A Aposta
23 Capítulo 23
Notas iniciais
O negócio é o seguinte: surgiu uma luz no fim do túnel.
Não, eu não tive nenhuma experiência de quase-morte nem nada, mas eu juro que eu quase chorei de emoção quando vi essa luz. Vocês vão entender quando ler!
^^
enjoy it!
─ Sei. ─ Ela murmurou, sorrindo estranhamente.
─ Vamos logo ao ponto, Chelsea. ─ Eu sabia que aquele tom de voz me fazia ficar parecida com um serial killer enquanto planejava a próxima morte, então pude entender porque as duas meninas estremeceram. ─ O que você quer?
─ Você ainda não o tornou aceitável, Sarah. Mude as roupas, corte aquele cabelo horrível...
─ Não é horrível. E não vou mudá-lo. ─ Sibilei. ─ Era só isso?
─ Volte para suas amigas. ─ Ela apontou para si e para as meninas. ─ Depois nós arrumamos os convites das festas, e não será difícil colocar o Way no círculo popular. Sabe, você só tem 4 meses. Como se sente?
─ Deveria te interessar? ─ Minha voz saiu dura.
─ Você é tão estranha... Está agindo como se não fosse nada. Bem, definitivamente não é, mas eu estou dizendo que essa não é a Sarah. Ela se preocupava com os outros.
─ Ela ainda se preocupa. ─ Mel apareceu atrás de Chelsea, a expressão tão séria e ameaçadora que não parecia a minha amiga Mel. ─ Mas, sabe, algumas idiotas resolveram fazer uma aposta e ela está tendo que cumprir as exigências.
─ Mel?
─ Olá, Chelsea. ─ Ela não a olhou nos olhos. ─ Como se sente sendo a garota mais baixa e vadia dessa cidade? Será que você não se importa mesmo em ferir os outros? Sarah era sua amiga, Chelsea. Ela e Gerard são inocentes. Eles não têm nada a ver com suas ambições. Ou com seu passado...
─ O que você está fazendo aqui, pirralha? ─ Chelsea olhou-a furiosa. ─ Você sabe de coisas demais..
─ Ela sabe o que eu contei à ela. ─ Interrompi.
─ Está confiando nessa menininha? Oras, Sarah!
─ Mel é muito mais madura do que você ou qualquer garota idiota desse colégio. Além disso, não acho que você seria uma boa opção. Sendo tão idiota e... vadia. ─ Minha voz tinha uma acidez que nem eu reconheci.
─ Sarah Bryar usando palavras baixas? Nossa, as coisas definitivamente mudaram. ─ Ela deu um sorriso de escárnio.
─ Sabe, Chelsea... Você não gostaria de mostrar a vida de uma pessoa? Sabe, todos os ângulos. Alegrias, tristezas, seus podres, seus segredos... ─ Mel murmurava enquanto encostava seu queixo no ombro de Chelsea, que não entendeu mas ainda assim sorriu.
─ Seria um bom joguinho.
─ Ótimo. ─ Mel disse monotonamente.
─ Você tem alguém em mente? Quer se lembrar dos velhos tempos, é? Conte-me, querida, quem é?
─ Você. ─ Ela disse despreocupadamente, mas sorriu ao ver um tremor violento passar pela espinha da oriental.
─ Você não...
─ Não sei de nada? Há! Sei muito mais do que você imagina, meu amorzinho. Então, sejamos razoáveis e vamos tratar esse assunto em outro lugar, numa outra oportunidade, sim?
Mel de repente levantou-se, caminhou até mim e pegou meu pulso. Depois – trincando os dentes e com o queixo tão duro que eu pensei não ser dela – ela apontou seu indicador fino para Chelsea, usando seu tom mais sombrio e ameaçador possível.
─ Trate de se comportar, Chelsea, ou não serei tão gentil da próxima vez. ─ Ela virou-se para mim, mas seus olhos não estavam assustadores. Pelo contrário, estavam alegres e carinhosos como sempre foram. ─ Agora vamos, Sarah, você precisa ver o desenho que o Mikey fez no meu caderno!
Okay, essa foi estranha. Mel nunca me deixou com tanto medo. Na verdade, ela nunca me deu motivo para ter medo dela, mas naquele dia foi diferente. Aquela garota que estava conversando com Chelsea definitivamente não era a Mel que eu conhecia. Não era a minha Mel. Era apenas uma garota séria e sombria que sabia coisas demais sobre Chelsea, não tinha medo dela e a lembrava sempre disso.
Eu apostaria minha mesada que tinha coisa ali. Principalmente porque nunca vi Chelsea tão quieta – ou educada, como preferir – na frente de alguém que estivesse questionando sua “autoridade”. Com essa eu fiquei tonta. Muito tonta. Como se tivessem me enfiado num carrossel e colocado na velocidade máxima por um bom tempo.
