A Aprendiz De Leão
4 Fogo e Gelo
Notas iniciais
(resenha pobre, mas o cap. tá uma loucura!) :D
Aioria se aproximava da casa de aquário de cabeça baixa, absorto em pensamentos, estava longe, distante, lembrava-se do momento em que Selina havia o beijado o tempo todo, a imagem não saia de sua cabeça.
- Aioria?!
Camus apareceu próximo aos últimos degraus, altivo, forte, com uma expressão de pouca emoção, mas em dúvida do por que o leão estava ali.
- Olá, Camus. Tem um minuto?
- É claro que sim! Entre.
Os dois cavaleiros entraram na casa de aquário. Já tinha um bom tempo que Aioria não visitava Camus em sua morada. O lugar no entanto não havia mudado muito, paredes de um azul claro, mármore branco por todo o lado, jarros enormes decorando o grande ambiente de entrada. Camus guiou Aioria até sua sala, um cômodo grande e impecável, que apesar de possuir uma lareira acessa ainda era gélido. Camus se sentou no grande sofá e fez sinal para que Aioria fizesse o mesmo.
- Então...O que te incomoda?
- Estou bem, não há nada de errado!
- Que é isso Aioria, não insulte minha inteligência. O que ouve com você?
Aioria não respondeu, tirou o elmo de sua cabeça e ficou o admirando nas mãos. Camus começou a perder a paciência.
- Aioria você sabe que está seguro para falar qualquer coisa pra mim, eu não sou seu irmão, mas posso guardar segredo se é isso que você quer...
- Não tenho segredos! Não há nada de errado, estou apenas cansado, tive um dia longo de treinos com minha aprendiz hoje.
- Ahhh, então é isso. Problemas com a aprendiz...Kanon me disse que ela é muito bonita.
Aioria levantou o olhar com uma expressão que conseguiu dar medo até mesmo em Camus. Um leão dentro dele havia sido cutucado.
- Não estou com problemas com ela...Kanon não sabe de nada!
- Tudo bem, não está mais aqui quem falou. Então o que é?
- Camus, gostaria que a treinasse amanha...
Camus o olhava atento, estudando o leão, sabia que no fundo ele não estava contando toda a verdade ou melhor nem o começo dela.
- Sim, mas por que?
- Ela está aprendendo a se defender, já conseguiu de certa forma bloquear meus ataques, então pensei...você poderia treina-la a se defender dos seus ataques, afinal você é um cavaleiro que domina o frio e eu não posso ensinar isso a ela.
- Entendo. Aioria você sabe que eu não tenho pena dos meus alunos...
- Eu sei.
- Acha que ela aguentaria?
- Hyoga ainda está vivo...confio em você.
- Muito bem, treinarei ela amanhã. Você irá assistir?
- Não, não. Eu vou fazer outras coisas.
- Como quiser. Mas não se arrependa depois.
Camus se levantou indo até uma mesinha e se servindo de uma cálice de vinho. Fez sinal para Aioria com o cálice, que negou com a cabeça.
- Obrigado, mas eu já vou. Foi um dia cheio.
- Certo, descanse.
- Obrigado por aceitar, Camus.
- Não há problema algum, meu amigo.
Camus ficou olhando Aioria se afastar, um pouco melhor do jeito que havia entrado, o leão colocou seu elmo de volta na cabeça e começou a descer as escadas.
“Ela vai ficar triste, mas eu não posso vê-la amanhã, é muito recente.”
Pensou o leão cabisbaixo enquanto fazia o seu caminho de volta para sua casa.
No quarto de Selina, uma exausta Aletéia reclamava sem parar.
- Ela me arremessou uns cinco metros do chão. CINCO! Da pra acreditar? Ela é doida Selina, quer me matar, tenho certeza! Olha esses hematomas! Olha isso! Como dói! Tudo dói! Ah, quando eu conseguir elevar meu cosmo, a Shina vai ver! Selina, você está me ouvindo???
- Ã? Sim, estou.
Selina estava absorta em seus pensamentos, estava perdida, cheia de duvidas, a imagem de seu mestre a olhando a sua frente com surpresa não saía de sua mente, sua pele ainda podia sentir a respiração de Aioria contra a sua. Selina sentiu um calor percorrer suas costas ao pensar nisso.
- Você está muito estranha hoje! O que que te deu? Brigou com o bonitão?
- Aletéia, já pedi para não chamá-lo dessas coisas...
- E daí? Ele é mesmo! Pelo menos não é a cobra da Shina!
- É...
- Então? Desembucha!
- Não tem nada para desembuchar...
- Aham...SEI!
Selina não deu importância, jogou se na cama abraçando seu travesseiro, fechou os olhos mas os abriu rapidamente pois só conseguia ver o rosto de Aioria quando fazia isso.
