A Arte do Caos

41 Um futuro empolgante.


O restaurante tinha uma interessante fachada de pedra com madeira e uma porta um pouco estreita para os padrões da cidade. Normalmente elas eram altas, já que os lobos eram naturalmente muito altos, mas aquela era menor, embora a madeira maciça fosse bem robusta.

—Ora, Acno, vamos dar uma chance. Esse é uma das poucas missões que temos que, além de pagar bem, podemos ter o resto do dia inteiro de folga. Vamos aproveitar um pouco!

Torceu a cara.

—Não acho que a recomendação de uma bola de pelo seja útil. Ontem você viu que tipo de pessoa eles são.

Ela revirou os olhos.

—Ontem foi um dia muito bom até aquele momento. Não deixe um punhado de lobos idiotas estragarem nossa diversão. Além disso você não pode por todos eles no mesmo balaio. Sem falar que o cheiro da comida parece realmente muito bom.

Isso não podia negar. O cheiro contaminava a rua, começando a chamar clientes para almoçar. A fila começava a se formar.

Tudo bem, tinha que parar de ficar rabugento ou seria insuportável.

Entraram no lugar.

O teto era baixo, as mesas eram rústicas e em sua maioria redondas e próximas a parede. Ao invés de cadeiras havia um sofá que acompanhava a circunferência da mesa formando um C. Separando uma mesa da outra um pequeno veio retangular de um jarro florido de 20cm de largura, que davam até um charme a mais. No centro do lugar um bar com um balcão rústico e tamboretes autos chamava a atenção.

Escolheram uma mesa pequena, mais ao fundo, sentando-se no sofá confortável. Animada com a atmosfera antiga e aconchegante, Lucy fez os pedidos de acordo com as recomendações da garçonete simpática.

A cortesia do restaurante era uma entrada de ostras com limão, muito frescas e temperadas.

Enfiou uma na boca. A textura o lembrava muito gelatina, só que salgada e com um toque de limão. O gosto era bom.

Lucy por outro lado comia aquilo como se fosse algo impressionante.

—Hummm. Que delícia! Nunca tinha comido ostras. Bem, não essas pelo menos.

As vezes esquecia que era velho e que experimentar algo novo era raro, mas a maga por outro lado não tinha tanta experiência assim. Ela se divertia com sabores desconhecidos.

—Aposto que Viego consegue fazer melhor.

Ela balançou a cabeça afirmativamente e engoliu mais uma ostra.

—Concordo.

Ela se aproximou, ficando ao seu lado no sofá e se encostou contra seu peito, folgada e relaxada. Passou o braço por seu ombro.

—Depois que quitarmos tudo, podíamos pegar umas férias e ir para algum lugar com muitos restaurantes gostosos e cachoeiras.

Gostou da idéia de férias. Tomou um gole da água antes de falar.

—Vamos gastar uma fortuna em restaurantes. — Concluiu. — Praia?

Ela torceu a cara.

—Não. Chega de praia. Cachoeiras, bem melhor. Mas eu quero mesmo é uma viagem gastronômica.

Ponderou sobre o assunto.

—Em um hotel com piscina privativa. — Sugeriu.

Ela sorriu, os olhos brilhando por entender onde queria chegar. Seu pequeno fetiche.

—Fechado. Mas vamos ter que trabalhar como cachorros para pagar algo assim.

Se fossem comer em restaurante todos os dias e ter uma viagem de burguês, com certeza teriam. Entretanto...

—Já estamos trabalhando como cachorros. Um pouco mais de missões absurdas que pagam bem não faz diferença.

Ela balançou a cabeça concordando.

—Mais alguma exigência senhor?

Pensou um pouco.

—Você não pode contar pra ninguém que vamos viajar até o momento de estarmos indo embora.

A sua testa enrugou com o seu pedido, totalmente confuso.

—Por que?

Revirou os olhos.

—Lucy, se você contar pra Levy ela vai contar para Mira. Se você contar para Mira ela conta para Cana e Cana conta pra todo mundo, e todo mundo inclui Natsu, que vai querer vir também e no fim das contas vai vir a Fairy Tail inteira junto nas nossas férias, o que significa confusão. Foi assim no ano novo e nós tivemos que pagar uma grana preta por que os idiotas destruíram o deck.

O nariz fino se enrugou quando se lembrou desse detalhe. Seus amigos não possuíam limites e não conheciam o conceito de privacidade. Amava a Fairy Tail e o jeito excêntrico deles, mas as vezes era bom simplesmente ter um pouco de paz, SOZINHA.

—Tudo bem, você tem um ponto. Vou fazer umas pesquisas.

E voltou a saborear os aperitivos.

Algum tempo depois ela se levantou e foi ao banheiro.

Tomou um gole de suco de laranja, sorrindo consigo mesmo. Uma viagem não seria nada mal, mas sua mente ia ainda mais longe. Os últimos anos foram, sem dúvida, os melhores anos de sua vida. Parecia que estava em um paraíso. Tinha uma vida boa – trabalhosa, mas boa – bons amigos e um lugar para chamar de lar.

Essa estabilidade lhe trazia muito mais conforto do que imaginava. Finalmente conseguia entender melhor as decisões de Zeref de viajar o mundo com Mavis.

—Acnologia?

Não reconheceu a voz, mas virou automaticamente ao ter seu nome chamado. Rostos podiam mudar, vozes podiam mudar, mas o cheiro era uma constante.

Enrijeceu quando viu a mulher ruiva de olhos verdes claros. Alta, os cabelos vermelhos longos presos em um rabo apertado, usando um casaco de pele, botas de cano alto e uma calça jeans apertada, a lincantropa sorriu, destacando ainda mais suas sardas. Seu sorriso não era amigável, era safado e desejoso.

Não se lembrava do nome dela e nem fazia questão, mas se lembrava do cheiro e de que a comeu durante uma bruma. Não só ela, mas suas amigas também.

É, lobos viviam entre 200 e 250 anos mais ou menos e só começavam a envelhecer em suas últimas décadas de vida. Fazia sentido que ela, que era adolescente recém transformada, ainda estivesse bem viva e adulta.

O sorriso dela vacilou quando ela viu que a tinha reconhecido, mas não falou seu nome e nem a respondeu. Fingindo não notar, ela mudou para um sorriso descontraído e disse:

—Sou eu, Zola. Lembra de mim? Você esteve aqui a séculos. — Ela se aproximou de sua mesa, mostrando um comportamento amigável.

Apertou os olhos.

—O que você quer? — Foi seco e direto.

Mas já sabia o que ela queria. O cheiro desejoso que ela emitia de cão no cio revelava suas intenções de seduzi-lo. Sua tentativa apenas o fazia dar ouvidos ao seu lado mais violento, de esmagar sua cabeça na mesa de madeira maciça.

Ela percebeu que não estava para joguinhos e finalmente revelou as cartas.

—Nos divertimos muito da última vez que você esteve aqui. — Ela disse em uma voz manhosa, sentando-se na parte do sofá do outro lado da mesa, sem sua permissão. — Eu me lembro de você até hoje sabia?

