A Arqueira
1 Capítulo Único
A cerimônia havia terminado, Lannea parecia muito feliz por se casar com o príncipe de Tersau, tudo estava muito perfeito, todos estavam felizes, sua mãe até chorou, mas todos sabiam que aquele fora um casamento totalmente planejado, que por sorte fez com que Lannea casasse com seu “príncipe encantado”.
O que era algo que pesava na consciência de Carmel, será que quando chegar seu dia ela irá se casar com um príncipe encantado? Pouco provável, ela não possuía nenhuma admiração por nenhum cavaleiro, todos eram extremamente exibidos. O que a garantia uma coisa, quando seus pais lhe arranjassem um pretendente, este não seria a pessoa com ela desejaria passar o resto de sua vida, por isso nem de longe Carmel deseja se casar.
O próximo passo para Lannea e seu marido era ir para o reino de Tersau, para que ambos sejam coroados Rei e Rainha, mas isso não exigiria a presença da família da esposa, então eles só fazem questão de se despedir, que quase sempre é o momento mais triste da família.
Quando estavam todos se abraçando e dizendo que iria sentir saudades chegou a vez de Carmel falar com ela, chegando perto dela, disse:
— Daqui a pouco será a sua vez, e você estará livre para voar
— Se eu for, não fará muita diferença, mas pelo menos aqui tenho mais liberdade – suas feições já lhe mostravam que aquele assunto nunca foi e nunca será de seu interesse.
Lannea lhe abraçou e disse:
— Até mais, pequena irmã, aproveite ao máximo – e apesar de estar feliz por ela, Carmel iria sentir saudade.
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Alguns dias se passaram após a coroação, que foi comentada em todos os reinos a nossa volta. A mãe de Carmel aceitou, relutante, em dar a filha o que ela mais queria, um professor de arco e flecha, que pudesse lhe ensinar tudo que ela deveria saber. Carmel sempre amou arco e flecha e tinha o sonho de aprender a atirar com um da maneira certa, já que de vez em quando, quando a sala de treinamento está vazia, ela ficava por lá, atirando de uma maneira totalmente desengonçada.
Infelizmente esse treinamento teria de ser longe dos olhos de seu pai, já que ele não admitia filha guerreira, sendo isso para ele “desrespeitoso para com seu futuro pretendente”, mas mesmo assim sua mãe contratou o melhor arqueiro do reino, e lhe ofereceu uma enorme quantia de dinheiro para que este se mantivesse calado.
No dia seguinte da contratação, seus treinamentos começaram, no começo tudo era mais difícil, seu corpo doía, ela não conseguia segurar o arco da maneira correta, além do fato de que o arco era extremamente pesado, quando “treinava” sozinha, ela sempre pegava os arcos mais leves e mais fáceis de manejar, mas de acordo com seu professor, quanto mais pesado o arco, melhor será o tiro que sairá dele.
Com o tempo que foi passando e os dias de treinamentos se tornando mais frequentes, Carmel conseguiu se acostumar com o peso do arco e evoluiu muito essa nova habilidade.
Nisso ela já estava com 17 anos, e em pouco tempo chegaria o dia em que ela teria que subir no altar e se casar com um cavaleiro irritante do reino de Ilaria, escolhido a dedo pelo seu pai.
E se só essa preocupação já não bastasse, no dia seguinte foi anunciado que seu precioso professor, a única pessoa em quem Carmel confiava, foi preso e sentenciado a morte por traição a corte, descoberto que ele passava informações para um reino inimigo, no final das contas ele se matou enquanto estava preso.
Isso desconcertou Carmel de uma maneira, que ela simplesmente não sabia o que fazer, pensou por várias noites o que faria, até o dia em que faltavam apenas 7 dias para seu aniversário de 18 e 8 dias para seu casamento, naquele dia haveria um jantar em homenagem a Carmel, como parabenização pelo grandioso pretendente que seria apenas dela, pelo menos era o que eles diziam, e não o que ela acreditava e nem a realidade, até porque existem muitos bastardos por aí, apenas para provar isso.
As servas a vestiram com vestes pretas e vermelhas, um longo vestido que Carmel achou maravilhoso mas não para aquela ocasião em especial. Ela estava extremamente aborrecida com o mundo, e não queria descer as escadas e encarar as feições esperançosas em cima de si mesma.
