A Arte de Ser Eu...

1 Mais Um Dia na Vida de Maya


Notas iniciais
Oie Tartarugas! Essa é a primeira estória que eu posto aqui, mas ela já é antiguinha. Espero que gostem porque eu tenho um certo estranho carinho por ela, então... Boa leitura =D

POV Maya

— Senhorita Monteiro — dizia Patrick — devo dizer que a sua prova foi a melhor, como sempre! 9,2 não é para qualquer um.

— Não faço nada mais que minha obrigação professor. — como você consegue ser tão boa atriz Maya?

— Tosc. Sínica. Tosc.

E como sempre o desagradável Thyago começa a me provocar, não tenho culpa se ele viu Patrick e eu de amassos em uma sala uma vez. Sim, eu pego meu professor. Algum problema? Faço isso desde os 13 anos.

— E quanto a você, senhor Nunes, vejo que não anda cumprindo sua obrigação.

— Achei que os seis gols que fiz no jogo da semana passada nos deu a vitória para a terceira fase. – arranca algumas gargalhadas.

— Tosc. Sínico. Tosc. — Digamos que em todas as aulas de Física e Matemática eu e o Thy (como meu melhor amigo o chama) ficamos nos provocando, além de eu ser elogiada pelo Patrick como se eu soubesse essas merdas que ele dá.

— 2,4. A pior nota da turma, para variar.

— Talvez quando uma professoRA der a matéria e eu tosc. Dar tosc. Pra ela eu seja o melhor da turma também.

— Já chega Nunes, há anos você cisma em fazer essas insinuações bobas e infantis em relação à senhorita Monteiro — comecei a piscar até descer uma lágrima por minha face. -, já está na hora de crescer. Se quer que suas notas melhorem, estude!

E para variar, o aluno e o professor mais conhecidos no colégio estavam discutindo, acho que o Thy tem certa inveja do Patrick, por ele ser querido por todos enquanto ele é apenas o filho mimado e odiado do diretor — que todos têm medo e preferem distância — e da supervisora do SOI — que é uma das pessoas mais legal daqui, mas mesmo assim ela dá medo — ela ta no SOI, não é?

Depois de um tempo de bate boca:

— Já chega Nunes, já para o SOI, leve isso com você — lhe entregou a prova com um círculo vermelho em torno da nota. — E traga assinada pelos seus pais amanha.

— Mas se meu pai ver essa nota, ele não vai me deixar jogar no sábado. — Ele já estava meio rouco, não sabia se era por causa da discussão ou simplesmente tristeza por não poder jogar. Como eu estava feliz!

— Então acho que teremos uma ótima notícia para os reservas.

O "filhinho do papai" pegou sua prova e saiu da sala revoltado, batendo a porta deixando os alunos em silêncio curtindo o eco. Nem chegou a olhar na minha direção para que eu mandasse um beijinho. #Desapontada

— Bom, onde eu estava? Ah! Sim! Felipe 8,9 parabéns!

E assim voltamos à aula. Algumas conversas paralelas enquanto provas eram entregues, rostos sorridentes, umas pobres criaturas arrancando os cabelos pelas notas baixas e etc.

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— Senhorita Monteiro, poderia ficar mais um pouco?

— Claro professor. — disse mandando uma piscadela enquanto meus colegas não olhavam.

— Falarei com o diretor e lhe assegurarei que o que aconteceu hoje não se repita mais. — Patrick discursava enquanto alguns alunos ainda saíam da sala.

— Obrigada professor Drummond. E quanto... — só restavam mais dois alunos, mas já estavam na porta. — a questão número 3 da prova...

Não precisei continuar já que finalmente só restáramos nós na sala.

— O Thyago sabe de nós? — Patrick jogou pergunta direto com uma sobrancelha levantada.

— Claro que não! — menti. — Ele só está jogando verde para ver se colhe maduro depois — falei normalmente, acho que vou ser atriz -. Garoto irritante.

— Assim espero – deixou o ar escapar pela boca como se tivesse tirado um peso das costas. — Você pode aparecer no apartamento mais tarde? — ele se aproximava a cada palavra com uma intensidade nos olhos que já estava acostumada. Eu era muito irresistível...

Antes eu achava repulsivo estar perto dele, depois comecei a me acostumar e achar até divertido de vez em quando, mas agora era como se fosse algo na minha rotina, como um trabalho monótono, sabe? Não gostamos, mas precisamos do salário.

— Posso! Invento uma desculpa até ás 16h e depois — comecei a passar meus dedos sobre seu casaco e fui subindo até o cotovelo enquanto sentia seu olhar em mim. — apareço por lá.

— Certo! — dei um selinho nele e segui para minha próxima aula. Geografia, ótimo! Poderia falar com meu amigo Enrique a aula inteira!

