A Aprendiz
16 A trágica primeira paixão de Gilan
Notas iniciais
Segunda coisa: Também é sobre o nome do capítulo. Eu queria colocar "Gilan conta a trágica história de sua primeira paixão" ou "A trágica história da primeira paixão de Gilan", mas não coube, então abreviei para essa obra prima :3
É que eu achei que a fic tá ficando um pouco séria demais para o meu gosto, então resolvi que alguém tinha que voltar a falar besteira, e resolvei que tinha que ser o Gilan.
Aí aproveitei para botar o romance que tava faltando.
Para os meus padrões, até que saiu rapidinho, e, ao contrário da grande maioria dos meus capítulos, é enorme.
Espero que gostem!!
Christine estava sendo mantida completamente no escuro.
Literalmente. Em sua prisão, quase não havia luz, a não ser pelos flashes ocasionais quando abriam a porta para dar-lhe comida. Devido a isso, não podia contar muito bem o tempo, embora achasse que haviam se passado três ou quatro dias. Ficava esperando, entediada, pelo momento em que a porta se abriria e alguém viria interrogá-la.
Não havia como distinguir o dia da noite. Após quarenta e oito horas completamente sozinho, no escuro, em um cômodo apertado e de teto baixo, ela começou a ficar nervosa. O que estaria acontecendo lá fora? Onde estariam Will e os outros? Como estariam Alyss e Peter? O que pretendiam fazer com eles? E com ela?
Quando essas dúvidas começavam a atormentá-la, Chris esfregava com os dedos a folha de carvalho de bronze em seu pescoço. Sentir o metal frio sob seus dedos a acalmava e a fazia sentir-se mais corajosa, simplesmente por saber que era boa o suficiente para usar aquele símbolo.
Isso também a fazia lembrar que Will também tinha passado por perigos iguais ou ainda mais perigosos, dando-lhe a sensação de que não estava sozinha. Se ele tinha conseguido superar aquilo tudo, por que ela não podia superar uma simples sala escura?
Pouco depois de ser trancada lá dentro, ela tinha tido um sonho muito estranho, no qual ela sonhava que beijava Jack, e, ao acordar, descobria que estava dormindo com Peter.
Ao acordar de verdade, ficou vermelha. Que coisa para se sonhar numa situação daquelas! Grata por ninguém poder ler sua mente e imaginando o que Will diria daquilo, brincou consigo mesma que uma situação daquelas — dormir abraçada a um garoto quando gostava de outro, ou, pior, gostar dos dois ao mesmo tempo — seria bem mais assustadora do que ser sequestrada por um grupo misterioso.
A brincadeira, porém, não teve muita graça, pois ela não pôde deixar de se perguntar se aquela situação já não tinha acontecido...
* * *
- Acho que não podemos esperar mais. — anunciou Will. — Sinto muito, Jack, mas não podemos esperar você melhorar. Temos que resolver isso logo.
- Eu entendo. — o garoto suspirou. — Podem ir. Não quero atrapalhar a missão.
- Você e Halt deviam ir procurar por aquele lugar... O lugar para onde a outra gangue levava as garotas. — sugeriu Horace. — Gilan pode tentar conseguir mais informações, e eu posso tomar conta de Jack.
- Eu não preciso de alguém para tomar conta de mim! — exclamou Jack, indignado.
- Sim, você precisa. — replicou Halt. — Obviamente, você precisa. Deixamos você sem supervisão por uma noite, e olhe só no que aquilo deu!
- Francamente, Jack. — emendou Horace, com uma piscadela. — Não me prive de ficar com o trabalho mais fácil!
- Eu diria que tomar conta dele é a tarefa mais difícil. — disse Gilan, erguendo as sobrancelhas. — Mas seu plano é bom. Acho que podemos segui-lo.
- Só tome cuidado — alertou Will. — Acredito que Christine tenha sido levada porque perceberam que ela estava fazendo perguntas demais.
- Vou ser cuidadoso. Afinal, não quero me gabar, mas acho que consigo ser mais discreto que a sua aprendiz. — o arqueiro mais jovem entendeu que seu amigo não estava falando para ofender. Era apenas uma brincadeira. — Vamos, melhor vocês irem logo. O local não é exatamente perto daqui, se me lembro bem.
Quando Halt e Will saíram, Jack suspirou e se recostou na árvore às suas costas, derrotado.
- Me sinto um inútil. — reclamou. Gilan ergueu as sobrancelhas outra vez.
- Você parece bastante ansioso para arriscar sua vida para salvar essa garota.
- É claro que quero salvá-la! — retrucou o garoto. — É culpa minha ela ter sido levada.
- Até quando você pretende usar isso como desculpa? — perguntou Horace. Era aquela velha mania dos arqueiros de não falar o que realmente sentem, pensou ele. Por que eles tinham que complicar tanto as coisas?
O aprendiz franziu a testa, confuso.
- Desculpa? Como assim?
