A Aposta
16 Capitulo 16
Notas iniciais
Dizer que Brittany estava nervosa era eufemismo. Estava na sala de sua casa andando de um lado para o outro enquanto esfregava as mãos. Quando propôs o encontro a Santana não tinha a menor noção do que realmente estava fazendo. A questão era o porquê de estar tão nervosa sendo que sai praticamente toda noite com algumas meninas ou às vezes até mulheres diferentes? A resposta era simples. Esse era seu primeiro encontro.
Não exatamente seu primeiro encontro, mas essa seria a primeira vez que convidava alguém para sair sem segundas intenções. Para um encontro de verdade. Ela não se lembrava da aposta quando fez o pedido e não se abalou quando soube que na mesma noite teria uma festa. Poderia ter ido à curtição regada de bebidas e garotas fáceis já que o amigo loiro tinha avisado bem antes, mas ela queria passar esse tempo com a latina. Algo em seu interior exigia isso e era isso que a deixava feliz por mais nervosa que estivesse.
– Um buraco vai se formar por onde esta passando – Uma mulher comentou ao entrar na sala de estar.
– Mamãe – Brittany olhou para a mulher e correu a seu encontro.
– Oi bebe – A mulher de mesma estatura, cabelos de mesmo tom e olhos que hora eram verde outras eram azuis a abraçou forte tentando transmitir toda a saudade que sentia.
– Eu estava com saudades – Murmurou Brittany com o rosto escondido no pescoço da mais velha.
– Eu também estava pequena – Ela afagou os cabelos de Brittany enquanto a sentia relaxar em seus braços.
– Quando chegou? – Perguntou assim que se afastou.
– Agora – Apontou para as malas que estavam na soleira da porta – Antes que pergunte seu pai chegara apenas amanha.
– Por quanto tempo vão ficar aqui? – Elas caminharam juntas até o sofá e sentaram lado a lado.
– Por muito tempo – A mulher a olhou carinhosamente enquanto a filha exibia um sorriso feliz – Aquele caso terminou essa semana e a partir de agora ficaremos aqui fazendo algumas viagens às vezes, mas apenas por dois ou três dias.
– Finalmente mamãe – Brittany a abraçou mais uma vez e se afastou.
– Tudo bem com você? Não aconteceu nada? Tem feito tudo o que foi recomendado? – Disparou Susan olhando a filha atentamente enquanto a mesma ria da mãe.
– Eu senti falta disso – Brittany gargalhou, mas logo respondeu – Esta tudo bem. A Carmem é como um gavião sabe cada passo que dou em cada centímetro dessa cidade.
– Fico mais tranqüila – Susan suspirou aliviada – E Quinn onde esta?
Antes que Brittany pudesse responder Quinn entrou na sala caminhando até a mãe lhe dando um abraço apertado. Por mais que Quinn se mostrasse resistente às vezes ou até mesmo culpasse os pais por alguns momentos de sua adolescência em que não estiveram presente, ela realmente sentia falta deles.
No raciocínio lógico ela sabia que os pais não faziam diferença entre ela e a irmã e que as amavam da mesma forma e ela tinha plena consciência que se às vezes davam mais atenção a Brittany era porque no começo ela realmente precisava, mas o coração é quem manda realmente em uma pessoa então como explicar a uma criança de onze anos isso? .
– Tudo bem Quinnie meu amor? – Susan perguntou apertando as bochechas da mais nova enquanto ela ria.
– Tudo sim mãe – Respondeu assim que a mãe largou seu rosto e a puxou para se sentar no espaço vazio do sofá.
– Quais as novidades meus anjos? – Susan perguntando olhando para Quinn e logo em seguida para Brittany.
– Nenhuma – Brittany não conseguiu completar o raciocínio quando logo foi cortada por Quinn.
– Porque você não conta pra mamãe que esta interessada na Santana – Quinn resmungou cruzando os braços.