Infelizmente se lembrava dela também agora, mas não por motivos bons. Aquela época ele era muito mais animal do que humano. Simplesmente achou divertido se drogar com a bruma dos lobos e entrar na loucura sexual. Zola, a pobre adolescente recém transformada em sua primeira bruma, desesperada para saciar seus desejos lupinos, foi uma das muitas que comeu ao longo dos séculos. Ela não fazia seu tipo nem agora nem na época. Só a comeu porque estava muito, mas MUITO MESMO, doidão.

Estava bêbado de álcool e chapado pela bruma. E ela era uma das lobas desesperadas para transar. Não foi difícil.

—Não. — Respondeu grosso. — E não te deixei sentar na minha mesa. Cai fora.

Ela fez um biquinho e se inclinou para frente, apoiando-se na mesa.

—Qual é. Você está aqui na época da bruma, por que não nos divertimos juntos? Eu não tenho um companheiro, além disso você é a melhor pessoa que já me comeu. E eu lembro como você era insaciável. Você estragou minha possibilidade de ter um companheiro. Eu não ligo de te dividir com mais alguém...

A mão de Lucy bateu na mesa, fazendo Zola encará-la. A maga sorria, mas seu sorriso não chegava aos olhos castanhos.

—Lamento informá-la, mas esse privilégio agora é só meu. Saia da nossa mesa.

Zola a encarou de cima a baixo e fez uma feição incrédula.

—Quem é você?

Estava dividido no que fazer. Lucy parecia claramente irritada com a mulher e sua vontade era de enfiar a porrada nela por ter aparecido.

Agindo como a rainha que era, Lucy andou pela borda da mesa, chegando ao seu lado e sentando em seu colo. Foi automático abrir os braços para recebê-la. Ela cruzou as pernas e os braços em uma clara demonstração de posse, fazendo algo que aquela loba jamais poderia fazer.

—Sou a companheira dele, e, caso não tenha ficado claro, ele te deu o fora. Então cai fora.

Se Zola fosse normal já teria ido embora, mas a menina ingênua de antes era uma loba adulta que vinha com todo aquele temperamento nojento deles.

—Eu sou uma guerreira da patrulha, uma oficial em missão. Abaixe seu tom para falar comigo, garota.

Isso o fez perder o resto da paciência que tinha. Seus olhos ficaram rubros e seus braços passaram ao redor de Lucy, puxando-a contra seu peito e colocando o queixo em seu ombro.

—Cala a boca.— O tom de alfa da besta era sinistro.

Zola ficou pálida e se encolheu, abaixando a cabeça e ficando submissa como se estivesse na frente do alfa de sua matilha.

—Desrespeite minha companheira de novo e eu te mato. — Não havia hesitação em sua voz.

Queria matá-la, desejava isso, mas isso estragaria o dia, a missão e a comida que chegaria em breve.

—Zola... — Outra voz masculina chamou ao longe. — Achou alguma coisa sobre quem bateu nos caras ontem?...- Um lobo apareceu e finalmente pareceu notar a situação da parceira.

A forma como ela estava pálida e encolhida na mesa lhe despertava um instinto protetor, mas ao olhar para Acnologia e seus olhos vermelhos, o homem tomou a decisão sábia de ser cauteloso.

—Algum problema?

—Não. — Lucy respondeu. — Sua amiguinha já estava de saída.

Complementando seu desejo, a voz bestial falou:

—Saia!

Ela pulou de susto, se encolhendo mais e saiu, puxando seu colega junto.

Um som dolorido e resmungado saiu de seu peito enquanto enfiava o nariz no pescoço da maga.

—Eu odeio esse lugar. — Murmurou, a voz retornando ao normal. Suspirou. — Desculpe Lucy...

—Que vagabunda! — Ela o interrompeu e logo fez uma careta, enquanto a via sair do restaurante. — Agora eu sei como protagonistas de livros de romance se sentem. Sempre achei que fosse exagero, mas aquele cabelo ruivo estava pedindo pra ser arrancado e picotado.

Quase riu, embasbacado com a mudança brusca que aquilo tomou. Pensou que ela fosse ficar triste ou chateada, mas ela estava raivosa e mudou o clima de uma forma completamente inusitada.

A raiva pela presença da mulher quase sumiu por completo enquanto via as bochechas vermelhas de Lucy, coradas pela irritação e ciúme. Teve que conter o riso quando a imaginou tramando vinganças como protagonistas de filmes adolescentes vergonhosos.

Ela lhe deu uma cotovelada na barriga quando o sentiu tremer por conter a risada.

—Pare de rir! Eu queria matar ela e esfregar a cara dela no chão.

De fato, ciúme mudava as pessoas. A sua Lucy jamais faria isso em condições normais. Gostou disso. Adorou que ela se sentisse possessiva consigo.

Ronronou, o lado bestial saindo e deixando seus olhos vermelhos outra vez.

—Posso matá-la por você. — Disse a encarando. — Gostaria muito disso inclusive.

Seus músculos contraíram de desejo com a caça prazerosa que faria. A expressão de Lucy se esvaneceu.

—Não! — Exclamou quase gritando e segurando seu rosto com as duas mãos. -Nada de matar ninguém! Quero completar essa missão, além disso a sua ex não vale esse esforço todo.

Suspirou desapontado, os olhos retornando ao azul marinho intenso.

—Estraga prazeres. E ela não é minha ex.

Fizeram uma pausa no assunto quando os pratos chegaram. Lucy saiu do seu colo e voltou a se sentar ao seu lado enquanto a garçonete colocava a comida na mesa e ignorava a forma intima como estavam sentados segundos atras.

Ela devia ter visto coisas piores com os lobos daquele lugar.

—Como não?

Revirou os olhos.

—Só porque eu transei com ela não significa que ela é minha ex. Não passei nem um dia inteiro com ela pra isso.

Lucy piscou.

—Faz sentido. — E deu uma garfada do filé para dentro.

Enquanto comiam os minutos se passavam e a dúvida foi remoendo em seu peito.

—Você não está brava comigo? — Perguntou finalmente em um fio de voz.

Ela riu.

—Acno! Com ciúmes, sim, mas brava? — Ela riu de novo de sua cara preocupada. — Eu já te disse, você teve uma vida antes de mim e, apesar de não gostar nenhum pouco de ter encontrado com ela, não existe um motivo para ficar brava com você.

Ela tomou um gole de suco e continuou.

—Eu ficaria brava se você desse bola pro papo dela, mas sei que isso não tem a menor chance de acontecer. — Ela sorriu, feliz, o que fez seu coração derreter. — Isso não tem nada a ver com o fato de você ter feito uma ligação mística de sua espécie comigo. O que temos um com o outro é solido e amo isso. Então não se preocupe à toa.

Odiava aquele lugar, mas Lucy sempre tinha um jeitinho de fazer com que se sentisse especial, não importa onde estivesse.

~*#*~

Acordou quando o sol nasceu. Ali ele nascia as 5 e meia da manhã. Lucy dormia como uma pedra em seu peito. Aquilo não era hora de acordar, principalmente com seu pau, pulsando com a necessidade de devorar sua companheira.

