A Arte do Caos
34 Um dia você é caçador e no outro algo mais pífio que a caça.
Terminou de assinar mais um dos milhares de papeis de autorização que estavam em sua mesa e suspirou. Já estava velho demais para tanto trabalho. Precisava de uma folga. Talvez pudesse pedir a Mirajane e Laxus para cuidar disso por uma ou duas semanas para que recuperasse a sanidade mental de tanta burocracia. Eles não se importariam em ajudar.
Mas antes precisava reorganizar algumas coisas e cuidar das remeças de dinheiro. Reembolso por alguns estragos. Deixou outro suspiro. Eram a maior Guilda de Magnólia, e, com a mesma facilidade que tinham para gerar dinheiro com missões, tinham para perdê-lo em prejuízos.
É... já estava velho demais para isso.
Duas batidas na porta lhe tiraram a atenção de mais um relatório.
—Entre. — Falou, tirando os olhos do papel.
—Mackrov. — Cumprimentou
Certo. Ficou surpreso. Não é todo dia que recebia visitas de Lahar. Se aprumou na cadeira, largando os papeis de lado, sabendo que não tinha notícia boa a caminho.
—A que devo a visita? — Respondeu direto.
O homem suspirou, colocando as duas mãos no encosto da cadeira e murchando os ombros. Parecia exausto e desgastado; sentiu que ele tinha perdido 50 anos em dois segundos.
—Temos uma convocação de emergência.
O mestre apertou os lábios. Convocações de emergência eram solicitadas quando algo grave ocorria.
—Temos um assassino em série. Sabemos que ele veio pra Magnólia. Ele tem matado prostitutas e esquartejado os corpos. As vezes as estupra. — Fez uma pausa, e deu para perceber que uma das imagens passou por seus olhos. — Ele e um mago. Precisamos pegá-lo rápido. Preciso dos magos patrulhando as ruas. Nosso efetivo não foi o bastante e 15 vítimas já é meu limite.
Mackrov cerrou os dentes. Tinha um assassino em sua cidade. Magnólia era uma cidade turística e uma das mais importantes do reino. Era muito grande e muita gente. A não ser que Lahar trouxesse todo o exército, seria impossível patrulhar a cidade inteira só com seu efetivo, além de muitos soldados poderem espantar o assassino.
—Tudo bem. -Respondeu, sem nenhuma intenção de negar. A Fairy Tail era a maior protetora da cidade. Era seu dever. — Vou convocar meus magos. Envie as orientações e eles estarão trabalhando hoje.
Lahar acenou positivo, mas continuou na mesma posição. O mestre ergueu as sobrancelhas.
—Algo mais?
O soldado olhou para o chão, suspirou, remexeu impaciente e, finalmente, o olhou nos olhos para falar.
—Ele tem um fetiche e preferência por mulheres loiras e cabelos cumpridos.
O mestre parou de respirar por um instante. Lahar continuou.
—Magas ou não magas. Saiu desse padrão só uma vez. Eu não tenho ideia do que seria melhor...- esfregou o rosto com as mãos. — Avisar, não avisar. Implodir a cidade ou não .... — Suspirou. — Pode decidir isso por mim, por favor?
O mestre das fadas entendeu seu conflito. Suspirou.
—Tudo bem. Vou te manter informado.
Um grande alivio tirou algumas toneladas das costas do soltado, que lhe deu um breve sorriso antes de sair. Sorriu amarelo de volta antes de encarar os papeis, que de repente pareciam ser melhores do que o que estava por vir. As toneladas dele de repente vieram para suas costas velhas.
—Merda. — Cuspiu ao ar.
Pelas barbas de Merlin, que Acnologia estivesse de bom humor.
~*#*~
O barulho dos seus lábios se separando dela era acalentador. Os olhos castanhos reluziam para si, encarando-o com aquela adoração que lhe apertava o estômago e arrepiava até a alma.
Ela sorriu perante ao clima confortável do apartamento e da dança sedutora que iniciaram. Segurou sua cintura, puxando a pelve contra a sua, fazendo suas mãos pequenas espalmarem em seu tórax.
—Tem certeza que está bem com isso? — ela perguntou, em meio aos seus beijos em seu pescoço, enquanto ia lentamente empurrando-a na direção da parede perto da cama. Sabia do que ela queria dizer.
—Sobre Baskim ter tomado um território próximo a nossa casa? — Resmungou perto de seu ouvido, remoendo-se na lembrança. — Não. Mas você não ia gostar que eu o mate. Sim, eu ainda tenho pena dele pelo que aconteceu, mas se ele continuar agindo como seu cachorro minha pena vai pro ralo.
Ela riu, puxando-o para um outro beijo molhado e lento. Esqueceu-se de tudo por um momento, levando sua mão a um de seus seios fartos por baixo da blusa da camisola. A textura macia e firme animava cada vez mais o seu pau, que lembrou de quando esteve entre eles. O bico duro era a única mudança na pele lisa. Sua boca salivou querendo chupá-lo e esfregá-lo com sua língua. Ah... que indecisão. Tantas coisas para fazer que não conseguia se decidir, ou se fartar de fazê-las.
O beijo se quebrou outra vez, mas ela o empurrou, guiando-o até ficar com as costas na parede e dessa vez os lábios dela começaram a beijar seu pescoço, descendo para seu peito nu. Observou-a com os olhos bicolores mesclados entre seu azul favorito e aquele vermelho que agora fazia parte de sua vida.
—Ele não é meu cachorro. — Se defendeu.
Seus olhos castanhos quebraram o contato visual para analisar suas marcas azuis tribais, concebidas em sua pele pela vinda de seu novo poder e de sua outra parte menos dominante. Ela as acompanhou com o dedo para depois beija-las com um suspiro e falar:
—Eu as adoro. — Disse em uma confissão sussurrada. — E, que merda, elas só te deixam mais gostoso. — Praguejou.
Um ronronar fez seu peito tremer sob as palmas macias. Entusiasmada, sua outra parte as fez reluzir, destacando-as ainda mais em sua pele, com aquele azul que Lucy amava desde o primeiro dia que se conheceram. Desceu a mão para sua bunda e as apertou em aprovação.
Ela desceu os beijos por seu peito, delineando cada marca, lambendo algumas, passando por sua cicatriz e depositando nela um beijo caloroso da lembrança, até chegar no mamilo. Ela o lambeu e o sugou, fazendo com que mordesse os lábios com os dentes afiados e sentindo uma fisgada na cabeça de seu pau, que parecia impaciente dentro de seu short. Não a impediu; ao invés disso continuou observando-a descer com as mãos, delineando os músculos da sua barriga com devoção e mordendo os lábios ao traçar as marcas e seu tanquinho.
Não intendia a devoção dela com seu corpo, mas ela também não entendia a devoção que tinha com o dela, então apenas lhe deixava satisfeito que também a agradasse, tal como ela o agradava.
—Mas ele age como se fosse. Tudo bem que esteja grato, mas ele seguiria qualquer coisa que falace da mesma forma que seus espíritos. — Respondeu. Apesar do assunto, aquela dança sexual só deixava a atmosfera do pequeno apartamento mais deliciosa.
Adiavam o prazer intenso com aqueles toques sedutores e lentos. Era gostoso de se fazer, e mais ainda de apreciar. Demorou muitos anos para que controlasse sua outra parte e se conectasse o bastante com aquela besta, para que conseguisse manter as rédeas e apreciar momentos saborosos como aquele. Conquistar aquele controle lhe custou muito alto conhecimento, treino, remarcações e, claro, um belo incidente com alfas.
Bom, claro, isso se ela não ativasse o fluxo. Mas aquilo era brutal demais para que controlasse qualquer coisa.
Os olhos dela subiram, voltando a encara-lo de baixo, enquanto voltava a subir os beijos por seu peito.
—Meus espíritos não são cachorros. E ninguém segue minhas ordens. Eu não dou ordens. — Murmurou indignada.
Puxou sua cintura contra seu peito, erguendo uma das mãos para agarrar seu queixo e olhá-la de cima, evidenciando a diferença na altura dos dois.
—Nos dois sabemos que ele segue. — Murmurou em resposta, os lábios próximos aos dela. — A única pessoa a seguir suas ordens sou eu Lucy. — Rosnou. — Eu sou seu único cachorro, e não gosto da idéia de alguém tentar te agradar também. — Algum lugar de sua mente riu ao se lembrar da acusação de Macgarden sobre ser um cachorrinho da maga, anos atrás quando fizeram as “pazes”.
E a beijou. O beijo lento como o anterior, mas agarrou sua nuca, segurando os fios loiros lindos entre os dedos e seus corpos se grudaram, esfregando-se um no outro.
Quebrou o beijo novamente, sentando-se no meio da cama, jogando os braços pra trás como apoio e convidando-a com o olhar para se juntar a si. Ela sorriu, removendo a camisola, ficando com a calcinha e indo em sua direção. Suspirou com a imagem quase nua dela, que sempre lhe provocava uma onda de satisfação e beleza. Seus olhos poderosos conseguiam captar cada curva mesmo no quarto escuro, iluminado porcamente pelos feixes de luz da lareira.
—Você não é meu cachorro. — Lucy resmungou, parecendo ofendida com o termo que tinha usado para classificar a si mesmo.
Ela subiu em cima de si, jogando as pernas uma de cada lado do seu corpo, e puxando sua cabeça para outro beijo, enquanto sua outra mão sapeca desceu pelo seu pescoço, passando novamente por seu peito e entrando sem cerimônia para dentro de seu short. Não usava cueca. Ela ignorou seu pau latente e envolveu seu saco, apertando-o confortavelmente; apenas uma breve pressão enquanto seu dedão acariciava a base de seu pau com movimentos circulares.
Puxou seus cabelos loiros com a única mão disponível – uma vez que a outra apoiava seu peso – e engasgou em meio ao beijo casto. Indignado, mordeu seu lábio, mas tomou cuidado com suas presas para não machucar. A sentiu sorrir em meio ao ato, pouco antes de separarem os lábios outra vez.
—É. Infelizmente você não me deixa ser um. — Rosnou sua indignação contida a muitos anos.
Ela sempre achou que as ordens eram restringir sua liberdade – aquela que tanto presava – mas não: Sua ligação com ela havia lhe dado o dom do comando alfa e o dom de servi-la. A satisfação prazerosa que sentia com o frenesi, o poder, a adrenalina que percorria seu corpo com o impulso de realizar cada desejo dela era impagável. Tinha descoberto que – apesar de seu receio inicial – gostava de realizar desejos para Lucy. Por falta de uma expressão melhor, gostava que ela o usasse como arma.
Tinha muito poder, principalmente agora, é verdade, mas nunca soube usá-lo. Matar, destruir, tomar; foi tudo o que fez durante sua vida antes de Lucy. Era muito bom nisso. Também tinha descoberto que todas essas habilidades podiam ser usadas para fazer coisas que a deixavam feliz- e o mundo mais seguro para ela – como explodir uma ilha de pedófilos. Queria fazer isso de novo. Usar seu poder para coisas que podiam agradá-la, mas ela não gostava de obrigá-lo a nada. Como se fosse uma obrigação.
Ela subiu sua mão não invasora para seu rosto, acariciando-o com ternura enquanto se inclinava para o lado.
—Eu não quero um cachorro Acnologia. E você é muito mais especial para mim do que isso. Uma comparação dessas seria pífia.
Sorriu para ela, não resistindo a comparação.
—Tem razão. Sou mais leal que um cachorro. E mais poderoso também. Ah, e, segundo você, mais gostoso...
Ela riu e lhe deu um tapinha no tórax.
—Acno!
Sorriu pra ela, aprumando o corpo e abraçando sua cintura com os dois braços, acomodando o queixo em seus seios enquanto olhava para cima. Apenas ajoelhada em seu colo ela era maior que si.
Encarou os castanhos quando falou.
—Não é diferente do que faz com seus espíritos Lucy. — Continuou agora um pouco mais sério. — Eu tenho poder, só me dê a direção. Por favor.
Ela suspirou ao ver o pedido em seus olhos. Da mesma forma que não podia negar nada a ela, ela também não negaria.
—Tudo bem. — O beijou com um selinho. Sua mão travessa removeu seu pau de seu short, acariciando-o da base a ponta, antes de rodar o dedão na cabeça inchada. Suspirou. — Mas não serão ordens para mim. E não pense que serão muitas. — Impôs as condições.
Sorriu expondo os dentes. Não resistiu.
—Como desejar. — Ronronou.
Ela sorriu com a piada, direcionando seu pau para a entrada de sua vagina, empurrando a calcinha para o lado. Ela não o deixou entrar; ficou pincelando a entrada várias vezes, provocando seu controle frágil. Ronronou, mas a deixou brincar como quisesse. Ou quase. Levou a boca a seus seios, chupando-os com vontade. Mordeu o bico com cuidado, usando as presas na parte sensível, o bastante para arrepiá-la por completo e arrancar um gemido de deleite, enquanto ela fechava os olhos. Continuou observando suas reações enquanto lambia o bico inchado e lambuzado; seu ronronar natural funcionando como um vibrador quente em conjunto a sua língua.
Ela se endireitou para recebê-lo em seu paraíso exclusivo e particular.
Uma luz forte, com todas as cores do arco-íris, quase cegou seus olhos poderosos e adaptados para o ambiente noturno e sexy. Rosnou – um rosnado de raiva e incômodo, totalmente contrário aos de antes – levando uma mão aos olhos ao mesmo tempo que fechava as pálpebras.
—Que merda é essa! — Resmungou apertando os olhos e vendo branco, e um monte de luzinhas.
Lucy, que não foi totalmente cegada por seus olhos serem menos sensíveis e por estar com eles fechados para o tão ansiado momento, respondeu ao se recuperar do susto mais rapidamente.
—A lacrima de emergência! — Exclamou.
—Que? — Respondeu, finalmente abrindo os olhos e se adaptando a claridade.
Em cima da cômoda cheia de gavetas do outro lado do quarto, perto do armário, uma lacrima com o símbolo das fadas brilhava a ponto de iluminar o quarto inteiro como se fosse dia. Já tinha notado ela ali, mas nunca se perguntou para o que servia. Pensava que era um enfeite que ganhavam depois de se tornarem magos oficiais da Fairy Tail. Todos os membros as levavam nas missões. A esfera era pouco menor que uma bola de tênis.
—É uma lacrima de emergência. É feita para convocar todos os magos da guilda em caso de uma emergência. — Explicou, não parecendo nenhum pouco surpresa por Acnologia nunca ter lido o pequeno manual de regras e instruções que davam a todos quando ingressavam.
O dragão rosnou, acariciando sua bunda.
—Então vamos ignorar e voltar ao que interessa. — Murmurou, mas quando olhou para cima viu a expressão séria de Lucy.
