintar de um demônio.

—Aquelas galinhas gigantes? Seu mensageiro pode falar para eles que Acnologia fará uma visita em breve.

O nome fez o rosto de todos empalidecer. Não havia ninguém que já não soubesse da sombra negra que protegia Fiore. Este foi o apelido que ganhou depois de dizimar uma infantaria invasora que vinha como batedor do reino vizinho, em busca de conquistar as minas de cristal. As asas enormes cobriram o batalhão com trevas da qual não puderam escapar. O dragão negro do apocalipse, que agora voava pelos céus do reino como um protetor jurado da paz naquele lugar e destroçava qualquer um que entrasse no caminho.

Ele não teve tempo de formular alguma outra coisa. Seu punho se chocou outra vez contra a cara do lobo. Era rápido demais para que ele conseguisse se defender. Antes que caísse na terra de novo, Acnologia estava lá, chutando suas costelas. Sentiu os ossos se quebrarem deliciosamente contra a dureza de suas escamas.

O corpo enorme bateu com força contra as árvores.

—Levanta.— A voz dracônica soou ameaçadora.

Ele mal se ergueu e já foi atingido de novo. Dessa vez sentiu o osso externo da caixa toráxica se quebrar sob seu punho. Ele perdeu fôlego e cuspiu sangue antes de bater as costas contra um arabetto. A pobre arvore tremeu com o impacto, mas conseguiu se manter no lugar.

—Levanta.— Repetiu.

Enquanto ele tentava se levantar ele falou:

—Eu não sabia que ela estava com a sombra negra. Não foi minha intenção.

A raiva o fez trincar a mandíbula e inflar as narinas. Pegou-o pela cabeça, fincando as garras em sua orelha. Ele ganiu de dor, tentando tirar sua mão de lá. Suas garras de lobo ou força não eram nada perto de suas escamas e força bruta.

Puxou a orelha peluda para perto de seu rosto.

—Não teve a intenção?— Repetiu ácido.

Chutou seu peito com força. Por não largar sua orelha ela foi arrancada, separada do resto do seu corpo enquanto ele era arremessado contra outra árvore. O ganido estridente de dor poderia ser ouvido a quilômetros.

O sangue do cachorro espirrou contra todo o seu corpo. Largou o pedaço de cartilagem flácida no chão, andando em sua direção com dureza.

—Você teve a intenção, teve tanto que o fez seus subordinados a drogarem e a levarem para você como se fosse um prêmio. Você só se arrepende agora por que descobriu que ela é minha companheira. Em nenhum momento você pensou que o que fazia era errado, por que, na sua mente deturpada, o pirralho mimado pode ter tudo. Um alfazinho de merda que acabou de sair das fraldas pensando que tem algum poder neste mundo e que tudo está a seus pés.

Chutou outra vez a lateral de suas costelas. Pode ouvi-las quebrar com um estalo. Ele bateu contra a muralha de pedra antiga do castelo, derrubando parte do musgo em cima de seus pelos vermelhos. O sangue marcou a parede com o impacto.

—Se ela não fosse minha companheira você não estaria falando isso. O seu problema não é drogar e estuprar alguém, o seu problema é que sem querer você mexeu com alguém mais poderoso do que você pode aguentar. – As palavras saiam envenenadas pelo ódio e pelo asco de sua boca, fervendo como ácido.

Sentia nojo dele e iria se vingar.

—Desculpe. – Ele ganiu sentindo a dor nas costelas enquanto tentava se levantar.

Seu punho acertou a boca dele com tanta força que não só a mandíbula se quebrou de novo como se deslocou. Ele caiu contra o chão provocando um ruido alto de impacto. Pisou em cima de suas costas, agachando-se e agarrou os pelos de sua cabeça, puxando-a para cima enquanto suas garras entravam em sua pele. Chegou perto de sua orelha não decepada e o olhou nos olhos quando falou:

—Você tenta estuprar minha companheira como parte de uma vingancinha ridícula por não conseguir o que queria e ainda pede desculpas?!— A voz saiu seca como navalha, mais carregada de raiva do que antes e tenebrosa ao ponto de arrepiar cada pelo daquele lobo maldito.

Ergueu seu corpo inteiro pela cabeça e enfiou o joelho na boca de seu estômago. As costelas que ainda não tinham quebrado se quebraram entrando para dentro de seus pulmões. Ele bateu contra outra arvore, mas dessa vez ela se quebrou com o impacto e parte de suas farpas de madeira entraram em suas costas.

