A Aposta.
5 Capitulo 5.
Notas iniciais
– Sorria, Flor do dia! — Ouvi Jace falar ao meu lado. Peguei o travesseiro e o joguei contra o Ser que perturbava o meu precioso sono. — Você parece um anjinho, Princesa! Dormindo, um anjo. Acordada, uma diaba! — Provocou-me e eu abri meus olhos.
Ele já estava arrumado para ir estudar, com uma calça jeans preta, uma blusa com gola V exibindo um pouco do seu peito definido. Tentei não encarar, o que foi quase impossível.
Eu ainda estava bêbada de sono, então me aconcheguei em seu peito, causando uma reação surpresa em Jace.
– Desculpe, Princesa, mas você tem que se arrumar! Vai acabar perdendo a aula...
– Oh, Inferno! — Me exasperei, levantando de súbito. Por sorte ainda eram 7:56h. Corri para o banheiro e tomei um banho rápido. Quando saí, Jace já tinha separado minha roupa. Uma calça jeans aparentemente apertada e uma blusa decotada verde-água com detalhes dourados.
– Senhor, eu não posso usar calça! Minha Origem me proíbe, minha avó não aprecia esse tipo de veste! — Falei.
– O problema é seu, Princesa! Hoje irá usar, você tem belas curvas, e o que é belo foi feito para ser visto! — Argumentou e eu me peguei a roupa para ir trocar-me. — Não, Princesa! Se troque na minha frente. Gosto de te ver assim, se bem que prefiro você na horizontal, de preferência na minha cama. — Sorriu todo dentes brancos para mim. Revirei meus olhinhos verdes e obedeci.
*********************************
No café foi a mesma coisa do dia anterior. Tive que sentar no colo de Jace e dar-lhe a comida na boca. Camille ficou me encarando e Isabelle me encaminhava sorrisos maliciosos. Todos olharam chocados para os Jeans. Os meninos encaravam minhas curvas e Jace rosnava ao meu lado. Algumas meninas me olhavam com inveja, e isso não me agradou. Inveja não era um sentimento que me agradasse.
No horário letivo, tive que fazer dupla com o Irritante. Ops! Quer dizer... Jace!
Ele me irritava de uma maneira absurda. Mas uma parte de mim até gostava, gostava de quando ele me "Torturava" e até pedia por mais.
Talvez eu devesse ir para um sanatório! Tinha absoluta certeza de que estava ficando maluca. Jace? Jace & Eu? NUNCA!
Na parte da tarde, peguei minhas sapatilhas de ponta e fui praticar, secretamente, o Ballet que eu tanto amava. Se alguém desse Inferno disfarçado de escola descobrisse, eu certamente viraria o motivo de Chacota da semana. Principalmente para a Belcourt! Ui! Queima Jeová! (Kk')
Coloquei uma melodia Clássica — Beethoven. Calcei as sapatilhas e tirei o sobretudo que cobria meu uniforme de Ballet.
Minha sorte era a de Jace estar no treino de futebol. Eu teria um tempo razoavelmente bom para praticar com meu uniforme cor de rosa.
Comecei com uma série simples: Plié, seguido de um développé e logo em seguida um grand fouettés en tournant e dois degagés e uma pirueta dupla para encerrar. Deixei as séries dos Coupés para mais adiante.
Por fim, eu tinha uma coreografia. Treinei até sentir meus pés doerem, e continuei assim mesmo. Fiquei de olhos fechados apreciando minha atividade predileta.
Dancei como nunca havia dançado. Dancei para expressar tudo o que queria expressar no dia-a-dia. A raiva que sentia por Camille, o Apreço por Izzy, A saudade de meu país, de minha família e, principalmente, do meu Falecido Pai. Dancei também para expressar toda a minha frustração de ter que viver em um lugar que não me agradava e pelos sentimentos confusos por Jace.
Se pudesse escolher Jace como meu futuro Marido...
