A Aprendiz
4 A Reunião Anual do Corpo de Arqueiros (Pt.1)
Notas iniciais
- Falta muito? — perguntou Christine, quando dobraram uma curva. Will balançou a cabeça.
- Estamos perto. — respondeu, distraído. Estava olhando ao redor, distraído.
- Procurando alguma coisa?
- Chris, quero que faça uma coisa. — ele baixou a voz. — Suba em uma árvore e se esconda lá. Quando eu falar seu nome, você atira sua faca... Naquele toco de árvore.
- Por quê?
- Porque vamos pegar meu antigo mestre, Halt, de surpresa. É uma coisa que costumo fazer, tentar... — ele parou de repente, fazendo um sinal para que ela fizesse silêncio, e então sorriu. — Um momento. — sussurrou.
O arqueiro caminhou com passoas silenciosos até ficar mais próximo da curva que tinha acabado de dobrar, ajoelhou-se e posicionou seu arco. Atirou a flecha ao mesmo tempo em que gritava com toda a força de seus pulmões:
- GILAN!
Uma exclamação surpresa veio de trás da curva e um cavaleiro alto saiu de lá, com um sorriso no rosto e as mãos erguidas em um gesto de rendição. Montava um cavalo de arqueiro e usava a mesma capa manchada que os outros.
- Will! — cumprimentou, apertando a mão do colega. — Fomos pegos, Jack. — gritou para a curva atrás dele. — Venha aqui conhecer uma pessoa.
Outro jovem saiu do meio das árvores e baixou o capuz. Tinha cabelos castanhos desarrumados e olhos castanhos, e parecia muito jovem. Em seu pescoço, havia uma folha de carvalho de bronze.
- Will, esse é meu aprendiz, Jack. Will é um velho amigo meu.
- Prazer em conhecê-lo. — disse Jack, timidamente. Will abriu um sorriso largo.
- Igualmente. Essa é minha aprendiz, Christine.
Christine adiantou-se e tirou o capuz.
- Olá.
O outro aprendiz a estudou com bastante interesse e ela resistiu ao impulso de cruzar os braços.
- Você ia tentar enganar Halt? — perguntou Gilan.
- Mas é claro que ia! Você não? — respondeu Will.
- Eu vou. Podíamos unir forças. Ainda seria uma vitória dos antigos aprendizes.
- Não sei não, você conhece o ditado: "um tumulto, um arqueiro".
- Mas Halt não é um tumulto. Ele está mais pra tsunami.
Os dois riram com isso, e os dois aprendizes também sorriram.
- Aposto que ele não resiste aos dois juntos. — ponderou Will.
- Quatro. — corrigiu Gilan.
- Ah, então ele não vai conseguir resistir nunca. Vamos fazer isso.- virou-se para os outros dois. — Eis aqui o que precisam fazer.
* * *
Dez minutos depois, Jack e Christine estava escondidos nas árvores, lado a lado, imóveis, enquanto esperavam sua presa chegar. Will e Gilan conversavam alegremente na trilha lá embaixo.
Logo, um pequeno vulto encapuzado se aproximou dos dois, silenciosamente. Devia ser Halt. Os dois aprendizes conseguiram entreouvir pedaços da conversa.
— Ora, ora. — disse o vulto. — O que temos aqui?
- Halt! — exclamaram os outros ao mesmo tempo. Então Will continuou. — Que bom ver você!
- É ótimo ver você também, Will. E você, Gilan. Mas o que houve? Desistiram de me pegar? Finalmente se deram conta de que não estão à altura?
- Ah, com certeza. Você se tornou tão paranóico com a idade que com certeza fica virando para verificar cada barulho que você ouve, então certamente acaba nos achando.
- Pois é... Achamos que, já que você é um velho alquebrado, devemos te dar uma folga. — completou o outro.
Halt resmungou.
- Haha, muito engraçado. Como vão as coisas em Whitby, Gilan?
- Não muito boas. Acho que há uma quadrilha de sequestradores em ação. Pessoas tem desaparecido de suas casas. Mulheres, em sua maioria. Mas vamos discutir isso na reunião. Agora, vamos falar de assuntos felizes. Como vai Pauline?
- Bem, graças a Deus. Ouvi falar que vocês dois tinham aprendizes. — ele olhou ao redor, como se esperasse ver adolescentes saltarem do nada. — Onde estão?
Nesse momento, Christine atirou uma flecha que prende o capuz de Halt em uma árvore, tocando levemente o cabelo do arqueiro, e Jack atirou uma faca que prendeu a barra da capa no chão.
Halt ergueu os olhos, surpreso, e viu os dois aprendizes nas árvores. O garoto desceu até o galho mais baixo e pulou. A garota não se deu a esse trabalho; pulou de onde estava mesmo, dando uma cambalhota ao chegar no chão, para diminuir o impacto. Feitas as apresentações, o arqueiro mais velho assentiu.
- Prazer em conhecê-los. Até que não são tão ruins quanto eu imaginei, embora não tenha me passado pela cabeça que a aprendiz de Will era um menina. Juro que não vi vocês.
Então a ficha caiu. Will e Gilan começaram a gritar e comemorar como dois adolescentes que ganham um jogo, abraçando um ao outro e aos aprendizes.
- Haha! — gritou Will. — Conseguimos! Viu, Halt, você não é invencível!
Enquanto os jovens comemoravam, Halt escondeu um sorriso. Ele tinha visto os aprendizes nas árvores assim que chegara ao local, mas não disse isso. No lugar disso, falou:
- Se vocês já terminaram de agir como crianças, podemos ir para a reunião?
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