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— Então o estressadinho do Thy foi pro SOI? De novo?

— Pra variar, você tinha quer ver, ele quase chorou! — Ri enquanto o Enri me acompanhava.

— Me impressiona esse cara gostar mais de futebol no lugar de ter medo do pai, o diretor é um armário!

— Pois é não é?... Enri lindinho... — falei com voz de criança que quer doce enquanto bagunçava o cabelo dele.

— O que você quer Maya gatinha? — disse ele passando o braço em volta do meu pescoço.

— Um álibi! — falei com convicção.

— Senhor Bells, isso não é uma esquina para ficar agarrado à senhorita Monteiro! Em nome de Jesus! — reclamava a professora na frente da sala, enquanto nós estávamos no fundão.

— Aqui, fessora! — Enri respondeu sacudindo a folha do nosso trabalho de perguntas estúpidas com respostas mais estúpidas ainda. Mas fazer o que se o Enri amava Geografia e fazia sempre todos os trabalhos e provas daquela matéria.

Ela pegou a folha vermelha de raiva e voltou para sua mesa.

— Porque você faz isso com ela? — perguntei segurando o riso.

— Você não a acha irritada cômico? Eu sou um gênio na aula dela, não há o que reclamar de mim aqui!

— Convencido!

Ele me puxou para mais perto e me deu um estalado beijo na bochecha fazendo com que todos que estavam concentrados em seu trabalho olhassem para nós.

— Aqui não é um Motel senhor Bells, e os seus colegas não precisam ver essas... Cenas! Deus! Essas crianças hoje em dia só pensam nisso! — A professora Oliver de voz estridente parecia ter noventa anos sendo que só tinha 43. Seu cabelo era cinza, sua pele meio enrugada, suas unhas sempre estavam com uma cor brega e com roupas que já virá à bisavó de Enri usando.

— Mas aposto que eles adorariam presenciar uma cena de amor tórrido nossa!

— Já para o SOI senhor... — TRIMMMMMMM.

— Êêêêêêê, Recreioooo!! — Enrique começou a gritar na sala enquanto os outros riam, ele parecia uma criança de dez anos, por isso ele era meu amigo, normalmente não sou uma pessoa animada, mas ele me faz rir tanto.

— Salvo pelo gongo hein, Enri! — dizia uns garotos dando batidinhas no ombro dele.

— Sempre! — ele se vangloriava.

Íamos saindo da sala abraçados, mas quando estávamos na frente da professora ele me soltou e abraçou a senhora Oliver.

— A senhora sabe que é minha professora favorita! – e deu um beijo também estalado na sua bochecha. – Vamos, Amor? — voltou a se abraçar pela cintura indo para o pátio.

— Claro, querido!

Não aguentei e assim que passei pela porta comecei a rir descontroladamente com Enri.

— O que será que iria acontecer se ela descobrisse que você é gay?

— Talvez ela me leve pra sua igreja... Talvez se candidate para fazer com que eu “aprenda a gostar de mulher” – riu sem humor.

Mês passado fomos à igreja dela com a desculpa de ser pesquisa de campo e aprontamos várias no último banco quando o padre falava que gays não iam para o céu, e mulheres com dignidade se casavam virgens e se não fossem iam direto para o inferno... Acho que quase a igreja inteira acreditou que estávamos nos masturbando quando gritávamos: “Isso! É isso aí padre, fale mais, estou quase chegando lá...”. O pior é que realmente a cada frase nossa ele gritava mais alto e quando a professora nos viu, ficou vermelha e saiu às pressas de lá.

— Mas então, qual é o álibi hoje?

— Festa do pijama da sua irmã, pode ser?

— Nossa, minha irmã anda fazendo festas quase toda semana, meus pais vão falir desse jeito – riu e passou a mão pelos cabelos cor caramelo -, tá pode ser. Você é louca garota, o cara tem o dobro da tua idade!

— E o poder de modificar as nossas notas em física e matemática, não se esqueça disso.

— Mas uma vez ou outra você simplesmente dissesse que não pode sair!

— Eu não corro risco nenhum, lindinho! Só ele! — fiz um sorriso torto.

— Você quem sabe, posso ser seu álibi sim.

— Eu te amo, Enri! — voei no pescoço do meu amigo e o abracei.

— É eu sei, mas tem um problema.

— Qual? — perguntei com certa dúvida.

— Você não faz meu tipo!

— Praga! — dei um leve soco em seu braço.

— Essa é a prova que você me ama, uma hora me abraça e outra me soca... sempre arranjando uma desculpa para me tocar... Mas por favor, sem toques inapropriados, ou a Oliver pode ter um infarto e não quero ficar um mês sem geografia até encontrarem uma professora nova.

Seguimos até o bar da escola, compramos uns lanches e fomos comer de baixo da senhora Oliver. Não é o que você está pensando! É uma árvore que batizamos de senhora Oliver, não me faça explicar o por quê!