As duas garotas ouviram uma batidinha na porta. Selina se levantou e abriu.
- KIKI???
- Ah, oi Selina...
O pequeno lemuriano esfregava a mão na cabeça enquanto se balançava para frente e para traz com um sorriso sem graça.
- O que foi Kiki?
- Quem tá aí Selina? Nossa!!! Que bunitinho um macaquinho!
- Ei! Eu não sou macaco! Sou um menino!
Selina riu com a reação de Aletéia e Kiki. Aletéia ficou olhando o pequeno aprendiz de áries com curiosidade como se ele fosse um bichinho de estimação.
- Então Kiki, o que o traz aqui a essa hora?
- Ah Selina, desculpa...é o mestre Aioria...
Selina congelou com a pronuncia do nome de seu mestre, Aletéia soltou um suspiro atrás de Selina que a olhou com desencorajamento.
- E então... o que tem ele Kiki?
- Ele me incomodou para que eu te entregasse isso!
Kiki estendeu a mão com um pequeno bilhete a Selina. Selina pegou o bilhete e revirou os olhos.
- Mais um?!
- Ei! Não olha pra mim, não sou eu quem escreveu!
- Eu sei...obrigada Kiki!
Selina deu um sorriso para o pequeno lemuriano, que retribuiu com uma aceno de cabeça e saiu resmungando pelo corredor coisas como: “leão pulguento...”, “macaquinho?..ora essa...”
Selina não conseguiu evitar de rir pra si mesma. Fechou a porta e se virou para dentro do quarto. Aleteia estava com os olhos arregalados de curiosidade.
- Então o que é?
- Não sei...
Selina abriu o bilhete e leu:
“Selina, não poderei treiná-la amanhã, terei um compromisso com o santuário. Pedi que Camus, treina-se você em meu lugar. Encontre-o na casa de aquário no horário de treino.
P.S. Não se atrase, Camus não é como eu. Boa sorte.”
Selina terminou de ler incrédula. “Ele se livrou de mim.”
Teve vontade de chorar mas disfarçou, Aleteia lia o bilhete dramaticamente.
- Ah mas que sério! Nem escreveu “beijinhos”
- Me da isso aqui, sua doida!
- Ué, o que ouve? Vai ter treino com aquele cavaleiro misterioso e sexy do Camus, hein!
- Ai Aletéia, por Athena! Você não tem jeito, né!?
Selina pegou o bilhete de volta, olhava cada palavra com atenção, queria saber o que ele estava pensando quando escrevera aquilo. A caligrafia dele era bonita, letras alongadas, levemente deitadas no papel. Selina deitou-se na cama, a luz do quarto se apagou, provavelmente Aletéia percebera que a amiga não estava bem, Selina virou-se para o lado da parede, uma lágrima escorreu de seus olhos. Não queria perde-lo.
“Beijá-lo foi um erro. Eu errei, e agora pagarei o preço. Como eu me odeio.”
Selina fechou os olhos, deixou que a imagem de seu mestre dominasse sua mente, seria sua despedida, pois por mais que doesse ela iria ser forte, e manter-se distante, apenas uma aluna, uma aprendiz, a pupila de Aioria de Leão, nada mais. Afogou seus sentimentos no travesseiro e adormeceu.
O dia amanheceu tímido, o sol se escondia atrás das nuvens devido a chuva do dia anterior. Selina abriu os olhos desejando que tudo não tivesse passado de um sonho ruim, sentou-se na cama se espreguiçando, olhou para o chão para procurar seus chinelos e lá estava o bilhete.
“É, não foi sonho...”
Olhou para o despertador no criado mudo, estava com tempo, porém com nem um pouco de vontade de chegar no horário. Tinha muito respeito por todos os mestres e cavaleiros de ouro do santuário, porém nem um cavaleiro era tão importante para ela quanto Aioria.
Se vestiu com seu uniforme de treinamento e todas as suas providências para sua proteção, não sabia como seria o treinamento com Camus, mas sabia que ele era o cavaleiro de ouro de aquário e que era muito respeitado, havia treinado o cavaleiro da armadura de cisne, Hyoga. Mas isso não a animava. Selina passou pelo refeitório, estava sem apetite, pegou uma maçã e um copo de suco e saiu. Só conseguia pensar em como teria que subir tantos degraus até a casa de aquário.
Aioria olhava para o teto de seu quarto, era um quarto muito bonito, com rodapés dourados, cortinas de seda, muito amplo, e aconchegante, tinha uma lareira, e uma cama enorme, com uma guarda de metal toda decorada com arabescos dourados. Queria ver sua aprendiz, a vontade rugia em seu peito nu, mas não podia.