– Santana? Santana Lopez? A pequena San? – Susan perguntou confusa.
– A própria – Quinn tinha a cara emburrada enquanto falava.
– Prefiro quando você ignora minha existência – Brittany cruzou os braços e tinha a mesma cara emburrada de Quinn o que fez a mãe soltar uma leve risada antes de voltar a ficar seria.
– Isso é impossível desde que começou a se envolver com ela – Rebateu.
– Porque você se importa tanto com isso? Que eu saiba sua namorada é a Rachel – Argumentou Brittany.
– Porque ela é minha amiga e eu não vou permitir isso – Quinn começava a ficar vermelha.
– Como se alguém precisasse da sua permissão pra alguma coisa – Debochou a mais alta rindo.
– Olha aqui princesinha da mamãe se magoar a Santana você vai se ver comigo – Quinn apontou o dedo para Brittany e se levantou.
– Nossa que medo Barbie – Brittany levantou os braços e fez uma cara de falso medo.
– Já chega – Susan deu um basta na discussão – Eu to cansada disso.
– Eu vou sair daqui – Quinn só conseguiu dar dois passos antes de ouvir a mãe.
– Lucy Quinn Fabray Pierce eu acho melhor você voltar com essa bunda já pra cá – Susan não gritou e quem a olhasse diria que estava calma, mas as meninas sabiam que quando ela as referia pelo nome inteiro era porque estava perdendo a paciência ou estava nervosa com algo que elas ou até mesmo o pai tinha feito – Vocês vão para com essas briguinhas e vão me explicar o que esta acontecendo.
– É ela que tem que explicar as coisas aqui – Quinn apontou para Brittany que estava com o corpo todo recostado no sofá.
– Brittany – indagou Susan.
– Primeiro: como é que a senhora conhece a Santana? – Perguntou se ajeitando.
– Quando eu vinha pra cá ela sempre estava aqui. Ela e Quinnie são muito amigas e praticamente passou a adolescência aqui – Susan contou e Brittany assentiu se sentindo mal em saber que Santana tinha passado adolescência naquela casa, em seu lugar – Alem do mais sou advogada de seus pais então já a conhecia bem antes.
– Dos pais dela? – perguntou estranhando.
– Sim. Eles são – Foi interrompida por Quinn.
– Vamos à parte que interessa, por favor? – Estava impaciente com tanta enrolação.
– Vejo que o mau humor continua presente nesta casa – Susan comentou e se virou para Brittany – Vamos. Agora me conte.
– Bom – Brittany percebeu que seria difícil fugir da mãe então suspirou e começou a falar – Como vou explicar. Estamos nos conhecendo?
– Isso é muito vago – Susan comentou.
– Mamãe. Olha eu achei que seria legal me aproximar dela porque a Rach vive falando da Santana ai uma coisa leva a outra – Brittany suspirou mais uma vez – E a Santana é legal.
Um sorriso débil surgiu nos lábios de Brittany assim pensou na latina e o ato não passou despercebido pela mãe.
– Meu bebe esta apaixonada – Disse emocionada.
– O que? – Brittany virou o pescoço tão rápido que um estalo foi ouvido – Claro que não.
– Você ainda esta na fase da negação – Susan apertou as bochechas da Filha – Isso é tão bonitinho.
– Mãe eu não estou apaixonada – Brittany tentava convencer a mãe e a si mesma.
Ela não tinha pensado na hipótese de estar gostando de Santana. Não desse jeito pelo menos. Claro que ela adorava a companhia da mais nova e adorava fazer Santana se sentir bem, mas isso era apenas porque a latina era legal. Não era?
– Eu vou avisar mais uma vez se você magoar a Santana. As coisas vão ficar ruins pra você – Quinn Avisou encarando Brittany que preferiu ficar quieta. A irmã não estava brincando e ela pode perceber isso na maneira que Quinn a olhava.
