David acordou atordoado procurando Helen em todos os lugares. Ele havia jurado aos seus pais , quando estavam em leito de morte, que protegeria e cuidaria de Helen e Hannah como se fossem irmãos biológicos. Hannah já havia morrido, e ele prometeu a si mesmo que nunca mais cometeria um erro desses de novo.

-David! David! – Ele ouviu sua voz imponente o chamando.

-Helen! – Ele disse indo até as barras de sua cela. Ele conseguiu ver seu rosto moreno claro um pouco corado e seus olhos âmbares envolto pela sua capa preta, o que a fazia oscilar naquele ambiente mal iluminado. David notou outros dois homens atrás dela.Um homem de capelos castanhos e olhos de mesma cor que devia ter um trinta anos e um menino no mínino um ano mais novo que ele, com cabelos castanhos e olhos mel. Todos os dois estavam envoltos por uma capa verde com manchas cinzentas.

-Quem são eles? – Ele perguntou sério.

-Relaxe Day. Eles são amigos. – Helen disse procurando as chaves da sela dele.

-Da ultima vez que você me mandou relaxar, eu acabei preso. – Ele disse dando um leve sorriso quando a porta abriu. Ele reparou que Helen não estava mais vestida como de costume. Suas roupas masculinas haviam sido trocadas por femininas, seu cabelo longo devia estar preso, pois não estava a amostra e seu rosto estava limpo. A cela abriu com um rangido baixo. Ela jogou sua velha companheira, a capa negra. Eles saíram apressadamente pelos corredores úmidos e com um cheiro que ficava entre mofo e algo podre. Depois de libertar os outros, subiram pela escada de pedra escorregadia que os levaria para o ar livre. Levou um tempinho para eles se acostumarem com a luz forte do sol.

-Que horas são? – David perguntou.

-Meio – dia. – o estranho da capa manchada respondeu.

-Errado, são dez para o meio-dia. – Helen disse olhando para o céu.

-Como você pode ter certeza? – O outro menino perguntou.

-Nuca duvide de Helen, ela e a irmã sabiam ler o céu melhor que o melhor astrólogo, e até mesmo melhor que vocês arqueiros. – Peter disse. André levou a mão para as facas, mas Will o deteve.

-A propósito, estes são André e Will, arqueiros do reino. – Helen disse apontando para eles.

-Vocês ainda não me falaram seus nomes. — Will disse estendendo a mão, mas nenhum deles a apertou.

-Helen.

-David.

-Peter.

- John.

-Vamos, Cassandra os espera. – André disse girando nos calcanhares. Eles os acompanharam calados. Quando chegaram ao palácio de Alaruen, encontraram uma bela mulher com cabelos loiros e olhos verdes vivos. Cassandra e todos os outros naquela sala os olhavam com espanto e curiosidade. Eram apenas crianças, mas muito perigosos. Horace, o mestre de guerra, olhava de Helen para David. Os dois tinham uma postura segura e forte, provavelmente usavam espadas se necessário. Foi isso que o espantou. Helen era uma menina, não era adequado que meninas tivessem aquela postura. “Para tudo na vida, a uma primeira vez.” Ele pensou.

-Podemos começar? – a rainha perguntou e os presentes assentiram. – Helen, David, Peter e Jonh, estão dispostos a deixar o crime para ajudar Araluen? – Ela perguntou docilmente. Helen ergueu uma sobrancelha.

-Como vou ajudar o povo que matou minha irmã? – ela perguntou perigosamente baixo. Aquilo fez todos os presentes lembrar-se de Halt, a Horace e Will principalmente. Era assim que ele falava antes de atirar uma de suas flechas mortais.

-Matar sua irmã? Você acha que esse bando de moscas mortas provocaram o incêndio? Não, não. Fomos nós. – Uma voz grave veio das portas abertas atrás deles. Cinco bandidos estavam lá, parados. Allys e George levaram a rainha Cassandra por uma passagem atrás de seu trono. Os outros se armaram. Helen e os meninos rapidamente pegaram suas armas e as capas que estavam no outro lado da sala e se esconderam nas sombras em meio à confusão.

-Helen! Apareça! Vamos... Conversar – O homem disse dando um sorriso maldoso. Helen tirou um bumerangue de sua capa e andou até o outro lado da sala em meio às sombras. André, o novo aprendiz de Will, a observava boquiaberto. Seus movimentos graciosos e rápidos estavam fazendo parecer que ela passava de uma sombra para outra, ele só a percebia quando fazia movimentos bruscos ou paradas repentinas. De repente ele viu algo brilhante voar até o pescoço de um dos homens, que desabou inconsciente. Depois a coisa voltou para onde Helen deveria estar. No seu lado direito, uma sarava de flechas com uma ponta redonda caiu sobre outro homem, dardos pararam nos ombros de outro bandido no seu lado esquerdo e um machado saiu voando do outro lado da sala e prendeu o único bandido consciente na parede. Logo depois Helen saiu segurando um par de leques e com um bumerangue preso a cintura, David com um potente arco com uma flecha preparada, Jonh com uma zarabatana e Peter sem nada do lado onde o machado tinha vindo. Helen andou até o bandido e lhe deu um soco.

-Isso é por me atacar. E isso – Ela disse dando um chute em uma parte não muito legal – é pela minha irmã. Ela tirou o machado e entregou a Peter. Todos estavam impressionados. Um dos bandidos se levantou e tentou atacá-la, mas ela deu um chute rápido de costas para o homem em sua barriga o fazendo se curvar e depois ela deu uma cotovelada nas suas costas e ele desabou.

-Mais alguém? – Ela perguntou guardando os leques.

-Gilan, precisamos conversar. Urgente. – Will disse para o novo comandante do corpo de arqueiros.

Notas finais
e aí?