“Se eu ver ela hoje, se ficar perto dela, não sei o que posso fazer...”
“Preciso de mais tempo para me acostumar com isso...Ah, se pelo menos meu irmão estivesse aqui...”
Aioria se levantou sentando-se na cama, olhou o relógio no bidê ao seu lado. Estava quase na hora da aula de Selina com Camus começar.
Colocou-se de pé, foi até o banheiro, lavou o rosto e ficou encarando seu reflexo no espelho. Seu olhar estava abatido. Seu peito doía.
Saiu do banheiro e foi até a sala, onde estava uma grande escultura de leão, era toda de ouro e estava em cima de um grande pilar de mármore. Ficou de frente para o leão de ouro e abriu os braços. O leão de ouro ganhou vida, a escultura se dividiu em várias partes, uma a uma foram vestindo o corpo de Aioria. Quando já estava com a armadura olhou o relógio mais uma vez, o treino com Camus deveria estar começando, deu um longo e profundo suspiro.
“Eu tenho que vê-la, mesmo que de longe.”
Aioria, saiu da casa de leão pela porta dos fundos subindo as pressas as escadarias até a casa de aquário.
Na casa de aquário, Camus explicava a Selina como seria o seu treinamento de defesa.
- Muito bem, Selina. Vou atacá-la diversas vezes com o meu Pó de Diamante, é um golpe que baixa a temperatura corporal do oponente e pode deixa-lo imóvel se ele não se proteger corretamente. Por isso, quero que concentre seu cosmo ao máximo, entendeu?
- Sim, mestre Camus.
Selina fechou os olhos, privando-se de seu sentido da visão, por alguns segundos pode ver, mesmo com olhos fechados, a cosmo energia de Camus crescer a sua frente. Sentiu um frio percorrer-lhe a espinha e abriu os olhos bem a tempo de conseguir amparar um pouco o golpe de Camus. A chuva de pequenos cristais de gelo era forte demais. Sentia como se suas mãos fossem congelar. Selina soltou um gemido de dor. Camus parou.
- Selina, você não concentrou-se totalmente. Não estou pedindo que me derrote, apenas que se defenda. Bloqueie o meu golpe com o seu cosmo! Concentre-o a sua frente, ou em suas mãos!
Camus dizia categoricamente, enquanto encarava a garota que assoprava suas mãos, tentando fazer com que essas voltassem a sentir alguma coisa novamente.
Aioria entrou na casa de aquário sem fazer ruído, sentiu a cosmo energia de Camus e de Selina no grande salão, deu a volta e entrou pela entrada de trás da casa de aquário, aproximou-se da sala de forma que pudesse ver, mas não ser visto. Ficou atrás de um pilar, e pode então vê-la.
“Lá está ela, tão gentil, tão concentrada...”
Mas seu pensamento foi interrompido por mais um golpe de Camus, que dessa vez jogou a garota longe de encontro a um pilar. Aioria arregalou os olhos, quis correr para Selina, mas manteve-se firme em seu esconderijo. Camus estava concentrado o bastante para não ter notado sua presença ali.
Selina se levantou, estava com cara de dor, mas ficou seria outra vez. Respirou fundo e se posicionou, Camus juntou suas mãos, e mais uma bola de gelo se concentrou ali, e logo virou uma chuva de cristais congelantes na direção da garota. Selina segurou com as mãos e a força de seu cosmo a chuva de gelo, mas seus pés começaram a ir para trás, seu rosto era de quem fazia muito esforço. O cosmo se rompeu, e Selina foi atingida em cheio pelo Pó de Diamante no peito, soltando um grito de dor.
Aioria fechou suas mãos em punho, se odiou naquele momento. Ele havia feito isso, ele havia pedido a Camus, mesmo sabendo como ele era. Ela não estava pronta, não havia despertado seu sétimo sentido ainda, nem mesmo sabia o que eram essas coisas, estava sofrendo, estava se machucando, e por causa dele.
A voz de Camus irrompeu pelo grande salão, enquanto Selina se levantava com a mão no peito.
- Usou a força física mais uma vez...não vai conseguir parar meu ataque assim. Como pode ter se defendido dos ataques de Aioria assim? Ele facilitou para você, não é mesmo?
- Não! Nunca! O mestre Aioria não me ajudou, ele usou sua força normalmente, eu apenas estava mais concentrada.
- Então sugiro que se concentra bastante, vou dar-lhe um tempo e depois irei atingi-la mais uma vez.
- Mestre, Camus?
- Sim?
- Use o seu golpe mais forte.
Camus ficou mais serio do que já estava.
- Por que quer isso? Se não impediu o meu Pó de Diamante direito, não impedira a Execução Aurora.