– Parem com isso – Exclamou Susan – Quero um jantar em família sem discussões. Já avisei.
– Jantar? Hoje eu vou sair – Brittany avisa.
– Nada de festa – Susan repreendeu.
– Eu não vou pra festa – Brittany informou – Eu vou sair com a Santana.
– Muito bem então – Susan disse antes que Quinn fizesse alguém comentário.
Ela mesma faria, mas percebeu que Brittany realmente estava envergonhada e para deixar a casula da família dessa forma o assunto tinha que ser extremamente pessoal. Ela ficou feliz em saber que Brittany estava gostando e se envolvendo com Santana. A menina tinha crescido junto com sua filha mais velha e sabia o quanto amorosa, bondosa e alegre a pequena poderia ser.
– Eu vou me arrumar – Brittany levantou do sofá e já estava perto das escadas que levava aos quartos quando ouviu sua mãe chamá-la.
– Brittany chame Santana para jantar conosco amanha – Pediu Susan.
– O que? – Quinn e Brittany gritaram ao mesmo tempo – Por quê? – Quinn tomou a frente e perguntou.
– Porque estou com saudades – Susan piscou e indicou que Brittany continuasse seu caminho.
Brittany resolveu subir e se arrumar porque tentar argumentar com a mãe era uma causa perdida, pois se as pessoas achavam que ela era insistente e persuasiva sua mão era melhor e mais persistente.
Agora o jeito era avisar Santana do tal jantar. Não deveria se preocupar com isso afinal a garota iria a sua casa como uma amiga e também tinha o fato de Santana poder recusar o convite, mas por mais que seus pensamentos trabalhassem nessas informações não era isso que ela realmente pensava.
Depois de alguns minutos de devaneios seguiu para um rápido banho afinal já eram sete horas e queria ser pontual. Depois do banho optou por uma roupa simples e confortável afinal não era nada formal apenas uma ida ao cinema. Brittany vestiu uma calça jeans escura, uma blusa cinza com estampa preta jogada de lado, vans de mesma cor, o cabelo estava solto e sua franja escondia toda a testa. Optou por brincos de argola médios, uma maquiagem simples que incluía apenas lápis forte para destacar os olhos e um pouco de brilho nos lábios.
Quando olhou para o relógio novamente se assustou ao perceber que tinha perdido mais tempo do que gostaria. Pegou sua carteira, as chaves do carro e saiu do quarto sem esquecer de fechar a porta antes. Uma regra da casa que ela não entendia muito bem, mas que cumpria sem questionar. Passou pela sala de estar esperando encontrar sua mãe, mas a única coisa que encontrou no ambiente foi Quinn dormindo no sofá. Deduziu que como Santana dormiria na casa de Rachel, a loira mais velha ficaria por ali mesmo. Segui para a sala de jantar onde encontrou a mãe e Carmem conversando sobre algum assunto que não lhe interessava então apenas se despediu das duas prometendo voltar cedo.
Agora dentro do carro Brittany se sentia nervosa. Só agora tinha caído a ficha que iria a um encontro de verdade como nas historias clichês que os filmes contavam para iludir meninas e adolescentes. Ela não sabia como agiria quando estivesse com Santana e tentou puxar em sua memória algo que a ajudasse. A única coisa que lhe ocorreu foi seguir pelo menos de começo os benditos filmes que tanto julgava então se estivesse certa o melhor a se fazer era levar flores a Santana.
Depois de passar na floricultura e comprar um buque de rosas vermelhas. Era a opção menos arriscada afinal não sabia qual seria a favorita da morena e a maioria das mulheres tem uma queda por rosas vermelhas não tinha margem de erros na escolha. Chegando à residência dos Berry, Brittany tocou a campainha e aguardou alguns segundos antes de ouvir voz vindo dentro de casa e poderia afirmar que estavam discutindo.
– Oi Britt – Rachel abriu a porta ofegante, mas sorrindo.