Suspirou apertando os olhos e os esfregando. Tinha acordado por causa das necessidades de seu corpo, necessidades essas que já deveriam ter sido sanadas. A forma como a cocha de Lucy relava em seu pau também não ajudava em nada. Ela o agarrava como se fosse um travesseiro gigante.

Com cuidado, tirou-a de cima de si sem acordá-la. Precisava de um banho frio.

A água caiu em suas costas, gelada, contrastando forte com sua temperatura naturalmente alta. Jogou água no rosto e cruzou os braços no azulejo frio, apoiando-se na parede antes de encostar a testa no pulso e fechar os olhos.

Aquela bruma era uma maldição. Se sentia mais animal do que homem quanto mais tempo passava. Odiava aquele lugar. Quanto mais tinha de Lucy mais queria tomar. Era um ciclo vicioso que aquele bust de hormônios provocava e era um porre. Gostava da primavera porque tanto ele quanto Lucy recebiam esse coquetel hormonal maluco e se esbaldavam um no outro, mas esse não era o caso agora.

O encontro com Zola também tinha piorado a situação. Queria esmagá-la pela forma que tratou Lucy, mas, como não podia fazer isso, seu desejo por violência se transformava em um desejo carnal de devorar a maga e amá-la, em uma afirmação brutal e animalesca do quanto a queria e apenas ela.

Podia sentir o corpo dolorido dela enquanto ele só queria mais. Apesar disso ela estava se divertindo em provocá-lo e acabar com ele nos últimos dias com suas confissões que tiravam seu ar.

A água fria não estava sendo tão eficaz. O desejo percorria suas veias como fogo e se lembrar de suas provocações safadas não ajudava, mas se recusava a resolver isso com as próprias mãos como um adolescente idiota. Apenas a possibilidade era frustrante. Lucy tinha matado qualquer possibilidade de sentir prazer que não fosse através dela. Maldito vício.

Dois braços finos circularam sua cintura, os seios pressionaram suas costas e as mãos suaves foram direto para seu pau, massageando toda a extensão dura que pingava de desejo. Seu corpo enrijeceu na hora.

—Meu deus! Que gelo! — Ela resmungou, estremecendo e se colando mais contra seu corpo quente em busca de calor, embora continuasse embaixo do chuveiro gelado.

Os mamilos macios raspando em suas costas fizeram seu pau pulsar entre os dedos finos.

—Lucy...

Ela deu um beijo em suas costas antes de interrompe-lo ao manobrar a mão em sua glande de uma forma que o fez gemer e fechar os olhos outra vez. Não queria que ela parasse.

Ela deu uma risadinha pela forma como se rendeu rápido, desistindo da idéia de pará-la.

—Eu já te disse dragãozinho, eu aguento a sua fome e eu amo ela.

Não pode responder. O prazer começava a se acumular forte na cabeça de seu pau, ela o manejava com maestria. Uma de suas mãos saiu do pênis rígido, começando a percorrer sua barriga, subindo por seu peito e braço até capturar uma de suas mãos que não estavam servindo de apoio para sua testa.

—Você é meu aquecedor particular. Não dá pra dormir nesse chalé frio sem você. -Ela reclamou.

Guiando sua mão até o próprio pau, ela o fez envolver a sua que trabalhava deliciosamente em masturbá-lo. Na ponta dos pés ela sussurrou em seu ouvido.

—Me diga como quer. — A voz sedutora o fez arfar.

Apertou sua mão fazendo-a apertá-lo com mais força e a fez ir mais rápido, ditando um novo ritmo focada na glande sensível. Enquanto gemia e auxiliava seus movimentos, sua outra mão continuou a explorar sua barriga, apertando os músculos rígidos e sentindo sua respiração ofegante.

Ela desceu os dedos por seu peito, passando as unhas em sua barriga, indo mais abaixo com a mão por sua pelve até chegar em seu pau, onde ela agarrou a base juntamente com o saco e o massageou.

Isso foi o estopim. Gozou na própria mão e na dela gemendo e fechando os olhos, apertando a testa contra seu pulso na parede. Os jatos brancos não paravam e cada um deles o estremecia. Tomou o ar em longas respirações profundas para se recuperar.

Lucy lhe deu outro beijo nas costas.

—Será que dá para ligar a água quente agora? Eu estou congelando pra valer.

Soltou sua mão e seu pau e abriu a segunda torneira. Em poucos segundos a água foi de gélida para morna, mas mesmo assim fez seu corpo aumentar a temperatura para esquentá-la.

—Se sente melhor?

Seu corpo estava relaxado e a tensão se foi. A carga elétrica prazerosa passando por seus músculos e lhe dando paz de espírito.

—Obrigado. — Respondeu ficando ereto, segurando suas mãos que estavam em sua barriga com carinho e virando o rosto para lhe dar um selinho. — Eu estou muito melhor agora.

Ela bocejou, afrouxando o abraço apenas para se posicionar a sua frente e abraçá-lo de novo, pressionando a bochecha contra seu peitoral e dando um suspiro.

—Tá muito cedo pra gente ficar acordado tomando um banho frio. — Resmungou.

Deu um beijo no topo de sua testa, em meio aos cabelos molhados.

—Desculpe.

Ela riu contra seu peito.

—Não seja bobo. Por incrível que pareça essa semana está sendo uma das mais divertidas que já tive. Além disso eu te acordo igual uma tarada no meio da noite quando fico bêbada.

Sorriu com a lembrança. Nas comemorações ousadas da guilda, as vezes Lucy bebia muito e ficava com tesão. Ou as vezes, quando extrapolava, ela só desmaiava de sono.

Isso significava que se ela não acordasse com uma enxaqueca estrondosa ela acordaria com tesão.

O silêncio permaneceu por vários minutos enquanto sentia o corpo de Lucy contra o seu. Respirou fundo enquanto a água caia sobre os dois, sentindo-a se apertar contra o seu peito. Era estranho o fato de que a água fazia seu cheiro ficar ainda mais intenso, mas ainda assim apagava seus rastros.

Sentiu ela cutucá-lo em suas costelas.

—Quando eu disse que estava muito cedo para tomar banho de água fria, eu quis dizer que eu quero meu travesseiro quentinho de volta. — Ela resmungou antes de bocejar.

Sorriu, fechando as duas torneiras e a pegando nos braços. Ela ficou surpresa por sua atitude, mas logo voltou a se acomodar em seus braços, encostando a cabeça em seu ombro e fechando os olhos. No caminho do banheiro até a cama, suas chamas os envolveram, providenciando uma secagem rápida.

Com o pé, empurrou as roupas que Lucy descartou pelo caminho até o banheiro e depois se deitou na cama com ela em seus braços.

—Fui reduzido a um travesseiro ambulante. — Se queixou falsamente.

Ela revirou os olhos antes de se acomodar em seu peito outra vez.

—Eu vi muitos lobisomens hoje. O que você acha que está acontecendo para que a sua ex precise fazer busca em um restaurante?

Levou a mão a sua bunda e deu um beliscão com força.

—Ai! — Gritou, levando a mão para a região dolorida e o encarando-furiosa.

Retribuiu o olhar zangado.