- Eu quero tentar.
- Vai morrer.
Aioria gritava por dentro. Sabia que ela não conseguiria, teria que se intrometer, Camus era muito honrado, iria honrar o pedido de Selina, mesmo sabendo que isso poderia feri-la mortalmente. Estava quase saindo de seu esconderijo quando ouviu Selina dizer:
- Preciso fazer isso. Tenho que ficar forte, para que meu mestre me ache digna da armadura de leão.
- Muito bem, parece justo. Vou lhe explicar algumas coisas, pois não quero que Aioria perca sua aprendiz.
- Estou ouvindo.
- Terá que concentrar seu cosmo e toda a sua energia ao redor de si, use esse sentimento preso dentro de você como fonte, para que sua cosmo energia exploda. Entendeu?
- Sim.
- Terá alguns segundo para isso, então sugiro que se prepare.
Selina respirou fundo, estava com medo mas confiante apesar de tudo, queria provar para Aioria que era capaz de ser uma grande amazona. Juntou seus sentimentos, sentiu o calor de seu cosmo emanar de si, pôs toda a sua concentração nisso, e fez com que o cosmo se espalha-se ao seu redor criando a mesma barreira que havia conseguido criar quando estava treinando com Aioria.
Camus ergueu suas mãos juntas no alto, seus braços estendidos, desceu as mãos como um grande jarro derramando água e uma força absurda irrompeu de seus punhos. Selina recebeu o golpe e o repeliu, sentia o frio e a força do gelo tentando penetrar em sua barreira. Aioria olhava tudo sem piscar. Ela estava conseguindo se defender da Execução Aurora de Camus. Mas a barreira dourada que cercava Selina começava a trincar, os cristais de gelo estava penetrando, Selina sentia muito frio, o frio estava tirando sua concentração. Como em um ímpeto desesperado colocou suas mãos para frente concentrando seu cosmo em uma barreira vertical como um escudo. Porém o escudo, assim como a barreira estavam se rompendo, os dedos das mãos de Selina estavam ficando roxos, estavam congelando, seus cabelos estavam ficando cheios de cristais de gelo, a barreira enfraquecia cada vez mais, as mãos de Selina não aguentaram e soltaram o escudo feito com o seu cosmo, Selina fechou os olhos esperando o impacto de uma avalanche gelada em cima de si.
Aioria era muito rápido, como um raio, saiu de trás de seu pilar, atravessando a sala e abraçou a garota recebendo todo o impacto em suas costas cobertas pela armadura de ouro. O golpe arremessou os dois juntos. Selina estava desacordada.
- Aioria!
Camus olhava incrédulo para o cavaleiro de leão. Aioria se levantou, com Selina em seus braços, a garota estava fria, mas era devido aos golpes do cavaleiro de gelo.
- Por que não pegou leve com ela Camus?
- Estava ai o tempo todo?
- Sim.
- Aioria, você me pediu para treina-la, é assim que treino meus pupilos.
- Mas ela não era sua pupila!
- Estava na casa de aquário e sob meus cuidados, isso a torna minha pupila.
- Sabia que eu estava vendo não é mesmo?
- Sim, eu sabia.
- E mesmo assim usou seu golpe mais forte e com toda sua força...por que Camus? Por que?
- Eu sabia que você iria intervir. Só não sabia quando.
- Ainda não entendo o por que de machuca-la...
- Aioria, eu sabia que havia algo errado desde ontem, precisava ter certeza apenas. Você gosta dessa garota, e está sofrendo por isso.
- Claro que gosto! Ela é meiga, doce e gentil! E é minha pupila, é da minha casa! Meu dever é esse!
- Não, não é. Esse é o seu coração falando, não sua razão...conversaremos mais tarde se você quiser...agora leve-a e cuide dela.
- Camus, eu...
Camus virou-se saindo do cômodo, seus longos cabelos azuis balançavam graciosamente. Aioria olhou para Selina em seus braços, a garota ainda estava desacordada.
- Me perdoe, Selina. Fui fraco com você, não a preparei para isso...Me perdoe!
Aioria deixou a casa de aquário, indo em direção a casa de leão com a garota em seus braços.
Notas finais
Gente, muito obrigada pelos comentários, por quem favorita e acompanha a fic, isso é tão lindo! *-*
Espero que tenham gostado do capitulo, pelo menos eu adorei escreve-lo! :D
Perdoem minha pessoa por erros na fic, eu escrevo muito rápido quando estou com a cabeça cheia de idéias e depois fico louca para postar pra vocês, daí pode sair alguns erros, já que eu não tenho quem corrija pra mim.
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Deixem seus coments, eles alegram o meu dia e trazem mais capítulos pra fic! :D
Beijinhooos! xxx
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