A Arte do Caos

15 Cap 15: O mundo é uma merda.


O mundo às vezes é incerto; às vezes tende para o bem, outras vezes para o mau, por assim dizer. Neste dia, aparentemente, tudo tinha para dar certo. Magnólia amanheceu com o céu límpido, bonito, com uma brisa gostosa pela manha. Um dia que você olha pela janela e diz: É hoje!

Mas o mundo na verdade é um belo filho da puta.

As frestas da cortina deixavam passar alguns lindos raios de sol. Bom, nem tanto, já que eles tinham que ir direto em seus olhos, o despertando contra a vontade. Acnologia soltou um gemido de desgosto e virou o rosto para o outro lado, enfiando-o no local macio e cheiroso que dormira a noite inteira. Esse local também era conhecido como seios da maga celestial.

Ela trajava sua blusa como pijama, enquanto ele dormia apenas com uma bermuda. Foi à primeira coisa que ela encontrou em sua frente após passarem o dia anterior inteiro –praticamente- pelados. Não fizeram nada demais, afinal nem tiveram tempo e se quer pretendiam ficar nus o dia todo, mas acabaram passando mais tempo no banheiro do que planejaram. Depois pegaram a primeira roupa que viram, comeram e passaram o resto do dia arrumando a bagunça de suas guerrinhas infantis –que molharam o banheiro todo- e, claro, a mesa.

Lucy optou por pôr um forro em cima, para disfarçar até comprar uma mesa nova, ou contratar um marceneiro para resolver. Preferia a primeira opção. O que iria explicar ao marceneiro caso perguntasse o que aconteceu?

Ficava vermelha só de pensar e preferia evitar inventar desculpas. O povo da cidade era muito fofoqueiro, e se a desculpa não pegasse iria passar a ouvir ainda mais boatos a respeito de si que nem ela mesma sabia.

Caíram na cama e dormiram até o dia seguinte. Minutos depois Lucy acordou. Olhou pela janela e constatou: teriam que ir à guilda. Não que isso fosse ruim, mas às vezes gostava de ficar mais tempo em casa, mas, se fizesse isso em dias não chuvosos, a guilda inteira invadiria sua casa que tanto custou a arrumar.

Tentou se mexer, mas percebeu que o Dragão não a deixaria sair.

–Acnologia...- sussurrou passivamente remexendo nos cabelos negros para acordá-lo.

Só que ele já estava acordado e queria continuar dormindo. Ganiu, jogando ainda mais o corpo para cima dela.

–Acnologia seu gordo, saia de cima de mim!!!- decretou tentando tirá-lo de cima de si.

–Gordo é?- falou desdenhoso.- Então por que você vive passando a mão na minha barriga?- perguntou debochado com um sorriso no rosto.

Lucy corou até o ultimo fio de cabelo tanto por vergonha quanto por raiva. Ah, ia ensiná-lo a ser debochado. Agarrou os fios negros com força e os puxou, fazendo-o ser obrigado a ir na mesma direção a qual puxava sua cabeça.

–Ai, ai, ai, Lucy!- pestanejou ao mesmo tempo que ela o puxava para o lado, sendo obrigado a sair de cima dela. Assim que isso ocorreu ela o soltou e ele levou uma das mãos a cabeça a massageando para tirar a dor. – Você é má.- resmungou.

–E você é pervertido.- retalhou de volta.- Não é nem um pouco seguro te ter ao meu lado.

–Mas você gosta...- disse com outro sorriso debochado.

Levou um soco bem forte na boca do estomago, o impedindo de terminar, e o fazendo se encolher com a dor.

–Vamos, temos que ir a guilda.- falou meio mau humorada e se levantando.

Ele quase a insultou de volta, mas se lembrou de algo. Olhou para a janela e sorriu. Estava um lindo dia ensolarado. Pulou da cama a puxando para seus braços antes que chegasse ao banheiro. Ela arregalou os olhos e tentou sair.

–OU, ou ou ou ou... ou. Onde você pensa que vai?- perguntou sorrindo brincalhão.

–Indo no banheiro para arrumar e ir a Guilda. Onde mais?- retalhou tentando sair mais uma vez e falhando miseravelmente.- O que quer?

Estalou a língua olhando para cima e logo em seguida retornando os olhos a ela.

–Primeiro, eu gostaria de dizer que você fica muito Sexy com as minhas blusas.- ela ficou rubra de novo e tentou lhe dar um soco, mas (para sua tristeza) Acnologia tinha ótimos reflexos e desviou facilmente. Segurou o pequeno punho em sua mão, ainda mantendo o outro braço na cintura fina para impedi-la de sair. Baixou as mãos dela as segurando atrás das costas finas para que ela não tentasse algo de novo. Ela se debateu mas não conseguiu soltá-las.- Segundo, nós não vamos a guilda hoje por que eu vou levá-la a um lugar.- declarou.

–Você bebeu algo?- perguntou.- Esta mais pervertido que de costume. Não posso deixar de ir à guilda! Se eu não for eles vão me procurar até nos confins do inferno.

Acnologia ponderou e ignorou a pergunta. De fato eles iriam vir procurá-la e não queria ninguém os procurando hoje. Pensou um pouco e chegou a uma conclusão:

–Então, nós vamos à guilda, você fala para todo mundo que vamos precisar fazer algo hoje e depois vamos embora.

–O que vamos fazer?- perguntou desinclinada a aceitar, mas curiosa.

Ele sorriu.

–Surpresa.- sussurrou brincalhão.

Lucy suspirou e o encarou com os olhos cerrados e desconfiados.

–Por favor...- pediu ainda sorrindo.

Outro suspiro.

