A Arte de Ser Eu...

8 Até aqui te encontro?


Notas iniciais
Demorei? Eu sei, mas é que estou com diversos projetos diferentes ultimamente, alguns até postei aqui e outros estou trabalhando duro no word e não tem data para postar já que ainda está em processo de planejamento. Bom, sem mais delongas, boa leitura, amores!!

Estávamos na Rylie Shout, uma boate que ficava num prédio abandonado em uma área mais abandonada da cidade. Ali drogas, bebidas e sexo eram vendidos para qualquer um disposto a pagar, mas 40% dos adolescentes presentes só vinham pela entrada liberada e o fato de não pedirem identidade. Em suma não era um lugar perigoso para que policiais não viessem fechar por medo, mas não tinha necessidade e tudo sempre estava sob o controle.

Enri e eu já estávamos dançando loucamente com a batida eletrônica, apesar de fazer menos de meia hora que entramos, não tínhamos dinheiro para além do ingresso, então teríamos que arranjar alguém que nos pagasse nem que fosse um refrigerante. Já sentia o suor grudando meus cabelos e roupas ao corpo e alguém dançando nas minhas costas. Não era Enri porque ele acabava de sair aos beijos com uma ruiva. Parece meio infantil, mas sempre competimos em quem pega mais em uma noite e de certa forma é divertido, bem mais do que transar com Patrick. É apenas uma competição saudável, contar vantagem sobre o outro nunca afetou a nossa amizade, então para que parar com a brincadeira?

Sinto lábios no meu pescoço e viro para dar um beijo no primeiro cara da noite. Eu o conheço, já peguei outras vezes aqui, ele é bom de beijar e sempre me deixa quente. Morena alto, bonito e sensual, é engraçado, mas é o que ele é. Tem uma boa pegada e se um dia ele quisesse mais do que uns amassos eu iria. Se eu tinha um tipo era ele. Achava excitante o contraste de sua pele escuro com a minha clara, uma pena ele ter uma namorada. No caso a ruiva que estava com o Enri. Eles gostam desse jogo, toda vez que viemos é a mesma coisa. De alguma forma estranha isso os excita.

— Olá, Maya. – Ele me diz.

— E aí, Rick. – ele segue onde sua namorada está e vejo Enri pegando uma garota diferente agora em um canto com mais sombra. Droga, ele estava na minha frente agora. Depois de uns 10 minutos quando ele se aproxima e pergunta a placar levando minhas mãos sinalizo que está na frente com um ponto.

— Nem sabe quem vi entrando quando estava voltando pra cá. – ele diz sorrindo e dançando novamente.

— Realmente não, quem? – pergunto.

— O seu querido admirador, Thyago. – Meu queixo foi ao chão.

— Não acredito que esse mala está aqui, não deveria estar de castigo? – fiz piada e continua dançando.

— Eu dou o equivalente a dez garotos se você pegar ele nessa festa. – o olho incrédula, mas mesmo assim rindo pela sua proposta.

— Isso é sério?

— Claro que sim. – responde.

— Você fala assim só porque sabe que isso não vai acontecer.

— Bom, isso depende de você, docinho. – responde se aproximando para minha usá-lo no meu próximo passo de dança.

— Quer saber, eu topo. – respondo lançando um sorriso lascivo. – Talvez até consiga umas bebidas para nós, ele não tem dinheiro? Com 10 pontos eu até ganho de você essa noite.

— Não conte vitória antes da hora, precisará pegar ele primeiro, e mais 8 depois porque hoje a noite vai render.

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Habits de Tove Lo remixada pelo The Chainsmokers tocava a toda e todos pulavam como se não houvesse amanhã – eu também -, a batida me fazia fechar os olhos e era como estivesse livre verdadeiramente, as pessoas não dão o devido valor a letra dessa música...

Avistei Thyago no bar, ele estava com uma camiseta escura com alguns desenhos ou riscos que não podia distinguir pela falta de luz e uma calça jeans que servia perfeitamente nele, agora não poderia ver da onde eu estava, mas já tive vislumbres dele essa noite para saber, seus cabelos ajeitados o que achei engraçado por vários motivos – os garotos e até homens em geral não bagunçam sempre seus cabelos para parecerem sexy? – um deles como ele conseguia estar intacto das garras das pessoas daqui? Preciso de umas aulas dele porque minha meu cabelo está um caos! Quando começou a tocar Wake me up do Avicii, tentei me aproximar, depois de desviar de umas pessoas e acabar indo para direção errada por causa da massa de pessoas dançando e bloqueando o caminho mais curto consigo parar ao lado dele. Ele demorou um pouco para me notar e quando o fez vi com um sorriso de canto seu famoso sorriso de desgosto.

— Até aqui te encontro? – reclama dando meia volta em direção a massa que tinha acabado de desviar enquanto eu ria internamente. Ele nunca que conseguiria se livrar de minha pessoa tão rápido assim.