—Essa lacrima só é acionada em duas ocasiões: Ou algum membro da guilda corre risco eminente e precisa de ajuda; ou alguma ameaça muito grande está sob Magnólia ou ao reino de Fiore. — Falou séria.
A expressão irritada de Acnologia mudou para uma séria e feroz. Podia estar estressado, com o pau duro e provavelmente com o saco roxo, mas isso não poderia ser ignorado. Duvidava muito que fosse algo relacionado aos magos; eles eram monstruosamente fortes para algo ruim a ao ponto de convocar a guilda inteira acontecer. E mesmo assim, um dos magos com esse nível de problema, também representaria uma ameaça a cidade das flores.
Em todo caso só podia significar uma coisa: havia uma ameaça de nível nacional.
E esse tipo de ameaça não era algo que poderia ignorar. Isso significava automaticamente risco a Lucy.
~*#*~
—Mestre! — Lucy exclamou assim que entrou no escritório da guilda.
Todos os magos estavam lá em baixo, assim como um monte de soldados do conselho e Lahar, mas Cana disse para subirem e falarem com o Mestre primeiro antes de descerem e ouvirem as instruções. Parecia que estava tudo uma loucura.
O velho pareceu aliviado quando cruzou a porta, mas quando Acnologia veio logo atrás seus ombros murcharam e soltou um suspiro resignado.
—O que está havendo? — A maga questionou.
Mackrov ergueu o queixo e respondeu com pesar.
—Temos um mago assassino em série em nossa cidade. — Falou sem rodeios.
—Que? — Exclamou espantada.
Para magos de guildas serem convocados para ajudar o governo com um assassino a coisa deveria estar feia.
—Ele fez doze vítimas. Estupra e as esquarteja. Começou com prostitutas. Aparentemente ele veio para Magnólia e precisamos pegá-lo antes que a coisa saia do controle. — Complementou.
Sair do controle era fichinha. Quando o reino descobrisse que tinha um assassino em série por aí que o governo não podia pegar, que os forçou a convocar as guildas de Magnolia para patrulhar as ruas e capturá-lo, o pânico e a revolta iriam explodir. Casos de violência nas ruas e contra mulheres já tinham inflamado os ânimos antes. A corte estava sendo pressionada, principalmente depois da descoberta do tráfico de crianças que – ora vejam só — acabou por revelar mais sementes podres como sequestro de mulheres, estupros acobertados e toda a merda machista do país no ventilador.
Mulheres não se sentiam seguras em estarem vivas no reino de Fiore, e agora cobravam por poder, respeito e segurança.
Não era algo novo. Tirando as magas –isso se fossem poderosas – aquele mundo era bem acostumado a inferiorizar as pessoas seja por terem uma buceta ou por gostarem de transar com pessoas do mesmo sexo. Homofobia era algo bem comum. Até mesmo Freed, um dos magos mais poderosos da Fairy Tail, sofreu com isso por ser Bi. Uma surpresa na época — para os homens, as mulheres já vinham com seu gaydar acoplado e não ficaram nenhum pouco surpresas com a revelação a alguns anos.
—Qual o plano? — Lucy respondeu prontamente.
O Mestre abanou a cabeça.
—Lahar e a chefe de investigação do departamento de Crocus vão explicar lá em baixo. — Respondeu. — Mira! — Chamou ao vê-la passar na porta com um monte de caixas. — Lucy, acompanhe Mira. Lahar dará a vocês os detalhes no saguão. Ajude-a a organizar o pessoal, por favor.
Não era burra. Ficou bem claro que ele queria falar com Acnologia desde o início. Mas pela forma óbvia que deixou isso, aparentemente não era algo que permaneceria em segredo por muito tempo. Seja o que for que o soldado fosse falar, aparentemente seria mais seguro que o Rei soubesse primeiro. Portanto...
—Claro. — Respondeu prontamente, e saiu da sala acompanhando Mirajane e fechando a porta.
Quando a trava se fechou Acnologia abriu os olhos. As íris vermelhas e azuis extremamente pronunciadas, fazendo com que sua postura sentada na cadeira, com as pernas cruzadas e o rosto apoiado em uma mão, parecesse bem mais ameaçador. Entretanto aquela ameaça sombria parecia mais controlada do que da primeira vez em que ele veio a este escritório e o ameaçou. O rei, vestido com uma calça jeans, a blusa preta colada em seus músculos, os olhos ameaçadores e as tatuagens tribais saindo nas bordas desnudas de sua pele, passavam a impressão de um rei da máfia que não deveria brincar, mas mesmo assim com um controle frio e calculista.
Incapaz de se impedir de fazer a observação em voz alta, o mestre apertou os lábios e falou.
—Você parece bem mais... — buscou a palavra. — Contido e maduro nos últimos meses. Já tinha observado essa melhoria gradual, só que não esperava uma guinada tão grande de repente.
Acnologia sorriu seco. Tinha aprendido a se fundir e controlar sua outra personalidade até certo ponto, de fato, mas podia ver nos olhos do velho que aquilo só o tinha tornado mais ameaçador, mesmo que não fizesse nenhuma ameaça. Antes era apenas volátil, agora tinha domínio de um poder muito mais letal e perigoso em seu âmago. Uma sombra perigosa, diria.
Seu poder de controlar alfas e o incidente com a vadia da Rutti tinham lhe proporcionado isso.
—Direto ao ponto, Mackrov. — Declarou, sem paciência para delongas. — Afinal deve ser algo muito importante para que eu não veja a declaração de Lahar. — Contrapôs.
O velhote bufou.
—Como se você fosse prestar atenção em algo que aquele homem diz. — Retrucou, mas logo em seguida suspirou, e apoiou as duas mãos em sua poltrona, voltando a encará-lo.
Mesmo em pé, Acnologia parecia muito maior que ele estando sentado. Ergueu as sobrancelhas brancas com essa sensação.
—O mago tem poderes esquivos. Esquarteja brutalmente suas vítimas, normalmente depois de estuprá-las. Começou com prostitutas nas cidades vizinhas, depois sua confiança aumentou e foi para mulheres mais difíceis. — Murmurou com pesar. — Segundo a criminalista chefe de Crocos, Carla, que vai conhecer lá em baixo, ele veio a Magnólia por que a cidade e maior, portanto mais difícil de achá-lo e mais simples de encontrar mais vítimas.
Apesar do ranço que sentiu pelos atos do infeliz, da ligeira empatia que sentiu pelas mulheres que não poderiam andar seguras nas ruas e de seu asco pelo ato covarde do estupro, foi bem sincero ao falar:
—E daí? — Lançou. — Sua cara é de quem vai confessar um assassinato e nada disso justifica uma conversa comigo. Fale logo.
O velho apertou os lábios respirando fundo, parecendo finalmente arrependido de ter aceitado dar a notícia. Encarou Acnologia com medo antes de falar.
—A Fairy Tail é a maior protetora de Magnólia. Tem sido assim desde sua fundação. E não podemos deixar um desgraçado desses a solta..... — Hesitou. — Mas eu não posso substituir um desastre por outro.
Acnologia cerrou os olhos impaciente e Mackrov despejou de vez.
—Com exceção de 2 iniciais, todas as 10 mulheres que ele matou são loiras magras de cabelos cumpridos. — Engoliu o seco e estremeceu quando viu os olhos bicolores serem completamente consumidos pelo vermelho sangue vívido. Entretanto o rei continuou imóvel e controlado na cadeira, então se forçou a continuar. — Carla disse que as primeiras eram testes e prática, e logo em seguida ele começou a estabelecer seu tipo.
Alguns instantes de silêncio fizeram o ar da sala parecer pesar toneladas, então continuou a falar apressado.
—Precisamos de muita ajuda para patrulhar. — Começou, mas logo desistindo da ideia de pedir auxílio do rei. — É claro que alguém como você e Lucy seriam de muita ajuda, mas vou entender se não quiser ficar aqui. Eu dou um jeito com Lahar e...
—Eu vou ajudar a pegá-lo. — O cortou.
Os olhos de Mackrov se abriram em pratos e seu coração quase foi a boca.
—Que...?
Acnologia desviou os olhos sangrentos para um canto da sala e abanou a mão.
—Lucy vai querer ajudar com isso. — Murmurou e depois voltou a encarar o Mestre. — E eu não gosto de algo que faça minha companheira se sentir insegura em um lugar que ela gosta de estar. — A frase saiu firme, mas soava como uma ameaça velada e sombria.
Após alguns segundos de choque, Mackrov pigarreou e voltou a falar.
—Tudo bem, tudo bem.... Olha, só por favor não exploda Magnólia. — Jogou suas preocupações todas de uma vez. — Isso já é problema o bastante. Falei com Carla e Lahar, eles queriam dividir todos, mas exigi duplas, então você cuida de Lucy. -Encarou o dragão. — E, por favor, ignore Carla. Ela é uma boa detetive, serve bem a Fiore, mas as vezes tenta umas coisas malucas e fala coisas que não tem noção. É mais por que ela quer pegar esses desgraçados o mais rápido possível e promover conforto ao povo do reino. Ela é apaixonada demais pelo trabalho e não sabe que você é um dragão. — Aperou os olhos e quase implorou. — Tente não a matar ou algo assim, esta bem?
Acnologia estreitou os olhos novamente, desconfiado.
—Por que tem tanto medo disso?
O mestre deu um suspiro forte e murchou os ombros. Não esconderia nada dele. Era melhor assim.
—Quando Carla descobriu que tínhamos uma maga que se encaixava no perfil ela sugeriu usa-la de isca.
Assim que as palavras saíram de sua boca, pode ouvir um rosnado – quase um trovão retumbante – ecoando por toda a sala. O som arrepiou cada fio de cabelo de seu corpo.
—Ora, ora.... — A voz sinistra que lhe provocava pesadelos finalmente apareceu.
O medo o apressou.
—Eu recusei, claro. Ameacei retirar a Fairy Tail da missão se isso acontecesse. Ela não vai ter o que quer, lhe garanto, mas ela pode te encher a paciência.
Acnologia fechou os olhos por um momento, e quando voltou a abri-los estavam mais amenos.
—Informe aos dois que Lucy não sai do meu lado, nunca. — Respondeu, e um olhar cruel apareceu em seu rosto. — Se eles não me enxerem, o mago será caçado.
Mackrov estremeceu até a alma. Aquela voz significava pura agonia a sua vítima.
Só que dessa vez não sentia pena.
~*#*~
—Por que não? É brilhante! — Retrucou Carla pela última vez, seguindo Lahar pelos corredores da guilda após terem repassado todas as informações para os magos. — Você a viu, ela é perfeita!
Impaciente Lahar respondeu sem a olhar.
—É suicídio. Esqueça essa idéia e ponto.
Ela bateu as mãos nas pernas em um gesto frustrado.
—Então me diga por que não? Por que ela é tão importante a ponto de Mackrov ameaçar retirar a guilda de uma missão federal! Ou o próprio conselho mágico repudiar o plano se ele não tiver o consentimento dela, da guilda e do namoradinho dela?
Lahar parou e se virou bruscamente, encarando-a impaciente e ameaçador.
—Eu vou seguir o que quer que fale para pegar esse cara, mas isso está longe dos limites Carla. Eu já tenho problemas grandes para lidar, e não quero uma bomba maior do que esse assassino em série para resolver, estamos entendidos?
Ela bufou incrédula e começou com sarcasmo.
—Por que? O namoradinho dela por acaso tem o poder de acabar com nosso exército inteiro se a fizermos ser nossa isca? Qual é, não vai acontecer nada com ela!
A expressão do soldado fez seu riso sarcástico ir murchando a medida que os segundos se passavam. Quando sua apreensão chegou ao limite ele começou a falar, com a expressão mais séria que já viu na vida.
—Não importa se acontecer ou não algo com ela. Se esse maníaco chegar perto dela, Magnólia desaparece do mapa. Lucy Heartphilia não será usada de isca. Você não vai insistir nesse assunto, e ponto final. Se tentar insistir mais uma vez vou solicitar que seja removida do caso, e, não importa se você é a melhor, o conselho irá dar a permissão.
Carla ficou pálida, não só pela ameaça de ser tirada de um caso no qual estava envolvida de cabeça, mas por que viu nos olhos de Lahar que a ameaça seria cumprida em um estalar de dedos. Sem conseguir pensar, as palavras saíram de sua boca em um sussurro.
—O que ele é?
Lahar respirou fundo e se aprumou, olhando-a de cima.
—Isso você não tem que saber. — E complementou, em consideração a colega, como um aviso que esperava que ela seguisse. — Vai por mim, é melhor não saber. — E continuou seu caminho pelo corredor.
Carla era uma pessoa que amava seu trabalho e que queria sempre fazer o melhor para o povo de Fiore, corrigindo as injustiças. Essa ambição era boa naquele ramo de trabalho, e impedia que as mazelas dele a corrompessem com o tempo.
Só que dessa vez era melhor que ela não fosse tão obstinada assim.
~*#*~
Lucy ajeitou o casaco quando a brisa fria noturna das ruas de Magnólia passou por si. Acnologia viu e puxou-a para perto, jogando um braço em seu ombro e a aquecendo com seu corpo quente.
—Você está bem com isso? — Ela questionou, enquanto caminhavam na rua de pedras deserta.
Ele entendeu a pergunta.
—Sim. — Murmurou rápido. — Quanto mais rápido o pegarmos melhor vai ser.
Lucy observou seus olhos analíticos e o modo alerta que se encontrava. Apertou os lábios engolindo a curiosidade de questioná-lo mais, sentindo que não era a hora e que não estava muito propício a isso.
Sua mente borbulhava em perguntas. É obvio que ele estava assim pelo perfil das vítimas ser igual ao seu, mas ele parecia bem controlado. Por isso o Mestre o tinha contado primeiro, mas mesmo assim lhe preocupava. Mais com ele do que consigo. Também tinha o fato de que ele se ofereceu para ajudar. Por que diabos do nada ele faria isso? Não combinava com seu comportamento usual, e estava se mordendo para saber o porquê.
Mudou de assunto.
—O plano de Lahar não parece muito bom para pegar um assassino. — Comentou, jogando um pouco do peso contra ele e absorvendo o barulho de seus paços nas pedras irregulares. — Ele mal tem pistas.
As ruas estavam mais gélidas e desertas que o usual, mesmo já sendo madrugada. A única luz vinha dos postes fracos e da entrada e janelas de poucas casas e prédios adiante. O toque de recolher tinha se estabelecido, já que ele pegava suas vítimas a noite. Foi divulgado apenas o mínimo na imprensa, para causar o menor pânico possível. Tudo o que a maioria sabia é que tinha um assassino de mulheres a solta e que não podiam sair mais a noite.
Obviamente os repórteres não ficaram satisfeitos. Apostava que não demoraria muito para descobrirem mais a respeito e a bomba estourar. A população também não estava satisfeita e estavam inseguros. Especialmente as mulheres, indignadas por serem forçadas a andarem acompanhadas e a insegurança pairando. A cobrança estava vindo forte para cima dos soldados e parecia que as coisas só piorariam.
