A Aprendiz
21 Novatos (leiam as notas iniciais!)
Notas iniciais
Will andava de um lado para o outro, ligeiramente desesperado. Mais um dia se passara, e eles ainda não tinham a menor ideia de onde Christine e Alyss podiam estar, o que estava levando o arqueiro à loucura. Não conseguia parar de pensar nas jovens. Quando se deitava, à noite, as cinco peças do quebra-cabeça giravam em sua mente, sem respostas, impedindo-o de dormir.
- Anime-se, Will — disse Horace, se aproximando do amigo. — Nós vamos conseguir achá-las.
- Não vejo como — replicou Will, franzindo a testa. — Não estamos mais perto de descobrir onde elas estão do que estávamos dois dias atrás. Quero dizer, que pistas temos?
- As pegadas que você e Halt acharam? — sugeriu Jack, que estava sentado perto da janela.
O arqueiro sacudiu a cabeça veementemente.
- Não é o bastante!
- Tenha paciência — recomendou Halt. — Se começar a ficar impaciente, vai acabar deixando passar alguma coisa importante.
- Mais do que já deixei, você quer dizer? — Will balançou a cabeça outra vez, como se tentasse espantar os pensamentos. — Temo que não possamos nos dar ao luxo de ter paciência, Halt.
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O plano de Peter não estava indo bem. Apesar de Alyss ser uma mensageira experiente e segura de si, simplesmente não sabia como "jogar charme" para aqueles guardas.
- Meu Deus — comentou Peter, após ela ter falhado em outra tentativa. — Como diabos você conseguiu conquistar seu namorado?
- Bem... Will foi um caso especial — Alyss teve de admitir. — Eu o conhecia desde sempre, então acho que foi mais fácil. Além disso, Will pelo menos é atraente. Esses guardas são tão... — ela estremeceu. Por mais que alguns dos homens fossem até bonitos, havia qualquer coisa neles que a repelia, uma dureza estranha, que fazia parecer que não tinham sentimentos. — Talvez você devesse tentar fazer alguma coisa.
O garoto ergueu as sobrancelhas.
- Você acha mesmo que isso iria funcionar com eles? — perguntou. — Digo, se houvesse algum guarda mulher, talvez eu até pudesse...
- Não estou falando disso — respondeu ela, revirando os olhos. — Eu quis dizer... Falar com eles, não sei.
- Ah, claro. — foi da vez dele de rolar os olhos. — Isso certamente vai dar certo...
A mensageira abriu os olhos para responder, mas foram interrompidos quando a porta se abriu. Todos os prisioneiros ficaram em silêncio quando cinco garotas jovens foram empurradas para dentro do recinto. A porta se fechou atrás delas logo em seguida, mas a quietude durou mais um pouco.
Alyss e Peter se entreolharam e foram até as garotas.
- Vocês estão bem? — perguntou Alyss, sem necessidade. Era óbvio que não estavam. Uma delas, que tinha cabelos escuros e compridos, não parava de chorar. Outras duas, bem parecidas uma com a outra — talvez fossem irmãs, a mensageira pensou -, estavam lado a lado, olhando ao redor com os olhos arregalados. A quarta menina era alta, tinha cabelos negros curtos e parecia a mais velha das cinco, e segurava a mão da quinta, que parecia não ter mais de onze ou doze anos.
- Que lugar é esse? — perguntou a mais velha. Não parecia assustada. De fato, a mensageira não teria acreditado que estivesse com medo, não fosse treinada para ler os olhos das pessoas. — Por que estamos aqui?
- Não sabemos. — admitiu Alyss. — Nós...
Mas foi interrompida pela voz de Peter.
- Alice?
A mais nova das meninas arregalou os olhos.
- Peter?
- O que você...? — ele se interrompeu quando ela correu e pulou em cima dele, envolvendo seu pescoço com os braços (pois, mesmo sendo mais nova, era quase tão alta quanto ele, o que não queria dizer muita coisa — Peter não era muito alto) e enterrando o rosto em seu peito.
- Ah, meu Deus! Peter!
O garoto pareceu surpreso. Lentamente, abraçou a menina, acariciando seu cabelo e murmurando na voz mais tranquila que pôde:
- Está tudo bem... Você vai ficar bem...
Alyss detestava interromper aquele momento, mas precisava saber o que estava acontecendo.
- Peter — chamou, delicadamente. — Vocês se conhecem?
- Sim — respondeu Peter, afastando um pouco a garota de si. — Alyss, essa é Alice, a... A irmã de Amanda. Alice, essa é Alyss, uma amiga.
- Prazer em conhecê-la. — disse Alice, antes de se voltar novamente para o garoto. — Cadê a Amanda? Ela não veio com você?
Peter trocou um olhar com a mensageira, que sentiu-se mal, tanto por ele quanto por Alice, e voltou a olhar para a cunhada.
- Então, Alice... A sua irmã... — mordeu o lábio com força. De repente, seus olhos encheram-se de lágrimas. Alice era tão parecida com a irmã, com seus cachos louros, olhos azuis e expressão angelical. — Ela não... — sua voz falhou, e teve que engolir em seco. — Ela não está mais aqui.
- Você quer dizer que ela não está mais aqui no galpão ou... — a menina respirou fundo. — Que ela está morta?
- Não sei ao certo. Eles a levaram daqui há algum tempo e... Bem, não sabemos o que aconteceu. Ninguém sabe para onde levam os prisioneiros depois daqui.
Os olhos azuis de Alice brilharam de um jeito quase sinistro.
- Então ela ainda pode estar viva?
- Pode, mas não é provável.
A garota assentiu.
- Entendo.
Alyss não pôde deixar de olhá-la, admirada. Esperava que a menina fosse chorar ao saber da provável morte da irmã, mas, mesmo não tendo mais de doze anos, parecia, no lugar de triste e desesperada, determinada. A quê, exatamente, a jovem não sabia, mas isso poderia se tornar um problema...
Ou uma solução.
A mensageira franziu a testa, pensando.
- O que foi? — perguntou Peter. Ela balançou a cabeça, concentrada. Estava começando a pensar em um plano.
Olhou ao redor. O galpão parecia ser completamente fechado, com exceção da porta... E de um pequeno buraco quadrado no canto da parede, coberto por uma grade. Ela não tinha a menor ideia do que era nem para que servia, mas anotou mentalmente para referências futuras, fazendo um lembrete a si mesma para observar a movimentação de guardas por ali.
Enquanto ela pensava, Peter conversava com as recém-chegadas. Subitamente, como de costume, eles ouviram uma voz anunciando que as luzes seriam apagadas. Os prisioneiros não tinham a menor ideia de onde saía aquela voz. Não havia nenhum homem no recinto, com exceção de Peter, mas, mesmo assim, eles ouviam aquela voz todas as noites, ordenando-lhes que deitassem.
Os olhos de Alyss desviaram-se rapidamente para a abertura no canto da parede, e ela se lembrou de uma outra ocasião, não muito tempo atrás, que também envolvia eventos estranhos ocorridos em uma floresta, eventos que pareciam sobrenaturais...
... e ela pôde praticamente ver a luz se acendendo em sua cabeça.
Notas finais
Enfim, até quando der! Beijinhos, cupcakes!
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