A Arte do Caos

18 Cap 18: Ilusão de Controle.


Notas iniciais
Já vou pedindo desculpas...

Respirou fundo, tentando ignorar mais uma reclamação da mulher de cabelos rosados qual era obrigado a tolerar em seu grupo, também conhecida como Sherry Blendy; integrante da Lamia. A cada 5 minutos ela reclamava de como a floresta era assustadora a noite (mesmo estando próximo de amanhecer), de como o cabelo dela ficaria ressecado e de como os mosquitos a incomodavam.

Isso era um pé no saco.

Graças ao ilustre Hibiki Lates ele tem de aturar ninguém menos que ela, Lyon, Gajeel e Ogra. Por que? Bom, o senhor certinho decidiu usar os Dragon Slayers para tentar mapear a área e encontrar o tal de Hizame antes de formar um plano definitivo. Sendo assim ele decidiu separar os grupos com cada Caçador de Dragões como batedor líder nos grupos. E por que Lucy não estava no dele? Oh, boa pergunta. Por que o idiota decidiu formar aleatoriamente os grupos, quase por sorteio, já que não iriam para uma batalha de verdade no momento.

Isso mudava o fato de que seu sangue fervia, clamando espancá-lo até a morte por tê-lo feito deixar Lucy praticamente desprotegida em uma floresta a noite? Absolutamente não.

O Grupo de Lucy era Gray, Wendy, Levy e Rufus. Não eram pessoas fracas, mas em sua opinião ninguém alem de si era forte o bastante para proteger Lucy. O Cheiro dela era muito atrativo e haviam criaturas naquele mundo os quais nenhum daqueles magos eram capazes de combater. Isso só piorava seu mau humor.

Não disse uma palavra dês de que se dispersaram na floresta.Iam para leste ver se achavam algum rastro antes do sol nascer. Até agora nada. Faltava pouco tempo e tinham que retornar ao ponto de encontro. Estava mais focado na conexão que tinha com Lucy, procurando algum sinal de que ela estivesse em perigo, do que efetivamente vasculhando a área.

Algum tempo depois, já era possível ver os raios de sol no horizonte. Suspirou aliviado. Agora era a hora de todos voltarem e reporem as informações que acharam até agora. Lucy não estaria mais andando em uma floresta escura a noite e de agora em diante ficaria em seus braços. Não é preciso dizer que ele foi totalmente contra a idéia de vasculharem o local a noite, não é?

Mas segundo o engomadinho, a noite eles estariam desprevenidos e em menos vantagem neste horário, justamente pelo perigo. Claro idiota. E as mesmas circunstancias não se aplicam a todos nós? Quase quis lhe dar um murro para ver se a mente dele voltava para o lugar.

Andou com passos apreçados pela mata densa para retornar ao ponto de encontro. O grupo inteiro reclamou, ou quase inteiro que por pouco não conseguia acompanhá-lo. Gajeel já sabia por que de sua pressa, e não quis questionar. Também estava um pouco ansioso para ver a baixinha, embora também soubesse de que isso tinha haver com o fato de que Dragões nunca conseguem passar muito tempo longe de suas companheiras.

É uma desordem catastrófica. Passar muito tempo separados como alguns meses, por exemplo, era um desastre eminente. Dragões se tornavam instintivamente agressivos, já que a única coisa que os amansa é o cheiro e a presença das companheiras, e, assim como um cão que ataca a todos quando seu dono não está em casa o companheiro Draconiano sofreria uma danação diária até reencontrá-la. Já a própria companheira, sofreria com um aumento de poder drástico; seu companheiro não estaria lá para protegê-la, portanto deveria ser capaz de proteger-se sozinha, sendo assim a marca agiria como um catalisador aumentando rapidamente o nível de sua magia, causando assim sua morte.

Era complexo e esquisito. Preferia ficar quieto ao tentar brincar com o pouco bom humor do Rei dos Dragões.

Chegaram rapidamente à clareira que era o ponto de encontro. Lá já se encontravam Natsu, Erza, Hibiki e Ren. O grupo que foi para a parte sul da floresta. Erza nem perguntou se tinham encontrado alguma coisa. O pleno fato de Acnologia nem se quer ter a olhado lhe dizia duas coisas: A primeira é que ele ainda estava irritado com Hibiki; A segunda foi que realmente não tinha nada a leste. O Dragão apenas se escorou em uma arvore de braços cruzados e olhos fechados, sua feição parecia concentrada em algo.

Logo Laxus chegou acompanhado com alguns membros da Lamia e alguns magos da saber. E assim foi. Sting chegou com mais um grupo, Rogue também. Nenhum deles tinha informações sobre uma possível localização. Bem, o que faltava agora era o grupo de Wendy.