– Oi Rach – Brittany se aproximou e depositou um beijo na bochecha da mais baixa – A Santana – Não conseguiu terminar quando Santana apareceu na porta.
A latina usava uma calça jeans preta, blusa listrada preta e branca de manga cumprida e allstar vermelho. Uma tiara preta prendia a parte da frente do cabelo exceto a franja e o resto estava solto formando cachos. A maquiagem não era nada muito aparente nem mesmo os olhos coberto pelos óculos pareciam estar com algum lápis, mas para Brittany isso só completou a obra.
Ela estava encantada. Santana estava simples porem linda. Era essa simplicidade que ela amava. Ela poderia ir de Sexy e sensual como demonstrou na primeira vez que saíram ou meiga e fofa como agora.
– São pra você – Brittany entregou o buque com um sorriso bobo.
– Obrigado – Aproximou as flores respirando profundamente o aroma – São lindas.
– Não tanto quanto você – Brittany ainda tinha o sorriso débil brincando nos lábios arrancando risadas de Rachel. Nesse momento ela não se importava de ter dito uma frase tão clichê e idiota.
Santana apenas entrou para colocar as flores em um vaso com água e logo seguiram para o shopping não sem antes ouvir mais algumas piadinhas de Rachel que estava extremamente feliz por Santana começar a descobrir coisas da vida que não continha nos livros. Nada supera a experiência do dia a dia, de cada vivencia ou de cada acontecimento e não podia negar que lhe agradava Brittany estar com sua melhor amiga afinal ela era irmã de sua namorada e acreditava que Santana colocaria juízo naquela cabecinha dura.
O caminho até o local foi tranqüilo e regado de conversas. Conversas essas que arrancavam gargalhadas de Santana ao ouvir as diversas historia que Brittany contava de sua infância com Quinn e com alguns primos que na época moravam próximos a sua casa. Ao chegarem foram direto comprar os ingressos o que gerou certa discussão. Santana queria terror e Brittany algum desenho animado o que realmente surpreendeu à latina. Nunca imaginou que a garota que botava medo na metade da escola tinha medo de filmes de terror e preferia passar horas assistindo desenhos animados.
Decidiram por fim assistir “Em chamas”, pois alem de agradar Santana que já tinha lido a trilogia agradou a Brittany que tinha assistido ao primeiro filme e gostado muito. Compraram os ingressos e resolveram caminhar pelo ambiente afinal o filme só começava em uma hora e meia.
A loira ficava mais do que animada quando passavam por alguma loja de instrumentos musicais e quando passavam por alguma livraria era a vez de Santana puxar Brittany para adentrarem ao local. Em uma dessas lojas Santana saiu com três livros que Brittany insistiu em comprar depois de ver a Iris escura brilhar intensamente em admiração.
Depois de andarem por mais alguns minutos Santana parou em frente ao boliche onde se encontravam grupos de adolescentes ou varias famílias se divertindo quando acertavam os pinos com a bola pesada ou mesmo quando erravam.
– Eu nunca fui a um boliche – Comentou ainda olhando para as pistas.
– Serio? – Brittany olhou para Santana que ainda tinhas os olhos fixos a sua frente.
– Sim – Respondeu e olhou para a loira que a encarava – Eu sempre quis, mas por algum motivo nunca fui.
– Então vamos agora – Brittany a puxou adentrando ao lugar.
– Mas e o cinema? – Perguntou deixando-se ser guiada pela loira que parecia conhecer bem o local.
– Você já foi ao cinema, certo? – Santana fez um gesto positivo com a cabeça e Brittany prosseguiu com o raciocínio – Então como nunca foi ao boliche vamos tratar de te apresentar.
– E as entradas? – Perguntou sem estar totalmente convencida de que a loira realmente faria aquilo por ela.
– Não se preocupe com isso. Vamos apenas nos divertir e aproveitar a noite.