Elaborou um plano simples e pouco pensado para fugir daquele palácio, e assim o fez, pegou suas armas e pulou a grande janela, usando lençóis como corda desceu até chegar no solo. Apesar de ser um plano não muito elaborado, deu certo, o que ela não tinha pensado entes, para onde ela iria? Mesmo com suas armas, as estradas são muito perigosas para donzelas “perdidas”.
Andou a até a extremidade, do portão da cidadela, por sorte ela já estava do lado de fora e com uma capa vermelha que lhe cobria o rosto, porque a corneta de aviso soou, dizendo que a prometida do príncipe havia sumido, Carmel saiu correndo, sem se importar onde chegaria.
Estava claro, ainda era começo da tarde e o sol queimava no céu, os pássaros cantavam freneticamente dentro da floresta e barulhos estranhos de seres maiores que pássaros podiam ser ouvidos.
Sons sombrios podiam ser seriamente confundidos com os famosos monstros das histórias que sua mãe lhe contava quando criança, sua irmã sempre tinha mais medo do que a própria, que geralmente não sentia nada por essas criaturas, só que agora com a floresta quase escurecendo, esses barulhos parecem realmente muito assustadores.
Uma folha se mexeu atrás de Carmel, que se virou de maneira brusca e pegou o arco, numa velocidade que nem ela sabia que tinha, ‘O que o desespero não faz?’ pensou.
Para sua surpresa, ou não, lobisomens apareceram para assustá-la, e começaram a vir em sua direção, pegando uma flecha atirou em um deles, que recuou urrando, os outros continuaram no mesmo ritmo, e Carmel, desesperada, começou a atirar flechas neles sem parar, até que o inevitável acontece, suas flechas acabam.
Rezando para que tudo dê certo, ajoelhou-se no chão chorando e com medo do que viria a seguir, apesar de ser boa com arco e flecha, não estava preparada para esse tipo de conflito, o que a deixava mais frustrada, ela nunca pensou que passaria por essa situação, viveu sua vida pensando que esses tipos de seres não existiam.
Sua cabeça começou a rodar, e tudo que estava a sua volta ficou embaçado, até que a inconsciência veio e Carmel soube que era a sua hora...
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Acordou em uma cama dura, tinha algo apoiado em sua testa, um tecido, quando abriu os olhos, viu um barraquinho velho erguido acima dela, havia uma sombra no canto do cômodo, era uma pessoa, mas especificamente uma mulher, com um vestido verde um pouco rasgado, ela mexia algo em um fogão lenha.
Tentou se levantar, quase sem sucesso, se não fosse pela senhora que lhe ajudou a levantar, ela estaria deitada ainda.
— Fiz sopa, se a senhorita quiser eu pego um pouco para você — Carmel não tinha noção nenhuma do horário ou até mesmo do dia, mas sabia que a última vez que havia comido alguma coisa, fora na manhã do dia em que fugiu, então a fome estava ali na sua porta.
— Eu... aceito, muito obrigada
— Tudo bem, a propósito meu nome é Mystra, o seu é?
Não queria dizer seu verdadeiro nome, já que muitos o conhecem, pensou que Mystra pudesse ser uma pessoa em busca da grande recompensa que meu pai poderia ter dado a quem me achasse.
— Anna – mentiu
— Tem certeza minha jovem? Achei que a senhorita fosse Carmel, a filha do Rei de Jorai.
Carmel se perguntou como Mystra sabia de tudo aquilo. Quase ninguém via o rosto da princesa, não porquê era proibido mas sim porquê ninguém realmente se lembrava.
— Como sabe?
— Sei quando as pessoas mentem e estava esperando por você, a Arqueira.
Carmel tinha ganhado um novo apelido, o que a deixou um pouco mais confusa que o normal.
— Você sabe porque saiu viva do ataque dos lobisomens?
— A senhora me tirou de lá não foi? Foi a senhora que me salvou não foi?
Mystra deu uma risada seca.
— Eu? Olhe pra mim, sou uma senhora que não tem a mínima noção de como se pega em uma arma, acha mesmo que eu conseguiria lutar contra uma horda de lobisomens? — ela fez uma pausa e voltou a ficar séria – Na verdade aqueles lobisomens estavam lá para te proteger.
Agora quem estava rindo era Carmel, ela disse:
— De quem eles estavam me protegendo?