—Ela não é minha ex. — Pontuou, dessa vez deixando claro o quanto odiava sua fala. — Você disse que não estava magoada com isso, mas parece que não era verdade. Se continuar falando isso eu vou matá-la. — Seu olhar claramente refletia a verdade em suas palavras.

Os lábios dela se apertaram e ela respirou fundo.

—Eu não menti. Estou com ciúmes. — Admitiu rancorosa, cruzando os braços e se recostando na cabeceira da cama. — Não consigo evitar que minha cabeça fique imaginando aquela megera te tocando. Quer dizer, você teve uma vida e eu aceito isso, mas a forma como ela me subestimou e ainda foi arrogante dando em cima de você... — Ela bufou. — Deixa pra lá.

Ela se deitou e virou-se de costas para si, puxando o edredom bege sobre seu corpo.

As vezes, o modo como o cérebro de Lucy funcionava o deixava confuso. Ou melhor, não entendia seu comportamento ou o que ela queria dizer com isso. Ela estava com ciúmes, mas ainda assim continuava a irritá-lo.

—O que isso quer dizer?

Ela se encolheu, ajeitando-se ainda mais no edredom.

—Nada, Acnologia. — Respondeu seca.

Tá. Como exatamente uma manhã que tinha começado tão deliciosa acabou assim? O fato dela ter falado seu nome completo significava que ela estava mesmo irritada. Não fazia sentido algum uma vez que quem deveria estar irritado era ele, que tinha que lidar com a lembrança e temporária presença da ex irritante.

Bom, ela não era ex. A ficante do caralho.

—Lucy, não comece a me irritar e depois mandar enterrar o assunto. Isso é infantil.

Ela ficou ainda mais irritada, virando o rosto para encará-lo com os olhos ferozes.

—Infantil? -Ela questionou incrédula e em seguida bufou. — Vamos imaginar que eu tenha acabado de encontrar meu ex namorado e ele abertamente declarou que quer me comer. Você não ia surtar nenhum pouquinho?

Não. Faria pior do que surtar. Arrancaria a cabeça do sujeito, o que seria mais infantil e criminoso do que ficar emburrada. Apenas a possibilidade fez uma raiva incandescente como suas chamas correr por suas veias, e contraindo seus músculos travando a mandíbula.

Ergueu as mãos.

—Eu me rendo. – Declarou.

Querendo mudar de assunto rapidamente, pois definitivamente não queria se aprofundar nisso, falou:

—Acho que eles estão atras dessa beta, seja lá quem for essa pobre coitada que veio pra cá justo na bruma. O número de pessoas na cidade aumentou também por causa do festival. Eles têm que ficar atentos por causa do risco de algum desavisado achar que a bruma e uma brincadeira.

Sempre tinha algum idiota que brincava demais achando que os lobos eram criaturas sãs. Que tal entrar em uma orgia com lobisomens? Ótima ideia, mas uma vez que você entra não tem mais volta. Eles não são controlados o bastante para desistir no meio. Humanos não entendiam isso com clareza, por isso era difícil participar da brincadeira. Além disso a diferença na estamina deles e dos humanos era ridícula. Isso gerava alguns problemas de satisfação e durabilidade da relação. Complicado, em todos os quesitos.

—Tem um monte de Elfos. – Lucy comentou se lembrando da enorme quantidade deles nos últimos dias.

Ergueu os ombros, sem se importar.

—Eles sempre vem por causa da bruma. -Comentou se espreguiçando e se acomodando melhor na cama.

—Por que?

Sabia a resposta para a pergunta de Lucy, mas por alguma razão teve vergonha em falar em voz alta.

—Elfos são curiosos. – Respondeu evasivo.

Ela subiu em seu peito e o encarou, sentindo sua evasão.

—Defina.

Suas bochechas coraram um pouco com a vergonha, mas as palavras saíram de sua boca rapidamente.

—Elfos gostam de sexo, mas não tem libido. – As palavras aprofundaram ainda mais seu desconforto. Nem mesmo a olhou nos olhos. – Eles são curiosos e arrumam qualquer coisa que os incentive a isso. A Bruma dos lobos os afeta, então eles aproveitam pra usá-la.

As palavras saíram rápido de sua boca.

Elfos eram inteligentes, curiosos, uma raça anciã respeitada e temida por todo o continente. Sua espécie tinha um contato sobrenatural com a natureza e a magia, e eles amavam o conhecimento e a junção disso com o mundo espiritual. Apesar de viverem séculos eles sempre tiveram esse problema. A estabilidade do controle de mana deles era o que fazia seus corpos serem tão congelados e imutáveis.

Eles eram o oposto dos Dragões. Se dragões possuíam grandes quantidades de magia que faziam circular por suas veias aos montes, deixando que o fluxo vorás fosse completamente dominado por aquilo que sentiam, os elfos eram cubos de gelo metódicos, calculando cada fibra de mana em seus corpos e jamais deixando a mana ser contaminada pela voracidade dos sentimentos.

Isso não significava que eram menos poderosos. Cada natureza de magia tinha suas fraquezas e forças. Dragões eram imprevisíveis e incapazes de fazer uma magia que não fosse de dano em área, já elfos podiam ser bem precisos e eficazes.

A magia molda seu corpo de acordo com a forma que você a manipula. Elfos eram frios, e, mesmo com companheiras como os dragões, tinham certa dificuldade em manter algo físico – embora amassem – por causa da natureza da mana que usavam. Dragões eram como o fogo e não tinham problemas com isso, o problema em geral era ter controle sobre esses sentimentos, tal como estava tendo problemas para ter agora.

Por um instante rezou que ela não precisasse de mais explicações para entender, por que isso o levaria a ter que explicar como sabia disso. Já estava puto o suficiente por ter encontrado a Zola, não precisava lembrar que já passou pela cama de Elfas também.

O corpo de Lucy tremeu em cima do seu. A encarou, vendo suas bochechas infladas vermelhas enquanto seus lábios se comprimiam. Ela riu. Soltou uma gargalhada alta e rolou voltando para a cama, com a mão na barriga e a outra enxugando as lágrimas que saiam de seus olhos.

Apoiou-se no cotovelo, erguendo o tronco enquanto a observava rolar de rir pelos lençóis. O que tinha perdido?

— O que é tão engraçado? – Questionou irritado.

—Co... Coitada da elfa! – Ela disse em meio as gargalhadas. – Morreu feliz, pelo menos! – E a o riso ficou mais forte.

Ela se virou enfiando a cara nos travesseiros enquanto se retorcia na cama.

—Coitada da elfa? – Repetiu tentando encontrar a lógica. – O que quer dizer com isso?

Ela virou o rosto totalmente vermelho para si, enquanto tentava respirar novamente e ser capaz de pronunciar palavras.

—Só estou tentando imaginar o encontro de um ser insaciável com uma pobre coitada sem sal. – E desatou a rir outra vez. – Descanse em paz, pobre elfa.

E o riso não parava.

Ah, ela se questionava como uma elfa seria capaz de ficar consigo, uma vez que eram completos opostos em todos os quesitos.

—Ela não morreu! – Disse ultrajado que ela pensasse algo assim. – Além disso, sua pestinha, não compare o que você faz comigo com outras pessoas. – Reclamou, pegando-a pela cintura e puxando-a para perto. – É completamente diferente!