Esperaram, esperaram e nada.Erza andou de um lado para o outro começando a ficar preocupada. Cogitou perguntar ao Dragão para ver se ele conseguiria encontrar Lucy, e por sua vez, o grupo através de sua ligação; Porém, quando olhou em sua direção viu apenas uma expressão confusa. Ele permanecia com os olhos apertados e com várias rugas preocupadas no rosto. Deduziu por si própria que ele já estava tentando isso, e, pelo visto, não estava obtendo resultados promissores.

Abriu a boca na intenção de convocar todos os magos para uma equipe de busca, mas antes que as palavras saíssem Levy, Rufus e Gray chagaram aos tropeços atravessando os arbustos. Os três estavam machucados, ofegantes e desgastados.

–Nós... – ofegou Levy sentindo a dor de todos os hematomas em seu corpo. – Nós os encontramos... – ofegou. – No subsolo ao norte. Eles... eles pegaram Wendy e a Lu-chan.

Não foi necessário um segundo. Sentiu uma brisa quando Acnologia passou como uma bala por ela e se embrenhando na floresta. Trincou os dentes. Ele iria matar o Lates depois.

–Hibiki, Ren!- chamou com uma voz autoritária e indiscutível. – Fique e cuide dos três. Todos vocês venham comigo agora. Os Dragon Slayers, ponham o nariz para funcionar. Rastreiem Acnologia. Ele nos levará as duas.

Todos correram na mesma direção que o Dragão tinha ido, mas não conseguiram avistá-lo com os olhos. Apenas os matadores conseguiam ao menos sentir o cheiro.

–Ele é rápido. – murmurou Laxus.

–Você não tem idéia. – rebateu Erza, fazendo o loiro o olhar de soslaio. – Vamos apertar o passo. – ordenou.

#*#*#*#*#*#*#*#*#*#

Matar, matar e matar...

Era só isso que se passava em sua mente enquanto corria como um raio pela floresta densa, procurando o rastro de Lucy através do rastro de Levy.

Sua primeira opção seria matar o Lates, mas não sabia como Lucy estava e cada segundo conta então o deixou para segundo plano. Sua cabeça estava focada completamente no instinto, como um animal em uma caça. Sentia suas próprias escamas quererem rasgar sua pele tamanha era sua fúria. Sua cabeça estava quente e seu corpo fervendo.

Seja quem for iria pagar caro. Se encontrasse um mínimo arranhão que seja...

Um rosnado saiu por entre seus dentes, que agora ficaram mais pontudos. Suas pupilas se dilataram em fendas e sentiu que algumas de suas escamas romperam sua pele. Deu um salto mais longo para frente, aterrissando em meio a uma derrapagem. Fincou as garras que começavam a se sobrepor no chão para ajudar a parar a frenagem aterrissando de maneira curvada no chão.

Olhou em volta vendo sinais de batalha; árvores quebradas, algumas crateras, tocos de madeira e trapos de roupas para vários lados. Ainda agachado, respirou fundo aspirando os aromas. Eram seis. Sua visão adquiriu um tom avermelhado. Não importava agora. Encontrou o rastro de Lucy. Desatou a voltar a correr segundo o rastro fraco que tentaram esconder, mas para o nariz do Dragão ele era mais do que nítido.

Deveria ter entendido que algo estava errado quando parou de sentir os sentimentos e a localização de Lucy. Era como se algo o estivesse bloqueando. Algo a estava escondendo dele. Por um instante as palavras de Shinuky entraram em sua mente. Sua ligação poderia ser rompida até que o período de 14 dias, que seria completado em uma semana. Temeu por um instante, mas logo chacoalhou a cabeça.

Não sentia a presença de um Dragão que pudesse rompe-la nos arredores, além de que, ainda podia sentir que Lucy estava viva. Sentia que sua ligação ainda estava de pé, e, as vezes, alguns fragmentos de sentimentos escapavam de onde quer que eles a mantivessem.

Trincou os dentes. Queria voar para chegar mais rápido aonde quer que fosse, mas não era Shinuky para voar em meio a uma floresta tão densa e do céu não conseguiria sentir o cheiro do rastro. Mesmo assim apertou o passo seguindo com fúria. Seus pulmões inspiravam e expiravam de maneira audível, aspirando cada grama do cheiro de morangos e orvalho.

Sua visão aguçada avistou o declive de uma rampa que ia para o subsolo onde também existia uma porta de um grosso concreto e aço. O que era aquilo comparado a sua fúria? Uma folha de papel!