— Dos guardas enviados pelo seu pai para te procurar.
— Mas porque eles me protegeriam?
— Você é cheia de perguntas – Mystra lhe entregou o pratinho de sopa – coma e vá dormir, amanhã lhe explicarei tudo que você precisa saber.
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Na manhã seguinte, acordou mais elétrica que o normal, ‘Tinha alguma coisa naquela sopa’, pensou.
Não tinha ninguém dentro da casa, o que deixou Carmel muito curiosa para saber o que tinha fora daquele barraca/tenda/mausoléu. Levantou-se sem fazer muito barulho, e caminhou até a porta, podia-se ouvir um barulho fora da casa, como pequenos cochichos e alguns resmungos de cachorro.
Abriu a porta com medo do que viria, e simplesmente viu vários lobos em volta da senhora que havia lhe acolhido noite passada, desesperada saiu correndo e parou em frente de Mystra, gritando para que os lobos saíssem de perto dela.
Tocando seu ombro, Mystra disse:
— Se acalme, eles são amigos – Carmel se virou e viu um belo sorriso no rosto da senhora – Como lhe disse noite passada, tenho algumas coisas para lhe contar, por onde quer que eu comece?
— Do começo – Mystra riu um pouco
— Tudo bem, minha jovem – respirou fundo, e começou seu discurso – A alguns anos atrás, o reino onde eu morava tinha uma feiticeira, ela era apaixonada pelo príncipe, e ela era de certa forma correspondida, mas esse príncipe era ganancioso, queria a todo custo ser rei, ele estava prometido a uma bela nobre, com quem ele jurou se casar. Quando estava prestes a fazer 18 anos, o pai do jovem morreu, dois dias depois, ele se casou com a moça, e foram coroados Rei e Rainha.
“No momento do desfile real onde os recém casados, andariam pelas ruas do reino mostrando sua nova união, mas a feiticeira que não havia gostado de nenhuma daquelas escolhas, achava tudo aquilo um desaforo. Como punição ela recitou um feitiço em meio a todas as pessoas presentes naquele lugar, uma maldição que transformaria todos os homens do reino em lobisomens assim que estes completassem 18 anos. No mesmo momento, o rei se transformara no mesmo momento, o que assustou muitos no local.”
“E desde então a maldição se espalhou, o reino agora é apenas um lugar onde várias mulheres e crianças moravam, e todos os homens que se transformam em lobisomens, veem para a floresta, para se isolar e se proteger da maldade humana.”
Aquela história intrigou muito Carmel, a ponto de surgir mais perguntas do que ela eventualmente já tinha.
— O que aconteceu com a feiticeira?
— Ela foi queimada viva pelos habitantes atuais do lugar.
— Por que você veio para a floresta?
— Estava procurando pela Arqueira.
— Eu ainda não entendi essa coisa de Arqueira.
— Faz parte do feitiço, que diz que a única maneira de quebrá-lo é encontrando a arqueira que seria capaz de livrá-los disso, infelizmente, a feiticeira nunca disse como, mas é o único jeito.
Tudo estava bastante confuso na mente de Carmel, como ela poderia ser a salvadora dessas criaturas? Todos eles olhavam para ela de forma esperançosa, como se fosse realmente ela quem seria capaz de tirá-los daquela prisão. De repente, um barulho pôde ser ouvido na floresta, e um enorme lobisomem apareceu, diferente dos outros que pareciam mais lobos que humanos, esse tinha o formato típico dos desenhos de lobisomem que ela vira nas historinhas, com garras e dentes longos, podia ter facilmente mais de dois metros de altura.
Mystra abriu um sorriso, e disse:
— Venha querido, sente-se.
O grande lobisomem sentou em uma madeira e olhou fixamente para Carmel, como se ele pudesse ler seus pensamentos.
Aquela conversa toda tinha deixado Carmel atordoada, não estava com medo, mas estava preocupada, será que ela realmente conseguiria tirá-los daquela forma? E se conseguisse, por onde começaria?
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Passando os dias com Mystra e os lobos, percebeu que todos eles apesar de estarem numa forma que muitos considerariam grotesca, todos eles tinham um bom coração, e nenhum deles merecia aquele feitiço, nenhum deles era como aquele arrogante Rei. Até mesmo aquele grandalhão que lhe dava uma sensação estranha, era bom, ele poderia parecer assustador, mas ainda assim, ele era o mais gentil de todos, principalmente com Mystra.