–Ta bom.- O sorriso do Dragão se alargou.- Mas agora me solta.- reclamou se sacudindo para lembrá-lo que ele ainda prendia seus pulsos.

Ele assim o fez e ela voltou ao seu trajeto original. Ele a olhou de novo vendo as pernas nuas que sua blusa não tampava.

–É sério.- decretou pondo a mão no queixo como se avaliasse uma possibilidade.- Vou queimar todas as suas blusas para você usar só as minhas.

Como resposta a porta do banheiro foi batida com força desnecessária.

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Como de praxe assim que abriram a porta todos olharam em direção aos mesmos, mas logo voltaram a seus afazeres anteriores. Lucy foi em direção ao balcão falar com Mirajane que não pretendia ficar, lhe dando uma desculpa qualquer. Não percebeu que era observada pela baixinha, que revezava o olhar entre ela e o Dragon Slayer misterioso.

Não era por mau, entendam, mas passou a desconfiar dos dois assim que viu Gajeel saindo da enfermaria com Erza, emburrado e irritado, diga-se de passagem. Quando perguntou a ele o que ouve ele falou algumas palavras resmungando e depois a mandou perguntar a Erza e depois saiu da guilda marchando. Quando perguntou, a ruiva olhou em direção a Acnologia e depois congelou, nervosa, falando que tinha ido ensinar Gajeel boas maneiras.

Duas coisas a entregaram: A primeira é que era impossível ensinar Gajeel boas maneiras. Experiência própria. A segunda é que Erza é tão sincera –sinceridade esta que até doía as vezes- que se esquecia que não sabia mentir para os amigos. Aquele olhar lhe disse o que precisava.

Dês de então passou a analisar o Dragão, e percebeu que tudo que sabia a respeito dele era um grande e gordo NADA.

O que sabia a respeito dele era o mais elementar. Sabia que seu nome era Acnologia, sabia que era devido a sua magia possuir alguma semelhança com a do Rei dos Dragões e sabia que ele era namorado da Lucy, pessoa a qual ele olhava insistentemente com um carinho protecionista sem igual. Suspirou. Ah, claro, também sabia que seus olhos mudavam de cor todas as vezes que olhava para a loura, e logo retornavam a outra cor tenebrosa quando tinham de mudar de foco. Mas duvidava que isso fosse relevante.

Tentou olhar nos arquivos, mas também não encontrou nada a respeito. Era como se ele tivesse nascido de repente. *Puf* Apareceu.

Aquilo a deixou um pouco entristecida. Sua melhor amiga escondia um segredo de si. Tomou fôlego decidida. Iria descobrir o que é. O que Lucy poderia guardar de tão cabeludo que nem poderia lhe contar?

Assim que saíram da guilda ela os seguiu. Usou um feitiço de camuflagem, se misturando a paisagem de magnólia e ficou a favor do vento. Sabia que se não fosse absurdamente cautelosa Acnologia iria descobri-la facilmente. Porem, assim que o casal entrou na floresta Levy os perdeu.

Raios!!! Como foi perde-los? Andou de um lado para o outro bufando de raiva e quase arrancando os cabelos. Como iria encontrá-los em uma floresta daquele tamanho? E ainda por cima sem ser percebida? Sua mente trabalhava furiosamente em uma solução.

Der repente, olhou para a rua e viu um moreno caminhando tranquilamente com as mãos atrás da cabeça. Sorriu. Acabou de encontrar um batedor.

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Acnologia levou Lucy para bem longe da cidade, andando na mata até chegar em uma clareira bem isolada. A maga estava intrigada com o que ele queria, que a propósito não sabia e ele se recusava a dizer mesmo com as milhões de perguntas feitas por ela no trajeto.

–Aqui está bom. –declarou mais para si mesmo.

A maga olhou em volta e se virou para ele na intenção de perguntar “bom para que?” mas as palavras não saíram. Assim que pousou os olhos nele se deparou com o mesmo tirando a camisa. Corou até o ultimo fio de cabelo, vendo aqueles músculos talhados mandando beijinhos para ela, a chamando para tocá-los.

Não é possível que ele a arrastou até aqui para isso!... ou era?

O Dragão conteve com custo a gargalhada ao vê-la idêntica a um tomate, mas se conteve. Já a tinha provocado demais hoje. Seria melhor parar um pouco antes que ela lhe dê outro soco. Sem mais delongas deixou suas asas lhe rasgarem a cicatriz, saindo de debaixo de sua pele prontas para serem usadas.

Esticou-as ao Maximo como se as espreguiçasse, para tirar a dormência que sofriam após tanto tempo sem expô-las. Suspirou um pouco aliviado. Era desconfortável mantê-las guardadas por tanto tempo. Recolheu-as novamente as colocando em posição de repouso.

Lucy o olhou de olhos arregalados. Ele a tinha trago aqui só para voar... com ela! Foi inevitável que um sorriso enorme lhe brotasse no rosto quase rasgando-lhe a cara. A euforia cobriu seus olhos. Acnologia sorriu também ao ver aquela animação toda. Era tão gratificante ser o causador do sorriso de alguém. Uma sensação tão única.

Esticou uma asa, levando a até ela, e a embrulhando parcialmente com a mesma para logo puxá-la para si. Lucy soltou um mini gritinho e correu para não cair de cara no chão. Seu corpo se chocou contra o peito de Acnologia e ele lhe deu um selinho rápido antes de se afastar alguns centímetros.

Ajeitou a camisa que havia tirado em suas mãos e passou-a pela cabeça de Lucy a fazendo vesti-la. Não queria rasgar outra roupa como geralmente fazia e se a deixasse ali na clareira com certeza iria perdê-la. Alem do mais seria bom que Lucy a usasse, acima das nuvens é sempre frio. Um pano a mais poderia fazer a diferença.