Sem se quer diminuir a velocidade, sua mão direita foi envolvida por chamas azuis e escamas. Recuou o braço até que seu punho ficasse rente a sua orelha e saltou por toda a rampa, ao mesmo tempo em que lançava o punho para frente. Houve um estrondo enorme. A porta de aço e concreto se despedaçou enquanto o metal rangia. O meio metro retangular de pedra que tapava a entrada foi ao chão em um instante.

Olhou para frente vendo três homens; dois assustados e um desmaiado por ter sido atingido pelos escombros. O corredor era até grande; era úmido como uma mina, abafado também. A única coisa que servia de iluminação eram umas bolas estranhas e arroxeadas que ficavam nos dois cantos superiores das paredes, formando uma linha continua de uma a cada metro. Ainda assim era pouco para um humano normal enxergar bem.

Ambos os homens vieram lhe atacar e ele estava temperamental e descontrolado demais para controlar a força. Rapidamente segurou o pescoço de um dos homens e o forçou para baixo, ao mesmo tempo em que esmagava a traquéia fazendo o homem perder o ar e a pancada por fim o fez desmaiar na hora. O outro que veio tentar acudi-lo, levou um chute forte nas costelas, quebrando varias delas e sofrendo um forte impacto contra as paredes que estremeceram. Não estava para brincadeira.

Sentiu presenças conhecidas aparecerem no lugar que antes era a porta. Ouviu seu nome, mas estava irracional demais para processá-lo. Disparou pelo corredor sem se quer olhar para os outros que os seguiam.

Parou, derrapando de repente fazendo os outros fazerem o mesmo processo. No mesmo instante uma nova porta de cimento bloqueou o caminho. Estava prestes a se preparar para destrocá-la quando ouviu o barulho da outra passagem, atrás de todos, se fechar também. As estranhas esferas rochas que serviam de iluminação explodiram feito bolhas, liberando um gás esbranquiçado. Todos tossiram e tentaram arrumar uma forma de cobrir o nariz, mas o gás sonífero agiu mais rápido, desmaiando todos.

Acnologia sentia os pulmões queimarem, tentando expelir o gás, mas não conseguiam. Sua visão estava ficando turva. Em um ultimo esforço tentou socar a porta, mas seus músculos já estavam ficando dormentes. A porta rachou, mas não cedeu. Tentou encontrar forças para tentar outra vez; Algo lhe dizia que não poderia desmaiar, algo lhe dizia que uma coisa ruim aconteceria com ela se cedesse. Mas seu corpo não lhe respondia. Suas escamas voltaram para baixo da pele. Não conseguia nem mesmo se transformar pelo cansaço que o abatia. Caiu de joelhos.

–Lucy...

Chamou em um sussurro quase desesperado. Mas seu corpo não foi capas de resistir, e, assim como os outros, desmaiou.

#*#*#*#*#*#*#*#*#*#

Soltou o ar, sentindo o corpo dolorido pela batalha anterior. De onde aqueles magos tinham saído? Não sabia. Abriu os olhos lentamente, notando que estava no subsolo em uma câmara feita de pedra bruta que possuía algumas estalagmites. Havia uma abertura nela, um túnel que provavelmente levava a outra parte da instalação. Seja o que for, ouvia vários barulhos de paços e uma Luz forte irradiava de lá, iluminando parte do local úmido e frio em que se encontrava.

Tentou se erguer, mas sentia seus músculos latejarem doloridos, ardendo pelo mínimo esforço que fazia. Era uma fadiga. Sentia seu peso aumentado em 10 vezes. Com muito esforço, e alguns gemidos, conseguiu se sentar no chão. Desesperada levou a mão à cintura e suspirou aliviada ao encontrar seu molho de chaves. Entraria em pânico se tivesse perdido seus preciosos amigos.

Mas não poderia contar com a ajuda deles agora. Sua magia estava no zero, praticamente. Não entendia o porquê. Lembrava-se de desmaiar por uma pancada na cabeça, não por fadiga mágica. Olhou para seus próprios pulsos, vendo as marcas avermelhadas em torno deles. Entendeu rapidamente. Drenaram sua magia.

Olhou em volta e viu uma cabeleira azulada deitada no chão, ainda inerte, mas conseguia ver que ela respirava.

–Wendy... – tentou chamar, sua garganta ardia. Até falar consumia energia.

Estava a menos de um metro dela. Tentou se arrastar para perto da azulada e acudi-la, mas também notou as marcas nos pulsos finos. Drenaram a magia dela também. Ela não acordaria tão cedo, e, suas escoriações por todo o corpo provavam que ela estava em um estado pior que o seu. Ao menos não estava sangrando.