Não entendendo como aquela feiticeira poderia ter sido tão egoísta com eles, toda noite ela desejava que eles pudessem voltar ao normal. Não achava justo que eles pudessem sofrer de maneira tão bruta, imagine se sua vida mudasse completamente, porque você virou um lobisomem e tem que se esconder na floresta para se proteger da ignorância humana, que lhes caçavam com medo de serem atacados.
Pensando nisso, foi para fora da tenda, e encontrou todos os lobisomens reunidos, Mystra também estava lá, oferecendo a Carmel um prato de sopa, enquanto todos os outros comiam carne recém caçada. Aquela fora uma noite animada, divertida, e no final, todos sem exceção alguma dormiram à luz da noite.
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Muitos dias se passaram e a cada dia que passava ela se interessava pelos seus novos companheiros, e cada vez mais ela se arriscava para quebrar a maldição.
Ela havia ido para um vilarejo, na esperança de encontrar alguma biblioteca com livros de magia, que lhe ajudassem em sua busca, encontrou, era pequena, mas tinha uma seção secreta, que tinha apenas livros místicos, passou quase o dia inteiro a procura de alguma resposta, até encontrar um livro chamado “A lenda dos Lobisomens”, naquele livro tinha um feitiço que transformava pessoas em lobisomens. Pegou o livro e foi para a casa da Mystra, lá ela estava ajudando um lobo da matilha ferido, Carmel deixou o livro cair no chão e saiu correndo na direção deles.
Numa das caçadas, eles foram encurralados por humanos, que conseguiram pegar o mais novo, gravemente ferido, Mystra tentava cuidar de seus ferimentos, alguns lobos a ajudaram a levar o pequeno para dentro, e lágrimas surgiram nos olhos de Carmel, que foi impedida de entrar na casa pelo grandão, que Mystra havia dito que se chamava Casper, ele a abraçou tentando de alguma maneira consolá-la.
O abraço era calmo e peludo, isso lhe provou mais uma vez que esses lobos são bons, e que ela precisava descobrir como quebrar o feitiço.
‘Acho que tem um jeito...’ ouviu uma voz masculina em sua cabeça
Quando se afastou de Casper, viu que aquela voz não passava dele conversando com ela
‘Eu consigo te ouvir, e consigo falar com você’, ele dizia, ‘deveria ter dito isso antes, mas não achava que havia necessidade, creio que estava errado em relação a isso’
— Não se preocupe, apenas diga como podemos quebrar o feitiço.
‘Me infiltrando no mundo dos humanos descobri onde poderia se encontrar o livro da feiticeira’
— Onde?
‘É muito perigoso ir para lá, não deveria se arriscar assim’
— É o único jeito de ajudar vocês, preciso ir, onde é?
‘Numa caverna a alguns metros do reino, era onde ela vivia e talvez esteja lá, mas alguns perigos podem lhe aguardar lá’
— Que tipo de perigo? – Ela estava muito feliz por conseguir se comunicar com Casper, mas ao mesmo tempo não estava gostando do rumo daquela conversa.
‘A feiticeira com medo de que descobrissem fez vários feitiços para proteger a caverna, pelo o menos é o que diz a lenda’
— É possível entrar com esses feitiços?
‘Se você for a pessoa certa, provavelmente, sim’
— Como assim pessoa certa? – Toda animação e esperança que ela tinha foi-se embora apenas com esse comentário
‘Não queria te deixar triste, sinto muito, usei as palavras erradas. O que eu queria dizer era que de acordo com a lenda apenas uma descendente direta dela poderia quebrar o feitiço de selo da caverna’
Apesar de tudo, poderia ser possível que ela, fosse descendente direta daquele ser cruel, mas como ela saberia disso?
—Está bem, eu vou l....
‘Sozinha, não’, ele interrompeu, ‘eu irei com você, mesmo não sendo um lobo você já faz parte da matilha’, ele virou-se para seus “irmãos”, e uivou, dois deles vieram para frente.
Nesse momento, Mystra saiu da tenda, e perguntou:
— O que está acontecendo?
Pulando, Carmel respondeu:
— Vamos procurar o livro de feitiços da feiticeira.