–Gostou da surpresa?- perguntou risonho.

Lucy sorriu largamente.

–Vou gostar mais quando estivermos lá em cima.- falou decidida.

Ele alargou o sorriso e a pegou nos braços. A maga envolveu seu pescoço com os braços. Esticou as asas para cima, dobrou levemente os joelhos e logo depois as desceu bruscamente tirando os dois do chão.

Segundos depois ele já havia transpassado as nuvens. Nivelou, colocando as asas em um ângulo que lhe permitia ficar ereto e planar ao mesmo tempo. Olhou para Lucy.

–Pronta?- perguntou sorrindo.

–Te vejo La em baixo Dragãozinho.- falou lhe dando um selinho e girando o corpo para cair de seus braços.

Acnologia riu e mergulhou atrás dela, caindo ao seu lado. Ela ria gritava, girava, abria os braços fazendo rodopios como sempre e ele ficava La igual a um idiota com um sorriso bobo no rosto. Lembrou-se de quando Shinuky o chamou de tolo quando fazia burradas com Lucy; Mas fazer o que. Era apaixonado e conseqüentemente idiota. Essas características sempre andavam de mãos dadas.

A pegou nos braços pouco antes de chegar a copa das arvores. Lucy gargalhava em diversão e adrenalina. Era tão divertido. Você olha para o chão e vê a todos como formigas. Você olha para cima e vê o infinito... a sensação de ser livre era magnífica.

Acnologia sabia disso. Dragões tinham asas para serem livres, voarem pelos céus, jamais ficarem presos, jamais se amarrarem a algo. Também era de suas asas que provinham grande parte de seu poder. Uma vantagem tática e livre. Você esta na guerra, mas ainda assim é livre. Lucy foi à única pessoa a qual ofereceu sua liberdade. Deu a ela de bom grado, e pretendia dividir com ela pelo resto da vida.

–Um rio!!!- exclamou mais alto e animada.

O Dragão sorriu e mergulhou em direção ao mesmo já sabendo o que ela queria: voar sobre o espelho d’água. Inclinou-se um pouco para o lado fazendo uma curva, deixando a ponta de sua asa direita rasgar a superfície da água fazendo Lucy rir ainda mais.

Talvez Lucy fosse uma benção. Não só para ele como para o mundo. Tinha tanto poder....

Se ela lhe pedisse para destruir uma cidade, destruiria; se ela pedisse que matasse, mataria; se ela pedisse o mundo, ele o conquistaria e lhe daria. A entregaria até mesmo seu coração em uma bandeja se ela pedisse. Mas não, ela não lhe pedia nada. O que ela queria era apenas sua companhia, fidelidade e compreensão. Coisas que nem precisava pedir. Ela o domava tão ridiculamente fácil....

Ficou horas voando com ela para lá e para cá, quase saindo dos limites de Magnólia. Segurou sua cintura quando ia pegá-la de outro mergulho. Ela enlaçou seu pescoço com os braços e a cintura com as pernas. Abriu as asas retomando um pouco da altitude. Olhou dentro dos obres chocolates.

–Já está ficando tarde.- informou, mesmo que quisesse continuar lá. Porem, por ordem de Mirajane, eles tinham que retornar a guilda. O mestre iria falar algo importante.

–Mais uma vez.- pediu risonha mordendo os lábios.

Como poderia recusar?

Bateu as asas outra vez ganhando mais altitude, e planando ereto outra vez.

–Mais auto.- pediu.

Ele aumentou mais a altitude e voltou a planar. Não iria mais longe. Ainda ia demorar um pouco para ela se acostumar com o ar rarefeito de uma altitude maior. Seus pulmões eram feitos para isso, os dela não.

Puxou Lucy para um beijo casto segurando-a firmemente pela cintura e sua outra mão agarrava os fios loiros. Como de costume, se sentiu leve e desejoso. Queria explorar o corpo dela outra vez, beijá-la vorazmente e ver seus olhos castanhos se encherem de prazer. Nunca iria se cansar disso. Quebrou o beijo. Não queria perder a concentração em pleno vôo. Poderia ser catastrófico, mesmo que voar, para si, fosse algo simples e quase automático.

Lucy sorriu, lhe dando outro selinho e se soltou dele, caindo para trás e mergulhando de cabeça pelo ar. Acnologia sorriu a observando cair. Poderia ficar alguns segundos a olhando, afinal a alcançaria facilmente antes de chegar ao chão.

Enquanto sorria, o vento trouxe um recado aos seus ouvidos juntamente com um cheiro. O sorriso morreu e ele rosnou. Droga!

Mergulhou rapidamente alcançando Lucy em segundos. Segurou-a em estilo noiva antes que passasse pela camada de nuvens, abriu as asas e aproveitou para se camuflar em uma das massas brancas.

–Acnologia,.. o que foi?- perguntou Lucy sem compreender. Ele sempre a pegava pouco antes de chegar à copa das arvores.

O Dragão a ignorou, apenas soltando um rosnado. Seus olhos ficaram escuros e tomaram uma forma mais dracônica, nervosos. Lucy não enxergava um palmo à frente, mas ele via sem problemas. Achou melhor ficar calada. Acnologia ouvia e via muito bem, alem é claro do seu faro. Precisava descer e se esconder na mata. Nuvens não duram muito, alem de que eram gélidas.

Pensando nisso, mergulhou a uma velocidade extrema como um raio. Lucy quase gritou. Passou em uma fresta entre as copas das arvores e abriu totalmente as asas, freando e aterrissando no chão agachado com a maga em seus braços.