–Ora, ora, ora. – uma voz grossa que retumbou quase ecoando no recinto. Olhou para a entrada e viu o mesmo homem que procuravam: Hizame. Ao seu lado estava uma mulher de cabelos negros; ela vestia uma armadura que mais parecia um maio de metal dourado, com botas negras que iam até os joelhos e Luvas de metal douradas até os cotovelos. Seus olhos eram tão negros quanto os cabelos e, em sua mão esquerda, carregava um cajado. Ela estava pouco atrás do louro em uma postura orgulhosa. Provavelmente era seu braço direito. – Você já acordou. Um pouco mais cedo do que pensava. Mas isso é bom. Tenho que matar um pouco do tempo até que terminem os preparativos para meu plano. Importa-se de me contar o que sabe sobre mim? – questionou com um sorriso debochado, adentrando mais no salão de pedra.

Lucy cerrou os olhos em sua direção. Precisava ganhar tempo e informações.

–Você é Hizame, o homem que tenta ressuscitar o Dragão Lázaros.

Uma risada ecoou. Não era cruel, mas sim divertida; ele ria das informações que dispunha.

–Sabe, vocês quase chegaram lá. – Falou começando a dar alguns passos de um lado para o outro com um sorriso animado no rosto. – Dragões são criaturas magníficas, não? Acho que não partilha da minha opinião, já que os oito que conheceu tentaram te matar, mas, tirando esse fato eles são incríveis. As criaturas mais poderosas já nascidas na Terra. Vocês apenas erraram em uma pequena parte do meu plano. Não planejo ressuscitá-lo.

Lucy piscou, várias vezes olhando para o homem entusiasmado a sua frente.

–Não?

–Não. – respondeu. – Lázaros é o Dragão morto mais poderoso já contado na história. Um dos reis de sua respectiva classe. Tal como os pais de seus Dragon Slayers. Reis de seus domínios. Eu só não sei de quem aquele novo Matador de Dragões herdou seus poderes. Nunca tinha ouvido falar dele, até vê-lo com seus amigos.

–O que fez com eles??? – questionou em um quase grito, levando a mão as chaves a sua cintura e tentando levantar, mas a fadiga a tomou bruscamente e não tinha poder para invocar seus espíritos.

–Calma, loirinha. – riu, olhando para Lucy ofegando no chão. – Eu drenei sua magia da mesma forma que fiz com sua amiguinha. E, mesmo que tivesse magia não poderia usá-la. Não escolhi esse lugar à toa, sabia? Essas pedras... – falou apontando para a formação de rochas solidas em todas as paredes do local. – Impedem o uso de magia. O único jeito de usar magia dentro deste salão é tomando pílulas criadas por mim que cancelam o efeito delas. – Lucy entendeu. Seria como em Edolas. – Não se preocupe, seus amigos estão bem. Eles não tem utilidade para mim então os acorrentei nas masmorras e os deixarei lá, apodrecendo. Eles só tiraram um cochilo antes disso. – Falou abanando a mão como se aquilo fosse sem importância.

Lucy se desesperou por dentro. Não estava em condições de ajudá-los agora.

–Mas, onde eu estava? Ah, sim. Meu plano não é ressuscitar Lázaros, querida. Meu plano era regenerar o corpo e os poderes dele, para que eu possa usá-lo. Fundirei meu corpo ao dele e me tornarei um dos seres mais poderosos deste mundo. – Ele riu quando viu que Lucy o olhava com espanto e terror. – Querida... ressuscita alguém dá trabalho, além de cobrar um preço muito alto. É mais fácil eu usar minha própria vida para preencher um corpo vazio.

A maga engoliu em seco, tentando fazer sua garganta parar de arranhar. Povoar um corpo já morto? Isso era possível? Seja como for, aquele homem poderia sim fazer o que propunha; caso contrario, não estaria com este sorriso.

–Por que... por que nos seqüestrou? – questionou ainda em choque.

–Ah! – estalou os dedos. – Eu já ia chegar nesta parte. Sabe, nós estávamos com dificuldades em regenerar as ultimas partes restantes do corpo, então seu time veio pra cá e eu vi a oportunidade de pegar os poderes da sua amiguinha ali para finalizá-lo. – Disse apontando para Wendy que permanecia desmaiada ao seu lado. – Graças a ela nós terminamos. Já você.- falou chegando mais perto de Lucy e se inclinando um pouco para baixo. – Para que a fusão dos corpos seja realizada é necessária uma magia que se adapte a qualquer outra, sabe, para dar o gatilho. Que magia melhor que a Celestial? Você tem que adaptar sua magia cada vez que chama um espírito, já que a magia dos mesmos é diferente da sua.