A encarou irritado. Ela devolveu seu olhar, mas suas íris castanhas estavam brilhantes enquanto seus lábios se comprimiam, quase brancos em seu esforço em conter a risada. E então, após longos segundos de silêncio, ela deixou escapar:

—Ela ficou paraplégica então?

—Lucy! – Exclamou irritado.

Ela voltou a gargalhar. O problema é que sua felicidade o estava contaminando e estava começando a achar graça também.

— O que foi? – Ela disse entre as gargalhadas e enquanto lutava contra suas mãos que tentavam imobilizá-la. – Eu só não consigo imaginar você com alguém assim. Você quase me mata toda vez, imagina o que fez com a pobre coitada da moça. – E voltou a rir com a cena imaginária na cabeça.

Torceu o nariz.

Apesar de errada em suas suposições, o instinto dela estava certo. Foi ruim. Bom, não pra elfa no caso, não a desrespeitou ou algo assim, mas de fato eram totalmente incompatíveis. Tinha tentado pela diversão e pela oportunidade apenas, entretanto foi inegável o fim desastroso.

Seu apetite era voraz demais para aquela espécie, especialmente naquela época, quando era ganancioso e se deixava levar pela loucura. Eles eram frios e metódicos demais. A elfa o procurou várias vezes depois disso, pois para ela era algo incrível ter alguém com esse nível de libido – curiosos e desesperados por algo novo, como já tinha dito – mas a coisa não funcionava em uma via só.

Lucy por outro lado reagia a cada toque seu e a cada desejo que tinha. Nunca esteve tão satisfeito na vida, e nunca foi tão ganancioso em querer mais. Sua companheira gerava um ciclo vicioso sem limites, a elfa tinha se cansado quando mal começaram.

Foi um... desgosto e uma péssima experiência ter que deixa-la lá enquanto ainda não estava satisfeito com nada. Jurou que nunca mais dormiria com uma elfa.

—Pare de falar sobre coisas do meu passado! Achei que você queria voltar a dormir. -reclamou

Uma parte sua se divertia com a brincadeira, mas outra não gostava nenhum pouco do assunto. Era difícil permanecer nessa dualidade.

Mas então ela se virou na cama, deitando de lado com o braço direito embaixo do travesseiro apoiando a cabeça. O sorriso amplo continuava lá, iluminando seus olhos castanhos brilhantes e curiosos. Se perdeu neles por um momento.

—Não dá. Você é uma pessoa muito interessante que viveu por muitos anos. Gosto de saber sobre sua vida antes de te conhecer e suas experiências. Elas me divertem. Você deve ter aprontado um monte.

Torceu a cara por que era verdade. Não é que odiasse sua vida boêmia do passado, onde vivia apenas no presente e dane-se o resto, satisfazendo apenas suas vontades momentâneas, mas é que agora aquilo tudo parecia tão sem graça. Era fútil e insignificante, chegava a ser ridículo. Quando era criança Lucy aprendeu a dançar e tocar piano, ele aprendeu a matar e a aceitar qualquer oportunidade de sexo que parecesse interessante.

As vezes sentia que tinha desperdiçado sua vida. Tinha rodado o continente todo e, mesmo assim, Lucy sabia falar mais línguas do que si. Talvez fosse por isso que adquiriu um repentino interesse por aprender coisas novas, absorvendo parte do hábito de leitura que a maga tinha.

—Não é nada interessante. – Contestou, virando-se para cima e voltando a se deitar, encarando o teto.

Ela apareceu em seu campo de visão, subindo em seu peito com um sorriso animado.

—É sim. Você viajou o continente todo e já esteve com todo tipo de pessoa. – Pode ver pelo canto do olho os pés dela se erguerem e balançarem ritmicamente para frente e para trás. – Qual lugar você foi que tem a melhor comida?

Suspirou, colocando a mão em cima da dela em seu peito.

—Podemos viajar pra qualquer lugar que você quiser, você sabe. – Ela piscou, esperando sua resposta. Lá no fundo Lucy já sabia disso. – Avalora. – Respondeu por fim. – Tem um monte de restaurantes e, por estar do lado de um dos maiores portos do país, tem muita coisa.

Os pés dela se remexeram ainda mais e seu rosto ficou pensativo.

—Huumm. Vou querer ir lá um dia. – Podia adivinhar que ela já estava com água na boca só de imaginar. – Qual lugar é o mais divertido?

—Depende do que você quer dizer com diversão.

—Coisas velhas e históricas. De preferência com lendas envolvidas.

Pensou um pouco para responder essa.

—Belaroza? Tem uns castelos históricos e uma lenda de um espirito que deixa pão na sua porta de você prestar uma oferenda para a floresta. Não sei se é verdade.

—Lendas mal assombradas.

Torceu a cara.

—Esta seria Savannah. Tem fama por causa do massacre no manicômio da cidade há uns 50 anos. Odiei aquele lugar.

Por alguma razão os olhos de Lucy ficaram brilhantes e ela se inclinou em sua direção.

—Fantasmas?

—Isso não existe.

—Por que você odiou então?

—Podem não existir fantasmas, mas a energia daquele lugar é horrível.

Ela abriu um sorriso.

—Você tem medo de fantasmas. – Atestou.

Apertou os olhos.

—Não da pra ter medo do que não existe. Além disso você grita com filme de terror de baixo orçamento e quer falar de medo de fantasmas.

Ela deu de ombros sem se importar.

—Claro que podem existir fantasmas. UUUHH! – Ela imitou um suposto barulho emitido por eles. – Vivemos em um mundo com magia, deve existir. Eu queria conhecer um.

A encarou com a mais absoluta descrença.

—Sei... Quero ver quando um deles começar a correr atras de você. Ai a gente conversa.

Ela mudou de tópico rápido.

—Você já ficou com alguém da raça das Valkyrias?

A raça das guerreiras do sul, mulheres que amavam a guerra mais do que qualquer coisa e defendiam seu arquipélago de ilhas a séculos. Elas eram guerreiras poderosas, capazes de controlar elementos e dominar os mitológicos Pégasus.

Apertou os olhos e hesitou em responder.

—Já...

—Como elas são?

Ficou ainda mais desconfiado.

—Orgulhosas e as vezes arrogantes. São poderosas.

—Quis dizer na cama.

Empurrou a cabeça ainda mais contra o travesseiro, se perguntando se ouviu direito.

—O que? Pra que você esta me perguntando isso? – Não soube muito bem por que mas sua voz saiu com uma pitada de medo.

Lucy sabia de seu passado, mas conta-lo em detalhes era muito constrangedor e... medonho.

—Eu já disse, estou curiosa.

E então viu. Aquele brilho no canto do olho, disfarçado sob camadas de pretextos inúteis. Sua intenção. Estremeceu.

—Você está querendo escrever um novo livro maluco de romance não é? – Questionou, os olhos apertando de desconfiança.

Os lábios dela de apertaram e seus pés se retorceram.

—Talvez...