Lucy piscou algumas vezes recuperando o senso de equilíbrio e direção. Seu estomago havia ficado nas nuvens... junto com seus rins. Se voltou para o Dragão outra vez.

–O que foi?- perguntou mais firme e impaciente.

Ele não disse nada, apenas olhou em uma direção não especifica da floresta, com os dentes pontiagudos trincados e expostos. Por estar colada a ele, e ainda em seus braços, a maga sentiu o peito dele tremer em um rosnado contido e muito ameaçador. Estranhou. Estavam sobre ameaça? Quem nesse mundo seria uma ameaça para o Rei dos Dragões? Se encolheu, sem saber o que fazer, enquanto Acnologia continuava consigo nos braços, agachado, com as asas semi-abertas.

Como eles ousavam? Tinha sentido a baixinha os seguindo, mas pensou que ela tinha desistido de persegui-los depois que entraram na floresta. Odiava muito quando interrompiam os raros minutos de felicidade que poderia proporcionar a Lucy. Ah... como queria matá-los. Seria rápido, nem sentiriam dor. Era muito difícil entender que não queria dividir Lucy com o resto do mundo? Tudo bem, tudo bem; sempre dizia que respeitava o direito dela de ter amigos, mas fazia isso única e exclusivamente por ela. Fazia isso como forma de se redimir pelo que fez ela –acidentalmente- passar, por que se dependesse de si, a levaria para um lugar extremamente isolado onde nada nem ninguém poderia encontrá-los.

Mas sabia que ela não seria feliz assim, então deixava parte de seu egoísmo de lado. Porem isso não o impedia de seqüestrá-la as vezes para te-la consigo. Raios!

–Ai!- uma voz conhecida por Lucy ecoou vinda da direção que Acnologia olhava.

O reverberar se tornou mais intenso por baixo das palmas de suas mãos. Ergueu as sobrancelhas e se remexeu, saindo dos braços dele e se pondo atrás de uma arvore esticando apenas a cabeça para ver melhor.

–Você tem que tomar cuidado baixinha.- murmurou uma voz mais grossa metalizada.

–Não me chame de baixinha!- retrucou a outra.- Você é quem deveria tomar cuidado. Estamos perdidos por sua causa!!!

–MINHA? Foi você que veio atrás da Bunny e do Acnologa –não –Acnologia. – falou revoltado.

–É, mas eu pensei que seu nariz prestasse para rastreá-los. –retalhou.

–Oe, baixinha, eu sou um ótimo rastreador, ta legal? O problema é que depois daquela clareira o rastro deles sumiu. É como se evaporassem, voassem ou sei lá. As vezes eu sinto o cheiro deles vindo de algum lugar e de repente some!

–Ah ta bom. Como se você...- e assim continuaram a discussão enquanto entravam na floresta.

Lucy reconheceu ambos. Se virou para o Dragão.

–Acnologia!-repreendeu.

Conhecia-o bem o suficiente para saber que aquele rosnado era um “eu vou matá-los”. Jamais deixaria que fizesse isso com seus amigos. Ele virou a cara com a feição emburrada, ainda agachado e se recusando a responder.

Voltou seu olhar para direção que os dois tinham seguido.

–Eles estavam nos seguindo?- questionou retórica.- Que absurdo!

Ahhh, aquilo ia ter volta. Rapidamente sua mente bolou um plano maléfico. Por mais que estivesse escondendo um segredo, não admitiria que Levy tentasse descobri-los antes que estivesse preparada para contar.

–Vamos nos vingar!- murmurou sorrindo.

Acnologia virou o rosto em direção a Lucy com os braços apoiados nas pernas. Ela disse se vingar? Abriu um sorriso cruel. Já tinha dito que Lucy era sua parceira perfeita?

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La estavam os dois, escondidos entre as frestas do penhasco que separava o pé da montanha da floresta. Lá embaixo estavam suas duas vitimas, caminhando e discutindo sem fazer idéia de que foram atraídos para lá.

Acnologia sempre fora um exímio caçador e se orgulhava disso, então quando Lucy lhe disse seu plano, logo pensou em um local adequado para realizá-lo e sabia perfeitamente como atraí-los para lá, usando seus cheiros através de pistas falsas: um lenço (carregado por Lucy) e uma de suas munhequeiras.

Recolheu suas asas, colocando-as por baixo da pele outra vez e vestiu a camisa que tinha deixado com Lucy.

–Eu nunca pensei que diria isso, -falou se virando para ele –mas seja um pervertido.- falou antes de por seu plano em ação.

O Dragão sorriu. Nem precisava pedir. Pegou-a no colo outra vez e pulou, saindo da fenda e caindo em frente ao casal, levantando poeira e fazendo-os levar um susto. Ambos se colocaram em posição de defesa. Quando a poeira abaixou, ambos puderam ver Lucy nos braços de Acnologia, com uma das mãos erguidas; o indicador e o dedo mediano dela formavam um V, em um comprimento inusitado.

–Yoooooooo Levy-chan, Gajeel-san! –exclamou sorridente.

O Dragão se segurava para não gargalhar da cara que os dois fizeram. Estavam abismados, assustados, estupefatos, sem nenhuma reação e fazendo uma careta horrível com as bocas abertas. Pos Lucy no chão.

–O que diabos estão fazendo aqui???- exclamou a azulada enraivecida pelo susto que tomaram.

A maga colocou o indicador no queixo fazendo um rosto inocente.

–Não seria eu quem deveria perguntar isso? Afinal vocês estavam nos seguindo.- afirmou. Levy congelou. Tinha esquecido desse detalhe; acabaram de ser pegos. Suou frio e disse a primeira coisa que lhe veio à mente.