Agachou-se, ficando próximo a Lucy e pegando uma mecha de seu cabelo para por atrás de sua orelha. A maga desviou o rosto, tentando se afastar o máximo possível do homem.

–Uma pena ter de destruir provavelmente a ultima maga do mundo que porta essa magia. Ainda mais uma tão bela. – murmurou olhando nos olhos de Lucy com um misto de admiração e pesar. A garota se afastou ainda mais com isso.

–Hizame-sama. – chamou a mulher com o cajado em punho. Está pronto.

O louro sorriu. Levantou-se e foi em direção a única saída que havia no local.

–Uma pena. Queria conversar mais. Shizui, mate-as. Já serviram ao propósito. – falou saindo definitivamente do local, sem nenhum remorso.

Lucy conseguia ouvir o martelar de seu coração em pânico a cada paço que a mulher, cujo o nome acabara de descobrir, dava. Tentou se levantar. Não conseguiu. Tentou sentir nem que fosse um pouco de magia dentro de si, mas nada. Shizui apontou a esfera verde colocada em uma das extremidades de seu cajado para si. A esfera brilhou intensamente na mesma cor. Arregalou os olhos começando a ver o pânico consumi-la.

–Não se mova. – falou a mulher sem remover a expressão mórbida do rosto. – Se não se mexer a matarei sem dor.

Não soube de onde veio, mas de repente, seu peito queimou, acima de seu coração e ombro e toda sua força física foi quase totalmente revitalizada. Pulou para o lado ao mesmo tempo em que a esfera verde saia do cajado e explodia o local que estava sentada há instantes atrás. Ainda sentia a queimação incomoda no peito, e ela não dava indícios de que iria cessar; mas no momento a adrenalina e sua respiração acelerada estavam tão grandes que mau a notava.

A mulher se virou vagarosamente em sua direção, como se não tivesse pressa alguma de matá-la.

–Não sei como ainda consegue se mover depois de termos drenado toda sua magia. Mas não faz diferença. Não pode me vencer sem magia. – Disse, mirando outra vez o cajado em sua direção.

Merda, Droga, Bosta e todas as palavras de injuria própria que conhecia, não eram o suficiente no momento.

Que ótimo. Conseguia se mover de novo, mas não tinha magia,e, mesmo que tivesse não seria capaz de usá-la. Como derrotaria um mago sem magia? Bem, para tudo se tem uma primeira vez, então era bom que aprendesse logo.

Desviou para o lado outra vez, bem na hora em que a esfera foi arremessada. Correu em direção a mulher, saltando e tentando lhe desferir um chute. Ela se abaixou, desviando facilmente, e atacando outra vez. Outra explosão. Por pouco não foi atingida. Precisava dar um jeito de atingi-la o mais breve possível e precisava ficar próxima a ela o mais rápido possível. Todas as vezes que se aproximava, Shizui se afastava para tentar acertá-la com seu cajado. Se ela ficasse perto demais ela não conseguia usar magia, apenas ataques físicos.

Cumpriu o plano. Desviou de todos os socos que ela tentou lhe dar, mas aquilo era apenas um plano temporário. Estava escapando por um milagre, seguindo seus reflexos mais apurados que o normal. Shizui girou o bastão, usando-o como vara para atingi-la e Lucy saltou para o mais longe que pode, aterrissando ofegante do outro lado do salão de pedra.

–Já estou cansada. – murmurou a mulher voltando a carregar o cume do cajado com magia. – Você pode ter força para desviar. – Murmurou apontando o cajado para si. Preparou-se para desviar. – Mas duvido que sua amiguinha consiga. – Rapidamente mudou a mira para Wendy e disparou.

Lucy arregalou os olhos. Wendy não poderia morrer. Em um impulso, e usando todas as forças que pode adquirir, pulou em cima do corpo pequeno, o cobrindo com o seu. Sentiu o impacto em suas costas. Um choque intenso estraçalhou seu sistema nervoso. Gritou de dor e agonia, sentindo seus ossos nervos e músculos se arrebentarem por dentro, embora ainda estivessem intactos. Sua pele e suas roupas foram rasgadas pelo choque. Sentia o sangue escorrer em suas costas, de uma maneira estranhamente gelada. Sua visão embaçou completamente; não conseguia processar nada a não ser a dor.

Seu peito queimou, queimou muito. Conseguia ouvir seu coração batendo em sua boca, cada vez mais lento. Sentia sua alma ser embrulhada por aquele calor. Em um ultimo suspiro, sentiu seu corpo desabar flácido sobre o corpo da menor.