Como uma leitora e escritora assídua, Lucy costumava pesquisar, procurar e perguntar tudo o que podia em vários lugares diferentes para construir suas narrativas e personagens, cada um mais único que o outro. É obvio que ela iria usá-lo de cobaia para conseguir as informações que queria e escrever com profundidade. Essa era a razão para seus livros, de aventura ou romance, terem ficado famosos.

Havia muito de suas aventuras escritas nas páginas daqueles livros. Podia ver a inspiração vinda das enrascadas loucas em que se metiam ou, nos livros de romance, o sexo apaixonado e maluco que faziam de várias formas diferentes. Pedaços de sua vida refletiam neles, assim como seus desejos e aspirações.

O fato de Lucy não ter tido nenhuma outra experiência amorosa ou sexual antes de si a fazia desdobrá-lo com perguntas para que pudesse absorver a sua e criar personagens de outras raças.

Suspirou pesaroso.

—Por que eu fui me unir a uma Bookstan. – Disse consternado.

O sorriso dela se alargou.

—Suas escolhas, suas consequências. Agora me responde.

Que os deuses o ajudassem.

~*#*~

—Caralhoooo! Por que essa merda de lago tinha que ficar ainda mais frio? Aquilo é um bloco de gelo? -Lucy reclamou quando chegaram a superfície outra vez após terminarem o penúltimo dia da coleta.

De fato, a temperatura tinha caído ainda mais durante a noite, o bastante para as bordas do lago produzirem uma fina camada de gelo que se desprendia e flutuava por ai.

Agarrou a borda do barco e jogou o saco com o metal lá dentro. Não demorou nenhum segundo para a maga se agarrar a seu corpo em busca de calor. Suspirou. A temperatura não o afetava, mas outra coisa sim. Uma coisa macia em suas costas, mais precisamente.

—Amanhã é o último dia Lucy. Você consegue. -Murmurou, fazendo-a soltá-lo o bastante para se virar.

O que quer que fosse falar se perdeu no momento em que viu os olhos castanhos brilhantes. Ela estava linda, mesmo com o cabelo molhado e um pouco mais escuro por causa da água, grudando em seu rosto e pescoço, descendo até seus seios naquele biquini apertado que ela possuía quando pegava os poderes de aquários.

O azul refletia seus olhos e cabelos com um brilho a mais que a deixava de tirar o fôlego. Ela se agarrou de novo contra si, prensando seus seios em seu peito em busca de calor.

Agarrou os cabelos loiros e capturou sua boca em um beijo lascivo. Ela gemeu contra seus lábios e seu corpo ficou mais quente. Sua outra mão desceu, agarrando sua bunda enquanto a mantinha refém. O gosto de sua boca e a forma como ela desdenhava de suas presas quando passava a língua sutilmente por elas o deixava violento e faminto.

Sua mente nublava e sua força começava a correr em suas veias para compensar o fato de que estavam na água, instintivamente procurando soluções para tornar possível fodê-la ali mesmo enquanto seu pau crescia pulsando com o desejo dentro do calção. Quando seu quadril se chocou contra o dela ela estremeceu, excitada com o seu volume e gemeu. Entretanto havia mais do que prazer naquele som.

Foi o que o lembrou da bruma, da forma como estava contaminado pela energia estupida daquele lugar, nublando seu cérebro e provocando uma parte que não devia sair. Lucy era humana e não um animal afetado por questões da natureza mística.

Se empurrou para longe, forçando-a bruscamente a desgrudar de si, ficando a uns bons quatro metros de distância do barco e dela.

—Porra Lucy! – Sua voz saiu ácida, buscando forças para controlar aquele desejo ridículo.

Tentando colocar a cabeça de cima para funcionar, mergulhou. Deixou-se afundar alguns centímetros na água, tentando privar seus sentidos e deixar a água gelada tomar conta. O problema é que a temperatura da água não o afetava em nada. Ao menos assim não poderia sentir o cheiro tentador ou ouvir os gemidos prazerosos que lhe tiravam a razão.

A forma como a Heartphilia afetava seu corpo não era novidade, mas esses impulsos estavam cada vez mais fortes a medida que o ápice da Bruma chegava. Não deveria querer mais dela, deveria estar satisfeito.

Era como deveria estar se não fosse a sua própria ligação. Quando mais prazer Lucy lhe dava mais queria. Era um ciclo vicioso poderoso e que tinha algumas falhas. Uma delas era lidar com questões externas o influenciando. É por isso, por exemplo, que fazia tanta questão de evitar ao máximo bebidas afrodisíacas nas festas da guilda, especialmente aquelas que Cana trazia e que tinham coisas a mais.

Voltou a superfície quando chegou à conclusão de que não ia adiantar ficar ali. A maga já tinha subido em cima do barco e estava fazendo de tudo para se secar enquanto tremia. Ela lhe mostrou a língua.

—Covarde. – Provocou.

Revirou os olhos.

—Eu não estou sentindo dor em cada parte de meu corpo.

Era uma falácia. Se não fosse sua capacidade de cura ridiculamente alta estaria tão dolorido quanto. Içou o próprio corpo para dentro do barco na intenção de ajudar a secá-la.

—Detalhes. – Ela retrucou de novo, mas seus olhos castanhos o analisaram de cima a baixo. -Nenhuma dorzinha?

Revirou os olhos de novo.

—Lucy não seja ridícula. – Disparou pegando mais uma toalha e jogando por cima dos ombros dela. – Você sabe muito bem da sua capacidade de me destruir, mas, por favor, poderia parar de tentar brincar comigo nessa situação? Já é bem difícil me controlar e nenhum de nós quer um acidente.

Ela bufou em descrença.

—Duvido que haja um acidente.

A fé dela na sua habilidade de controlar a própria força era descabida. Só por que não tinha a intenção não significa que não iria perder o controle um dia. Já tinha acontecido antes, na ilha dos dragões e em sua aventura interdimensional. Ainda lembrava de como sua força bruta a fez ficar com medo.

—Lucy...

Sua intenção de repreendê-la morreu quando tirou as toalhas de seu corpo na intenção de secá-las com suas chamas e lhe dar algo quente para vestir.

Ela tinha tirado o StarDress, mas isso apenas revelava o biquini roxo com dourado que espremia seus seios, forçando-os a juntar e a se impulsionar para frente. Duas pequenas faixas douradas desciam da lateral e iam em direção a calcinha minúscula com desenhos e adornos dourados. Sua marca, o dragão (por agora) negro talhado em sua barriga e subindo por seu corpo deixava tudo ainda mais sexy.

Seus lábios avançaram pouco abaixo de sua clavícula e seus braços a capturaram, puxando-a contra seu corpo com força. O desejo de chupar aqueles seios de novo nunca foi tão grande, especialmente depois de saber seu segredinho. Será que a faria gozar só chupando-os outra vez?

Entretanto não queria estragar aquele biquini com seus dentes – algo que faria em sua ânsia de chupá-los – então subiu a boca por seu pescoço, tomando seus lábios outra vez enquanto uma de suas mãos subia por suas costas para desamarrá-lo. Aquela cor ficava linda em Lucy, se lembraria disso quando pedisse uma peça nova de roupas para Isolde.

Ela gemia contra sua boca, jogando seu corpo e peso contra si, sabendo que daria conta do recado. Não havia resistência alguma a sua vontade de possuí-la.