— Espere meu aluninho querido. – falei no seu ouvido quando ele precisou parar por ter a passagem bloqueada, faz uma cara de emburrado quando da meia volta.

— O que você quer? – ele grita para ser ouvido sobre o som... E também por não gostar de mim.

— Só te fazer companhia, docinho – me aproximei falando ao seu ouvido com a voz mais falsamente doce que eu conseguia – Odeio ver caras como você, sozinhos por aqui. – terminei mordendo o lóbulo da orelha dele. Deu um pulo e se afastou.

— Você está bêbada, sua louca? É bala? – tentou sair rapidamente dali, mas eu enlacei os braços no seu pescoço. Ele era um pouco alto, mas nada que ficar na ponta dos pés não ajudasse. – Me larga! – tentou tirar os braços do meu pescoço e nisso ele baixou um pouco o rosto e aproveitei a oportunidade de roubar um beijo dele quando a batida mais forte de She Wolf do David Gueta com a Sia saia quase de forma ensurdecedora de todas as caixas de som do lugar.

Puxei seu pescoço com um pouco de força e capturei seus lábios com os meus, quando ele abriu a boca surpreso — ou estado de choque, não me importo – aproveitei a brecha e coloquei minha língua dentro da boca dele, ele não fez nada – acho que estava em choque mesmo – então comecei a sugar a língua dele e rodeá-la com a minha – tinha gosto de hortelã – mordi seu lábio inferior e puxei chupando. Voltei a enlaçar a minha língua com a dele e finalmente tive uma reação. Ele baixou um pouco mais a cabeça, por precaução continuei na ponta dos pés estremecendo, e tirou as mãos dos meus braços e colocou na minha cintura me puxando para ele de forma desajeitada, acho que a solidão na escola deixou ele bem inexperiente, dei mais uns três chupões na língua dele antes que ele capturasse a minha na sua boca e nossas línguas começaram uma espécie de duelo numa mistura inexplicável de calma e desespero – talvez não tão inexperiente assim. Os pelos dos meus braços deviam estar eriçados, ele me prensa mais um pouco nele e vejo que está ficando excitado o que faz com que eu solte um gemido na sua boca. Quando me deu uma vontade louca de puxar seus cabelos mesmo querendo mantê-lo próximo alguém esbarrou em nós e fixei totalmente no chão fazendo com que quebrasse o beijo.

Dei um passo para trás com a visão meio embaçada desacostumada com que antes era escuridão dos olhos fechados, olhei para ele na minha frente tentando recuperar o controle da respiração com os lábios entreabertos, lábios inchados e com uma gota do que deveria ser sangue escorrendo já que no escuro só dava para ver que era da mesma cor que a boca e suas bochechas. Devíamos estar muito vermelhos já que temos a pela clara. Seus cabelos estavam bagunçados agora, mas não conseguia me lembrar de tocar neles, olhos arregalados combinando com sua boca, acho que ele não conseguia acreditar no que tinha acontecido. Eu também não acreditaria, mas bom eu que comecei e sei que não foi delírio nenhum meu.

Procurei algum rosto conhecido por perto e avistei Enri gargalhando enquanto olhava para mim, quando notou isso puxou uma garota que não havia notado estar debaixo do seu braço e a beijou me ignorando, mas mostrando que a disputa ainda estava de pé. E que ele não me ajudaria em nada mais.

— Por que você fez isso, caralho?! – gritou quando se recompôs.

— Você fala como se não tivesse feito nada! – reclamo indignada com sua explosão.

— A culpa é sua!

— De que, oras? Enlouqueceu? – fingida, eu? Nunca!

— Não se faça, Maya, que eu te conheço! – falou apontando o dedo na minha cara e dando as costas.

— O máximo que você conhece é minha vida sexual! E isso porque você é um voyeur doente! – grito indo atrás dele.

— Se quiser comer os professores, faça isso em outro lugar e não na escola! – grita de volta a essa altura já estamos em frente ao prédio onde a festa acontece, mas não iria deixar que ele ficasse com a última palavra. – Se bem que acho que já aprendeu a lição já que nunca vi nas imagens com o professor Lucio – Que nojo! Professor Lucio deveria ter uns 60 ou 70 anos já.

— Vai se fuder! – gritei.

— Eu vou é tomar cuidado que se não você é que vai acabar me fudendo, isso sim. – foi descendo a rua e tentei pensar em algo pra dizer, mas nada vinha. – Ah! – virou – Acho bom você já ter uma ideia genial em mente para meu pai me colocar de volta aos jogos e seu cafetão já esteja fora da minha cola.

— O Patrick não é meu cafetão! – sem contar que isso era um termo totalmente errado.

— Foda-se.

E ele foi embora assim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.