—Esse plano não é para pegá-lo. — Acnologia respondeu. Sua resposta findou um pensamento que temia desde a reunião.
Suspirou e soltou seu pensamento também.
—Não, não é. É só para tentar impedir que alguém morra hoje.
O rei acenou positivo.
—Tudo que eles tem é a suposição de que ele pode camuflar a aparência e tem uma magia furtiva. Todas as poucas testemunhas viram pouco e o que viram era diferente. Como diabos vamos pegar alguém assim? — Jogou as frustrações ao ar.
O dragão a apertou contra ele e virou o rosto, observando as vielas e apertando os lábios, sem comentar de volta. Lucy o encarou. Ele parecia inquieto e nervoso.
—O que foi?
Ele desviou o olhar novamente.
—Você não vai querer ouvir. — Resmungou.
Apertou os olhos.
—Acnologia...
O rei suspirou.
—Eu poderia caça-lo. — Afirmou seco. — Não importa se ele tem magia furtiva. Eu poderia caça-lo, basta sentir seu cheiro e, uma hora ou outra, um dos ventos de Magnólia o trariam direto pra mim. Seria fácil, mas...
Pausou, porém Lucy respirou fundo e completou sua frase.
—Mas você precisaria de uma nova vítima para sentir o cheiro. — Concluiu.
Acnologia acenou positivo, encarando a rua.
—É.
E fez silêncio. Ambos caminharam, ouvindo apenas os breves ruídos do vento na noite e os passos de sua patrulha.
Era uma encruzilhada angustiante. Poderiam resolver o caso de uma forma rápida e eficiente, mas para isso precisavam de um bode expiatório. Um cordeiro a ser sacrificado para que a investigação pudesse fluir.
Seu estômago embrulhava só de imaginar. Um caso fresco traria uma luz no fim dessa montanha russa de pesadelos, mas para isso precisariam desejar que uma mulher, uma desconhecida passasse por um dos maiores terrores possíveis. Que seus últimos momentos na terra fossem com dor, desespero, medo, tristeza e nojo daquele ato nojento. Precisariam que alguém passasse por um inferno que nem sequer poderiam imaginar.
Ultrajante.
O sentimento de impotência fez Lucy ter uma ideia.
—E quanto a última vítima? Não poderia pegar o cheiro dela? — Questionou.
Acnologia negou com a cabeça antes de explicar.
—A última já faz 3 semanas. Mesmo que eu conseguisse me acostumar com o cheiro pútrido do cadáver para diferenciar os cheiros, supondo que algum cheiro decente tenha restado da fedentina, o corpo foi esquartejado e jogado em uma fonte decorativa na praça pública de um bairro pobre. A água com certeza apagou tudo.
Lucy torceu o nariz. Já tinha se deparado com cheiro podre de cadáveres antes. Só se lembrava de querer vomitar a alma. Era horrível e nem tinha o nariz de Acnologia. Seu companheiro possuía um dos melhores narizes deste mundo, conseguindo encontrá-la com relativa facilidade em uma multidão de mais de dez mil pessoas – festival de inverno do norte, ele foi buscar comida e voltou, encontrando-a e Erza, mesmo depois de terem mudado de local – nem poderia imaginar como seria suportar o odor de um cadáver e ainda encontrar um cheiro suspeito nele.
Acnologia também já tinha lhe dito que a água apagava rastros. Isso era curioso, já que uma vez tentou testá-lo despistando-o em um rio em uma de suas brincadeiras.
“Eu nem mesmo tenho que me concentrar para sentir seu cheiro, Lucy. Faz parte de mim. Não existe nenhuma forma de escondê-lo.” — Foi a resposta.
Respirou fundo a brisa gélida da noite. Seria uma semana tensa. Seu estômago se embrulhou ao pensar que muito possivelmente teriam outra vítima, e as fotos das anteriores das mulheres esquartejadas ainda estavam bem gravadas em sua mente.
Era compatível com a preferência do assassino, mas não se sentia ameaçada. Parte de sua mente sabia que sua sensação de segurança vinha dos braços de Acnologia, por que sabia e sentia que ele a protegeria, a descartando de ser a próxima. A outra parte de sua mente, por outro lado, achava aquela sensação errada e privilegiada.
Sim... era privilegiada. O privilégio vinha por saber que, se não fosse por ele ali, mesmo sendo uma maga poderosa da Fairy Tail estaria se sentindo violada. Andaria com medo pelas ruas, olhando para os lados, paranoica e insegura em sair de casa. Sentiria aquele alívio errôneo de quando um outro homem simplesmente passa por você a noite e não lhe faz nada. Sentia-se um objeto por também sentir que, a única forma de um homem respeitá-la, era tendo outro homem ao seu lado.
É, as vezes ser mulher é uma merda.
E isso não devia acontecer.
~*#*~
—Mais bêbados. — Murmurou.
Já era o terceiro dia de patrulhas, só que dessa vez estavam mais próximos ao centro de Magnólia, então é claro que haveria pessoas se divertindo e desrespeitando o toque de recolher. Eles eram homens. A não ser que do nada criassem um par de peitos e uma vagina, não estavam na lista de possíveis vítimas, então sua liberdade não estava sendo prejudicada em nada.
Acnologia suspirou cansado. Eram 3 dias praticamente sem dormir ou comer. Os magos estavam começando a ficar cansados. Era bom que os reforços das outras guildas começassem a agir logo também.
Nenhuma pista em três dias, nada novo em três dias e os ânimos estavam mais tensos também. A imprensa e a população cobravam dos soldados, que por sua vez pareciam descontar o mau humor nos magos.
Que grande merda.
—Ta legal, vamos bancar os detetives! — Lucy declarou do nada.
Acnologia a olhou por um momento antes de voltar a analisar as ruas, sem dar muita relevância.
—Que tipo de magia te permite ser furtivo e mudar temporariamente de aparência? — Jogou ao vento, enquanto viraram a esquina.
Pensou um pouco em sua pergunta antes de responder.
—Pode ser um Avange. — Murmurou. — Já vi essa magia algumas vezes na guerra a uns séculos. É parecida com a magia de Mirajane de possuir. Eles conseguem formar ilusões para os outros que os cercam, e fugir por passagens sombrias. São parecidas com os portais de sombra que Rogue usa. Magos assim eram cobiçados e bem pagos durante a guerra. É muito útil em espionagem, mas hoje não tem muitos.
Lucy estreitou os olhos. Se Acnologia sabia disso então a investigadora também sabia. Muito provavelmente ela já tinha feito buscas nos arquivos de magos, mas não encontrou nada. Era opcional você declarar ou não sua magia ao governo. Obviamente sua burocracia e vida era facilitada se o fizesse, mas, assim como seu Rei, algumas pessoas simplesmente não o faziam.
Suspirou. Os dias de trabalho intenso e sem descanso estavam começando a pesar. Dormiram umas cinco horas nos últimos dias. O bolso de seu casaco tremeu. A lácrima de comunicação no bolso de seu casaco tremeu. Ambos pararam no meio da rua e, por alguma razão, sentiu um gosto ruim na boca quando a pegou.
—Aqui é Lucy. — Respondeu prontamente.
—Temos uma nova vítima. — O soldado do outro lado avisou sem rodeios. Seu estômago embrulhou. — Venham para a Alameda dos Salgueiros. — E desligou.
Alameda dos Salgueiros. Um bairro de pessoas mais pobres que recorrem a outros meios de vida. As memorias das fotos apresentadas na reunião vieram a sua mente.
Sentiu-se enjoada.
~*#*~
Pode ver sem que precisasse chegar muito perto. Em um beco de passagem mal iluminado, ao lado de Lahar, Carla e mais alguns magos, estava o corpo. Ou pedaços dele.
Podia ver as pernas arranhadas, cheias de contusões, restos de um vestido mais curto, ao lado de um braço desmembrado, com notórias marcas de defesa. O ventre tinha sido estripado. O assassino separou o tronco das pernas e a mutilou desde a vagina até a barriga, expondo as vísceras e colocando o que restou do útero em cima do coração da moça que fora decapitada. A cena era igual a das outras.
De canto do olho, viu Gajeell, Natsu e todos os caçadores chegarem também. Eles iriam farejar o corpo. Estremeceu, agradecendo por não ter um bom nariz. O cheiro do sangue da pobre moça já chegava ao seu sem que precisasse de um sentido aprimorado.
Acnologia apertou seus ombros com o braço e sussurrou em sua orelha.
—Fique aqui.
Não tinha a menor intensão de ir.
A soltou, caminhando para a área já cercada por fitas, o sol já dando sinais de nascer. O corpo ensanguentado e cheio de terra, estava irreconhecível. Os seios expostos eram a única parte intacta do tronco. A cabeça tinha sido removida e colocada cuidadosamente ao lado do corpo, com os longos cabelos loiros estendendo-se como um tapete bem colocado pelo chão. O assassino estava mostrando um quadro de filme de terror.
Estreitou os olhos, contendo o rosnado. A cor dos cabelos era um pouco mais escura que a de Lucy, mas a estatura, pode presumir, era a mesma. Algo se agitou em seu interior, mas do que a besta sorrateira que se mantinha em silencio, aquele sentimento protecionista e vingativo. Expos os dentes como reflexo, mas conteve o rugido.
Gajeel chegou ao seu lado e se agachou em frente ao corpo, começando a farejar. Mantendo-se de pé, fez o mesmo. Tomou uma respiração profunda.
O sangue, a lama e o cheiro podre de ureia foram os primeiros a virem. Se concentrou, sentindo o cheiro de medo que ainda residia no cadáver, o pavor da pobre mulher que ficou gravado em sua pele, mesmo após sua morte. Foi fácil sentir o cheiro nojento da excitação do assassino. O odor fétido masculino de bebidas, um toque ácido e algo próximo a abeto. A fera rosnou em seu âmago, gravando seu cheiro na memória, se preparando para a caçada.
Abriu os olhos, virando-se bruscamente e saindo do beco.
Colocou os olhos em Lucy, vendo-a acanhada, enquanto Lahar discutia com a investigadora Carla bem a sua frente. Pode pegar parte da conversa, agora que prestava atenção.
—Eu lhe avisei que não! Você será removida do caso se insistir mais uma vez!
—Você não tem esse direito! — Ela respondeu furiosa.
—Sim, eu tenho. Eu sou o... — O mago do concelho o viu chegando, com a feição cansada.
Em um segundo seu rosto mudou e deu um sorriso sádico.
—Quer saber? Tudo bem. Pergunte. Quando vier chorando não conte comigo. — E saiu de perto, indo de volta à cena do crime.
Quando cruzou consigo ele sussurrou.
—Assuste-a, mas não a mate, por favor.
Ficou confuso com sua fala, mas ele não parou para explicá-la. Continuou seu caminho retornando ao lado de sua companheira.
—Conseguiu? — Ela perguntou, temerosa.
O medo, sabia, vinha do pânico que o canalha vinha instaurando nos últimos dias.
—Claro. — Respondeu com um sorriso, passando o braço em seu ombro e ignorando Carla no processo.
Cheirou os cabelos loiros apenas para relembrar que ela estava ali e tirar o outro cheiro de seu nariz. A ignorada pigarreou.
—Você deve ser o Acnologia. — Ela respondeu, aprumando o corpo e tentando passar sua posição superior como autoridade.
Isso, obviamente, não funcionaria no rei. Ao contrário, atiçava seu outro lado a coloca-la em seu lugar.
—O que quer comigo? — Foi direto, encarando-a.
Ela piscou.
—Com você propriamente, nada. Mas me disseram que só poderia fazer essa solicitação em sua presença.
Sinceramente ela não entendia por que nem mesmo o Mestre aceitou dar a ordem de usar a maga em seus planos. Nem Lahar com toda sua autoridade. Ora bolas! O sujeito era um mago, subordinado ao conselho e a guilda. Por que tinha que pedir? Tudo bem que ele era um classe S pelo visto, e um caçador, mas ainda assim não era um Rei!
—Lucy, — Virou o olhar para a maga. — Esse cara já está a solta por tempo demais. Tenho um plano de utilizar uma maga como isca para capturá-lo. Você coincidentemente se encaixa no perfil. Pode colaborar conosco? — Apesar de tentar parecer amigável, a pergunta soava como uma ordem.
A maga sentiu o peito de Acnologia tremer com o rosnado, chacoalhando o seu próprio, porém sua expressão se manteve a mesma.
—Eu pensei que Lahar e Mackrov já tinham deixado isso bem claro. — Sua voz saiu como um sibilo de uma cobra, a desafiando a continuar.
A maga do concelho tremeu. Não soube o porquê, mas aqueles olhos vermelhos lhe arrepiaram a espinha, e seu instinto lhe dizia para recuar. Rápido.
Era uma maga do conselho, entretanto, e não chegou tão longe se deixando intimidar assim.
—Eles deixaram claro. — Afirmou, tentando reaver a postura. — Mas a questão é que acho uma besteira ameaçarem se retirar de uma missão nacional por isso. Vocês são magos. É nosso trabalho... Seu trabalho, proteger Fiore. Isso é uma missão de alto escalão. Não deveria ser um pedido. — Se impôs, reafirmando que o pedido era uma ordem dita de forma educada.
Carla era durona. Tinha que ser. Em um mundo governado por homens pretenciosos o único jeito de subir e ser respeitada era provando em dobro que era capaz de fazer muito mais do que todos eles juntos. Sua teimosia, resiliência, amor ao cargo, inteligência em solucionar crimes e seu poder adquiridos com um treinamento árduo, eram fundamentais para o cargo que conquistou.
Só que as vezes todas essas qualidades poderiam ser um tiro pela culatra.
A esclera de Acnologia ficou negra. Ele abriu a boca, passando a língua entre os dentes, propositalmente mostrando as presas afiadas. Ele falou com calma, mas sua voz era outra.
—Eu estou ajudando por causa do acordo e o acordo diz que Lucy não está nele. — Observou com satisfação Carla se encolher com sua voz e, mesmo sem ser um dragão, sentir sua imposição de Alfa. -Não vai usá-la como isca. E se tentar quebrar essa condição, pode tentar a sorte para pegar esse cara.
Carla sabia que a vinda dele a Magnolia lhe dava uma vantagem e uma desvantagem. A desvantagem é que a cidade das flores era a maior cidade que ele havia começado a matar e a vantagem é que poderia usar as guildas do reino, o que incluía os famosos Dragon Slayers. A capacidade deles de rastrear era uma arma enorme, e o problema é que a guilda que impôs condições e ameaçou se retirar caso as exigências fossem descumpridas, era a guilda com a maior quantidade deles. Fairy Tail.
Engolindo o seco, ergueu o queixo e falou.