–NÃO, nós não estávamos!- falou rápido de mais,e, conseqüentemente, pouco convincente. Ao perceber isso completou rapidamente- Nós perguntamos primeiro, portanto responda primeiro: O que faziam aqui?

Lucy sorriu de maneira simples.

–Acnologia me chamou para caminhar por aqui.- falou a meia verdade.

As sobrancelhas azuis se ergueram.

–Pra’ que?- escapuliu.

Essa era a deixa de Acnologia. Ele se aproximou e abraçou Lucy por trás, dando um sorriso escárnio enquanto encaixava o queixo entre os fios loiros.

–Use a imaginação.- declarou.

Gajeel, que até então tinha se mantido calado, franziu as sobrancelhas quando ouviu isso. Será que...? Não; para Dragon Slayers decidir isso era algo crucial, que demandava tempo e uma decisão de ambas as partes. Mas ainda assim, era possível que ambos já tenham feito uma ligação? E ele não percebeu?

Seus pensamentos foram drasticamente interrompidos pela loura.

–Já respondemos. Agora é a sua vez Levy-Chan!- falou arrastando seu nome.

A baixinha engoliu o seco enquanto tentava diminuir a coloração vermelha das bochechas. Tentou dar uma resposta coerente.

–O mesmo que qualquer um de vocês pudesse estar fazendo.- murmurou cruzando os braços.

Lucy sorriu. Era por esse deslize que ela esperava.

–Eu acho que não.- murmurou.

–O que quer dizer?- perguntou a azulada erguendo uma sobrancelha e cerrando os olhos.

–Nós somos namorados.- Respondeu se recostando mais ao peito de Acnologia para enfatizar isso.- O que significa que nós poderíamos estar fazendo coisas muito mais.... qual é mesmo a palavra?- falou inocente, apenas para deixar Levy ainda mais apreensiva.

–Interessantes?- completou o Dragão sorrindo e entrando no jogo.

Envergonhá-los também era uma forma de expô-los um ao outro, ajudando-os a ver um pouco do que sentiam. E claro de se vingar.

–Então Levy-chan, você também estava fazendo “coisas interessantes” com o Gajeel-san?- Claro, o sufixo “san” era apenas para deixá-los ainda mais desconfortáveis.

Gajeel não merecia um tratamento TÃO formal e respeitoso.

Funcionou como uma luva. Ambos coraram até virarem pimentas. Acnologia percebia a ligação que envolvia os dois da mesma forma que o envolvia a Lucy. O olhar lascivo e desconfiado lançado a si segundos atrás, a posição ligeiramente defensiva pronto para defender a azulada sem que o próprio se quer percebesse; sempre atento e sempre concentrado... nela.

Talvez fosse burro demais para perceber ainda, ou já sabia e agia como um idiota (da mesma forma que fez) pensando que isso era impossível e improvável. Tolo. Não adianta relutar. Ele mesmo queria voltar no tempo e ter parado de ser idiota para tela logo de inicio. Mas, isso não era problema seu.

–Oe, Bunny, você é louca?!!!- exclamou Gajeel inconformado.

O Dragão cerrou os olhos. Seu peito tremeu outra vez, porem de leve; não gostava de quando insultavam sua parceira, mesmo que fosse de leve. Sua gana de matar estava voltando de novo. Lucy sentiu o reverberar em suas costas e, como resposta, lhe deu uma cotovelada. Acnologia cerrou os dentes, balançando ligeiramente a cabeça, de repente mudando o foco outra vez.

–Lu-chan isso seria impossível!- firmou. Estava prestes a complementar com algo que iniciaria uma discussão entre ela e o Dragão de Ferro, mas a loira interrompeu.

–Então, o que estavam fazendo aqui?- perguntou de novo a olhando firmemente. Iria forçá-los a confessar.

E agora? O que poderiam dizer? Sua mente de gênio não conseguia bolar nada, a do “brutamontes” então devia estar ainda pior. Não teria coragem de falar para a melhor amiga que a estava espionando. Seria quebra de confiança.

Foi neste momento que (infelizmente ou felizmente) ouviram um barulho em cima do penhasco. Olharam para cima vendo algumas dezenas daqueles macacos mutantes, falantes e (segundo Lucy) pervertidos, encima do penhasco e enfileirados. Oh, como odiava aqueles macacos!

Rapidamente eles começaram a gritar e a jogar pedras e bater no chão, provocando um deslizamento. Acnologia jogou Lucy para suas costas e saiu correndo pelo vale que o penhasco formava, e que só lhe dava duas opções de caminho. Gajeel também segurou Levy nos braços e saiu correndo pela mesma direção.

Pararam bruscamente quando outro deslizamento quase os pegou, bloqueando o caminho com rochas, terra, árvores e tudo que pudessem pensar. Olharam para trás na intenção de ir para a segunda rota de fuga, mas o trecho também havia sido bloqueado. Quando olharam para cima, mal tiveram tempo de ver as enormes rochas que cairiam sobre si, os soterrando. Gajeel colocou Levy no chão, e se curvou sobre ela, transformando sua pele em metal para protegê-la do deslizamento. Levy se encolheu e ele fechou os olhos se preparando para sentir o impacto das toneladas de pedras, rezando para conseguir protegê-la. .. Um impacto que não veio.

Abriu os olhos sem conseguir enxergar absolutamente nada alem de um breu extremo. Estavam embaixo de todas aquelas pedras (tinha certeza), mas como não caíram em cima deles?