Mystra riu com a alegria de Carmel, e abraçou-a:
— Boa sorte, querida.
‘Vai deixar o livro aqui?’, perguntou Casper
— Sim sim, quer lê-lo, Mystra?
— Claro, é sempre bom adquirir conhecimento
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Ficaram algum tempo andando, da tenda de Mystra a caverna da feiticeira, de acordo com Casper seriam dois dias de viajem, estava anoitecendo, e Carmel estava caindo de sono.
‘É melhor pararmos!’, Casper disse
— Não, falta pouco não falta?
‘Sim, mas você está com sono, ninguém funciona com sono, vá dormir’
— E você? Não vai dormir?
‘Vou ficar vigiando’
Casper sentou encostado a uma árvore, Carmel sentou ao seu lado, apoiou-se nos pelos negros e dormiu ali.
Na manhã seguinte, voltaram para sua longa caminhada. E quando chegaram viram apenas uma caverna com nada mais em volta, nenhum tipo de energia bloqueadora aparente, Carmel andou lentamente em direção a entrada.
‘Cuidado”, disse Casper
Carmel virou e deu um breve sorriso, que foi bem significativo.
Quando estava muito perto da caverna, estendeu a mão e tocou em uma parede invisível, tentou todos os pensamentos, feitiços que Carmel nem sabia se existiam de verdade, depois de tentar muito, e muito, viu que nada daria certo, ela não era a descendente da feiticeira e também não era a pessoa que salvaria seus amigos, com esses pensamentos desabou no chão e começou a chorar, queria ajudar, mas não podia.
Sentiu os pelos grossos de Casper envolvendo-a em um grande abraço, ela o recebeu bem e ficou ali até quando podia se lembrar, mas quanto mais ficava ali menos ela sentia que estava ali, como se ela estivesse indo para outro lugar parou de sentir os pelos, mas a sensação aconchegante ficou. Quando se deparou estava abraçado com a versão humana de Casper, olhando fixamente para ela, ele sorriu.
— Sou eu? Humano?
— É sim – respondeu Carmel empolgada, se levantando junto com ele, os outros também estavam humanizados, ou seja, apesar de não ter conseguido abrir o lacre da caverna, ela conseguiu quebrar o feitiço, agora como? Era realmente uma boa pergunta.
Resolveram voltar para a casa de Mystra
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Chegando lá, todos os lobos estavam na forma de humanos, todos sorriam e diziam palavras de agradecimento para Carmel, Mystra deu um grande abraço em Casper, o que deixou Carmel confusa.
— A verdade, querida, ele é meu filho.
Ficou tão feliz em ouvir essas palavras que abraçou os dois de uma única vez.
— Você se saiu muito bem, Carmel – Essa era a segunda vez que ela lhe chamara por seu nome, sendo a primeira não muito agradável de se lembrar.
— Eu realmente não sei como fiz isso – Disse ela, ainda confusa com o que aconteceu.
— Você leu o livro que deixou aqui?
— Não, só li a parte que dizia sobre como transformar pessoas em lobisomens.
Mystra riu alto, e disse:
— Nesse livro tem o feitiço que deve ser usado para reverter o feitiço
— Sério? Como assim? Qual era o feitiço?
— Fé, você acreditou tanto que iria quebrar o feitiço que realmente o quebrou.
Mesmo tendo desanimado algumas vezes, Carmel sempre rezou para que eles pudessem ter uma chance, parece que isso realmente aconteceu.
Casper interrompeu seus pensamentos quando disse:
— Acho que tem uma coisa que nós deveríamos fazer agora, ainda somos lobos, ou melhor, podemos nos transformar em lobos, ainda somos uma matilha, não?
— SIM – todos os outros responderam juntos
— Para agradecer por nos livrar dessa maldição, nós a proclamamos a nossa protetora – disse Casper olhando diretamente para ela.
— SIM
— Você aceita? – Casper chegou mais perto de Carmel
— Com uma condição.
— Qual? – Carmel o beijou, um beijo longo na qual nenhum dos dois queria se livrar.
— Casa comigo? – Sem pensar muito, Carmel respondeu:
— Sim
Nem é muito necessário dizer que a cerimônia foi cheia de uivos e bem feliz, mas pelo o menos Carmel se casou, e se casou com alguém que ela amava, e agora iria ter a maior família de irmãos que ela nunca havia sonhado.
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