—Não pode ir contra o reino! — Exclamou convicta.
Mas a forma como ele a olhou fez sua certeza vacilar. Algo naqueles olhos vermelhos lhe dizia que ele podia.
—Ah não?— Ele questionou quase debochado.
A pressão mágica que veio em seguida foi avassaladora. Caiu no chão, de bunda, assustada com o massivo pavor que a tomou. Seu coração bateu rápido, ao ponto de querer sair por seu peito e seu sangue esfriou.
Os magos e soldados ao redor ficaram em silêncio, não se atrevendo a chegar perto daquela energia aterrorizante.
Ainda tremendo, Carla olhou para a única que parecia não se abalar nenhum pouco: Lucy.
—V-vai ficar assim? — Questionou a maga, acusando-a de não tomar uma atitude.
Se perguntou como ela conseguia ficar tão tranquila nos braços daquele mago. Essa energia, essa intenção assassina, não era algo que uma pessoa consiga tolerar tão tranquilamente.
Lucy entendeu o questionamento e a analisou, sendo incisiva e crítica.
—Se quer saber se concordo em ser isca, a resposta é não. — Afirmou.
Entretanto, aquilo não era apenas por Acnologia. Claro, já estava surpresa com seu Rei ajudar tão facilmente, mas não era apenas por isso e pelos traumas do passado.
Carla estava tão obcecada em pegar esse assassino que estava deixando as coisas mais óbvias passarem, mas Lucy teve bastante tempo para pensar enquanto rondava.
—Seu plano é falho, e eu nem sequer preciso ouvi-lo para saber. Posso ter saído das vistas dos repórteres de magos nos últimos anos por minhas razões pessoais, mas Magnólia ainda me conhece. Ele é inteligente, já provou isso te enganando 13 vezes sem deixar uma pista útil. Ele vai saber que uma maga da Fairy Tail é uma armadilha pronta. Além disso ele só ataca magos de produção. — Ressaltou.
As vítimas daquele homem eram ou pessoas normais ou magos de produção — pessoas que podiam usar magia, mas por conta de sua baixa quantidade de mana e aptidão usavam a magia para tarefas rotineiras, criar equipamentos mágicos, ou algo útil a profissão que escolhessem. Magias de base.
—Ele procura os fracos Carla, e seria melhor que esquecesse de sua obsessão por um segundo e pensasse em algo mais efetivo do que tentar usar seus colegas de isca. Aposto que já tentou isso e não funcionou, então pare de tentar.
O olhar de Lucy foi tão frígido e sua resposta tão certeira que a fez abaixar a cabeça, envergonhada. De fato, já tinha testado com uma soldado de seu batalhão na cidade anterior onde ele estava: Verona. Entretanto não funcionou. Pensou que era por que a estatura não batia e a cor dos cabelos era mais escura, mas talvez não fosse só isso. Tinha algo que não conseguia ver.
Quando voltou a erguer a cabeça os dois magos já tinham sumido, mas o medo deixado por aquele caçador ainda reverberava em sua espinha.
~*#*~
Tirou os sapatos quando passaram pela porta, entrando no pequeno apartamento. Suspirou, o sol já subia no horizonte, mas estavam exaustos e tinham poucas horas para dormir e comer.
Acnologia percebeu os pensamentos conflitantes em sua cabeça.
—A resposta é não. Nem mesmo se você me ordenasse. — Ele resmungou, indo na direção do quarto enquanto removia o casaco e a blusa pelo caminho.
Nem mesmo a dor lacerante de renegar uma ordem o faria deixar que Lucy virasse isca.
Vincou as sobrancelhas. Aparentemente ele notou, mas entendeu errado.
—Eu não ia te pedir para me deixar ser a isca. — Retrucou, também entrando no quarto e tirando a bolsa de chaves, colocando-a em cima da cômoda.
Espreguiçou, puxando os cabelos para amarrá-los em um coque antes de terminar.
—Já falei que essa idéia nunca daria certo, mesmo que eu concordasse. Além disso eu sei dos seus limites Acnologia, estamos juntos a anos, e não vou ultrapassá-los. — Resmungou, pegando uma camisola no armário e já tirando a roupa para vesti-la.
Ele a olhou, desconfiado. Nunca tinha descumprido esse acordo silencioso que fizeram. Ela o deixava extrapolar as vezes, ele tolerava um pouco mais por ela, mas depois do problema com Lazaros nunca ultrapassavam algum limite que o outro impunha. Uma regra não dita, mas ele sabia que amava seus amigos e talvez um dia precisassem passar esse limite uma ou duas vezes. Lá no fundo, Acnologia sabia que não ligaria de ultrapassá-los, mas tinha medo. Aquela memória antiga ainda era uma sombra poderosa em sua mente.
Ele apareceu do seu lado, de cueca, puxando seu rosto para cima e analisando-a com os olhos – finalmente — azuis.
—Então por que está preocupada? — Questionou.
É óbvio que ele estava monitorando seus sentimentos. Tinha a porra de um psicopata a solta.
Suspirou com força e frustrada.
—Por que apesar da idéia de Carla ser uma merda, eu concordo que precisamos fazer alguma coisa! Esse filho da puta já está por ai há oito meses e ela não conseguiu pegá-lo. — Ralhou, jogando-se na cama e nos travesseiros em seguida.
Devia ter tomado um banho primeiro, mas seu corpo estava moído e só queria dormir.
Apesar de seu rosto enterrado no travesseiro, sentiu o peso do corpo de Acnologia se acomodando ao seu lado.
Ele tocou a lateral de seu rosto, fazendo com que virasse um pouco para olhá-lo.
—Eu tenho o cheiro dele agora Lucy. — Murmurou. — Vou caça-lo. Se ele ainda estiver aqui eu vou encontrá-lo.
Ela fechou os olhos, apreciando seu carinho e suspirou.
Acnologia virou-se para cima, terminando de se deitar na cama estreita. Precisava urgentemente dormir.
Se lembrou de uma coisa. Abriu os olhos e escalou seu peito nu, cruzando os braços em seu tórax para encará-lo. Ele a envolveu com os braços automaticamente e abriu as pálpebras para vê-la.
—Eu não estou reclamando. Nenhum pouco. Só que... Por que do nada você decidiu ajudar? — Questionou, sem nenhum segundo esconder a desconfiança.
É claro que ela estava desconfiada. Acnologia já previa essa reação e não podia culpá-la. Sua reação normal a esse tipo de coisa séria ir para as montanhas, onde nada poderia chegar em Lucy. Era uma reação automática de seu instinto de proteção e uma consequência de sua quase morte a anos atrás. Entretanto, desde que tomou controle da fera e de seu poder de alfa, conseguia ter um pouco mais de racionalidade em seus instintos.
Mas não era só isso.
Espalmou uma das mãos na bochecha da maga.
—Você gosta de Magnólia e gosta de ficar perto da guilda. — Não foi uma pergunta.
—Sim... — concordou mesmo assim, não entendendo onde ele queria chegar.
—Não é justo que se sinta prisioneira em um lugar que você ama estar. — Murmurou. Sua mão acariciou sua bochecha e levou os cabelos loiros para trás de sua orelha. — Sou egoísta o bastante para querer você longe daqui por que gosto de sua atenção só pra mim e vou usar qualquer justificativa que possa para isso, mas não sou um babaca. Você é feliz aqui, eu gosto de te ver feliz aqui e essa rotina me deixa feliz. — Confessou.
Ele fez uma pausa. Seus olhos ficaram um pouco sombrios quando voltou a falar.
—Homens estupram, mas por que você paga o preço por isso? — Conjecturou. — Eu nunca pensei muito sobre isso, nunca quis me envolver nisso, mas durante o tempo que fazemos a ronda as únicas pessoas desrespeitando o toque de recolher são aqueles que sabem que nada vai acontecer se o fizerem.
Sim. Os únicos desrespeitando o toque de recolher eram homens. Eles continuavam a beber ate a madrugada nos bares de esquina, andando despreocupadamente por ai, por que sabiam que não seriam violados, humilhados ou mortos. No máximo, se estivessem com azar, seriam assaltados ou presos por violarem a lei. Nenhuma mulher podia sair tranquilamente dessa forma, e isso nunca o tinha incomodado, até agora.
Continuou organizando os fios loiros e sua outra mão acompanhou a linha da coluna dela enquanto falava.
—Me irrita que você não possa fazer o que quer por não se sentir segura. Eu fico...- Ele hesitou. — Irritado, por isso. -Ela percebeu que ele mudou a palavra para apaziguar a verdadeira raiva que sentia.
Lucy podia se proteger, mesmo que não precisasse pois era seu dever e prazer protegê-la. Havia uma satisfação estranha, que invadia seu âmago e o enchia de prazer quando podia usar sua força para isso. Era algo pessoal – talvez até um pouco homem das cavernas – que se tornou uma necessidade desde o dia que a marcou.
Ela não fazia objeções, permitindo que tomasse a frente e finalizando a parte não burocrática dos problemas que enfrentavam – aqueles que podia resolver com os punhos – por saber não só da sua necessidade de proteção, mas também pela sua necessidade de violência. Era uma criatura de vícios e lutar era um deles. Extravasava na violência, no prazer de sentir deu poder percorrer suas veias e de destruir seus inimigos, mas, como a intrometida Levy gostava de lembrar, encontrar Lucy o tinha domesticado, tornando-o menos propenso a ir atrás deste vício em particular, entretanto, ainda incapaz de se livrar dele. Era sua natureza.
E Lucy o aceitava assim.
Ela se sentia segura em seus braços por dois motivos: O primeiro era pelo poder que empunhava e pela forma voraz que insistia em protegê-la e o segundo era por confiar completamente que nenhum pingo daquela violência frigida algum dia respingaria em si – como acontecia com muitas outras pessoas em relacionamentos infelizes. Tinha sua confiança, seu amor e seu coração e não abriria mão disso. Era seu deleite vê-la tão confortável em seus braços, mesmo que se transformasse em uma besta.
Só que nada disso importava muito, já que um único pervertido escroto em Magnólia podia atravessar as barreiras físicas e ir direto para a mente de sua maguinha e lembrando-a de que por ser o que é não poderia sair por ai a noite, ou confiar em estranhos por ai.
Isso a deixava triste.
Maldição, isso era triste e o deixava puto.
—Por isso quis colaborar. — Finalizou. — Não sou um ativista da causa, e provavelmente nunca vou ser, mas decidi usar cada oportunidade que tiver para deixar o seu mundo mais seguro e você mais feliz. — Respondeu com honestidade.
Ela sorriu.
Acnologia era sua sombra, mas sabia que grande parte do desejo dele de estar consigo 24h vinha mais do seu egoísmo e desejo por sua companhia do que exclusivamente proteção. Ele sabia o que era o desejo de liberdade e poder ir aonde quiser sem medo e queria que sentisse o mesmo a onde fosse, mas isso se complicava muito em situações como as que enfrentavam agora.
—Olha quem decidiu ser romântico. — Murmurou, satisfeita com a resposta.
Se esticou para beijá-lo antes que ele retalhasse.
Sua língua mergulhou em sua boca em um beijo profundo e lento, gemeu sentindo as presas afiadas em sua língua, lembrando da sensação delas em seu pescoço. Acnologia puxou seus cabelos em resposta e, quando quebraram o beijo, ele falou.
—Estou cansado demais para isso. — Murmurou arrastado.
Obviamente, seu pênis semiereto cutucando em sua coxa não partilhava da mesma opinião, nem sua intimidade molhada, aparentemente.
—Eu também. — Respondeu se esparramando nele como se estivesse se acomodando em um colchão.
Os turnos exaustivos cobravam seu preço. Mesmo após vários dias sem se tocarem, o desejo arranhando as bordas, estavam esgotados demais para apreciar o momento. Sentia que se não dormisse logo ia ter um piripaque. Ele a puxou contra seu corpo, enfiando o nariz em seus cabelos e soltando um suspiro longo.
—Dane-se os horários. Vamos dormir até de noite, por favor.
Lucy gemeu, concordando.
~*#*~
O velório foi rápido. Precisava lembrar a si mesma de não vomitar toda vez que olhava para o caixão fechado. Dessa vez não foi apenas o horror, foi a raiva.
A vítima era uma velha conhecida da guilda e de praticamente Magnólia inteira, Irlana. A famosa moça que fazia um dos melhores doces da cidade. Ela vinha toda semana com sua sexta entregar os pedidos e encomendas da Fairy Tail, com seu rosto sorridente e cabelos loiros presos com uma faixa.
Quando encontraram o corpo, mutilado, violado e desfigurado como um troféu macabro, vomitou. A reconheceu facilmente e Acnologia também. Ele captou o cheiro que os levou ate lá. Aparentemente Gajeel também sentiu já que foi o próximo a chegar com Levy, que também colocou o café da manhã para fora.
Já era horrível apenas o fato dele matar e estuprar pessoas, ver aquilo lhe deixava um sabor amargo no estômago, mas era diferente quando a vítima era alguém que conhecia. Aquilo era pessoal.
Não estava nada bem. Estava enojada, com raiva e possessa. A sensação de impotência a cobria, e, tudo o que mais queria, era espancar aquele desgraçado até a morte.
Nunca mais veria Irlana e seus sorrisos, e não queria imaginar seus últimos momentos, mas sua mente não conseguia evitar.
—Eu quero ele morto! — Exasperou, depois que saíram do velório e se reuniram com o time. Puxou os cabelos de raiva.
Acnologia estremeceu. Ela não tinha percebido por estar mergulhada na raiva, mas sua marca se ativou e suas palavras foram consideradas uma ordem. Os cabos se apertaram, lhe provocando um pouco de dor por não realizar a ordem de imediato, mas ignorou isso e a deixou continuar seu desabafo.
Irlana era uma amiga boa. Não era íntimos, mas eram familiarizados o bastante para se importar. A doceira tinha cativado metade de Magnólia aparentemente, pela quantidade de gente no velório. Isso deixou mais evidente a preferência dele: vítimas de oportunidade. Irlana foi mais tarde para casa, depois de atender pedidos de última hora.
—Morto? — Levy exclamou. — Eu quero ele bem vivo e torturado, isso sim.
—Todos nós queremos isso Levy. — O Mestre exclamou, sentando-se no banquete do bar da guilda. — Precisamos mudar de estratégia. Isso não está funcionando. — Ele esfregou o rosto velho com as mãos e coçou a barba. — Eu sei que todos estão cansados, mas não podemos mais ter pausas. Precisamos de outra forma de encontrá-lo logo.
Erza se virou para Acnologia, Baskin e depois olhou para os caçadores de dragões.
—Vocês são a nossa melhor chance de achá-lo. Tem alguma idéia?
—De preferência uma que resulte em mantê-lo vivo sob tortura. — Lucy ralhou.