Um frio lhe atravessou a espinha. Uma respiração longa, pesada, familiar, quente e perigosa se fez presente. Ouviu as pedras se moverem e viu alguns feixes de Luz, mas elas não caíram encima de si, como era para ter feito; todas elas foram removidas; Empurradas para cima. Sentiu algo grande se movendo com elas... se movendo acima de si.

Um enorme Dragão negro emergiu das pedras que deveriam ser sua tumba. Acnologia estava furioso. Uma de suas patas permanecia fechada, enquanto se apoiava nas outras três. Como ousam!

Ergueu o corpo se apoiando nas duas patas traseiras, e ergueu o pescoço ficando alinhado ao topo do penhasco. Os macacos estavam paralisados. Ele rugiu, quebrando a paralisia dos macacos, fazendo-os correr para todos os lados em pânico. Usou a outra pata para desferir um soco na aglomeração mais visível, destruindo boa parte do penhasco, vegetação e tudo mais que havia ali. Recuou com o braço e começou a armazenar um pouco de energia na boca. Queria exterminar todos eles! A gana de matar havia voltado.

–Ai!-uma voz fina o fez perder o foco, e, conseqüentemente, a aglomeração de energia em sua boca se desfez.

Olhou para sua pata que até agora permanecia fechada. Abriu-a vagarosamente se deparando com a Maga estelar intacta e protegida, sentada em sua palma.

–Você está bem?- perguntou com a voz grossa, reptiliana, bem diferente do normal, a analisando com os olhos poderosos , procurando o mínimo arranhão que fosse.

–Sim.- respondeu se levantando na palma gigante e se apoiando em suas garras. Tinha levado um susto. Não pensou que ele se transformaria, ainda mais tão rápido.

Olhou para baixo entre as frestas dos dedos gigantes, e viu Gajeel e Levy os olhando, sentados no chão, com a boca escancarada, sem saber se corriam, falavam, gritavam, xingavam, agradeciam...Eram tantas opções.

Acnologia também mudou o foco dos olhos na mesma direção de Lucy. Ela se encolheu, amargurada e receosa e ele rapidamente entendeu o por que. O Dragão soltou a respiração pesada em um suspiro. Não era para isso ter acontecido. Abaixou-se, permanecendo com a pata (em que Lucy se encontrava) um pouco erguida.

Os dois olharam para a maga ainda atônitos. Mordeu lábio, abaixando a cabeça, com uma sensação ruim em seu peito. Tinha quebrado a confiança deles, sabia disso. Levy provavelmente jamais confiaria em si outra vez. Se encolheu angustiada e esperou pelo pior; esperou que eles começassem.

Gajeel foi o primeiro. Se levantou com uma feição séria e se postou em frente a Levy, pronto para atacar; logo em seguida se pronunciou.

–A minha vontade agora é de atacar e depois sair para chamar ajuda, mas aparentemente você me deve explicações primeiro, Lucy!- falou com a voz rouca e grave.

Estremeceu. Era a primeira vez que ele falava seu nome e o disse de uma maneira acusatória. Seus olhos lacrimejaram. Um rosnado se fez presente; o Dragão não a gostavam de quando a tratavam assim. Era como se a culpa de tudo o que tinha feito fosse dela e não dele. Mas, como jaz o ditado, os inocentes pagam pelos culpados.

–Acnologia...- Lucy o repreendeu com a voz fraca. Ela devia explicações.

Ele obedeceu. Contra a vontade mais obedeceu. Abaixou a pata e a maga desceu de sua palma, caindo no chão a alguns metros de Gajeel. Acnologia foi envolvido por algumas chamas azuis e seu tamanho foi diminuindo até ficar próximo a sua forma humana. Era possível ver as escamas e as asas se escondendo outra vez por baixo de sua pele. Segundos depois ele tinha voltado ao normal, porem seus olhos ainda estavam escuros –olhando diretamente para o Dragon Slayer- os braços cruzados e a mandíbula travada.

Lucy tentou encontrar uma explicação plausível; algo no qual eles não se aterrorizassem assim como Erza, mas não achou nada. Sabendo disso, respirou fundo e falou a única coisa que conseguia:

–Eu...eu não tenho uma explicação plausível e não posso dizer nada que possa ser justificável.- respondeu abaixando a cabeça ainda mais.- Eu apenas o amo e não queria ficar longe da Fairy Tail... foi... foi por isso que eu o trouxe comigo.- sua voz era fraca e lamuriosa.

Esperou as retaliações... elas não tardaram a vir.

–E por isso você decidiu trazer um monstro até nós?- perguntou Levy quase gritando enquanto apontava para Acnologia.

Lucy ergueu o queixo irritada. Não deixou Erza chamá-lo assim, portanto também não deixaria a azulada fazê-lo.

–Levy, -falou sem sufixos.- eu entendo que esteja irritada, com raiva e até com ódio de mim, mas não admito que o chame de Monstro!!- O Dragão a olhou de soslaio. Era a primeira vez que alguém o defendia, mesmo que não fosse necessário.

–Mas é isso que ele é!!- exclamou outra vez encarando firmemente a garota.- Esqueceu que ele tentou nos matar?

A ofensa tomou conta do corpo de Lucy. Não admitia que falassem assim dele. Ela e Acnologia eram um agora; eram um dês de o dia que decidiu amá-lo; dês de o dia que ele catou os cacos que tinham restado de seu coração, os ajuntou e o aceitou, mesmo ele estando cheio de cicatrizes; e de quebra lhe deu o seu de presente. Ele foi à única pessoa a cuidar dela quando ninguém mais queria; quando ninguém mais percebia.

Por isso, tomou algo que talvez não devesse falar, mas agora não se importava.

–Gajeel também!- lançou.