É o que teria feito se o vento forte não viesse e empurrasse o barco de sua posição inerte.

Seu estômago se contorceu e embrulhou, a força de que tanto se orgulhava abandonou seu corpo quando suou frio. Pode sentir a ânsia de vômito tomar seu ventre e o sabor amargo da saliva que inundou sua boca em um prelúdio do que aconteceria.

Soltou Lucy na hora, evitando colocar o café da manhã em cima dela, e caiu de bunda no chão do barco ao perder a força nas pernas. Colocou ambas as mãos na cabeça, colocando-a para baixo, tentando com todas as forças não vomitar. Fechou os olhos e apertou os dentes com força.

Isso era patético.

A fraqueza de sua raça era patética. Tinha poder para evaporar aquele lago inteiro, mas quase tinha vomitado em cima de sua companheira enquanto a beijava por que um vento empurrou o barco. Era humilhante.

—Opa! Dessa vez eu não fiz nada. – Ela exclamou com diversão na voz.

Não respondeu. Não queria correr o risco de abrir a boca e sair algo mais do que palavras.

Vendo sua palidez fantasmagórica, ela começou a tentar distraí-lo como sempre fazia quando enfrentavam esse tipo de problema.

—O que posso fazer se meu companheiro se joga pra cima de mim toda vez que me vê de biquini? É divertido provocá-lo. Minhas amigas falam que dariam milhões para um homem desses. Cana pagaria por isso.

Quase riu. Ela sabia como brincar com seu ego e jogar sujo, usando os comentários idiotas de suas amigas pra isso e distraí-lo. Todavia aquilo não era o bastante para livrá-lo da sensação do enjoo, mesmo o barco já tendo voltado a sua posição estável.

Os resquícios do enjoo só o deixavam com mais raiva. Era uma fraqueza tão humilhante que lhe tirava muitas possibilidades. O combate em um veículo em movimento era quase impossível.

Lucy sentou na taboa de madeira que servia de banco atras de si, e começou a fazer um cafuné em meio a seus cabelos. Suspirou, sentindo que era seguro o bastante para se inclinar para trás, apoiando a cabeça em suas cochas e tapando os olhos com o braço direito, enquanto esperava a sensação passar.

—Isso é ridículo. -Murmurou em um sussurro fraco. Sua voz saiu meio rouca.

Lucy bufou.

—Acnologia não seja idiota. Todo mundo tem uma fraqueza e isso não te torna incapaz de nada. Fico feliz de saber que você tenha pelo menos uma. Gosto de cuidar de você. Sua fraqueza reduz ao menos um pouco a disparidade que sinto em comparação a poder e ao balanço dessa marca. E não poder cuidar de alguém que nem sequer fica gripado de vez enquanto é algo bem frustrante.

Sorriu com suas palavras. A equidade da marca era algo que sempre encucou Lucy. Seus amigos que possuíam a mesma ligação que eles eram quase parelhos, tanto em poder quanto em fraquezas. Isso não acontecia consigo. A troca de poder era de fato desbalanceada, tão desbalanceada que ela podia dá-lo ordens como um fantoche para compensar essa falha. Não que se importasse. O que ela lhe dava era muito maior do que meramente magia.

—Quem está sendo idiota agora? – Rebateu.

A capacidade de observação de Lucy, no entanto, era assustadora. Ela percebia sua insegurança como ninguém. Sua fraqueza lhe fazia pensar no que aconteceria se algo acontecesse quando estivesse em um meio de transporte. Seria capaz de defende-la?

Era extremamente difícil usar qualquer poder dentro de um veículo. A possibilidade existia e as vezes o assombrava.

Apesar de essa ser sua preocupação mais relevante, uma outra permeava sua mente. Ela era infeliz, porem era impossível não pensar. As ideias malucas que passavam na cabeça de Lucy Heartphilia.

Seu lado escritora de livros de investigação, romance e entre outros revelava muito de seus pensamentos escondidos. É claro que lia cada um deles. Ela conseguiu transformá-lo em um leitor assíduo ao longo dos anos. Entre eles, seus livros de romance erótico os quais lançava de forma anônima gerando uma receita bem significativa, revelavam algo mais.

O casal de investigadores sobrenaturais tentando descobrir o que estava provocando o assassinato de várias pessoas ao redor da cidade, um clichê Enemy to lovers, que obrigava ambos a trabalhar juntos para resolver o mistério e lidar com a carga sexual que os atraía, acabaram por ceder aos desejos em uma cabine de trem a qual tinham que se atentar a possibilidade de serem pegos a qualquer momento.

Quando brincou com Lucy, provocando-a sobre as várias senas eróticas que ela escreveu, (algumas baseadas em coisas que fazia com ela) deixando suas bochechas vermelhas com a vergonha, perguntou sobre essa cena em específico, sobre o que ela achava de tão interessante nisso.

“Ah, deve ser divertido.” -Ela respondeu com as bochechas vermelhas como cerejas e desviando os olhos.

Pode ver na hora que era uma brincadeira traiçoeira que ela imaginava querer experimentar. Não era novidade o fetiche dela de sucumbir a seus desejos em lugares em que quase poderiam ser pegos. Ela gostava da adrenalina e de provoca-lo, desafiando-o a ter que manter a concentração para impedir que isso acontecesse ao mesmo tempo em que fazia de tudo para quebrar seus esforços e inebriá-lo com prazer. Era como estar dirigindo um carro e ter que se esforçar para sair da neblina sem bater.

Um jogo arriscado, sendo que mataria qualquer um que os pegasse no flagra, mas mesmo assim ela queria jogar.

Mas esse desejo em específico era algo que não poderia atender, mesmo que usasse a magia de Wendy. O feitiço do dragão do vento era consumido muito mais rápido a medida em que esforço físico ou magia circulava em seu corpo. De todos da guilda ele era o que o feitiço passava com mais velocidade por causa da quantidade enorme de poder que circulava em suas veias, e não podia fazer nada a respeito disso.

O clima iria do país das maravilhas ao inferno assim que o feitiço acabasse e colocasse o estômago pra fora. Sua barriga embrulhou de novo só de pensar.

Ela pegou seu braço e o tirou da frente de seu rosto. Abriu levemente os olhos, dando de cara com os castanhos ternos e amorosos.

—Eu não sei em que você está pensando, mas está te deixando mais pálido ainda, então pare por que é bobagem.

Seu sorriso saiu fraco e sua voz mais ainda quando falou:

—Só se parar de se preocupar com bobagens como o quanto de magia você tem a menos que eu.

Ela inclinou a cabeça e sorriu.

—Isso não me afeta, dragãozinho. É só algo que eu levo em consideração. A não ser que você me dê um pé na bunda eu nunca vou sair do seu lado. Graças aos deuses essa marca aqui é pra sempre, então você não pode me dar um pé na bunda.

Riu. A risada fez com que seu enjoo diminuísse consideravelmente, fazendo a energia voltar a fluir por ele.

—Acho que é mais provável que você me dê um pé na bunda. Você sabe... possessivo, ciumento, etc. Cana já terminou com mais gente por muito menos.