Novamente a marca pulsou e as correntes apertaram. Estremeceu antes de responder.
—Precisaríamos de um jeito de vasculhar Magnília inteira por quadrante. Dividir a cidade em partes e vasculharmos tudo, mas isso daria uma brecha para ele nos evitar, já que concentraríamos boa parte de nossos esforços em uma área só. — Foi franco.
O mestre suspirou.
—Então não tem jeito mesmo... — lamentou.
—Na verdade, — interrompeu Baskin. — Tem. — Murmurou e todos se viraram para ele, o que o fez expor sua idéia. — Wendy é filha de Grandiney, ela controla os ventos. Podemos pedir para ela trazer o vento de cada área da cidade para nós. Se um de nós sentir o cheiro já era. Saberemos onde procurar e pegaríamos o rastro com facilidade.
Wendy era a única que não pegou o cheiro do assassino. Tinham acordado unanimemente que o cheiro de um estupro não era algo que uma garota de 17 anos devia ter na memória, especialmente quando seu relacionamento com Romeo estava evoluindo. Mas isso era algo que ela podia fazer.
—Eu não tenho tanta magia assim, Baskin-san! — Wendy exclamou.
Queria ajudar, mas a cidade de Magnólia era enorme. Não tinha poder mágico o bastante para cobrir o território todo.
—Eu vou fornecer a magia que precisa. — Acnologia ofereceu.
A idéia era muito boa, e agora, mais do que nunca, queria pegar esse cara.
O Mestre balançou a cabeça, concordando com o plano.
—Tudo bem então. O que precisamos fazer?
—Vamos precisar de um lugar alto. — Gajeel interviu. — A igreja central deve servir. Fica mais fácil pegar o cheiro assim. Também vamos precisar de tempo. Wendy precisará fazer os celos e talvez algumas runas de Freed e Levy para espalhá-los pela cidade nos quadrantes certos.
—Muito bem então. — O Mestre respondeu. — Todos mãos a obra. Eu cuido de Lahar.
~*#*~
Uma caçada era sempre um teste de paciência. Agachado no beiral do topo de uma das torres da igreja central de Magnólia, podia sentir seus músculos travados e pacientes, aguardando ansiosos o cheiro da presa vir até suas narinas para que pudesse abatê-la.
A besta ronronou, arrepiando de antecipação para concluir as ordens de sua companheira, dadas sem querer, passando a língua nas presas afiadas. Foi inevitável não replicar o gesto, enquanto abria os olhos. Estava ansioso e mais atento do que nunca com seus sentidos.
—Quadrante 7 da parte norte! — O soldado que ajudava a orientar Wendy gritou para os dragões e caçadores, empoleirados no topo da igreja.
Sua magia fluiu para a pequena Dragon Slayer e instantes depois o vento veio, trazendo os cheiros daquele lugar. O odor das centenas de moradores de Magnólia passou por si, e os analisou de forma minuciosa. Nada ainda. O Sol ia se por em breve e menos da metade da cidade tinha sido escaneada pelas magias do vento.
Mas isso não importava. Era um caçador paciente.
O mesmo não podia ser dito de Natsu, que parecia cada vez mais louco para ir embora. A hiperatividade dele era seu maior inimigo em momentos como este.
Quase metade da cidade já tinha ido. Estava ansioso, esperando o momento, de olhos fechados e paralisado como uma estátua. Escureceu, o sol deu lugar as luzes da noite, e o barulho na cidade foi ficando cada vez menor até que, vindo do próximo quadrante, os ventos trouxeram aquilo que queria.
O cheiro nojento entrou por suas narinas, fazendo seus músculos retesarem, a adrenalina sendo injetada instantaneamente em suas veias e seu poder fluindo sobre elas.
A caça tinha aparecido.
Suas asas surgiram rapidamente e saiu da torre tão rápido quanto uma bala na direção de sua presa. Suas garras rasgaram o chão de pedra da pequena viela quando aterrissou, gerando faíscas. Fechou os olhos. Não precisava da visão agora. Seus sentidos, olfato e audição se ampliaram, o cheiro se tornou mais coeso, conseguiu determinar de onde estava vindo.
Um gemido de desespero abafado também chamou a atenção de seus ouvidos, atravessando os barulhos típicos dos talheres e panelas daqueles que preparavam e se serviam das últimas refeições do dia.
Seu corpo se moveu sozinho, atravessando rapidamente as ruas e vielas, impulsionado por puro instinto selvagem de caça. Sentiu que estava perto do alvo, seus músculos vibraram com a energia, preparando-se para pegá-lo.
Nem sentiu a porta do armazém subterrâneo quando a atravessou por completo como se nem estivesse lá. Sua preza tentou reagir quando ouviu o barulho estrondoso, mas era tarde demais. Suas garras já estavam em seu pescoço e já tinha o prendido contra a parede.
Os tijolos foram amassados e a estrutura do lugar estremeceu, o teto derramando poeira sob suas cabeças. Entorpecido pela adrenalina da caça, tudo parecia mais lento.
O homem em suas garras era loiro, olhos azuis, uma estatura menor que a sua. Ele revirava os olhos com a dor de ser arremessado e preso contra a parede. Suas mãos agarravam seu pulso tentando se livrar do aperto na garganta. As roupas eram caras. Um burguês, classe média. Podia sentir a mana.
Um maldito riquinho pé-rapado e escroto tinha gerado aquela missão infernal. Claro que nenhum guarda do reino o pararia. Ele não se encaixava na aparência de um marginal, como se um assassino tivesse uma aparência. Ele não era negro, pobre ou de má aparência para ser questionado ou parado.
Sentiu os primeiros indícios de um portal das sombras se abrindo. Ele de fato era um Avenge, e, ora, ele achava mesmo que iria fugir?
Agarrou um se seus pulsos com a mão livre e o torceu até quebrar todas as juntas e ossos. Ele gritou com o pouco fôlego que ainda tinha, os olhos se retorcendo com a agonia da dor e a boca espumando. A dor o impediria de se concentrar para forjar um portal. Por um instante pensou que ele fosse desmaiar.
Não, ainda não.
A besta rosnou em seu interior, inundando seus músculos com poder. Lembrou-se de como Lucy tinha ficado triste com a morte de sua conhecida amiga e de como o medo afetou sua rotina em Magnólia. A ordem dada acidentalmente fez suas tatuagens reluzirem, e seus olhos ficarem vermelhos rubros.
Um soluço assustado desviou sua atenção hiper focada por um segundo. Virou o rosto finalmente percebendo que não estavam sozinhos ali. Havia uma jovem, cabelos loiros, olhos castanhos. Ela estava praticamente nua, só as meias rasgadas e um de seus sapatos ainda estavam em seu corpo. Amarrada sob uma mesa de açougueiro, feita para desmembrar animais, amordaçada com um pano e cheia de marcas de espancamento, as lágrimas e os olhos arregalados revelavam seu pavor. O cheiro de seu medo era tão forte que a única razão para não tê-lo notado há vários quarteirões dali era por estar extremamente focado em pegar o filho da puta que agora retorcia em suas garras.
Obviamente sua aparência sombria provavelmente a estava deixando ainda mais assustada, mas não podia fazer nada quanto a isso.
—Me... Solte... -A voz nojenta voltou a puxar sua atenção. — Me... Me deixe ir!
Deixar ir?...
Como ele ousava?
Sua raiva chegou ao estopim. O rosnado saiu de sua boca de forma tão feroz em conjunto com sua aura alfa que ele se encolheu, o pânico tomando seu corpo por completo. Expôs os dentes afiados quando usou sua voz dracônica:
—Deixe-me ir?— Riu. — Quantas vezes ela disse isso pra você? — Apontou para a garota com a mão livre.
Aquela garota poderia ser Lucy. A ordem o atravessou forte junto com sua própria Gana de matar. O desejo de derramar o sangue dele o cobria ate a língua. Foi difícil contê-lo, a quase um ano atras teria sido impossível.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!A fera rosnou.
“Por que?” Ela exasperou por ser contida.
A resposta era simples.
‘Ele vai morrer’ — Tranquilizou seu âmago. ‘Mas vai ter que implorar por isso’
A besta ronronou com sua ideia. Suas garras da mão livre se alongaram ainda mais e as chamas a adornaram.
—Essa ideia é melhor. — E fincou-as na virilha do estuprador.
O berro poderia ser ouvido a quilômetros. Suas chamas negras queimaram o órgão quase por inteiro enquanto ele se retorcia em desespero. Suas chamas primordiais deixariam impossível que qualquer magia de cura no mundo conseguisse curá-lo.
Soltou o que um dia foi um órgão masculino e começou a se perguntar que outra parte iria queimar. Suas chamas impediriam que ele morresse de perda de sangue e, desde que o deixasse respirar o suficiente e o mantivesse consciente, poderia torturá-lo o quanto quisesse.
Ouviu passos apressados vindos da porta. Foi fácil reconhecer Lahar e alguns de seus companheiros de guilda. Lucy já estava em seu radar a algum tempo.
—Esse maldito e rápido pra caralho. — Gajeel resmungou enquanto desciam as escadas para o porão.
Todos pararam na porta, finalmente se deparando com a cena e com o monstro que tinham perseguido por muito mais tempo do que deveriam. Os únicos sons eram a respiração ofegante da pobre garota e os gemidos do assassino em suas garras.
Lahar foi o primeiro a sair do choque inicial e pigarreou.
—Acnologia, poderia por gentileza soltá-lo?- Apertou os olhos para ele. -Por favor? — Reforçou o pedido.
Não tinha essa intenção.
—Acno. — A voz baixa de Lucy o fez rever suas prioridades.
Ela tinha cruzado os braços, abraçando a si mesma e, ao contrário dos outros olhava para a pobre moça que ainda estava desesperada e vulnerável naquela mesa nojenta. O corpo era totalmente diferente, mas os cabelos e o formato dos olhos era bem parecido com os dela.
Sua companheira estava assustada. A ordem era irrelevante.
Soltou o imbecil de imediato, indo em sua direção. O corpo caiu seco no chão, causando ainda mais dor. Chegou perto dela, calmo o bastante para voltar por completo a forma humana, e passou os braços ao seu redor dando um beijo em meio a seus cabelos. Ela se apertou contra seu corpo, aceitando sua proteção e conforto.
Agora tendo acesso a mais ar, sem suas chamas queimando-o, o assassino foi capaz de contornar um pouco a dor e entender que Lahar, que se aproximava dele, era um servente da lei pertencente ao conselho.
—Pre-prenda-o. — Ele gemeu, encolhendo-se com a dor, enquanto gemia, colocando a mão não quebrada sobre o que restou da virilha. — Ele... me queimou. Me agrediu. Eu... sou filho de um conde!
Já tinha vivido muito. Muitas poucas coisas – especialmente aquelas que não envolviam Lucy – o impressionavam, mas tinha que admitir que isso foi algo que não esperava.
Lahar chutou o rosto do marginal com força o bastante para arrancar um dente e deixá-lo quase inconsciente.
—Infelizmente, — o conselheiro começou a falar. — o prisioneiro resistiu a prisão e sofreu ferimentos durante o processo de captura. Devido sua periculosidade e histórico, o uso da violência foi necessário para garantir sua prisão. Com ele foi encontrada uma nova vítima em estado grave e que, devido ao horário tardio e ao pouco pessoal ela foi a prioridade de atendimento médico, deixando nosso prisioneiro como secundário, ministrando remédios apenas para sua sobrevivência, até que houvesse uma equipe médica disponível para atendê-lo. — Ele ajeitou o casaco e virou-se para todos. — Alguém tem alguma correção para fazer neste relatório?
Ninguém contestou.
Carla passou por todos indo direto para a vítima. Ela colocou seu enorme sobretudo branco por cima do corpo nu antes de começar a soltá-la, tirando-a das cordas e livrando-a da mordaça.
A forma como ela gritou, o desespero que ela se agarrou a conselheira que tentava consola-la e aqueles olhos apavorados o fizeram ter certeza de que se não fosse Lucy ali, em seus braços, estremecendo com aquele grito de agonia, suas chamas iriam continuar queimando aquele burguês.
Muito lentamente.
~*#*~
O sol da tarde fazia o horizonte ficar alaranjado, refletindo nas águas do pequeno canal da rua. A janela do pequeno apartamento lhe propiciava uma vista calmante do pequeno bairro de classe média. O lugar era aconchegante, um pequeno ninho que mantinham para si enquanto estavam pela guilda. Lucy estava disputando com a dona do lugar que tinha subido muito o aluguel. Fato é que o bairro, mesmo sendo pacato, começou a ser mais valorizado. Sabia que ela não queria sair de lá, então engoliu o aumento enorme, mas se continuasse assim teriam que se mudar no futuro, mesmo que ela não quisesse desapegar.
A vista lhe trazia calma, mas não era o que acontecia no momento.
Lucy suspirou e se jogou na cama a sua frente com um livro nas mãos, vestindo apenas uma de suas blusas pretas e a calcinha. Deitada ao pé da cama ela jogou as pernas, folgada, em seu colo, encarando sua posição sentada escorada na cabeceira da cama.
—Finalmente saiu esse livro! — Ela declarou animada.
Tal animação só retornou depois de longos quatro dias após a missão e a prisão daquele mostro nojento.
—Você não estaria tão animada só por um livro. — Murmurou, ainda olhando a janela enquanto acariciava uma de suas pernas de modo automático. — O que mais? — Desconfiou.
Ela deu uma risadinha.
—Canna me contou que o canalha foi permanentemente aleijado por causa do que fez e que o conselho decidiu colocá-lo a julgamento público, o que praticamente será pena de morte. — Comentou feliz sem esconder o desgosto que sentia pelo homem.
Já sabia que ele ficaria assim no momento que suas garras atravessaram como manteiga a carne fraca da virilha. Suas chamas o queimaram também. Nenhuma magia de cura no mundo seria capaz de reverter isso.
—Hum.
Ouviu Lucy fechar o livro que tinha iniciado e sua perna se ergueu, colocando o pé em seu ombro e o cutucando.
—Qual o problema? — Questionou.
Virou-se para ela. Foi impossível evitar que seus olhos não descessem para a carne quase exposta no meio de suas pernas. A blusa tinha subido para a cintura e, por seu calcanhar agora estar em seu ombro, sua maravilhosa buceta estava apenas escondida por um fino pedaço de pano branco que podia ser facilmente eliminado. Passou a língua nos dentes.
Ela sorriu, maliciosa.
—Eu sei o que está passando na sua mente agora. — Afirmou. — Existe um lindo e macio pedaço de carne na sua frente que você quer aproveitar. — Zombou.
Não tinha percebido que ela largou o livro e esgueirou a mão embaixo da própria bunda para agarrar o seu pau enrijecido por cima da calça. Assim que o tocou pode sentir o cheiro de seu desejo começando a cobrir o quarto e seus olhos contemplaram a bela visão de sua calcinha ficando húmida, enquanto os grandes lábios de sua vagina se apertavam, convidando-o para preenchê-los.