Levy arregalou os olhos. Refletiu. Por um instante pensou no quão hipócrita foi, mas seu pensamento foi deixado de lado. Aquilo parecia tão errado... Como poderia amá-lo? Foi ele quem lhes tirou 7 longos anos de suas vidas!

–Eu não sei o que ele fez com você, Lucy, mas isso é errado!

–O que é errado??- exasperou.- Eu amar? Ser feliz? Ele não me fez nada! Ele me ajudou varias vezes quando até mesmo quando eu pensei que não havia salvação para mim!!!- exclamou.

Acnologia parou a encarando. Ela tinha noção do que suas palavras faziam com ele? Sentia vontade de beijá-la agora. Seu peito estava derretido. Sentia-se (estranhamente) protegido... nunca tinha sido protegido.

As palavras de Levy morreram em sua boca por um momento. Viu os olhos do Dragão passarem para Lucy se tornando azul marinho de novo. Não tinha argumentos. A garota realmente voltara mais alegre, espontânea e feliz... mas o que ela quis dizer com não tinha salvação? Sua mente só imaginava o pior.

–Ele vai machucá-la...- murmurou usando sua ultima cartada.

Dessa vez o garoto não ficou calado.

–Eu jamais faria isso!- exclamou raivoso e indignado.- Eu a amo!

As palavras derreteram o coração de Lucy.

Levy empinou o queixo o encarando desafiadoramente.

–Como se sua palavra valesse algo!- informou rispidamente.

O Dragão bufou.

–Não posso machucá-la, nem mesmo se eu quiser.- Rebateu.- E, já que não confia em mim, pergunte a ele!- falou apontando para Gajeel.

A azulada se dirigiu ao Dragão de ferro. Ele olhava fixamente para Lucy com um ar de hesitação e duvida... talvez até preocupação. Ergueu as sobrancelhas pedindo explicação.

Gajeel suspirou.

–Ele tem razão.- falou para a pequena.- Ele não pode machucá-la pois possuem uma ligação; Uma união de almas que apenas Dragões e Matadores de Dragões fazem quando escolhem alguém para viver o resto da vida. Mesmo que queira, em uma hipótese muito remota, ele não pode machucá-la. Sua magia não funcionaria contra ela e, caso tente danos físicos é ele quem sofrerá as conseqüências.- Respondeu. Agora entendia perfeitamente por que Erza veio tão preocupada querendo saber sobre essa ligação.

Levy tentou buscar um furo ao ouvir essa explicação. Não duvidava que fosse verdade, mas precisava achar uma brecha. Não conseguia ver Lucy feliz com ele.

–Mas... e se...

–É impossível.- respondeu já prevendo a pergunta da azulada. Fechou os olhos vermelhos, suspirando, para logo voltar a abri-los.- Esta ligação não é algo simples Baixinha. É necessário vários fatores para que ela seja concretizada, e um deles é que ambos sintam a mesma coisa.- Falou explicando. Esperava que ela entendesse o que falaria agora.- Ele não está mentindo, caso contrario a Bunny não estaria marcada. Não há como ser desfeito. É um laço eterno.- Falou. Ele deveria dar essa explicação apenas a sua parceira, só que com mais detalhes. Suspirou. Não importava, no fundo sabia que ela seria sua. Só lhe faltava coragem e talvez um pouco de inteliência.

Levy não soube o que dizer ou pensar. Estava tão confusa. Embolava os sentimentos rancorosos sobre o Dragão com aqueles que deveriam querer o bem da maga. Fechou a boca pondo a mente no lugar.

–Erza já sabe, não é?- perguntou o moreno. Lucy acenou positivamente ainda mantendo a cabeça baixa.- Quem mais sabe?- questionou já se preparando para ouvir uma resposta chocante.

–O mestre...- respondeu em um sussurro.

Os olhos de Levy se arregalaram surpresos. Como assim o mestre sabia? Como ele permitiu isso? Vendo que a baixinha estava em conflito interno, ele intercedeu na conversa.

–Você ia nos contar, não ia?

–Sim... mas não ainda.- respondeu erguendo o olhar. –Não estou preparada para enfrentar a guilda.

Gajeel a entendeu. Por ele, não havia muitos problemas dês de que Acnologia não desse problemas,e, pelo que viu, Lucy o controlava facilmente, só não percebia isso. Se manteve imparcial e decidiu esperar para ver no que ia dar. Não havia muito o que se fazer depois que ele a tinha marcado. Não dava para afastá-la dele, escondê-la ou matá-lo. Tudo traria conseqüências a ambos, e não queria machucar Lucy. Suspirou; maldito seja o vinculo entre as almas!

–Presumo que deva guardar isso em segredo por enquanto...- falou retoricamente.

Ela ergueu a cabeça acenando em positivo.

–Obrigada!- falou serena.

–Não me entenda mau, mas não me interesso com quem você fica. A vida é sua.Apenas de um jeito de controlar esse daí.- Disse apontando para o Dragão com o queixo. Acnologia o fuzilou com os olhos.- Mas recomendo que conte logo a todos. Vai ser pior depois.

Lucy se encolheu. Levy olhou para a maga, respirou fundo e se virou, indo embora. A loura sabia o que aquilo significava. Ela não diria a ninguém, mas isso não significava que estava tudo bem; significava um “Preciso pensar”. Não sabia o que a baixinha iria decidir, mas sabia que não queria perder sua amizade.

Gajeel a seguiu. Iria guiá-la de volta.

Lucy continuou parada no mesmo lugar, com a cabeça baixa. Acnologia se aproximou e a abraçou ternamente, querendo lhe passar conforto. Ela se virou, enterrando o rosto em seu peito. Engoliu as lagrimas, o choro e o nó que se formou em sua garganta.