–Pare de pensar Trivialidades, Clarissa! — Me Repreendi. — Logo logo será uma rainha! O que importa se não se casará com quem verdadeiramente ama? Pare de ser egoísta! Sua felicidade não é um preço alto à pagar pelo bem de seu Povo! -Brigava comigo mesmo em voz alta, ainda bailando naquela sala mediana que se situava no porão da Escola. Demorei alguns dias para limpá-la, e fiz dali meu espaço particular. — Lembre-se de sua promessa ao Papai! Prometeu que seria a Rainha e que daria continuidade ao trabalho para o bem do povo!
Pequeno Ponto de vista da Autora:
Clary estava tão envolvida com a dança e em falar consigo mesma que nem percebeu quem a estava observando desde que ela começou a Dançar. Jace — que a propósito, à Seguira ( Devido ao Sebastian Verlac, que torceu o tornozelo. Então, o treino fora Cancelado ).
POV Jace "Gostosão" Herondale. (PS: Palavras dele, Não minhas! Kk').
Quando soube que o treino havia sido cancelado, corri de volta para o dormitório.
Mas, quando vi a Princesa sair sorrateiramente, olhando para os dois lados do corredor, resolvi segui-la.
Caminhei por alguns corredores desconhecidos por mim, até chegar à uma sala limpa e vazia.
Vi Clary tirar o sobretudo que tajava com um semblante contemplativo. Ela estava vestida com roupas rosas de ballet e calçou as sapatilhas.
Uma surpresa, sem dúvidas! Mas eu não duvidava desse tipo de habilidade, sua criação era Rústica!
Ela pulava, rodava, se esticava, dançava e fazia expressões enquanto praticava àquela dança tão magnífica.
Me vi hipnotizado pelos seus movimentos e usei muito autocontrole para não ir até lá e jogar a princesa na parede, tomar seus lábios e tê-la em meus braços.
Mas aí ela começou um diálogo consigo mesma.
***
Se pudesse bater em uma mulher, bateria em Clary!
A garota estava fumada, não era possível!
Como assim "Sua Felicidade não é um preço alto à pagar pelo bem do seu Povo"?? Claro que era um preço alto! A felicidade era o único bem na vida! Dinheiro se esvai, junto com a beleza.
(#FilosofandoComJace kk')
Resolveu não intervir àquele momento reflexivo da Princesinha. Sua Princesinha, sim SUA!
Ela estava dançando Ballet, com graciosidade e emoção. Seus olhos estavam fechados e ela estava parada no meio da sala, fazendo movimentos com os pés.
Do nada, ela saltou e, assim que seu pé direito tocou o chão, girou incessantemente com uma perna dobrada, formando um "4". Senti um choque quando ela se desequilibrou e caiu, gemendo de dor.
Corri a seu encontro e me ajoelhei ao seu lado.
– Você está bem, Princesa? -Perguntei, exasperado.
– Ja-Jace? — Perguntou, surpresa. Claramente, ninguém sabia daqui. — C-Como me achou? — Agora ela tirava as sapatilhas, mostrando um machucado no pé. — Até que não está tão ruim!
Emiti um ruido de deboche.
– Como assim não está tão ruim? Tem um corte no seu pé, sua maluca! — Resmunguei.
– Depois de Nove anos praticando Ballet 4 Horas por dia, você se acostuma! — Respondeu, dando um meio sorriso.
– Você dança bem, transparece suas emoções por meio da dança! — Fiz uma observação e ela corou. Era muito tímida. — Vamos, vou te fazer um curativo no pé lá no quarto.
Ela sorriu e assentiu, aceitando minha ajuda para andar com um pé só.
– Certamente! — Falou. Eu podia ver a dificuldade dela ao andar. Abri um puta sorriso quando tive uma idéia. Ela parou de andar e me encarou, com olhar suspeito. — Do que está rindo?
– Nada. — Falei, segurando suas pernas e a colocando em meu ombro. Ela gritava, rindo, e se balançava. Tentado sair dali.
Dei um tapa na sua perna.
– Jace! — Me repreendeu, retribuindo o tapa. So que mais acima, na minha bunda. Parei de andar, subitamente.
– Isso não é uma atitude de Princesa! — Desdenhei.
– Pegue essa sua atitude e enfie no seu..! — Eu a cortei, impedindo-a de usar a linguagem imprópria.
– Olhe a boca, Fray!
– Me ponha no chão, Seu acéfalo! — ficou se contorcendo até eu chegar ao quarto.