Brittany deu um selinho em Santana e foi pagar pela hora em que ficariam ali. Ela voltou avisando que teriam que esperar até que alguma pista estivesse disponível e que se ela quisesse poderiam esperar na ala de jogos que ficava ali mesmo.
– Da próxima vez podemos chamar seus amigos para virem – Brittany comentou enquanto jogavam rock de mesa – É mais divertido com mais pessoas, mas pode ter certeza que farei desta noite a melhor.
Santana não sabia de onde essa coragem tinha saído se era ao fato de Brittany estar empenhada em tornar aquela noite agradável ou poderia ser pelas palavras da loira que estava disposta a sair com seus amigos ou o indicio de que sairiam novamente. Não tinha certeza, mas ela sentia seu coração se aquecer e esse foi o empurram para que desse a volta pela mesa e abraçasse o pescoço de Brittany lhe dando um longo beijo nos lábios.
Da mesma forma que começou o Beijo, Santana o terminou sem deixar de aplicar um selinho ante de se afastar totalmente seus lábios dos de Brittany que mantinha os olhos fechados.
– Eu ainda não me acostumei com o seu efeito sobre mim – Murmurou à loira abrindo os olhos e encontrando Santana levemente corada.
– Acho que é a nossa vez – Santana ainda se sentia tímida em relação à Brittany mesmo tomando a iniciativa de alguns beijos trocados entre elas.
Aproveitando que no painel que ficava no alto da cabine onde pegavam seus sapatos anunciava o numero da senha que lhes pertenciam, puxou Brittany para entrarem. Estava ansiosa para jogar, mas isso Brittany já tinha percebi, pois Santana não parava de sorrir e olhar para as pistas mesmo estando na sessão de jogos.
Depois de pegarem seus sapatos seguiram para a pista que lhes foi indicado pela moça que atendia no balcão. Brittany se sentou em frente ao painel para configurar tudo antes que começassem a jogar. Colocou seu nome e o de Santana não exatamente nesta ordem. Ela gostaria que a latina jogasse primeiro e fazia questão de ajuda — lá.
– Primeiro você escolhe uma bola – Brittany apontou para o local aonde as bolas iam e vinham o tempo todo – Geralmente as mais claras são mais leves e não cansam muito os braços, mas as melhores em minha opinião são as mais pesadas que conseqüentemente são as mais escuras. Elas aparentemente não desfiam com facilidade da rota.
– Mas elas não parecem ter diferença de peso – Santana testou todas as bolas que estavam disponíveis – São todas pesadas.
– Com o tempo você acostuma e percebe a diferença – Brittany explicou e se aproximou de Santana – Escolheu?
– Sim – Santana levantou uma bola de cor vermelha – É bonitinha – Brittany gargalhou e balançou a cabeça.
Santana se posicionou em frente à pista, mas antes que jogasse sentiu o corpo de Brittany atrás do seu. A loira lhe dava instruções bem próximo a seu ouvido de como o corpo deveria ficar e os movimentos mais fáceis para a bola fosse à direção certa. Ela olhou para os dez pinos a sua frente e tentou se concentrar o Maximo possível porque ter Brittany tão próxima ainda lhe causava arrepios.
Fez os movimentos sendo imitada automaticamente por Brittany que não tinha afastado e soltou a bola. Ela torcia para que a bola fosse reta e para a sua felicidade ela foi. Ela comemorou por ter derrubado oito pinos e abraço Brittany ainda empolgada.
– Eu consegui. Eu consegui – Santana pulava com as mãos pra cima e alem de arrancar risadas de Brittany fez vários jogadores das outras pistas rirem de sua animação.
– Viu não é difícil – Brittany estava sorrindo em direção a Santana que tinha parado de pular e agora estava ofegante e rindo.
– É uma delicia – Santana se aproximou de Brittany e lhe deu um selinho – Obrigado.