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Após ligar pra mamãe e pedir pra ir a "festa do pijama" da Rafaela — irmã de 12 anos do Enrique — entreguei meu celular para ele — caso mamãe ligasse Enri atenderia e falaria que eu estava bem e meu celular estava com ele porque a regra número um da mãe dele é que as amigas da Rafa não fiquem só no celular quando vão a casa dele e blá blá blá... Bolamos essa um tempo atrás quando Patrick e eu estávamos no meio de uma transa e minha mãe não parou de ligar até que eu atendesse.

Fui para casa, tomei um banho lavei meu cabelo, fiz uma escova, coloquei uma calça jeans colada, uma regata branca e uma bolsa com minha escova de dente, um pente e outras coisas que sempre levo para todos os lugares sabe-se lá por qual motivo... Mas hoje seria porque eu ia passar a noite fora.

Ao chegar ao prédio do Patrick falei para o porteiro que tinha ido visitar meu tio — como sempre... — e ele me deixou subir. Bati três vezes na porta e ele a abriu.

— Oi, Maya! Que bom que chegou cedo. — não era tão cedo assim, já passava das 18 horas. Ele estava com uma camisa azul, mas já estava só de shorts. Ele tinha um rosto agradável, mas o corpo já teve dias melhores. Vinha notado do ano passado para cá a sua barriga estava crescendo e ele tinha parado de depilar lá embaixo, o que me deixava cada vez com mais nojo de fazer um boquete.

— Meus álibis são eficazes, senhor Drummond — falei sorrindo enquanto entrava.

— Lembre-me de agradecê-lo então — disse ele sorrindo enquanto eu largava minha bolsa no sofá e era puxada para um beijo, o qual eu correspondi sem muito entusiasmo.

Ele notou, mas não parou o beijo, apenas colocou suas mãos na minha cintura enquanto subia a bainha da minha regata enquanto eu movia minhas mãos para trás de seu pescoço. Ele desceu sua boca para meu pescoço dando leves chupões e isso me animou um pouco.

— Sabe que isso pode deixar marca não é? — se entusiasmo era o que faltava, fazer graça talvez fizesse com que realmente eu quisesse fazer isso hoje.

— Acho melhor evitar isso não é senhorita? — disse ele a mim sorrindo enquanto pressionava mais suas mãos em minha cintura.

— Como se eu "alguém" fosse notar — ri, já que no caso, alguém era minha mãe, mas a dona Daiane nunca estava em casa mesmo...

— Como desejar. — voltamos de onde paramos até que por um erro de cálculo entre o sofá e a mesa de centro nos levou a uma queda.

— Achei que você era professor de matemática – zoei.

— E eu que você era excelente na matéria – retrucou.

— Touché.

Quando eram 22 horas e 36 minutos levantamos do chão e o Patrick pediu uma pizza para comermos que pareceu levar uma eternidade para chegar. Após isso fomos dormir, mas no meu caso foi tentar mesmo, tenho insônia quase todos os dias, geralmente quando eu menos gostaria, como quando estou aqui.

Saí do quarto e fui para a varanda, pensei em como seria minha vida hoje se o Patrick nunca tivesse aparecido na minha vida e nada do que aconteceu naquele ano tivesse acontecido. Se meus pais não tivessem se separado, se meu pai não tivesse ido embora quando soube que tinha tido um filho com a minha tia e se "meu professor" de matemática nunca tivesse me agarrado no dia do provão da sétima série já que era a única aluna rodada em sua matéria, como gostaria de voltar no tempo e simplesmente mudar pelo menos aquele dia... Teria rodado aquele ano sem problemas só para evitar tudo que aconteceu desde então.

— Não consegue dormir, Maya? — Patrick apareceu atrás de mim, esfregando os olhos e totalmente nu.

— Insônia, pra variar.

— Sei bem como é isso.

— É muito chato. — falei como uma criança mimada.

— Sem dúvida, que é. – Fala me abraçando por trás e senti seu amiguinho começando a acordar.

—Acho que vou ficar aqui hoje. – falei torcendo para que ele me largasse. Hoje é um dia daqueles que o quero bem longe de mim.

—Okay, vou voltar a dormir então, boa noite!

— Boa noite. — Ele plantou um selinho em meus lábios e saiu silencioso como quando chegou. E assim acaba o meu dia.

Notas finais
Espero que tenham gostado e gostaria que deixassem seus comentário dizendo o que acharam. Qualquer crítica é bem vinda já que como minha professora disse: "Qualquer crítica, mesmo feita por maldade, pode ser transformada em uma crítica construtiva e que nos faça evoluir". Não plagie ela - só se for pra levar a paz ao mundo kkkkkk Beijos minhas tartarugas!!