Fazia um longo tempo que não a tocava. A missão nojenta e o clima mórbido que ficou mesmo depois da captura do assassino tinham dado a eles trabalho e clima depressivo suficiente para quebrar o clima. Agora que tudo isso passou estava cheio de tesão e hormônios para pular em cima dela e terminar o que começaram antes daquele inferno aparecer.
Ou ao menos deveria.
Apesar da reação de seu corpo – os músculos enrijecendo em antecipação — e seu pau ficando cada vez mais duro enquanto a mãozinha safada o esfregava sob o tecido, parte de sua mente não estava lá, mas sim em seu instinto de proteção e na memória da última vítima.
Já tinha visto isso, várias vezes e em versões muito, muito piores que aquela. A guerra era uma terra sem lei onde a violência era comum e explicita, até com as próprias pessoas que deveriam ser seus aliados. Só que a lembrança continuava ali por que dessa vez um pensamento ecoava em sua mente.
Poderia ser Lucy.
Algo em seu âmago estava deixando-o irritado. Esse algo era bem simples, não gostou da sensação de ter alguém amedrontando os seus, invadindo aquele território. Mesmo que Lucy ser capturada por alguém assim fosse algo impossível enquanto respirasse, a ideia de que alguém da guilda ou aqueles que viviam em suas demarcações, seja nas montanhas ou em Magnólia, o deixava puto.
Apertou os olhos. Desde quando considerava pessoas como Levy Macgardem como alguém que deveria proteger?
“Alfas tem um bando. Que sentido teria comandantes sem soldados?”- A voz de Shinuky e sua última conversa quando se tornou alfa ecoou em sua mente.
Quase bufou, rosnando com a afirmação. Blasfêmia. Era egoísta e não queria proteger mais ninguém.
Óbvio que Lucy percebeu que havia um problema já que ainda não tinha avançado em seu corpo como todas as vezes.
Sua testa ficou repleta de vincos e sua expressão mudou para uma confusa.
—Sério, qual o problema? — Falou preocupada.
Porra!
Sua companheira estava deliciosamente sexy a sua frente e a merda de um instinto defeituoso e uma memória aleatória em sua mente o estavam segurando. Já tinha sido melhor que isso.
Ao invés de responder fez o que já deveria estar fazendo: subiu em cima dela, puxando seus quadris para sua pelve, fazendo-a laçar as pernas em sua cintura e atacou sua boca.
Sua mão se esgueirou por debaixo da blusa, agarrando a carne sedosa de um de seus seios, enquanto devorava sua boca. Ela gemeu contra seus lábios e pode sentir a calcinha ficando mais molhada a medida em que ela se esfregava em seu pau.
Cada fibra de seu ser implorava por se afundar dentro de Lucy Heartphilia, sua mente estava focando seus sentidos em outros lugares. Só que seus instintos ainda estavam acessos e sondando a cidade outra vez.
Separou suas bocas rosnando furioso.
Lucy piscou, atordoada e confusa quando ergueu o tronco subitamente e voltou a olhar para a janela com raiva.
—O que...
—Empata foda do caralho! — Quase gritou e uma compulsão enorme por querer rugir e explodir a porta percorreu cada grama de seu corpo, sendo detida apenas pelo calafrio na espinha que pressentia da fúria de Lucy que viria por terem que pagar pelos danos.
Não precisou explicar para sua companheira confusa.
—Lu-chan, estamos entrando! — Levy declarou, já usando magia para destrancar a porta principal.
—É HORA DE COMEMORAR!- Canna declarou, claramente já na sala de visitas.
Pelo cheiro, Erza e Gray vinham também.
—Que? — Lucy soltou, parcialmente entendendo, parcialmente confusa.
Não demorou para que a raiva aparecesse nela também.
—Oe! Vocês não tem o direito de invadir minha casa assim! — Gritou, contorcendo o corpo e virando o resto para a porta do quarto que, gloriosamente, estava fechada.
—Lucee!
Lucy gritou de susto com Natsu na janela.
Ele não pode reagir. Seu punho atingiu a boca de seu estômago e ele foi expulso do beiral, batendo contra o para peito do canal e caindo lá dentro. Nossa, se sentiu ótimo. Ainda puto, mas bater em Natsu sempre era um ponto positivo no seu dia.
O círculo magico de Levy apareceu na fechadura e o click da dobradiça se abrindo chamou a atenção.
—McGarden, se abrir essa porta, seus filhos vão ficar órfãos! — Ameaçou, a voz da besta sendo efetiva o bastante para gerar medo.
Uma breve pausa delas paradas na soleira.
—Estamos esperando na sala.
~*#*~
O céu estava bonito aquela noite. As estrelas formavam um belo e maravilhoso rio brilhante que cortava a escuridão e o vento frio instigava ainda mais as comemorações dentro da guilda, mas no momento preferia aquela paz solitária.
Se ajeitou um pouco melhor sobre os fardos de feno que ficaram empilhados no fundo da guilda, quase na entrada para o bosque logo atras. Usando a própria jaqueta como travesseiro e uma mão atrás da cabeça, a outra apoiada em sua barriga enquanto olhava as estrelas. Um cochilo seria bom.
Estava sem camisa, já que Natsu tinha – mais uma vez – arrumado briga com Gray, derramou um monte de cerveja nela. Afundou a cara dos dois no chão com um soco para deixarem de ser tão irritantes, mas já não havia o que fazer. Lucy o ajudou a lavar a roupa e agora esperava que ela secasse por completo. Pouco tempo depois saiu da comemoração festiva por terem tornado Magnólia mais segura.
Deixou Lucy se divertir um pouco com as amigas e suas bebidas – mesmo sabendo o quanto a Lucy bêbada poderia ser problemática — mas ela merecia. Já tinha comemorado bastante, queria um pouco de calmaria.
Ficou intrigado quando outra pessoa escolheu seu cantinho da solidão para se abrigar também. Já tinha sentido o cheiro e ouvido os passos de Wendy a um bom tempo, mas sua mente estava bem absolta para que ela não o tivesse notado deitado ali, um pouco elevado do chão.
Ela suspirou, sentando-se no chão ao seu lado e se escorando nos fardos de feno que usava como colchão.
—Eu não sei o que passa na sua cabeça, mas se eu fosse um ladrão você estaria lisa agora.
Ela deu um pequeno grito e pulou para traz, finalmente o vendo e percebendo sua presença.
A pequena criança de antes tinha crescido e entrado em sua adolescência. Aos 17 anos, Wendy tinha ganhado altura, os cabelos ficaram mais vividos e seu rosto mais amadurecido. Suas pernas tinham encorpado e outras partes tinham crescido – embora não aquela que ela queria. Queria dizer para que ela não tentasse se comparar com Lucy, ou Erza, pois elas eram pontos fora da curva, mas não ia entrar nesses méritos com a pequena filha de Grandynne.
Louvada seja a comissão de frente de Lucy Heartphilia.
—Que susto! — Ela exclamou. Logo depois seu olhar se estreitou. — O que está fazendo aqui? Pensei que estivesse com Lucy como sempre.
É, seu vício era bem aparente.
—Ela pode se divertir com as maluquices que Canna arruma. Eu quero tirar um cochilo.
—Hum.
A analisou. Ela ainda estava com a mente nas nuvens.
—E você? O que a traz a este monte de feno?
Ela não respondeu de imediato. Não a encarou, mas sentiu o cheiro de sua ansiedade pairando no ar. Quando estava prestes a pressionar, ela falou:
—Posso te perguntar umas coisas? — Soltou apressada e um pouco nervosa. — Coisas sobre a marca?
Se fosse outra pessoa sem ser Wendy rosnaria por sua audácia, mas a menina não diria isso por maldade. Se remexeu, virando de lado, apoiando o cotovelo no feno e o rosto na mão, finalmente a olhando de verdade.
Ela encarava as próprias mãos, mexendo com alguns pedaços de feno, as bochechas vermelhas com a timidez natural da pequenina. Provavelmente era algo que ela reuniu bastante coragem para perguntar e que queria muito a resposta.
—Posso perguntar por que eu? — Devolveu.
Ela remexeu ainda mais o feno, mas falou rápido e com sinceridade.
—Bom... Você é um dragão e um dos poucos da guilda que pode falar sobre isso. Além disso Gajeel é péssimo em explicar ou falar qualquer coisa, provavelmente iria embora sem me responder. Natsu é mais velho que eu, mas tem a mentalidade de uma criança. Eu duvido que ele vá conseguir se lembrar de alguma coisa para me responder de forma correta e Laxus está bêbado e olhando para bunda da Mira-san, o que torna improvável que ele me responda.
Ela tomou fôlego e finalmente ergueu o rosto para olhá-lo. As bochechas ainda vermelhas como pimenta. Dava vontade de apertar pela fofura infantil.
—Você também é aficionado em Lucy, mas pelo menos sabe responder uma pergunta de forma direta e acho que é o único que não mentiria para mim por qualquer razão que seja. — Ela pareceu se dar conta do que disse e o rosto inteiro ficou vermelho. — Quer dizer, ela e sua companheira e tal, então é óbvio ...
Ela se enrolou ainda mais com as palavras, ao ponto de bater as palmas das mãos nos joelhos dobrados, fechar os olhos e soltar:
—Você não parece ficar desconfortável quando estou perto então achei que podia pedir sua ajuda! -Exclamou.
Ergueu uma sobrancelha. A razão disso era bem simples. Mesmo antes de ter aceitado sua condição de alfa, Wendy era uma criança ingênua quando chegou a guilda e, por ser filha de um dragão do vento que prezava a liberdade, ela não emitia uma característica territorial que a maioria tinha. Não era uma ameaça. Além disso, depois que se apossou de vez do título de Rei, Wendy parecia mais uma pequena andorinha do bando que precisava ser protegida.
Não entenda mau, a baixinha – agora não tão baixinha – era bem forte e não precisava de defesa, mas isso não impedia de todos daquela guilda maníaca se sentirem superprotetores com a pequena curandeira. A presença dela era amena e fácil de tolerar, e ela ativava seu instinto protetor. Obviamente não da forma que Lucy o fazia, mas o suficiente para gostar de sua presença.
E ela tinha um ponto. Gajeel era tão confuso com suas explicações que não era capaz de ensinar 2 + 2, e Natsu provavelmente nem se lembrava do que seriam os dons da marca, pois estava mais interessado em lutas do que em achar sua companheira. Laxus por outro lado demonstrou claramente seus interesses essa noite. E Baskin não era, nem de longe, com toda a certeza do mundo, alguém bom para conversar sobre companheiras. Pobre Wendy, tinha ficado sem opções.
—É justo. — Falou dando de ombros. — Pergunte.
Ela pareceu surpresa por um instante, mas logo suas feições ficaram mais sérias e seus lábios se apertaram. Ela perguntou encarando o chão outra vez.
—Como você soube que Lucy era sua companheira? Como sabia que deveria marcá-la?
Realmente pobre Wendy. Justo ele, Acnologia, era a pessoa mais apta naquela guilda insana para ajudá-la com seu problema momentâneo. Grandynne não a tinha explicado nada? Que mãe ingrata.
—Isso tem algo a ver com Romeo? -Supôs.
Ela balançou a cabeça positivamente, voltando a se escorar no monte de fenos que estava deitado, trazendo os joelhos para o peito enquanto os abraçava, apoiando o queixo entre eles.
—Eu amo ele. — Ela confessou. — Eu quero estar com ele pelo resto da minha vida, mas não sei se ele quer o mesmo. — Ela ergueu os olhos para encará-lo, mesmo que continuasse encolhida. — Como foi com você e Lucy.
Torceu a cara em uma careta.
—Eu realmente não sou a pessoa ideal para te responder isso. — Resmungou. Ela encolheu ainda mais, deixando-o frustrado com a situação da pequena. Respondeu mesmo assim. — Mas não foi algo muito planejado. Eu sabia que a amava e que não queria viver sem ela. Sempre tive o desejo de protegê-la, então foi natural pra mim. Quando ela disse que me amava também eu só a marquei e expliquei no dia seguinte.
O pequeno corpo chacoalhou e uma pequena rizada saiu de seus lábios.
—Isso é bem a sua cara mesmo. — Ela comentou, risonha.
Revirou os olhos. Não podia refutar que no quesito romance sua nota média no máximo era um 4 de dez. Ainda bem que Lucy não ligava.
—Mas não teria coragem de fazer o mesmo com Romeo. — Respondeu suspirando.
Deu de ombros.
—Isso é simples de resolver. Se ele te ama também vai aceitar você e a marca. Por que se preocupa tanto?
E então ela escondeu o rosto ainda mais naquela bolinha de gente que ela tinha feito.
—Como se marca alguém?
Meu Deus Grandinne! Nunca tinha a considerado como inimiga, mas precisaria dar um soco na cara dela caso a encontrasse um dia.
Para seu mais profundo alívio, ela complementou.
—Eu não estou perguntando sobre sexo ou algo do tipo, apenas sobre a marca. — Completou apressada.
Quase soltou um suspiro enorme que denunciava sua comemoração interna. Absolutamente não iria ensinar sobre sexo para aquela garota, não importava o carinho que tivesse por ela. Seria desastroso demais, principalmente vindo de alguém como ele. Nem sabia como tinha conseguido ser minimamente decente com Lucy, considerando que ela era virgem quando se conheceram. Obviamente depois a decência foi pra casa do caralho e nunca mais foi encontrada.
Tentou pensar em uma explicação que fizesse sentido, se forçando a responder de forma descente. Ela devia estar bem desesperada para recorrer a si, não iria pisar em sua coragem.
—Não é algo muito diferente de quando te emprestei minha magia. -Murmurou. — É um fluxo. Seu veneno vai servir de catalizador, e sua magia vai fluir para ele assim como seu cerne. Não pode interromper uma vez que começa, ou ele morre. — Respondeu sincero. Não mentiria para ela.
—Então eu tenho mesmo que mordê-lo? — Comentou encarando o chão.
—É. Você tem que mordê-lo.
A forma estranha como ela encarava o chão, parecendo morrer de medo do que faria, o fez soltar:
—E lembra de usar proteção.
Funcionou, por que sua feição amedrontada foi substituída por um puro vermelho escarlate que cobria até a ponta das orelhas. Ela o encarou completamente constrangida e com um pouco de raiva, retalhando de uma forma engraçada.
—Eu sou uma curandeira, eu sei disso! Muito me admira que você e Lucy não tenham um filho já que Cana espalhou pra todo mundo como é a vida de vocês dois!
Outro motivo para não deixar Lucy bêbada perto de Cana. Riu da irritação dela por trata-la como criança.
Era difícil lembrar que ela cresceu.
—Não posso ter filhos com Lucy. — Confessou.