– Não por isso – Sorriu e observou Santana se afastar e pegar a bola para derrubar os dois pinos restantes.
Santana não derrubou os pinos, mas isso não diminuiu sua alegria. Ela estava feliz e essa felicidade se estendeu por toda a noite. Elas jogaram por mais uma hora e a latina até conseguiu fazer um strike e vários spare e em todas às vezes comemorava, sorria e dançava o que arrancava gargalhadas de Brittany que a cada momento se encantava mais pelas orbes castanhas e o brilho que nelas se encontravam.
– Agora para finalizar eu tenho que dar o meu show – Brittany disse com o ar superior que sempre carregava consigo.
– Pelo que eu vi você não é muito boa nesse jogo – Santana comentou rindo e olhando para o placar que indicava que Brittany estava quarenta pontos atrás.
– É a primeira vez que joga. Não posso fazer isso com você – Brittany respondeu em um tom de que aquilo era obvio.
– Eu acho que isso é desculpa – Santana tinha um sorriso debochado nos lábios.
– Você esta duvidando de mim? – Brittany perguntou com um olhar desafiador ao mesmo tempo brincalhão.
– Eu estou duvidando de você – Santana apontou para si mesma e logo em seguida para Brittany sem desmanchar o sorriso.
– Veremos Lopez – Brittany respondeu e pegou uma bola roxa.
A ultima rodada era formado por três jogadas então eram três chances de mostrar duas habilidades no jogo. Ela se posicionou em frente à pista e olhou para Santana e lhe deu uma piscada. Ao mesmo tempo jogou a bola sem olhar para onde iria e por incrível que pareça ela fez um Strike diminuindo o sorriso de deboche de Santana.
– Um – Levantou o dedo indicador e foi pegar a próxima bola dessa vez um verde musgo.
Posicionou-se novamente e dessa vez olhou para a pista. Ela arremessou a bola e impressão que dava era de que a bola iria para a caneleta, mas no ultimo segundo a bola fez uma curva e outro strike era marcado.
– Dois – Se virou sorrindo para Santana que tinha a boca levemente aberta.
Pegou a próxima e ultima bola de cor azul marinho. Ela parou em frente à pista, mas deu meia volta e se distanciou bem. Santana tinha um olhar confuso e estranhou o sorriso de Brittany.
– Esse é pra você – Apontou para Santana.
Ela correu em direção à pista e antes que chegasse a linha que dividia a pista de onde eles podiam ir ela caiu sobre os joelhos deslizando. Assim que chegou a linha soltou a bola que em uma alta velocidade acertou os pinos derrubando todos de uma vez.
Levantou e olhou para Santana que tinha a cara emburrada e os braços cruzados.
– E Brittany ganha à partida – Brittany gargalhou porque se era possível Santana tinha aumentado a carranca — Nunca duvide de mim Lopez.
– Isso não vale – Apontou pra Brittany – Você é como uma profissional nisso.
– Para com isso – Brittany deu um abraço de urso na latina aplicou vários selinhos até que Santana exibiu um sorriso – Vamos comer algo.
– Você é boa nesse jogo – Santana comentou depois que já tinham saído e seguiam para a praça de alimentação.
– Eu sei – Sorriu e recebeu um tapa em troca – Obrigado e você não é nada mal também.
– Eu sei – Santana fez uma cara convencida e Brittany gargalhou mais uma vez naquela noite. Ela realmente estava amando passar esse tempo com Santana.
Optaram por um fast food qualquer que tinha por ali mesmo e enquanto comiam conversavam sobre coisas aleatórias e banais. Depois de terminarem passaram em um quiosque onde vendiam sorvetes e andaram mais um pouco pelo shopping. Já era passado das onze quando decidiram ir embora.
A volta foi feita em um silencio agradável a ambas e o único barulho que eram ouvidos eram os dos carros que passavam aos lados do carro. Chegaram à casa de Rachel e Brittany saiu do carro para acompanhar Santana até a porta.