Mel não tocou naquela conversa – disse que nós iríamos tomar um milkshake na Starbucks à tarde – e a manhã passou voando enquanto eu tentava compreender a conversa do refeitório. Cheguei à conclusão óbvia de que Mel sabia de alguma coisa sobre Chelsea. Ou simplesmente tinha problemas mentais e gostava de ameaçar pattys mandonas.
─ Então, er, o que foi aquilo? ─ Minha voz saiu baixa e fina.
─ Sabe... Todos nós já fizemos coisas ruins, não acha? Quero dizer, com exceção dos santos e tal, todos nós, adolescentes, já aprontamos alguma, não é? ─ A voz dela era suave e calma, mas eu não deixei de abaixar a cabeça e fixar meu olhar nas mãos no meu colo.
─ Sim, e você sabe que minha resposta não seria outra, Mel. Eu sei, mais do que ninguém, que todos aprontam ou já aprontaram. ─ Murmurei e depois levantei meus olhos até encontrar os dela. ─ Mas você não respondeu minha pergunta.
─ Quer que eu seja objetiva, não é?
─ Sim.
─ Ótimo. Eu odeio ficar cheia de dedos pra contar alguma coisa. Herdei isso do meu pai. ─ Ela sorriu brevemente. ─ Eu não arranjei aquele emprego na biblioteca só para aumentar minha mesada. Sarah, eu posso parecer, mas eu não sou santa. Nunca fui.
Aquilo me chocou um pouco – era impossível não olhar os olhos doces e alegres de Mel e julgá-la a pessoa mais pura do mundo.
─ Eu conhecia Chelsea de muito antes. Sabe, vocês eram amigas desde os 7 anos. Eu também era amiga dela. Como uma “capanga”. Ou simplesmente uma cadelinha de estimação, sabe, daqueles que o dono pede alguma coisa e o animal faz? Eu era exatamente assim. Ela aprontava com todo mundo, e eu simplesmente ajudava. Eu fazia o “trabalho sujo” dela. Era difícil alguém achar que eu fiz alguma coisa com essa minha carinha de anjo e minha delicadeza infinita.
Ela riu.
─ Com o tempo eu passei a perceber que não queria aquilo. Sabe, eu queria que todos realmente me achassem um doce, e queria, acima de tudo, merecer aquilo. Eu não queria me esconder atrás dessa máscara de doçura, não queria ficar enganando a todos, posando de santinha enquanto acabava com algumas pessoas por Chelsea. Isso era meio doentio! Era... absurdo. ─ Ela desviou os olhos para o alto. ─ Eu amadureci muito depois da perda do meu pai, sabe. Minha mãe entrou em depressão e meu irmão mal parecia existir. Eu tive que amadurecer para cuidar deles. Eu fui obrigada a amadurecer precocemente, mas acho que foi uma boa coisa. Pude perceber o quanto eu era idiota e medíocre.
─ Mel, você não... ─ Tentei discordar, porém ela pousou seus olhos em mim e me impediu de continuar.
─ Eu era, sim, Sarah. Agradeço aos céus por você não ter me conhecido naquela época. ─ Ela sorriu fracamente. ─ Voltando, e sendo realmente objetiva dessa vez, eu convivi tempo o suficiente com Chelsea para aprender a ser perigosa. E eu definitivamente sei coisas dela que quase ninguém mais sabe. Nem você.
Ela parou para tomar um gole de seu milkshake de morango, e eu bebi o meu de baunilha.
─ Outra coisa, sobre o emprego na biblioteca. Eu sabia que Chelsea estava armando alguma coisa, porque ela comentou inocentemente alguma coisa comigo e com uma outra garota, também cadelinha de estimação. Eu queria ter te conhecido antes. Queria poder ter te protegido dela. Era isso que eu estava fazendo lá. ─ Ela abaixou a cabeça, constrangida. ─ No começo eu só queria que ela não fizesse isso com você. Eu sabia que ela sabia que você tinha um vício horrível de aceitar qualquer aposta, principalmente quando envolviam desafios. Sabe, Chelsea me contava muito de você. E eu me sentia enojada com o modo que ela dizia.
─ Como?
─ Ela te tratava como... um objeto. Pior: como algo descartável. Só mais uma “amiguinha” que, quando perdesse a graça ou a popularidade, serviria de diversão. E, veja, você está numa situação dessas. ─ Ela sorriu brevemente, visivelmente pouco à vontade.
─ Você disse que sabia de um segredo dela...
─ Sim, e sei. Mas não sei se iria contra os meus princípios te contar. Eu não me conheço bem o suficiente. ─ Ela suspirou. ─ De qualquer modo, Chelsea também sabe algo podre sobre mim. E, bem, eu já te contei o que é.
─ Os “serviços”? ─ Perguntei em voz baixa e ela assentiu.
─ Não acho que me atingiria agora se ela contasse. Quero dizer, graças a Deus eu não aprontei nada contra nenhum dos meninos, principalmente com Mikey, então estou bem.