—Levanta! – Vociferou.

Foi ai que Maximus entendeu. Pode ver nos olhos dele quando se encheram de algo a mais do que medo. Estava aproveitando a regeneração rápida dos lobisomens e o fato de que ela era ainda mais poderosa durante a bruma e a lua cheia para espanca-lo. Iria quebrar todos os ossos dele, de novo e de novo, evitando apenas golpes fatais, em uma demonstração brutal e unilateral de força até que se sentisse satisfeito.

Foi ai que o alfa se encheu de pavor.

Ele mal estava de pé quando o socou de novo, quebrando outra parte de sua mandíbula que mal tinha se curado. Tentava se lembrar que ele precisava se curar para que pudesse quebra-lo de novo, mas era difícil controlar a força e a raiva que jorravam em suas veias.

Em um dado momento ele caiu sob seus pés. Pisou em cima de seu pulmão. Ele urrou de dor. Seus olhos o analisaram procurando mais áreas para machucar enquanto as outras se regeneravam O órgão fálico coberto de pelos o fez grunhir. Ele tinha orgulho de estuprar e humilhar os outros não é?

A ponta afiada de sua calda desceu e o decepou. O sangue jorrou para todos os lados e ele gritou mais alto do que antes e achou forças em seu desespero para se livrar de sua pressão e correr. O observou correr aos tropeços com o braço dianteiro totalmente quebrado e fora do lugar enquanto o sangue jorrava de suas pernas e dos inúmeros ferimentos que fez em seu corpo.

Ele foi na direção da lagoa e pulou em uma lancha, cortando a corda de ancoragem com as garras afiadas e empurrando-a para longe do deck.

Maximus riu, parecendo aliviado.

—Eu vi os jogos mágicos. Dragões e caçadores não conseguem subir em veículos, não é? — Gritou ao longe no lago.

Sorriu pra ele por sua ingenuidade, expondo todos os dentes afiados e brilhantes. Seu sorriso de lobo morreu quando viu algumas chamas escapando pelas frestas de seus dentes.

Uma quantidade enorme de chamas azuis e negras saiu de sua boca, atingindo a embarcação em cheio. Não importava que ele tivesse tentado pular na água. As chamas evaporaram e queimaram tudo o que encontraram em um diâmetro colossal de 5 metros. O lobo foi completamente queimado, sem nem mesmo restar as cinzas e explodiu.

O lago antes calmo foi atormentado por ondas grandes em sua superfície. Ele era o 3 maior lago de Fiore e as ondas se estenderiam por alguns quilômetros. Onde o barco estava só restava um buraco que rapidamente foi preenchido pela água.

Virou-se para Zola. Ela caiu de joelhos no chão, com os olhos arregalados refletindo o mais puro pavor e dor. Ela não só sentira a perda se seu alfa como sabia que era a próxima que ia matar. As lágrimas escorriam em seus olhos por que seu instinto lhe dizia que iria morrer e não havia nada que pudesse fazer contra aquele poder colossal.

A morte batia a porta.

Altair se posicionou a frente de Zola.

—Acnologia. – Ele começou. Sua voz tremia de medo, mas ele se manteve firme. – Minhas mais sinceras desculpas pelo que aconteceu com sua companheira em meu território. Gostaria de prover o que fosse necessário para que ela se recupere. O que precisar basta dizer. – Ele pigarreou. – Entretanto me permita fazer um pedido egoísta: Deixe esses dois vivos.

O rosnado em seu peito fez os quatro alfas tremerem. Eles testemunharam em primeira mão o que aconteceria com eles se ficassem em seu caminho. Maximus podia ter sido arrogante, mas não era fraco. Ele tinha se tornado alfa por uma razão.

—Por que eu deveria?— Perguntou com asco.

—Precisamos oferecer alguém para punição. Precisamos deles para estabelecer quem mais esteve envolvido e retomar a ordem na quinta matilha. Garanto que vou fazer o assassinato do quinto alfa não se tornar um problema para vocês dois, mas pra isso preciso deles vivos para servirem de exemplo. Tem minha palavra que serão punidos de acordo.

O encarou. Não queria mantê-los vivos, mas Altair tinha razão. Precisava de bodes expiatórios para o que aconteceu hoje e não queria que Lucy se preocupasse com mais uma confusão com o conselho. O bem estar dela era mais importante e já tinha se vingado da raiz do problema.