Estava tão quente, sentia-se tão estranhamente... bem.

Porem tudo o que viu foi a escuridão.

#*#*#*#*#*#*#*#*#*#*#

Ouvia gritos... Muitos gritos e reclamações, mas não conseguia processar o que os gritos diziam.

Sentia seus braços suspensos por algo frio que apertava seus pulsos. Estava de joelhos. O lugar estranhamente cheirava a mofo e putrefação. Sua cabeça latejava. Sentia seu corpo tão pesado, que por um momento pensou que havia uma pedra em suas costas. Abriu ligeiramente os olhos e viu de relance algumas siluetas que conhecia, mas no momento não lhe vinha o nome de nenhuma delas. Fechou os olhos abrindo-os mais um pouco novamente; sua visão estava embaçada, mas conseguia ver as siluetas acorrentadas nas paredes, discutindo com alguém em pé, atrás de uma grade.

Fechou os olhos outra vez. Estava acorrentado também. Sua cabeça ainda latejava muito; queria dormir.

Começou a distinguir algumas palavras.

– ...ue fizeram com elas?

–... sairmos.... matá-los!!!

Eram tantos gritos... Barulhos de metal... Correntes sendo chacoalhadas.

–Onde está a Luce???

Lucy...

A dor de cabeça aumentou, se lembrou. Missão, grupos, Lates, seqüestro.

–A loirinha? Não se preocupe. O mestre cuidará bem dela.

Seus músculos tencionaram, movendo as correntes ao mesmo tempo em que rosnava alto. Então houve o silencio. A atenção de todos voltada para o prisioneiro ao fundo da cela.

–Oh! – uma voz pouco conhecida se fez presente em meio ao deserto de vozes. – Você finalmente acordou. Foi por causa de sua amiguinha, foi? Que pena. Não verá mais ela. – riu em deboche, a voz ecoando por toda a masmorra.

Puxou os braços suspensos para baixo, e o elo de ambas as correntes que o mantinham preso se partiram. O homem pulou de susto, mas não se moveu; havia um campo de força nas grades. O Dragão ficou de pé, permanecendo com a cabeça abaixada, e arrancou os elos ainda presos em seus pulsos, que caíram no chão com um estalo agudo. Andou por todos os outros conhecidos acorrentados nas paredes, sem lhes dirigir o olhar.

–Não vai passar pelo campo. – murmurou o homem do outro lado, com um sorriso de deboche.

A mão direita do Dragão rei se cobriu de escamas, para espanto de todos, e, sem hesitar, enfiou a mão sobre o escudo, que crepitou sobre a grade. Agarrou as barras mais grossas puxando a tela inteira para trás, que se partiu com um estalar agudo e jogou-a para o lado com força. O impacto na parede foi tão grande, que as correntes que suspendiam Gajeel se desprenderam. Ele caiu no chão, mas permaneceu imóvel sem tirar os olhos de Acnologia.

O homem não foi rápido o suficiente para escapar. O Dragão o segurou pela gola, e o jogou contra a parede segurando-o pelo pescoço. Os olhos azuis agora eram escuros e suas pupilas dilatadas em fendas. O homem gritou em pânico, mas Acnologia prensou ainda mais sua traquéia.

–Onde ela está? – a voz era reptiliana, perigosa e assustadora. Era quase como duas pessoas com a mesma voz rouca e grossa falassem simultaneamente.

O homem respirou várias vezes tentando formular uma frase ou simplesmente tentando encontrar ar para falar, mas seja como for era tarde demais. O sistema precário de ventilação do subsolo passava por todas as áreas da base. Gajeel sentiu a ruína que o ar trazia também.

–Não.. – Buliçou o Dragão do ferro se soltando rapidamente do resto das correntes, e desesperadamente indo soltar os outros o mais veloz que conseguia. – Isso é ruim.

A brisa trazia um agouro...

–O que é ruim? – perguntou Erza enquanto o moreno fazia um péssimo trabalho tentando livrar suas mãos das correntes, devido ao pânico que sentia.

Um rosnado selvagem e que aumentava gradualmente, foi ouvido por todos. Gajeel gelou olhando com pavor para Acnologia.

Ele sentiu o cheiro. A brisa trazia o cheiro de morangos e orvalho, mesclados com sangue. Sangue de Lucy Heartphilia!

Oh, sim... Todo Dragão ou Caçador sabia. O que acontece quando um companheiro sente o cheiro do sangue de seu bem mais precioso?

Era uma outra definição para as palavras agonia e massacre....