Quando a soltei, ela deferiu vários tapas contra meu peito, rido. — Seu Ogro!
– Isso faz de você a princesa Fiona! — Sorri debochado. — Mas eu sou bonito demais para ser um Shrek.
Clary revirou os olhos e eu fui pegar o Kit de 1* Socorros.
Fiz um curativo decente no pé da ruivinha e fui checar as sms no meu celular.
Tinha algumas de garotas -Hump! Óbvio! — E tinha uma do Simon. Abri para ler:
"Social no porão Norte! Sebastian bancando a festa. Hoje 00:00h."
Sorri com aquilo. Social, é? Hmm...
– Princesa, você já foi à uma Social aqui no colégio? — Perguntei, como quem não quer nada.
– Certamente. — Respondeu em seu modo antiquado. — Quem nunca?
– Ótimo, porque vai rolar uma mais tarde no Porão Norte e eu pretendo te levar.
Assentiu e deixou o pé em Flex, testando o curativo. Eu pretendia fazer um comentário que a faria corar, mas..:
Toc. Toc. Toc.
Bufei e fui atender a porta. Estava vazia, com apenas um pacote mediano no chão e um bilhete. Peguei os dois e li o bilhete.
"Para a Clary! Izzy disse que entregaram lá no quarto dela.
Te espero na festa, seu Mané!
– Simon."
Amassei o bilhete e observei o pacote. Era embrulhado em papel laminado azul e continha alguns selos da Inglaterra.
Fui até a Princesinha e a entreguei a caixa.
– Deixaram isso no seu quarto, Princesa. — Eu disse.
– Obrigado! — Ela murmurou, rasgando o embrulho do pacote.
Era uma caixa de veludo vermelha, mediana, e com um envelope de carta junto. Ela abriu o envelope primeiro e o leu, silenciosamente. Suas mãos começaram a tremer e vi uma lágrima solitária escorrer de seu olho direito. Logo ela largou a carta e abriu a caixa de veludo, amostrando um colar com uma pedra verde e grande no pingente. Era uma Esmeralda grande e polida, enrolada por fios de um material que aparentava ser ouro.
Revirei os olhos e vi Clary ir correndo e sair do quarto.
Mas Que..!
Me levantei também e peguei a Carta. A letra era fina e elegante, muito pouco marcada.
"Doçura,
Te transmito esse recado de um jeito tão medieval para provar-te que tradições nunca morrem.
Sua mãe anda a cospir fogo pela notícia que venho a lhe contar.
Daqui à duas semanas, haverá um baile na boa e especial Londres. Esse evento requer sua presença, já que será no dia do seu aniversário. Nessa mesma ocasião, minha querida, ficarás noiva do Duque de Herlington — Nathaniel. Um rapaz galante e muito bonito, combinará perfeitamente com você, minha netinha!
Sua mãe torce para que aches um Americano que possa te tirar da escolha do trono e faça a ti um bem na vida "Normal"!
Como se isso fosse possível! Americanos são rudes.
Nathaniel lhe manda o colar de Herlington — Está em sua família há sete gerações. Use ele no baile, foi um pedido do seu futuro Noivo.
Ps: Sua mãe mandou-lhe transmitir um recado: Traga um acompanhante para o Baile. Não desejamos que venha só dessa cidade Macabra.
Com carinho e saudades,
Marrie Claire Rosa Graypeace Mongestern. — Sua avó."
Pequeno POV da Autora:
Jace largou a carta e partiu em busca de sua Princesa. Foi uma tarefa quase impossível, já que quase ninguém à vira passar por Ali. Correu pelos corredores de ambos os dormitórios, foi naquela Sala em que ela praticou Ballet, passou pelo laboratório de Química e pela cantina e nada de Achá-la. Avistou Sebastian Verlac, um menino que nunca lhe agradou muito, sentado de vigia na escada que dava para o Porão Norte.
POV Jace.
– Sebastian, viu a Clary passar por aqui?
Sebastian abriu um sorriso e me olhou com um olhar um tanto quanto feroz.
– Perdeu a princesa, Jace? Vai virar sapo! — Desdenhou e eu tive vontade de socar a cara do infeliz até ele chorar sangue.