Ela revirou os olhos, entrando na brincadeira.

—Cana conhece todos os namorados dela bêbada. Ela não vai pelo conteúdo e sim pela cama. Acontece que quando a bebida e o sexo vão embora ainda resta a pessoa. Ela tem o maior dedo podre para pessoas que eu já vi na vida. Só Sting chega perto disso, conseguindo pegar o segundo lugar.

O Caçador da Luz não fazia questão alguma de esconder sua vida boêmia. Lucy lembrava-se bem de uma vez que teve de escondê-lo de uma maluca que tinha se apaixonado por ele – algo totalmente unilateral, já que ele afirmava que a única relação que tinha proposto era a sexual – e estava indignada não só por levar um pé na bunda como também por descobrir que Sting não estava nenhum pouco apaixonado e ela não era a única que ele comia.

Ela estava determinada a castrá-lo e se casar com ele. A maioria das outras não ligava para isso. Segundo Yukio – podia jurar que eles seriam companheiros, mas aparentemente era só um amigos coloridos com um amor a mais – ele era bom de cama e isso causava problemas com mulheres que constantemente caiam em seus encantos de sedução.

Nessa parte não era bem culpa dele. Ele deixava bem claro o tipo de relação que queria. Ninguém era responsável por suprir as expectativas criadas pelos outros.

Ela abaixou a cabeça, encarando-o. Se seus cabelos não estivessem tão molhados eles cairiam ao seu redor. Isso o lembrou que devia secá-los para que ela não pegasse um resfriado.

—Se sente melhor?

Suspirou. Seu estômago ainda estava um pouco inquieto, mas estava seguro em dizer que não vomitaria.

—Um pouco. Vou ficar ainda melhor quando estivermos em terra firme.

Ergueu a mão, tocando sua bochecha e acariciando seu rosto. As chamas azuis saíram de sua palma, se espalhando pelo corpo dela e secando sua pele. Ela fechou os olhos, saboreando a sensação do calor voltando ao seu corpo.

Quando terminou ela abriu as pálpebras novamente e sorriu.

—Obrigada.

O cheiro metálico de sangue o tirou daquela bolha mágica entre os dois, deixando seus olhos vermelhos e alertas. Repuxou os dentes, o rosnado saindo de sua boca enquanto erguia o tronco.

—O que foi? – Lucy perguntou, olhando para os lados, tentando identificar o problema.

—Sinto cheiro de sangue. Sangue de lobisomem. – Respondeu olhando na direção do vento.

Seu desejo era ignorar e seguir em frente, já tinha envolvido Acnologia em confusões demais, mas não se perdoaria caso fosse alguém precisando de ajuda.

—Precisamos saber o que é.

~*#*~

Quando Acnologia pousou nas margens do lago pode ouvir um grito de dor. Correram em direção ao som, em meio a floresta densa, até que finalmente avistaram sua origem.

Uma garota, cabelos castanhos claros, nua, estava com marcas enormes e talhadas em suas costas de garras. O sangue escorria por toda sua pele, manchando as folhas ao redor de onde estava caída. Ela pode vê-los antes de desmaiar.

Atras dela um lobo enorme pulou de uma pedra alta que estava em um declive e caiu perto dela, grunhindo com satisfação e expondo os dentes.

—É a ômega. – Acnologia afirmou, soltando a informação.

O lobo finalmente os viu, rosnando e abrindo a boca enorme para ambos. Sem saber o que acontecia, Lucy sentiu que precisava tomar uma decisão, então foi o que fez.

—Cuida do lobo. – E correu em direção a garota.

A massa enorme de mais de 3 metros de pelos e músculos pulou em sua direção. Acnologia o interceptou no meio do ar, lhe dando um chute e fazendo-o se chocar contra uma das árvores grossas. Sabendo que o dragão tomaria conta do lobo, se focou em tentar ajudar a estancar o sangue da garota, pegando alguns equipamentos de primeiros socorros dentro de seu anel.

Acnologia foi rápido em nocautear o lobisomem. Quando perdeu a consciência ele voltou a sua forma humana nua. Apertou os olhos quando o reconheceu. Ele era um dos lobos da escolta do alfa Maximus, o cara mais infame entre os lobos, pelo que pode notar nos poucos dias que estavam ali. Os outros lobos não gostavam dele e nem da forma como ele desrespeitava as regras sem ser punido.

Voltou para Lucy. Ela fazia o máximo que podia para estancar o sangramento.

—Precisamos leva-la a uma matilha. Eles saberão ajuda-la.

Sem tirar os olhos de seu trabalho, a maga contestou.

—Foi uma matilha que fez isso com ela. Não podemos simplesmente entrega-la a eles.

Suspirou, sabendo que o que ia dizer ia magoá-la.

—Lucy, ele pertence a matilha de Maximus. Não acho que outra matilha a machucaria nesse nível e, infelizmente, eu estou me controlando muito pra não matar essa garota agora.

Isso fez as mãos de Lucy congelarem. Os olhos castanhos se viraram para si com um misto de sentimentos desagradáveis.

—Por que?

Estremeceu e murchou os ombros, sendo sincero.

—O cheiro dela... na verdade tudo nela grita desesperadamente não só por ajuda, mas também com o desejo de se afiliar a alguém. Isso tem um efeito oposto em mim. É como se ela inconscientemente me instigasse a quebrar o laço que tenho com você o que me faz querer muito matá-la.

A viu absorver a informação. Ela não pareceu magoada, mas irritada e ao mesmo tempo compreensiva. Havia coisas que ela não podia entender da sua natureza inumana, por isso compreendia que elas pudessem parecer irritantes para um humano normal, mas ela entendia.

—Vamos leva-la a uma das matilhas. Posso saber o que é uma beta, mas não tenho ideia do que seria melhor para cuidar dela.

Lucy suspirou. De fato, não saberiam cuidar de um lobisomem.

—Você tem razão. – Murmurou e, depois de uma longa pausa, falou. – Vamos leva-la a Altair. Espero que confiar na matilha dele não seja um erro. – Murmurou com pesar antes de terminar os curativos.

“Que acontece, velhos dissimulados, que de tanto coçar a crosta da vaidade se transformaram em sarna?”

Notas finais
Eu estou triste e feliz. Estou feliz pq uma das minhas leitoras lindas e maravilhosas topou fazer uma tradução pro inglês das minhas histórias e vou poder postá-las em algumas outras plataformas, principalmente a minha história original. Espero que de certo. Muito linda ela. Inclusive estou devendo um cap especial p ela por isso. AGUARDO O PEDIDO. Isso significa que eu vo dar uma repaginada nos primeiros caps dessa e outras fics aos poucos, pq ne, os primeiros caps são podres. Jesus. A parte triste é que quase ninguém leu minha história original. Leiam porfavorzinho. Eu fiz de coração, tenho certeza que vão gostar e eu vou melhorar e continuar ela ainda mais. https://www.spiritfanfiction.com/historia/me-conte-sobre-a-morte-24908041 É isso. Obrigada. Aguardo os comentários de vcs. Dei uma focadinha no relacionamento entre os dois. Vamos ver o que vai acontecer hehehehe HEHEHEHEHEHEHE