A Arma do Olimpo
13 Capítulo 13
Procurei sal por toda parte.
– Droga! – reclamei.
Annabeth levantou-se para me ajudar.
– Aqui – disse ela.
Um grande pote de sal e apenas uma porta. A sorte estava começando a mudar.
Peguei o pote e fiz uma grossa linha em frente à porta fechada.
– Há apenas essa porta? – perguntei.
Percy concordou com apenas um sinal.
Heitor estava sobre a mesa e Annabeth estava tratando de seu ferimento. Suas expressões eram preocupadas e muito, mas muito assustadas.
– Eu já vi mortos-vivos, mas como este... – Percy interrompeu a tensão.
– Como é possível? Luke... Ele... – Annabeth chacoalhou a cabeça para espantar algum pensamento – Jess, como?
Respirei fundo. Meu conto de Fadas acabou.
– Ele não é um morto vivo ou um fantasma qualquer. É um espírito vingativo – olhei para baixo na intenção de ser apenas invisível – Pessoas que morrem antes de terminar certos assuntos podem ficar presas no mundo dos “vivos”.
– Ele prometeu que voltaria – Percy encarou Annabeth por alguns segundos.
– Chega de palhaçada – disse Heitor furioso ao levantar – Quem é você Jessie Millers?
Eu o encarei surpresa.
– Eu sou o guardião deste acampamento e exijo que nos diga tudo! Você sai correndo e de repente sabe coisas de espíritos, tem armas estranhas... Esta é a gota d’água. – sua expressão estava séria como eu nunca havia visto antes.
Contive uma lágrima no canto dos olhos.
– Lis Lakshimi – ‘ O QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO?’ (me repreendi mentalmente) – Esse é o meu nome. Eu não menti sobre ser caçadora, mas, menti sobre a caça.
– O que você... – começou Percy.
– Monstros – o interrompi – Mas não mitológicos. Espíritos vingativos, demônios, anjos... E esbarrei em semideuses algumas vezes.
– Você o que? – perguntou Heitor com aqueles grandes olhos me fuzilando como se eu fosse um alvo de tiro.
– Se não era humano, era caça. Não havia filtros – disse olhando em seus olhos.
– Isso não pode ser verdade.
Todos eles me encararam por um longo tempo.
– Você mentiu para nós – disse Heitor enquanto levantava e partia para cima de mim – Mentiu pra mim – seus punhos cerraram ante minha face. Sua expressão corporal estava cheia de fúria, mas seus olhos refletiam uma tristeza sem tamanho.
Lágrimas surgiam entre meus olhos e um nó se instalou em minha garganta.
– Eu vou tirar vocês daqui e não apareço nunca mais – me recompus – Eu nunca quis mentir para nenhum de vocês.
– Você não tem que... – começou Percy.
– Eu tenho sim – me virei para encará-lo – Uma vez que se vive a vida que eu vivi não há como escapar... Minha presença aqui coloca todos vocês em risco.
Heitor riu cínico.
– Não! Sua presença aqui está salvando as nossas vidas no momento – Annabeth disse como se me defendesse de uma corte.
A questão é que a sentença já havia sido dada.
– Eu não posso Annabeth, sinto muito.
Olhei para todos a minha volta.
– Temos que sair daqui – ‘PENSE LIS, PENSE!’ – Annabeth você chamou o espírito pelo nome, o conhecia quando vivo?
Percy e Annabeth trocaram um olhar triste.
– Sim – respondeu ela – Luke, filho de Hermes. A versão curta: ajudou Cronos na tentativa de acabar com o Olimpo e acabou morrendo pela causa.
– E onde o corpo está enterrado?
– Foi cremado como manda o ritual grego – ela suspirou.
– Algum objeto ficou para trás? Algo significativo para ele?
– Acredito que não – disse Annabeth confusa – Por que está perguntando tudo isso?
– Espíritos vingativos geralmente se prendem aos lugares por meio de objetos. Salgue e queime e o espírito terá fim.
– Você Annabeth – disse Percy como quem teve uma epifania – Ele prometeu que voltaria por você, ele... Ele te amava.
– Não ser um objeto é bom, não é? – perguntou Heitor.
– A boa notícia é que sabemos o que mantém o espírito dele aqui... A má notícia é que não dá pra salgar e queimar a Annabeth.
– Pelos Deuses! – exclamou Percy.
– Há outra forma – tentei tranqüilizá-lo – Nunca testei por mim, mas pode ser que funcione. Você tem que libertá-lo Annabeth, dizer que ele está livre e que a missão dele está cumprida.
– Não usaremos ninguém como isca – Heitor se impôs.
– Ótimo! Então morremos todos aqui juntinhos, demais não acha? – disse eu irônica.
– Você acha que está em posição de fazer babaquices como estas? – ele retrucou.
E pela primeira vez eu não tinha resposta.
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