– Responde Logo! — Vociferei e ele pareceu entender o recado do "se não" que estava implícito no final da frase.
– Calma, Herondale! — Ergueu as mãos em sinal desdenhoso de rendição. — Ela passou por aqui sim, pegou uma garrafa de "Não sei O que" com a Isabelle e saiu naquela direção. — Apontou para o corredor à direita. Sem pensar duas vezes, saí correndo em direção àquele respectivo corredor. Ao longe, ouvi Sebastian gritar: — DE NADA, JACE!
No corredor havia algumas salas que serviam para depósitos. Tentei umas três portas, mas estavam trancadas. No final do corredor, havia uma escada. Desci e entrei em uma sala escura, onde estavam depositadas os Instrumentos Musicais. Deveria ser a sala de música, Provavelmente. Já que havia algumas cadeiras com tripés para partituras, um quadro de avisos e uma mesa com a lista de Alunos.
No canto, sentada em uma cadeira em frente a um teclado e o tocando, estava a Clary. Dava para ver a garrafa do tal "Não sei o que" em uma mesinha ao lado — Já estava pela metade. A Princesinha tocava uma melodia pouco comum. Era delicada e expressiva, mas ela a tocava com raiva.
– Princesa! — Falei, me aproximando e sentando ao seu lado. Ela não respondeu e eu tirei a garrafa de perto dela. — Não deveria beber, princesas não bebem! — Fiz uma tentativa de fazê-la rir e revidar a piada. Ela só me olhou confusa.
– Jake, o que está fazendo aqui? — falou meio embolado, estava bêbada.
– É Jace, Fray! Jace, não Jake. — A corrigi, com um tanto de raiva. Nem mesmo bêbadas meninas esquecem meu nome.
– Ah, eu já sabia. Mas Prefiro Jake. Jace é um nome que me faz pensar nelas!
Sorri de canto, ela estava delirando.
– Elas quem, Princesa? — Perguntei, esperando sinceridade. Gente bêbada não mente.
– As Borboletas no meu estômago. — admitiu, sorrindo e apoiando a cabeça no meu ombro.
– E por que você pensa nelas quando ouve meu nome? — Perguntei, ansioso pela resposta.
– Pois sinto elas em sua presença e, mais ainda, quando está longe. Porque me pego pensando Nele constantemente. — Respondeu, agora mais embolada, e tentou pegar a garrafa de minha mão. A resposta dessa vez não me agradou. Como Assim pensando Nele?
– Nele quem, Princesa?
– No loiro lindo de olhos dourados que leem minha alma! — Respondeu, gargalhando em seguida. — No Jace! Em quem mais poderia ser, Ora?
Sorri com essa resposta e dei um gole na bebida da garrafa que estava em minha mão. Era muito forte! Me surpreende que a Princesa tenha aguentado a metade da garrafa sem ser derrubada.
– E você gosta do Jace? — Perguntei. Sei que isso é feio — Se aproveitar de gente bêbada- Mas era uma oportunidade.
– Claro que sim! Ele faz as borboletas dançarem. Uma linda dança dourada! — Falou, mexendo os dedos no ar com uma expressão sonhadora. — Jace, Jace, Jace, Jace e Jace!
– O que é isso, Princesa? Por que falou tantos Jaces?
– Porque é a única coisa que me vem ao pensamento nesse instante! — Virou o rosto para olhar para mim e pareceu notar que era eu. — Espere, você é o Jace?
– Certamente, princesa! — desdenhei de sua fala e ela sorriu.
– Mas você é o Jace que eu gosto?
– Sim, princesa! Jace Herondale, em carne, osso e sedução.
– Eu deveria saber! — Falou rindo. — Só Meu Jace me chama de Princesa!
– Seu Jace? — Ergui a sobrancelha. Ela só colocou o dedo sobre meus lábios.
– Shhh! Ele ainda não sabe que é Meu Jace! — Murmurou, como se fosse segredo. A vi encarando meus lábios sem parar e sorri.
– Deve estar muito bêbada mesmo, princesa! — Falei mais para mim mesmo do que para ela.
– Você não faz idéia! — Sussurrou, selando seus lábios nos meus.
Fale com o autor