Não havia arrependimentos em sua voz. Era o que era. A vergonha e a irritação de Wendy diminuíram e ela suas feições mudaram para algo mais empático.
—Sinto muito. — Declarou incerta.
—Não precisa sentir. Eu nunca pensei muito em ter um filho e não me faz falta. O mesmo se aplica a Lucy.
Um momento de silencio se passou antes dela voltar a questionar.
—Por que?
Deu de ombros.
—Consequências de sua ligação comigo e daquele incidente. — Não precisava dizer qual. — Meu poder e grande demais e foi uma das consequências do nosso elo. Aquilo só acelerou o processo,
—Hum. — Ela murmurou. — Não sabia que tinham elos assim.
Encarou as estrelas outra vez antes de responder.
—Quanto mais poderoso mais dotes se tem, e quanto mais dotes se tem maior o preço pago. Não existe poder sem um preço a ser pago.
Ela riu, escorando a cabeça no feno, quase encostando os cabelos em sua barriga, enquanto subia o queixo para admirar as estrelas.
—Agora entendo por que ficou puto quando Levy tentou descobrir alguns de seus dotes. Lucy é realmente seu mundo. É fofo ver vocês dois. — Comentou.
Não pode evitar o sorriso que apareceu no canto de sua boca. Ela não poderia estar mais certa. Wendy também era bastante esperta e ciente de que não iria responder quais eram seus dotes. Ela tinha entendido o valor daquele segredo, mesmo sem ter uma ligação.
O cheiro de sua ansiedade apareceu de novo, e suas bochechas voltaram a ficar vermelhas.
—É bom? Ter um companheiro? — Questionou inocente.
Viu os olhos brilhantes dela, buscando as respostas que viriam no futuro.
Voltou a apoiar a cabeça em uma das mãos e olhar as estrelas antes de responder.
—Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Eu não trocaria por nada.
Ela remexeu os lábios.
—Mesmo você sendo super territorial e tendo ganhado um monte de problemas por ter escolhido Lucy?
Riu. A menina era observadora.
—Mesmo assim.
A ansiedade continuou pairando no ar, mas dessa vez com uma pitada de vergonha e timidez. Com o passar dos segundos foi pra quase pura vergonha. Ela perguntou em uma voz tão baixa que se não tivesse uma audição fenomenal não entenderia.
—É bom? Fazer ‘aquilo’?
Então ela queria sim perguntar sobre sexo.
E lá estava a pergunta que não queria responder nem a pau. Não precisava perguntar para saber que ‘aquilo’ se referia ao sexo – que em geral era quando marcavam alguém. Aparentemente ela não conseguiria dizer a palavra em voz alta.
Saiu usando a desculpa mais esfarrapada que existia.
—Você sabe que sou um homem ne? — Retrucou. — É melhor você conversar com outra pessoa sobre isso.
Era vergonhoso? Com certeza, mas não tinha a capacidade de ajudar a pequena nesse problema.
Ela se encolheu, o cheiro da vergonha pairando no ar e seu corpo inteiro parecia que ficaria rosa. Ela estremeceu com o vento frio que passou antes de murmurar contra os joelhos, deixando a voz abafada.
Seu coração apertou. A pequena protegida da guilda estava crescendo e não havia ninguém para ajudá-la de forma descente ali.
—Desculpa eu...
Jogou a jaqueta em cima dela, colocando a mão que não apoiava seu rosto em meio aos cabelos azulados e bagunçando-os.
—Você está pensando demais. Pare de se preocupar com problemas que não existem. Se você gosta dele e ele gosta de você vai dar tudo certo.
Sua ansiedade e sua vergonha foram sumindo aos poucos, dando lugar a algo mais alegre e esperançoso. Aquele era o melhor conselho que poderia oferecer.
Ela aceitou sua jaqueta, passando ela pelos braços e puxando a gola para cima ao ponto de cobrir o nariz. Tinha ficado grande o bastante para grande parte das mangas passar suas mãos.
—Obrigada. — Ela respondeu. — Desculpe por te incomodar com isso. É só que não parecia ter mais ninguém que eu pudesse falar sem que a guilda inteira ficasse sabendo depois.
Esse era um ponto que não tinha pensado. Se Wendy fosse perguntar algo a algum dos DragonSlayers da guilda, alguém notaria e alguém os pressionaria a falar, preocupados com a baixinha recorrer a brutamontes para o que quer que seja, mas ninguém ousaria a pressioná-lo a falar e mesmo que contasse a Lucy ela não falaria.
—Não tem que se desculpar. Eu sei o que é não ter alguém para ajudar. Mas francamente se um dia eu ver sua mãe de novo vamos ter que bater um papinho. — Resmungou.
Wendy sorriu e recebeu mais uma de suas bagunçadas de cabelo, mas logo seus olhos ficaram curiosos novamente.
—Como assim você sabe o que e não ter ninguém para ajudar?
Bom, isso não era um segredo.
—Eu não pertenço a nenhum elemento Wendy e também não tive pais para me ensinar alguma coisa. O que aprendi foi durante a guerra e convivendo com outros dragões.
Ela ergueu o rosto para olhá-lo e sorriu.
—Independente disso você é bom pra Lu-chan. Obrigado. Ela tem razão. Você é bem fofinho quando quer. — Disse rindo.
Agarrou sua cabeça azulada e bagunçou seus cabelos com ainda mais força até que ela reclamasse, tentando afastá-lo.
—Ai ai! — Resmungou.
—Não pense que pode se safar tão facilmente como aquela loirinha abusada, filha de Grandynne! — Exclamou a falsa ameaça.
Ela massageou a cabeça com ambas as mãos quando a libertou, mas continuou a rir.
—Claro. Esqueci. Você é o bicho papão da Lucy. — E riu ainda mais.
Não pode evitar e riu também com a descrição que ela usou. Era bastante apropriada e gostava dela. Uma sombra perigosa atras de sua maguinha gostosa.
—Eu tenho uma reputação para zelar. O que as pessoas vão pensar se me verem sendo amigável com você? — Se fingiu de vítima.
Ela gargalhou, esquecendo totalmente a pressão que tinha colocado em si mesma pela decisão que tomou. Ela o olhou como uma criança sonhadora.
—De fato tinha me esquecido disso, bicho papão. Eu prometo não dizer a ninguém que bancou um irmãozão por 5 minutos.
Sorriu pra ela e bagunçou seus cabelos uma última vez, porém com cuidado. Ela voltou a escorar a cabeça no monte de fenos. Empurrou um mocado da cabeleira que caiu em cima de sua barriga, e voltou a se ajeitar, deitando-se mais confortavelmente enquanto olhava as estrelas.
Não demorou muito pra pequena voltar a falar.
—Por que você ficou todo tatuado? Voltou do nada desse jeito.
Tinha percebido o olhar analítico dela sob as estrias azuis que decoravam sua pele como grandes riscos de garras perigosas. Ela não era a única a levantar esse olhar curioso, só era a primeira a ter coragem de perguntar.
—Não são tatuagens. — Resmungou. — É outra consequência da marca. Aparentemente meu lado inumano ficou poderoso demais e desde então eu fiquei assim.
Fez um minuto de silêncio.
—Então se eu marcar Romeo vou ficar toda tatuada? — Sua voz saiu meio esganiçada.
Riu, mas não olhou pra ela. Continuou encarando o mar de estrelas quando respondeu.
—Não sua boba. Gajeel e Laxus não tem nada disso. Não me use como comparação para o elo de vocês. Nesse quesito eu sou de fato uma aberração.
Uma das razões por ser empático com Wendy é que ela sabia não irritá-lo pedindo mais informações do que já tinha dado. Sentiu o cheiro de sua curiosidade queimando para perguntar sobre suas remarcações e sobre seu elo, mas ela não entrou nisso em nenhum momento. Qualquer outro insistiria por mais detalhes de sua confissão.
—O seu outro lado... Ele não gosta muito de mim ne? — Ela murmurou, também olhando as estrelas. — Poluska me disse que por você ser muito territorial você não gostava de outros dragões por perto, e que era por isso que ficava rabugento quando Baskin ou os outros estão por perto, mesmo que o tenha ajudado.
Respirou fundo e suspirou.
A besta que vivia em seu interior revirou os olhos e bufou, antes de se encolher, voltando a ignorar a presença da pequenina.
Ela tinha razão e ao mesmo tempo não.
—Poluska é inteligente. — Falou. — É instintivo, não é algo que posso controlar totalmente além de ser algo difícil de se fazer, mas eu não tenho problemas com você.
Pode senti-la encarando-o, então baixou o olhar para os seus negros.
—Não? — Ela perguntou, parecendo, esperançosa?
—Não. — Respondeu encolhendo os ombros. — Você é praticamente uma criancinha pra mim Wendy. Não tenho por que sentir nenhuma ameaça vinda de você.
Suas bochechas inflaram e ficaram vermelhas.
—Eu não sou mais criança! Tenho 17 anos! — Exclamou.
Ergueu uma sobrancelha.
—E eu mais de quinhentos.
As feições dela se retorceram em uma careta e ela entendeu seu ponto.
—Além disso você é filha de um dragão do vento. Sua mãe, assim como você, prezam a cura e a paz. Não é como você fosse fraca, mas não há em você nenhuma ambição de poder nato, ou de território. Por isso você não soa nenhum alarme na minha cabeça.
Ela piscou.
—Ah. Baskin soa esse alarme por sempre tentar retribuir a gratidão que tem por Lucy e por nos de tê-lo ajudado, o que te deixa com ciúmes. Gajeel por ter tido problemas com você durante a gestação de Levy. Natsu por ser naturalmente tendencioso a gerar uma confusão e por querer disputas de força e Laxus por ser mais um no radar. — Ela comentou.
Estreitou os olhos.
—Você observa bem. — Disse, realmente desconfiado com a precisão que a pequena que passava desapercebida pelo hall da guilda, notava.
—Seus olhos sempre ficam vermelhos quando suas duas partes se irritam. É fácil de evitar.- Ela balançou os ombros.
Estreitou o olhar outra vez. Seus olhos estavam azuis agora. A menina foi a primeira a notar, depois de Lucy. A maioria associava essa mudança a sua transformação ou a seu humor, o que era errôneo.
—Você realmente observa demais. — Resmungou.
Ela riu baixinho.
—E você é um bom ouvinte. Eu já agradeci, mas de novo, obrigada.
Revirou os olhos.
—Me deixa tirar meu cochilo, menina curiosa.
—Dorminhoco.
Só para provocá-la um pouco mais, respondeu:
—A resposta é sim.
Seu rosto confuso o encarou. Mantendo o olhar nas estrelas, finalizou.
—Sexo é muito bom.
Não precisava olhar para saber que a pele branca de Wendy tinha sido tingida por vermelho.
—Acnologia! — Ela exclamou.
Riu, e ficaram mais um tempo ali, contemplando o céu noturno.
~*#*~
Ela continuou rindo enquanto subia em cima de seu peito.
—Pare de rir! — Resmungou, embora seu rosto estivesse com um sorriso.
Ela espalmou as mãos em seu tórax e parou, mas o riso ainda estava estampado em suas feições. Enfiou a mão embaixo de sua própria blusa que ela se apropriou novamente. Finalmente estavam em casa, Lucy tinha tomado um banho e agora iriam dormir pelo resto da noite e provavelmente parte da manhã.
—Desculpe, mas é impossível não rir. Você, ajudando Wendy? — E riu outra vez.
Não tinha a intenção de contar a Lucy, já que a caçadora queria segredo, mas sua companheira tinha visto os dois conversando nos fundos da guilda e perguntou quando chegaram ao apartamento. Não é como se ela fosse contar a alguém.
Ela se aproximou, o rosto a centímetros do seu, os cabelos loiros caindo folgadamente nas laterais de suas bochechas.
—Pobre Wendy. Nossa guilda só tem desnaturados. Ela descobriu seu companheiro e não tem ninguém minimamente normal ou decente para ajudá-la, só um dragão antissocial.
Beliscou sua cintura. Antes que respondesse ela o beijou profundamente, fazendo-o levar as mãos para seu rosto e agarrando seus cabelos para evitar que eles entrassem no caminho. Usando toda a folga que tinha por direito, Lucy jogou a coxa por cima de sua cintura, montando em seus quadris e praticamente deitando-se sob seu corpo. Não é como se seu peso fosse relevante mesmo.
Sem mais fôlego, ela soltou de sua boca, passando os dedos finos da mão direita por sua bochecha, e seus olhos castanhos maravilhosos refletiam um orgulho que inflava em seu peito.
—Mas fico feliz que você a ajudou. Qualquer outro daqueles idiotas a traumatizaria pra sempre.
Riu. O corpo dela chacoalhou com o seu por isso.
—Infelizmente. — Concordou.
Lucy estava ficando cada vez mais ardilosa por que estava tão vidrado em seus olhos que não notou a mão esquerda safada descendo e se enfiando em seu short. Suspirou. Não usava cueca e seu pau já estava ficando duro desde que aquela bunda gostosa se sentou sobre ele. Suas bolas estavam roxas.
Ela o acariciou da base a ponta com delicadeza antes de puxá-lo para fora. Enfiou as mãos embaixo da blusa outra vez, apertando seus seios. O corpo miúdo estremeceu quando apertou os bicos sensíveis, deixando-os ainda mais duros em sua palma.
Lucy o soltou, se afastando um pouco para tirar a blusa enquanto falava.
—É bom ter um pouco de paz de novo. — Murmurou, jogando a camisa em um canto qualquer, e se curvando de volta em seu peito. — Ela devia pedir uns conselhos para Mira, mas Laxus não sai de perto dela um segundo.
—Hum. — Foi o que teve tempo de resmungar antes dela beijá-lo de novo.
A mão esperta voltou para seu pau. Por reflexo uma de suas mãos foi para sua bunda, empurrando mais os quadris dela contra os seus, apertando a carne macia e sentindo o atrito entre a calcinha fina e seu pênis.
Ela quebrou o beijo, mantendo-se inclinada sob si, mas ergueu os quadris o bastante para usar a cabeça de seu pau para empurrar a calcinha para o lado e guiá-lo para dentro. O corpo dela arqueou, empinando os seios em sua direção e jogando a cabeça para tras a medida em que descia lentamente e o levava para dentro. A expressão em seu rosto, de olhos fechados, e seu gemido satisfeito foi tão sensual que por muito pouco não gozou.
Agarrou os quadris dela, puxando-os contra os seus com força, impedindo-a de se mover.
—Lucy! — Rosnou, rangendo os dentes.
Ela abriu os olhos e notou seu problema. Claro que sim, tal como ele, ela conhecia seu corpo como a palma de sua mão. Mesmo com seu peso, seus quadris se erguiam contra ela, os músculos de sua barriga tencionados e a fina camada de suor brotando em sua pele, tentando impedir a si mesmo de gozar tão rápido. Seu corpo queria explodir.