—Mantenham seus lobos longe e na coleira. – Avisou antes de sair, voltando para sua maguinha.

~*#*~

Lucy finalmente acordou quando a colocou na cama do chalé. Ela ainda estava nua e embrulhada no edredom fofinho que a tinha envolvido quando saiu do castelo. Sorriu pra ela e tirou alguns cabelos de frente de seu rosto.

—Oi. – Sussurrou baixinho, agachado para ficar em sua linha de visão. – Está se sentindo melhor?

Ela fechou os olhos e de espreguiçou, gemendo de preguiça e se enfiando mais no travesseiro antes de falar com os olhos ligeiramente abertos.

—Sim. Acho que estou com fome, mas estou cansada e dolorida demais para comer. Quero dormir.

Sorriu.

—Durma. Quando acordar vamos embora pra casa.

Seus olhos perceberam a luz que vinha da janela.

—Já é de manhã? – Suspirou pesado. – Temos que resolver as coisas com a matilha.

—Já cuidei disso. – Respondeu afastando um pouco a coberta para se deitar ao seu lado.

—O que você fez? – Ela acusou, certa de que aprontara alguma coisa enquanto estava apagada.

—Vou explicar quando estiver descansada.

Suas mãos passaram por sua barriga desnuda, puxando-a contra seu peito. Quando seu dedão passou pelo hematoma dolorido embaixo de seu peito ela tremeu, dessa vez de dor.

—Tire suas mãos daí, maníaco. – Ela resmungou

Suspirou apoiando a testa em seu ombro e fechando os olhos.

—Lucy... eu não sou uma máquina.

~*#*~

Alguém poderia facilmente confundi-la com uma velha de 150 anos pela forma que andava. Não havia uma única parte de seu corpo que não doesse. Teve de usar uma calça legging para cobrir as marcas em suas cochas e evitar perguntas e olhares questionadores.

Acnologia não estava muito diferente, com sua cara pálida e os passos se arrastando pelo chão, mas acreditava que era por causa da viagem de trem.

Quando entraram na guilda tinha certeza de que pareciam dois cadáveres. Queria ir embora pra casa, mas precisavam entregar o comprovante da missão e queria com todas as forças pedir a Wendy que lhe ajudasse.

—Foi atropelada na volta Blondie? – Para sua surpresa Sting estava lá, batendo papo no bar.

Viego e Isolde estavam ao seu lado, juntamente com seu gato falante.

—Há, há. – Falou com desanimo antes de empurrar o papel com o carimbo de conclusão da missão. – Aqui está Mira.

E usando suas forças restantes, caiu de costas no puff na lateral do bar, sendo seguida por Acnologia.

—Wendy está aqui?

—Está. – Mira respondeu ao pegar o comprovante. – O que aconteceu com você?

Suas bochechas coraram.

—Nada. – Disse seca. – Pode chama-la por favor?

—Ore, ore. – Cana começou com o tom jocoso, colocando a bebida no balcão. – Como uma missão de roubar metal de mariscos pode ter acabado com dois dos magos mais fortes da Fairy Tail desse jeito? -Ela já começava a especular.

Nenhum dos dois respondeu.

—Lucy? – Wendy chegou ao salão e lançou um olhar preocupado para a maga. Por estar sempre com Acnologia os cuidados de um curandeiro quase nunca eram necessários. – O que aconteceu? – Perguntou chegando perto.

Lucy corou como uma cereja e soltou um suspiro forte.

—Apenas me envolvi em encrenca. Pode me curar por favor? Meu corpo inteiro ta doendo.

—Pra te tratar melhor eu preciso ver o que está provocando a dor, Lucy.

Ela tinha razão. Morrendo de vergonha e engolindo o ultimo grão de dignidade – apenas por que realmente não aguentava mais sentir tanta dor dos hematomas – tirou a jaqueta e ergueu a camiseta até a borda dos seios, mostrando sua barriga e parte das costelas.

As marcas avermelhadas das mãos de Acnologia agora estavam rochas com leves toques de vermelho. Havia marcas de dedos em seus seios, costelas, barriga, bunda e quase todo lugar. Os dentes dele também marcaram várias partes de sua pele e alguns chupões em seu pescoço também latejavam. Tinha disfarçado eles com maquiagem.