Todos estremeceram e sentiram ânsia ao ouvir o pescoço do homem que nem sabiam o nome, se quebrar nas mãos daquele que perdia o controle. Estava lá outra vez, mais viva do que nunca, a gana de matar.

Matar, matar, matar...

O corpo de quem quer que fosse caiu, desfalecido no chão. Sua blusa se transformou em farrapos quando suas asas rasgaram sua pele, saindo de onde se escondiam. Suas escamas apareceram completamente negras por toda a pele. Uma calda também se fez presente, saindo da base de sua coluna, com o semi-tridente afiado. Seus cabelos ficaram negros e tão cumpridos quanto os de Gajeel. Seu dorso, agora nu, se encheu de escamas negras. Aos poucos as escamas se fundiram umas com as outras, formando uma carapaça impenetrável. Linhas azuis começaram a aparecer entre elas, formando desenhos abstratos inclusive em seu rosto.

Seus olhos adquiriram um tom um pouco vermelho nas bordas das íris, embora o azul escuro ainda se fizesse presente. Suas mãos se encheram com garras afiadas, assim como seus pés, arrebentando a sandália de couro que usava. Dois, ainda pequenos, pares de chifres apareceram nas laterais de sua cabeça.

As enormes asas de couro escuro se abriram e alçaram vôo, destruindo o teto como se fosse de papel, e indo atrás do cheiro na ala acima da masmorra.

Matar, matar,matar...

Iria fazer isso.

–O.. o que infernos aconteceu aqui??? – gritou Sting, suas feições estavam tão surpresas e apavoradas quanto a dos outros.

– Ele sentiu. – murmurou Gajeel sem tirar os olhos do Lugar em que Acnologia tinha se transformado parcialmente. Logo os obres vermelhos passaram para a Erza em desespero. – Ele sentiu o cheiro de sangue da Lucy!

A ruiva engoliu em seco, também temendo os acontecimentos que se seguiriam.

– Vamos atrás dele. – falou, retirando rapidamente o resto das algemas.

–Ei!! – outra voz autoritária exclamou no local. Todos olharam para Laxus. – Eu sei que vocês dois sabem o que acabou de acontecer aqui. Comecem a explicar!!!

#*#*#*#*#*#*#*#*#

Era estranho. Sentia-se envolto em algo denso que estava quase cobrindo seu rosto. Era seu inconsciente lhe dizendo que faltava muito pouco para perder a sanidade.

Destruía tudo em seu caminho, indo atrás do cheiro que lhe atormentava; o sangue de Lucy. Não tinha mais consciência do que matava ou do que destruía. Apenas tirava tudo que estava em seu caminho, indo em direção a uma câmara a qual sentia o cheiro dela. Seu coração estava esmagado contra o peito, mal conseguia respirar. Por alguma razão, por alguma maldita razão, não conseguia senti-la.

Socou outra parede, arrebentando-a e entrou em um salão de pedra pura. Encontrou uma mulher com um cajado, que estava apontado para sua amada, deitada no chão com as costas banhadas em vermelho. A mulher lhe olhou com espanto. Tentou usar seu cajado em si, mas foi mais rápido, pegando-a pelo pescoço com uma mão enquanto enfiava a outra em seu peito, atravessando a armadura ridícula sem dificuldades.

Não teve nenhum remorso com o que fez. Sentiu o coração úmido pulsando em sua mão, antes de esmagá-lo. Observou os olhos da mulher perderem a vida, enquanto seu sangue banhava o chão. O cajado caiu com um beque metálico contra as pedras agora vermelhas, e, logo em seguida, seu corpo oriundo.

Em um instante foi em direção a Lucy, retirando-a de cima do corpo da menor a qual havia protegido. Agachou-se colocando-a em seu colo, retirou os fios louros do rosto feminino, vendo seus olhos fechados em descanso profundo.

–Lucy...?

Sua voz ecoava com o mais profundo desespero. Os olhos azuis a analisavam em pânico. E então veio a primeira faze da perda: a negação.

–Lucy!!! – chamou de novo com a voz começando a falhar. Balançou o corpo extremamente mais pálido que o normal. Não queria acreditar na possibilidade que sua mente lhe propunha.

Começou a arfar como se seus pulmões não conseguissem oxigênio o bastante. Seu peito estava comprimido, ouvia seu coração batendo desesperadamente, mas era como se ele não conseguisse mais bombear sangue. Seu corpo inteiro gelou. Segurou o rosto frágil em suas mãos manchadas de sangue, seus olhos começaram a se embaçar com as lágrimas. Começou a chacoalhá-la um pouco, achando aquilo uma péssima brincadeira de mau gosto, chamando seu nome repetidas vezes.