– Eu amei essa noite – Santana disse assim que pararam em frente à porta de entrada da casa.
– Eu fico feliz porque eu também amei – Brittany passou a mão na nuca e sorriu gesto esse que Santana adorava e sabia que significava que a loira não sabia o que fazer ou estava com vergonha – San a minha mãe voltou de viagem.
– Que maravilha – Santana sorriu e percebeu que Brittany ainda não tinha terminado.
– Então ela pediu para que eu te chamasse pra jantar La em casa amanha – Brittany não olhava diretamente pra Santana. Ela revezava o olhar entre seus sapatos, a porta e uma arvorem que ficava no quintal – Claro que é só se você quiser.
– Eu vou adorar Britt – Santana respondeu sorrindo, mas logo o sorriso sumiu ao se lembrar que Brittany não gostava de apelidos.
Em uma de suas conversas Brittany tinha comentado o quão bobo achava os apelidinhos que as pessoas colocavam e por mais que Susan e Rach insistissem em lhe apelidar isso não significava que a loira gostava.
Ela já até tentou consertar só que antes que pudesse o fazer sentiu os lábios de Brittany colados nos seus. Um beijo calmo foi ditado pela mais alta e que Santana não poderia recusar. Podia sentir carinho e algo a mais que não pode distinguir direito. A quem dissesse que através de beijos não podemos saber o que as pessoas sentem, mas isso não era certo. Todos sentimos algo quando beijos alguém que amamos ou gostamos ou conhecemos a menos de cinco minutos. Claro que os sentimentos passados por uns beijos são diferentes em cada uma dessas ocasiões. Um beijo pode te levar desde o sentimento mais calmo até o desejo mais puro.
Era isso que Santana sentia no beijo calmo e ritmado. Ela nunca tinha sido beijada daquela forma e muito menos se entregado a um beijo como se entregou naquele momento. Se Brittany não a tivesse segurando firme pela cintura com certeza nesse momento estaria de joelhos e isso era uma sensação que há uma semana nunca pensou em sentir.
Claro que isso não estava acontecendo somente com Santana. Brittany sentia o ar faltar em seus pulmões, mas não queria finalizar aquele beijo que no momento tinham vários significados. Ao ouvir uma abreviação de seu nome soar pelos lábios carnudos foi como se ouvisse harpas tocando. Ela que sempre julgou bobo agora mais do que nunca gostaria de ouvir Santana repeti-lo mais uma vez e outra e mais outra e de novo. Nunca imaginou que gostaria tanto de ouvir algo assim.
– Fique a vontade pra me chamar assim sempre que quiser – Brittany mantinha os olhos fechados, as testas coladas e fazia carinho nos nariz de Santana com o seu arrancando uma leve risada da morena.
– Claro Britt.
Santana beijou Brittany por mais alguns minutos e se despediram. A loira só saiu da porta quando Santana já tinha entrado e a fechado. Ela estava flutuando e saiu pulando com as mãos para o alto até chegar ao carro. Ela entrou no automóvel sorrindo e logo deu partida. Enquanto isso Santana tinha um sorriso débil nos lábios enquanto seguia para a cozinha. Ela encheu um copo com água e seguiu para a Sala e se assustou ao encontrar Rachel sentada na poltrona com um sorriso nos lábios.
– Você me assustou – Comentou sentando-se no sofá.
– Deixa disso – Rachel mantinha o sorriso e parecia ansiosa – Agora me conta como foi seu encontro.
E assim terminou a noite das duas. Santana contando detalhe por detalhe do que aconteceu para uma Rachel empolgada enquanto Brittany chegava em casa sorrido e relembrando tudo o que tinha acontecido.
A única coisa que a loira podia pensar naquele momento era que um sentimento estava nascendo ali e que não iria negá-lo caso ele se desenvolvesse.
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