—Pelos Deuses! Vocês passaram a semana inteira transando? – O comentário incrédulo de Cana vinha acompanhado por uma gargalhada alta e incessante.

Ela se curvava no tamborete e colocando a mão na barriga de tanto rir. O chicote mágico agarrou o pé da cadeira e puxou. Ela caiu no chão e não parou de rir. Por outro lado, Lucy gemeu de dor por causa do movimento brusco que fez os hematomas doerem ainda mais.

—Nossa Blondie, eu já tinha ouvido falar que vocês dois eram fogosos, mas isso... – O salafraio nojento do Sting Eucliff entrou com Cana na intensão de rir e zuar com sua cara.

Mandou um olhar de ódio para o caçador.

—Eu fui drogada com afrodisíaco, idiota! – Ralhou ácida, jogando uma almofada na cara dele.

Isso os fez parar de rir por um momento. Nenhum deles acreditou que algo ruim tinha acontecido, podiam atestar que o dono daquelas marcas no corpo de Lucy era Acnologia, justamente pelo fato de que sabiam que ele não deixaria nada de ruim acontecer com Lucy, como um estupro, caso contrário já teriam ouvido nos jornais antes deles chegarem que a península exótica onde os lobisomens abitavam tinha desaparecido do mapa. Mas Acnologia também não drogaria sua companheira com afrodisíacos.

—Você está bem? – Isolde perguntou preocupada.

Lucy suspirou de alívio quando Wendy começou a curá-la e aliviar as dores.

—Sim. – Respondeu mais calma.

—O que aconteceu? – Macrov apareceu, parecendo indeciso se pegava uma bebida no bar para digerir a notícia.

Acnologia já o tinha percebido, ouvindo tudo do segundo andar.

—Um alfa idiota tentou droga-la com Ginseng, por que achamos uma ômega que ele perseguia no meio da floresta e não deixamos ele estupra-la e entregamos pra outra matilha. – Respondeu por Lucy, seco. – Ele achou que seria uma forma divertida de se vingar.

O mestre levou a mão a divisão do casaco, passando a mão pela dobra enquanto ponderava se pegava o whisky que estava lá ou não. Erguendo uma sobrancelha, ele perguntou.

—O bastardo está morto?

Podia odiar se envolver em problemas com o governo, mas Macrov se envolveria em quantos fossem necessários para defender suas crianças. Embora não tivesse falado, ficou subentendido que a única razão para drogar Lucy com Ginseng era para estupra-la. Isso também explicava as marcas no corpo dela, sem que tivesse que delongar muito e ela se envergonhar por ter o assunto exposto.

—Não sobrou nem as cinzas. – Respondeu com satisfação.

—Bom. – O mestre aprovou. – Tem algo que eu deva me preocupar ou me preparar?

Balançou a cabeça negativamente.

—Os outros quatro alfas já queriam se livrar dele. Ele estava causando confusão em Vaneia com outras espécies. Me disseram que não será um problema.

O mestre balançou a cabeça positivamente e tirou a mão da abertura do bolso do casaco, chegando a conclusão de que não precisaria do álcool.

—Vou precisar de um relatório, apenas como garantia. Me entregue quando estiverem melhores.

Acnologia concordou. Após uma pausa, Macrov se viu obrigado a perguntar baixinho.

—O cachorro fez algo com ela?

O dragão riu seco e sem humor.

—Se esse fosse o caso, aquela península não existiria.

Ele suspirou.

—Eu precisava tirar a possibilidade da minha consciência. – Se defendeu. – Ela está bem?

Murchou os ombros.

—Se assustou, obviamente, mas está bem.

O Mestre balançou a cabeça positivamente e logo saiu sorrateiro, da mesma forma que tinha entrado.

Isolde se aproximou de Lucy enquanto observava Wendy curá-la.

—Eu nunca pensei que lobisomens fossem tão problemáticos. -Comentou.

—Alguns são gente boa.

—Conheci algumas uma vez. – Sting comentou e estremeceu. – Aquela coisa de obediência ao Alfa... Urg! Credo. Chega a dar arrepios.

Empurrou seu puff um pouco para longe, deixando que os amigos de Lucy a entretecem e a provocassem para que ela contasse mais sobre como foi a missão. O ato fez seus músculos arderem de dor. Travou os dentes, sentando-se e passando a mão no rosto e na nuca.