Foi ai que um fato lhe ocorreu; Não conseguia ouvir os batimentos vividos e reconfortantes. Não ouvia o coração de Lucy. E então veio a segunda faze da perda: A dor.

Seu corpo começou a tremer, seus olhos se esbugalharam enquanto as lágrimas caiam desenfreadas. Era a primeira vez que chorava. Era a primeira vez que sentia tanta dor. Teve vontade de arrancar seu coração do peito de tanta dor que sentia. Começou a arfar. Apertou o corpo desfalecido contra o seu, envolvendo-a com suas asas e cauda.

–Não, não, não! – tentou negar para si mesmo o fato imutável.

Lucy estava morta, seu amor estava morto. Porém ainda era humano, no fim das contas; Tentava mentir para si mesmo que aquilo era uma ilusão, tentando mascarar a própria dor, mas não era. A dor que sentia não era uma ilusão; aquele sabor amargo que preenchia sua boca, mesclado com a sensação excruciante em seu peito era algo verdadeiro, e pelo visto, crescente.

Por que? Se ela morreu, deveria ter morrido junto! Essas eram as regras da ligação. Ela ainda estava lá, ainda estava lá. Não sabia que o que quer que tenha feito tivesse sido tão cruel a ponto de receber uma punição tão severa. Sua mente não processava nada. Sentiu apenas o vazio.

Por que sua marca ainda estava ali se ela havia morrido?

Fechou os olhos sentindo todos os sentimentos que lhe assolavam. Eram tantos....

Dor, raiva, ódio, tristeza, decepção, incredulidade e, o pior de todos, a agonia. Tudo latejava em seu peito, formando uma dor que sabia que jamais se curaria. Mais lagrimas desceram, caindo sobre o corpo mórbido. O manto denso que lhe envolvia, tentando tirar sua sanidade, conseguiu envolve-lo completamente.

As linhas azuis de suas escamas desapareceram gradualmente, ficando apenas o mais puro negro. A esclera de seus olhos foi coberta por um manto negro, enquanto as Iris tornaram-se o mais puro vermelho. Não havia mais nenhum azul neles... apenas sangue.

Curvou-se sobre o corpo flácido, antes de lançar sua cabeça para trás em um rugido. Um rugido que liberava tudo aquilo que sentia. As paredes estremeceram e a quilômetros ele foi ouvido. Sua aura se tornou completamente negra.

O que acontece quando um Dragão perde sua parceira sem morrer com ela? Bem... tudo começa com um rugido...

Um rugido de Agonia...

“O mau não tem nada de surpreendente. Tem tudo de humano.”

Notas finais
Colé? # Primeiro eu gostaria de dizer que eu não demorei; estava segurando o capitulo. Por que? Bom, como podem ver eu queria fazer vocês chorarem e achei que o capitulo não estava bom e fiz algumas modificações para vocês sentirem mais dor. Ainda acho que ele não esta bom, mas já estava demorando demais. # Estarei respondendo os comentários do cap da outra fic agora; e por falar neles, é incrível a quantidade de comentários que eu recebi ao aplicar um pouco de crueldade. Estou pensando em ser mais cruel daqui para frente. #Gigi mas matar a Lucy não foi crueldade demais? Sim, foi e eu estou rindo a beça. Culpem isso pelo plagio que eu recebi, e que fui informada por uma leitora sobre. (Muito obrigada minha linda, e sigam este exemplo.) Alem de me plagiar ela pegou a Shinuky SEM minha permissão. Quantas vezes terei que repetir que ela não é um personagem aleatório?Ela é uma personagem na qual eu passei ANOS lapidando! (Falando nisso já faz mais de um ano que estou escrevendo para vocês, né?) #Tudo bem. Se eu não fiz vocês chorarem neste capitulo eu faço no próximo. Por favor não abandonem a fic so por que eu matei a personagem principal, falo? Esperem pelo menos até o próximo capitulo, onde mistérios serão desvendados, se até lá não gostarem, ai vocês podem abandonar. #Outra coisa, minha beta me abandonou cruelmente e não atende o telefone sobre hipótese alguma. Vaga aberta. Por isso se virem erros... perdoem por que eu tentei revisar. #LINDA milenaalvino Obrigada pela fabulosa recomendação que você me deu em ACPT. XD Você me deixou muito feliz. (se estiver lendo essa fic minha tambem, fique sabendo que darei os devidos obrigadas no cap 36 da outra fic Ok? Não me ache uma autora desnaturada. É isso. Beijos me liguem. Preciso de um namorado. Comentem o que acharam tá? Mesmo que queiram me matar.