–Quero ir para casa.- murmurou com a voz embriagada e abafada.

O Dragão ficou tentado a obedecer seu desejo. O dia não tinha saído como planejara. Tinha que ter sido mais cuidadoso. Porem, se lembrou do aviso de Mirajane sobre ir a guilda por causa do mestre; algo lhe dizia que deveriam ir. Suspirou.

–Eu vou te levar para casa. Mas antes precisamos ir a guilda.- lembrou-a.

Ela agarrou sua camisa com força e acenou em positivo ainda contra seu peito. Ergueu-a em seu colo, sabendo que ela não estava muito bem para andar e a levou a pé de volta a cidade.

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Lá estavam todos reunidos. Todos os membros da guilda, se encontravam postados em frente ao pequeno palco que se encontrava na lateral direita do Hall, esperando o anuncio do Mestre. Ao fundo, Acnologia abraçava Lucy, a empalando em seus braços, tentando lhe passar conforto; Esta estava cabisbaixa, preocupada e desanimada. Não sabia que Levy, sua melhor amiga, reagiria dessa maneira. Isso era mais um incentivo para que jamais contasse a ninguém, mas isso (infelizmente) não era uma opção.

O Dragão estava preocupado demais com a loura para ouvir seu lado insano que queria matá-los. Suspirou, não sabia o por que de estar tão... descontrolado. Nunca teve controle na verdade, mas também nunca teve tamanha gana de matar alguém por algo tão simples.

Paços ecoaram sobre o palco, tirando todos de suas conversas e pensamentos. Olharam para cima, para ver quem era.

Makarov suspirou antes de pegar o microfone e se pronunciar.

–Pirralhos, tenho um aviso para dar a vocês.- pigarreou.- Há alguns dias, o conselho descobriu uma nova ameaça ao nosso mundo; uma nova Dark Guild. Não posso dar detalhes, mas me foi incumbido selecionar um grupo de magos para realizar essa missão, juntamente com as guildas aliadas. Vim selecionar os magos que iram nesta missão.- fez uma pausa para que absorvessem suas palavras.- O grupo que selecionei será: Erza, Gray, Levy, Lucy, Natsu, Gajeel, Laxus, Wendy e Acnologia.- Falou firme.

A Ruiva rapidamente percebeu um detalhe importante.

–Um grupo com uma força principal formada de Dragon Slayer’s? –questionou.

Era obvio. A maioria possuía essa magia, sem falar que eles não eram propriamente um time que sabia trabalhar em conjunto. Não se familiarizavam uns com os outros. Gray e Erza eram fortes; seriam ótimos para ajudar na linha de frente. Como a missão possivelmente era sigilosa o grupo tinha de ser menor, o que por tanto diminuiria a variedade de magias que poderiam ser mais eficazes e usadas no combate com o inimigo; é ai que Lucy entrava.

Ela possuía a capacidade de invocar espíritos que usavam varias magias, dando então uma vantagem tática quando necessário (além, é claro, de controlar Acnologia caso necessário). Levy era ótima estrategista, o que também seria muito útil.

–Sim.- respondeu simplesmente sem dar mais detalhes.- Vocês saíram amanha no primeiro trem. Estejam lá antes do por do sol.- declarou se retirando.

Erza não questionou. Provavelmente os detalhes só lhe seriam dados quando lá chegassem. Olhou para trás vendo Lucy com a cabeça abaixada. Ela olhou para Levy, que abaixou o olhar e se retirou. Lucy mordeu os lábios e falou algo só Dragão, que acenou positivamente e a puxou para fora da Guilda.Não precisava ser um Gênio para saber o que ouve. Ela havia descoberto.

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Abriu a porta do apartamento e trouxe Lucy carinhosamente consigo para dentro. A maga suspirou e se encolheu, indo em direção ao banheiro.

–Não fique assim.- falou Acnologia tentando animá-la.- Se ela for mesmo do jeito que me contava enquanto estava treinando, ela vai entender.

Lucy sorriu fraco.

–Obrigada.- sussurrou sincera.

O Dragão suspirou.

–Preciso entregar algo a Shinuky.- mentiu. Precisava vê-la, mas não podia falar a Lucy pois ela lhe perguntaria o por que, e ainda não podia lhe explicar o por que.- Voltarei em 15 minutos, tudo bem?

A maga assentiu e entrou no banho. Seria bom ficar sozinha. Precisava pensar.

Acnologia suspirou, se dirigindo a porta. Tomara que Shinuky possa lhe dar uma resposta concreta.

"Quando surgir um inimigo maior que a humanidade, os conflitos acabaram."

Notas finais
Oi pessoas lindas XD #Desculpe a demora, mas final de ano é um porre. Em breve estarei entrando de férias e ajeitarei meus atrasos. #Um lindo e MARAVILHOSO OBRIGADAAAAAAAAAAAAAA A TomoyoDayjou que me deu uma sensacional recomendação. XD XD Adorei mesmo, quase me fez sair correndo pelada pela casa de tanta emoção (fazia tanto tempo que não recebia uma XD) Você me deu uma enorme inspiração para escrever mais de 6.600 palavras. XD #Agradeço muito a todos os favoritos e comentários, pois são eles que continuam me motivando a escrever. Falando nos comentários, eu ainda não respondi os do Nyah por que não sei o que aconteceu na minha conta que as respostas não estavam sendo enviadas, mas agora voltou ao normal, portanto vou respondê-los agora. XD #Estou feliz pois uma das autoras de fics que eu amo voltou a postar XD. Vocês podem ir escrevendo tambem, ou vocês acham que eu não exploro a conta de cada um de vocês para ler suas fics? Em? #Bjs XD