Prendeu seus quadris com mais firmeza quando ela tentou se mover. Instintivamente expos os dentes afiados para ela, rosnando por sua desobediência. Como se ela fosse temê-lo.
Não... Ela sorriu travessa, deitando-se sob seu corpo, espremendo os seios contra seu tórax nu, enquanto suas mãos finas vagavam livres pelas laterais de seu corpo, os músculos de seus braços tensionados e por todo lugar disponível para seu toque. Como um deboche para sua repreensão ela o beijou, passando a ponta da língua por suas presas afiadas sem hesitar.
Ela sabia e sentia que estava com um puta tesão acumulado por todas as interrupções que tiveram e se aproveitou disso.
O corpo pequeno dela se contraiu, apertando-o por dentro e, mesmo com suas mãos a restringindo ela conseguia rebolar. O fluxo se ativou e todo seu desejo se despejou em meio aos seus sentimentos. Ela gemeu contra sua boca enquanto suas unhas arranhavam sua pele indo em direção a barriga.
Foi demais. Gozou, seus quadris se erguendo compulsoriamente contra sua vagina, se enterrando fundo para enchê-la enquanto gemia, arrancando a boca dela da sua e travando a mandíbula para se impedir de mordê-la com mais força do que ela gostaria. Bem que ela merecia. O prazer se espalhou forte por suas veias, deixando seus músculos rígidos como pedras
Arfou, enquanto ela sorria satisfeita em cima de si. Sua vagina continuava a apertá-lo com o tesão. Ela não tinha gozado e se divertia com o fato de não ter sido capaz de se conter.
Seu peito tremeu com o rosnado. Ergueu o corpo, agarrando seus cabelos e sua cintura.
—Sua peste! — Ralhou.
Ela deu um grito quando a virou bruscamente na cama, ganhando domínio outra vez. Ao contrário do que Lucy esperava que fizesse, se separou de seu corpo, abrindo suas pernas e descendo com a boca direto em sua vagina, afastando a calcinha um pouco mais, indo com precisão no feixe de nervos sensível e desesperado por atenção ao mesmo tempo em que enfiava dois dedos para dentro. Ela estava excessivamente molhada, tanto pela sua excitação quanto por seu gozo.
—Não! — Ela exclamou alarmada, agarrando seus cabelos.
Sim!
Iniciou o trabalho precisamente, e assistiu impiedosamente o corpo dela se retorcer, a coluna envergar para cima enquanto ela gemia. As mãos pequenas apertaram os próprios seios tentando aplacar o prazer que fornecia, o que voltou a deixá-lo de pau duro. Sua vagina o apertava forte, mostrando que ela estava perto. Podia deixá-la naquele limbo eterno do quase orgasmo por um bom tempo, testando sua paciência e limites, fazê-la implorar, mas preferia algo mais cruel.
A deixou gozar. Ela gemeu lindamente o seu nome, quase fechando suas cochas ao redor de sua cabeça.
Mau a deixou respirar e seus dedos voltaram a se mexer junto com sua boca. Seu outro braço impediu que ela fechasse as pernas ou se afastasse para longe. Ela não conseguiria sobrepujá-lo em força, então começou a implorar.
—Por favor não! — Murmurou enquanto se contorcia tentando desesperadamente afastá-lo. — Já chega!
Oh, que pena. Por que não iria parar. Ronronou estimulando-a ainda mais até que ela se contorceu de novo em outro orgasmo, gemendo para seu deleite. Realmente, a decência tinha ido para a casa do caralho.
Teria continuado, mas o corpo miúdo suava e sua respiração parecia a de alguém que correu uma maratona. Ela se encolheu, estremecendo com a sensibilidade e fechando as pernas quando a liberou, arfando. Levaria um tempo para que se recuperasse disso. Uma bela lição para ensiná-la a respeitá-lo.
Não que ela fosse.
Subiu por seu corpo, dando beijinhos por suas cochas e subindo por sua barriga. Queria chupar aqueles montes macios lindos, mas ela ainda estava detonada, por isso os mordiscou, passando a ponta do nariz por eles, sentindo seu cheiro doce misturado com sexo. Sorriu dando um beijo já ponta sensível e continuou seu caminho mais para cima, lambendo seu pescoço. Ela estremeceu.
—Pra onde foi sua ousadia agora, hum? — Sussurrou em seu ouvido, logo em seguida erguendo o rosto para analisá-la.
Ela abriu os olhos e fez um bico.
—Não é sempre que consigo uma oportunidade. — Ela resmungou amuada.
Ergueu as sobrancelhas confuso. As bochechas fofas ficaram rosadas e seus olhos desviaram dos seus.
—Uma oportunidade? — Questionou.
Ela virou o rosto, ficando tão vermelha quanto um tomate. Rosnou.
—Lucy...- Pressionou.
—Você sempre me deixa maluca. — Confessou baixinho. — Gosto de te ver enlouquecer também. Te ver gozar e gostoso. — A última parte foi dito em um tom tão, mais tão baixo que quase teve que pedir para que ela repetisse, mesmo com sua audição sobre-humana.
Pelos deuses queria fazê-la repetir isso, mas sabia que só iria irritá-la.
De fato, era seu deleite fazê-la se contorcer e vê-la gozar, murmurando seu nome com prazer. O contrário não acontecia muito já que sempre gozava quando ela estava dopada demais para... apreciar, digamos assim. Essa exceção normalmente só se abria quando ela queria chupá-lo, mas não era o mesmo. Sabia que não.
Um sorriso se abriu em seu rosto e um ronronar suave ecoou no cômodo. Ela ainda estava envergonhada, pois suas bochechas estavam vermelhas e seus olhos olhavam para qualquer lugar menos seu rosto. Encheu seu rosto de beijinhos até que ela começasse a rir e a tentar empurrá-lo pra longe.
—Por que não me contou isso antes, sua bobona?
E o rosto dela ficou vermelho outra vez. Ela se encolheu.
—Coragem? — Respondeu hesitante.
As vezes se esquecia daquele fragmento tímido e fofo que tinha dentro dela. Isso deixava sua vida intima uma caixinha de surpresas. O que mais ela gostaria de fazer e ainda não comentou?
Mordeu seu nariz.
—Hum. — Murmurou, descendo o rosto outra vez para seus seios.
Ela merecia uma recompensa.
Chupou a carne macia para dentro da boca, movendo a língua em conjunto com a sucção, estimulando o nervo sensível. Ela fechou os olhos na hora, suspirando, e pode sentir seu ventre contraindo sob a palma de sua mão que deixou sob a barriga macia.
Fez o movimento outra vez, e ela gemeu, involuntariamente começando a abrir as pernas outra vez. Soltou a carne macia, respirando fundo e sentindo o cheiro de seu desejo pairando forte outra vez.
Era o bicho papão de Lucy, mas também era seu cachorrinho e já sentia seu pau pulsando para realizar cada desejo safado que ela tinha.
A beijou com todo esse desejo carnal que acumulava dentro de si. Ela cedeu fácil quando abriu suas cochas com o joelho, entrando nela com uma facilidade absurda. Deixaria que ela tivesse uma visão privilegiada de si mesmo.
Quebrou o beijo erguendo-se e ficando de joelhos na cama, puxando seus quadris junto dos seus. Fechou os olhos com um suspiro e começou a se mover. Era fácil se deixar levar, o difícil era resistir. Sentiu o corpo dela tencionar com seus movimentos, voltando a apertá-lo prazerosamente.
Não a tocou como gostava de fazer. Foi egoísta para usá-la, metendo no ritmo que queria, o prazer percorrendo seu corpo em ondas, se acumulando no baixo ventre. Mordeu o lábio jogando a cabeça para trás e deixando seus sentidos se ampliarem. Ela sempre era gostosa.
Absorveu o cheiro de seu desejo, sentiu os músculos dela o apertarem, o ordenhando, fazendo suas bolas pesarem. Conseguia ouvir cada respiração e cada gemido que ela soltava, ela arfava, mas ainda estava longe de gozar. Ao contrário de sua maguinha, estava perto.
Firmou ainda mais os quadris dela a medida em que seu ritmo se tornava mais eloquente e desesperado, seus músculos rígidos se contraindo em antecipação. Era gostoso se manter naquele ápice, se segurando para não cair do precipício, o prazer pulsando por seu corpo, nublando seus sentidos e deixando seu pau cada vez mais duro, mas não era isso que queria dar a Lucy agora.
Ela queria o ver consumido pela loucura que sentia por ela, então a deixou ver. Deitada ela podia ver cada músculo, cada gota de suor, cada fibra de seu ser que tinha que tentar suprimir só para vê-la gozar primeiro. Tudo se contraindo e se esticando, sua mente incapaz de processar seus outros sentidos além daqueles que eram relacionados ao prazer que ela lhe dava. O desespero subia sua mente por que sempre era demais para lidar. Não sabia como segurar tudo aquilo, e quando ela ligava aquele maldito fluxo perdia completamente a noção da realidade.
Se deixou levar. O prazer veio forte como sempre vinha. Se enterrou fundo, gemendo seu nome, e curvando-se para frente, enquanto seu corpo se contorcia tentando suportar tudo aquilo. Arfou, cansado de suportar o próprio peso e enfiando o rosto entre os dois montes sedosos, dos seus seios, recuperando um pouco de sua mente.
A mão pequena acariciou seus cabelos negros e um beijo foi depositado em meio a eles. A outra mão acompanhou as linhas dos músculos de suas costas.
—Hummm. — Ela murmurou. — Que delícia. Por que você sempre tem que ser tão gostoso e tão bom nisso?
Não havia ninguém naquele mundo que conseguisse inflar tanto seu ego quanto Lucy Hertphilia.
Ronronou, subindo o rosto até sua orelha, lambendo a pele disponível, ao mesmo tempo em que levou uma mão para sua vagina, apertando o clítoris outra vez.
—Sua vez. — Ronronou. — Goze pra mim.
E usou o que restava de sua ereção e os quadris para seduzi-la junto com os movimentos de seus dedos. Sua boca desceu para o seio rígido, provocando-a da mesma forma que antes e sentindo cada sucção fazê-la apertar seu pau.
Lucy devia ter desejado ver isso a tempos, por que não precisou de muito mais que isso para que ela se desfalecesse sob si, gemendo seu nome outra vez, gozando e puxando seus cabelos.
Quando ela ficou mole, saiu daquele aperto quente e gostoso. Queria ficar ali por muito mais tempo, mas estava acabado e seu corpo poderia ter outras ideias que sua mente não suportaria. Quer dizer, o sol ia nascer em três horas. PRECISAVAM dormir.
A missão do governo não era remunerada, o que significa que precisariam trabalhar no dia seguinte ou as contas ficariam atrasadas e ouviria a velha dona do apartamento espezinhar sua cabeça por duas horas.
Se jogou ao seu lado, chutando o short que tinha decido para seus calcanhares. Lucy puxou a lateral da calcinha e a soltou, fazendo um breve estalo contra sua pele. Não tinha notado antes, mas ela estava meio rasgada agora na lateral.
—Uma ajudinha? — Ela pediu.
Pegou o fino pedaço de pano e terminou de arrebentá-lo, destruindo as duas alças e jogando o retalho pra longe. Deitou de lado, colocando o braço dobrado embaixo do travesseiro, olhando para ela.
A mão delicada se estendeu, tirando os fios rebeldes que caiam em sua face. Interceptou-a em sua bochecha, levando-a para sua boca e dando um beijo em seus dedos. Ela sorriu.
—Eu te amo. — Sussurrou.
Fechou os olhos tentando absorver a sensação que tomava seu peito a ponto de lhe tirar o ar toda vez que ela falava aquelas palavras doces. Queria beijá-la e toma-la outra vez, e abriu os olhos pronto para fazê-lo, mas seus dedos se esticaram em seu rosto, a mão literalmente o refreando pela cara, barrando suas intenções.
—Nós temos que pegar um trabalho amanhã e você vai me matar.
Rosnou um resmungo, mas aceitou sua imposição. Ela tinha razão.
—Agora, antes de eu apagar de sono, me conte mais sobre o porquê de Wendy estar tão preocupada com a marca. Tirando o fato de que ela é virgem. Pensei que já fosse algo natural pra vocês.
Empurrou alguns de seus dedos para longe de seu nariz, mas eles continuaram próximos a sua boca, dedilhando sua mandíbula.
—Eu acho que ela estava preocupada em machucar Romeo. — Quase riu. — Acho que ela tinha esperança de ouvir um meio diferente de fazer isso que não fosse forçando veneno para dentro do sangue dele. Parecia com medo de mordê-lo.
Algo tão bobo. O próprio veneno o curaria, mas podia entender. Wendy não era um brutamontes que se deixava levar pelo instinto como si próprio. Ela era tímida e não gostava de infligir dor a alguém.
As sobrancelhas louras se ergueram.
—Eu não tenho como culpá-la.
Os dedos finos abriram seus lábios e a ponta de seu indicador passou por suas presas, descendo até as pontas afiadas.
—Se você tivesse me dito que ia me morder com isso desde o início eu ficaria com um pé atras. Hoje não ligo por que sei que não é nada demais.
A ponta de seu dedo escorregou um pouco, furando a pele fina. Acnologia voltou a pegar sua mão com carinho, colocando o minúsculo machucado sob sua língua, que cicatrizou rapidamente ao entrar em contato com seu veneno, mordiscou a pontinha dele antes de tirá-lo de sua boca, ameaçando uma mordida.
—O que prova que foi melhor eu não contar. — Contrapôs.
Ela sorriu.
—É. Dessa vez eu não discordo. — E se aproximou para beijá-lo.
O beijo era lento e gostoso, deixando-o excitado de novo. Ronronou agarrando seus cabelos loiros e a puxando mais para perto, querendo seduzi-la.
Sua mão se espalmou entre seu peito e sua garganta, empurrando-o e quebrando o beijo.
—Dormir Acnologia, dormir. — Resmungou, mas se aproximou dele, enfiando o nariz em sua garganta e se aconchegando em seu corpo. — Precisamos dormir.
A última parte saiu mais sonolenta e acompanhada de um bocejo. Suspirou, percebendo que ela já estava a meio caminho de apagar por completo. Sempre acontecia quando ela bebia, mesmo que dessa vez ela não tivesse tomado ao ponto de ficar bêbada.
Enfiou o nariz em seus cabelos. Não importava. Dormir com ela era um de seus prazeres. Seu cheiro o acalmava lindamente e o fazia ter sonhos bons.
Justamente por isso qualquer coisa que ameaçasse aquela paz, o reino, Magnólia e a sua guilda seriam massacrados.
Nenhuma mancha podre daquele mundo tocaria Lucy Heartphilia.
Um homem saudável não tortura os outros.
Em geral, é o torturado que se torna o torturador.
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