- Bom, é óbvio que você não quer resgatar a Chris só por culpa! Todos já disseram que você não é culpado de nada. Você quase morreu por ela, na noite em que ela foi levada. E de novo, ontem, quando seu ferimento reabriu por causa da viagem que fez para buscar um meio de resgatá-la. Claramente, tem mais alguma coisa aí.
- O quê? Não, não tem! Bem, ela é quase uma amiga. Seria, se não fosse tão irritante. Acho que você pode dizer que somos colegas. O que há de errado em querer resgatar uma colega?
- Nada. — admitiu Gilan. — Mas querer resgatar é uma coisa, estar desesperado para ajudá-la a qualquer custo é outra.
- Eu não estou desesperado para ajudá-la a qualquer custo!
- Pois não é o que parece. — replicou Horace. — Admita, você sente alguma coisa por ela.
- Ou você achou que eu estava realmente brincando todas as vezes em que disse que vocês eram um casal?
- E não estava?
- Bem, vocês ainda não estão juntos, mas eu não estava implicando só para implicar. Evidentemente, eu tirei a ideia de algum lugar.
Jack olhou de um para outro, incrédulo. Ele simplesmente não conseguia acreditar no que estava ouvindo. A simples ideia de estar gostando de uma menina já era estranha para ele, que nunca tinha se apaixonado. Estar apaixonado por Christine, então, era impensável. Seria simplesmente estranho demais.
Por outro lado... Ele pensou na sensação estranha que experimentara quando Fred a abraçara, quando se despediam. Lembrou-se de seu desespero quando ela fora capturada, e de sua ânsia em resgatá-la. Ficara ansioso o bastante para se dispor a ignorar o ferimento e cavalgar em busca de ajuda, mesmo sabendo que não estava em condições para isso.
Talvez Gilan e Horace estivessem certos.
Com essa constatação, sentiu uma sensação engraçada no peito. Ele queria negar e, ao mesmo tempo, não queria. Se ele estivesse apaixonado por ela e ela não correspondesse, seria ruim. Se ela correspondesse, porém...
Gilan notou a confusão na mente do aprendiz e sorriu.
- Aceite, meu caro aprendiz. — aconselhou. — Você está apaixonado por Christine. Quer ela corresponda ou não, isso é um fato. Vai ser melhor se você admitir do que ficar lutando contra isso. Você finalmente percebeu, não é?
Jack mordeu o lábio, hesitante. Depois, lentamente, assentiu.
- Agora que eu percebi... — começou. — O que eu faço?
Para sua surpresa, seu mentor caiu na gargalhada.
- Você pareceu tanto comigo! Eu perguntei a mesma coisa para o Halt.
- E o que ele respondeu?
- Ele respondeu: "E eu que vou saber? Melhor perguntar ao Crowley. Agora, vá limpar a cabana!".
Jack e Horace arregalaram os olhos.
- Sério?
- Seríssimo. Se tem um assunto no qual Halt sabe menos que eu, esse assunto é "mulheres". — Gilan deu de ombros. — Em seguida, eu perguntei a Sir Rodney, que me falou um monte de bobagens sobre ser respeitoso e essas coisas. Então eu resolvi agir por conta própria.
- Fazendo...? — perguntou Jack, curioso.
- Uma coisa que você nunca, jamais, deve fazer. Eu dei flores para ela e contei como me sentia.
- E o que ela fez? — quis saber Horace. Era a primeira vez em que ouvia notícia de um arqueiro que tinha realmente falado o que sentia, sem enrolar.
O arqueiro riu.
- Ah, ela riu na minha cara, mas depois acabei conseguindo roubar um beijo. Infelizmente para mim, alguns dias depois, descobri que ela tinha dois irmãos mais velhos que estavam no segundo ano da Escola de Guerra. E, quando descobriram que eu tinha "roubado" um beijo da irmã deles, concluíram que eu tinha forçado-a a me beijar e resolveram acabar com a minha raça.
Seu aprendiz franziu a testa.
- Isso é sério?
- Claro que é! — replicou Gilan, erguendo as sobrancelhas. — Por que eu mentiria sobre isso? Felizmente, eu consegui subir numa árvore e fiquei lá até eles se cansarem e irem embora.
Horace lembrou-se que Will sempre escapava dele dessa forma, quando eram crianças.
- Vocês pelo menos ficaram juntos depois? — perguntou. O companheiro balançou a cabeça, com uma expressão sombria.
- Não. Sempre suspeitei que ela fez de propósito, aumentando a história para me ver sofrer. Algumas semanas depois, começou a namorar um garoto da Escola de Guerra, com quem casou alguns anos depois.
- Minha nossa. — comento Jack, rindo. — Sua primeira paixão foi mesmo trágica, não foi?
Horace concordou, pensando que provavelmente era por coisas desse tipo que as pessoas não diziam o que sentiam. Mesmo assim, ainda achava que era a melhor opção. Mesmo que isso te levasse a levar uma surra.
Jack, por sua vez, pensou que podia ser melhor pedir conselhos a Horace ou a Will.
Notas finais
Pelo menos, do tamanho vocês não podem reclamar!
Enfim, digam o que acharam! Mandem reviews! Beijinhos, cupcakes!
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