Viego tinha percebido isso. Ele se aproximou, ficando em pé ao seu lado enquanto analisava seu estado patético.

—Consequências da marca por feri-la? – Ele adivinhou certeiro.

Não tinha como ser muito diferente, já que durante os treinos de sua Unison Ride partes de sua memória iam para a mente dele e vice versa. Essa informação era só mais um fragmento que saiu.

—É. – Murmurou cansado.

Doía pra porra. Tudo que Lucy sentia de dor era multiplicado umas 10 vezes mais em si. Sentia como se tivesse levado uma surra em um ringue. Não tinha falado nada pra ela por que não queria que ela se sentisse ainda mais culpada pelo que aconteceu e por ter tomado a droga da bebida. Preferia dizer que era por causa da longa viagem de trem. As vezes mentir era necessário.

—Achei que isso só funcionasse se a machucasse por querer. – Ele comentou baixo e curioso.

Bufou com pesar.

—Não. Nem de longe. Pode demorar a vir mais vem, sendo intencional ou não. Começou depois que saímos daquela bosta de reserva. – Falou, voltando a se deitar e tentar achar uma posição confortável no estofado enorme.

Quando sentiu que Lucy não estaria mais em perigo a dor começou. Foi um porre.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Pendendo o rosto para o lado, Viego perguntou gentilmente.

—Tem algo que eu possa fazer para ajudar?

Fazendo uma carinha de cachorro e não deixando a oportunidade divina passar, falou:

—Eu trouxe ostras e mariscos. – As palavras saíram como se fosse um pedinte.

Viego riu. Já estava acostumado com Lucy e Acnologia fazendo de tudo para invadir sua casa toda vez que fazia uma refeição. Não se importava nenhum pouco com isso. Era uma maneira prazerosa e engraçada de pagar um pouco de sua dívida, além disso as habilidades de caça do dragão eram assustadoras. Podia cozinhar iguarias para Isolde que, mesmo nos tempos que era rei, eram imensamente caras e difíceis de conseguir. Por outro lado, aquela besta maluca que chamava de amigo podia encontrar qualquer coisa ou criatura que saísse de sua boca para fazer de jantar. As habilidades de caça de Acnologia eram assustadoras.

—Vou fazer um jantar legal pra todo mundo então. Elas estão congeladas?

—Não, estão no anel.

A dimensão sub espacial fazia com que alimentos ou materiais ficassem parados no tempo, nunca estragando.

—Bom. Vou pegar uns ingredientes e aparecer na sua casa mais tarde.

Poder comer uma comida divina e estar de volta em casa onde poderia dormir como uma pedra até que as consequências daquela missão passassem era um alívio enorme.

—Valeu.

É a própria mente do homem, não seu inimigo ou adversário, que o atrai para os maus caminhos

Notas finais
Vamos as considerações finais. Primeiro queria agradecer aos comentários de vocês que sempre me deixam com vontade de continuar a escrever. Muito obrigada por isso. Eles foram incentivadores (a maioria pelo menos) Segundo, esse cap ficou realmente grande. Tive que dividir em 5 partes p vcs verem como e grande. Como eu disse antes, uma das minhas leitoras está traduzindo minha historia para postar ela em inglês. (inclusive to devendo um cap especial p ela QUE ELA AINDA NÃO ME DISSE O QUE QUER. Exposed ao vivo) Por isso, estou refazendo os primeiros capitulos que estão bem ruins e muito mau feitos. Nos proximos dias vou estar atualizando eles e melhorando a escrita. Quem quiser dar uma olhada fique a vontade. Para me ajudar com isso e pra eu dar alguma remuneração p essa santa que apareceu na minha vida p traduzir eu vou abrir um Ko-fi. Dessa forma quem quiser dar suporte ao projeto vai poder ajudar da forma que quiser. Por fim, eu estou escrevendo um livro. Decidi continuar a historia original que estou fazendo e criar algo bem legal. Vamos ver se vai pra frente. No mais vou liberando aos poucos os caps que escrevi, e depois dos próximos 2 caps eu vou focar mais na outra fanfic Acnolu que lancei e no livro que estou escrevendo. No mais obrigada a todos que me acompanham, seguem e gostam das minhas historias. Vocês me ajudaram muito e espero poder continuar escrevendo e trazendo coisas ainda melhores para vocês. Obrigada.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.