─ Não precisa me contar o segredo de Chelsea, Mel. Não quero que corra o risco de ser exposta. Você lutou tanto para merecer ser vista como uma menina doce... ─ Balancei a cabeça, decidida. ─ Você não vai me contar. Não quero ouvir.
─ Não seja idiota, Sarah. ─ Mel disse entre dentes. ─ É o único modo de você se livrar dessa aposta tola e de poder viver feliz. Eu não preciso ser considerada “santinha” pelo povo do colégio, desde que meus amigos me façam sentir que eu mereço ser vista como uma boa pessoa. Além disso, é por uma boa causa.
─ Mel... ─ Eu não conseguia achar as palavras certas. Nem a minha voz. ─ Obrigada...
─ Tudo bem, Sarah. Agora veja bem... Chelsea tem alguns segredinhos bem interessantes e...
─ Achamos vocês! ─ Frank surgiu literalmente do nada puxando uma cadeira e se sentou na nossa mesa. ─ E aí, amigas? Qual o novo babado?
─ Nem sei besha, mas o cabelo daquela loira ali não é natural. ─ Mikey apareceu ao lado dele e fez uma voz estranha.
Rimos.
─ Como nos acharam? ─ Perguntei.
─ Gerard te ama demais e sente onde você está. ─ Frank disse seriamente, e por um segundo eu acreditei. Era quase impossível vê-lo sério daquele jeito. ─ Brincadeirinha! Tudo bem, o Gee é bem estranho e sempre vem com aquele papinho romântico e tal, mas nem eu cairia nessa! Sou tão bom ator assim? Caara, vou trabalhar na Globo!
Gargalhamos. Depois de um tempo os outros chegaram, dizendo que Frank e Mikey avistaram meu carro e saíram correndo para a cafeteria como dois foguetes. Terminamos a tarde juntando quatro mesas da cafeteria, bebendo muito milkshake, contando piadas idiotas e gargalhando alto. Tenho certeza de que espantamos metade dos clientes, mas pelo menos inundamos o ambiente de felicidade.
Fui deixar Mel em casa ao entardecer e ela parecia muito mais serena do que estava antes.
─ Você ficou assustada comigo, não foi? ─ Ela riu.
─ Muito. ─ Sorri fracamente.
─ Desculpa, é que eu nunca mostrei esse meu lado pra ninguém. Essa minha mudança de personalidade não é uma doença, juro. ─ Ela fez carinha de anjo e eu ri.
─ Nunca mais confio no seu rosto. Com toda essa doçura e sendo tão diabinha!
Rimos mais alto ainda.
─ Não se deve julgar um livro pela capa.
─ Pois é. Nunca mais confio em você.
Mel riu e mostrou a língua.
─ Não se preocupe, Sarah. Eu vou te ajudar a sair dessa. Chelsea nunca mais vai te incomodar.
Suspirei. Como era agradável ter Mel ao meu lado.
─ Sarah?
─ Oi?
─ Você não ficou chateada comigo quando eu disse do emprego na biblioteca, ficou?
─ Não.
─ Você é meio estranha. Para coisas mais banais você simplesmente fica chateada e triste, mas para coisas assim, mais sérias, você simplesmente perdoa. Por quê?
─ Mel, você queria me proteger dela. Mesmo que tivesse dado certo, ficaria só nisso, não entende? Você tentou me proteger se aproximando, e sabia o que estava fazendo. Mas não éramos amigas. Agora somos, e eu sei que nossa amizade não é por interesse ou por alguma tentativa sua de me proteger. Até porque seria meio inútil agora. ─ Dei um meio sorriso. ─ Entendeu?
─ Não consegui seguir seu raciocínio.
─ Céus... ─ Suspirei. ─ Okay, sejamos mais diretas então. Você pegou o emprego na biblioteca tentando me proteger da Chelsea. Só isso. A amizade que surgiu não foi uma coisa planejada ou esperada, Mel. Você não estava sendo interesseira ao se aproximar e a conversar comigo. Talvez só um pouco, mas mesmo assim eu senti – e ainda sinto – que nossa amizade é verdadeira e que somos como irmãs.
─ Entendi. Não está chateada comigo porque separou as duas coisas. Uma é a nossa amizade, a outra é o fato de eu pegar o emprego na biblioteca tentando me aproximar para te proteger.
─ Isso. Porque você não conseguiu me proteger dela, então não havia mais interesse algum na nossa amizade, havia?
─ Bem, você colocou de um jeito que parecia que eu te abandonaria já que ela pegou você. Eu não faria isso.
─ Você queria se sentir merecedora de ser chamada de anjo, não é? Por isso foi se aproximando, porque sabia que era a única que poderia me ajudar. ─ Murmurei.
─ Pelo visto parece que eu me aproximei de você por interesse... ─ Mel murmurou, e eu ouvi a pontada de mágoa em sua voz.
─ Não ligo para seus motivos, Mel. Sua amizade é verdadeira e agora é fundamental pra mim.
─ Você também é fundamental pra mim. ─ Ela sorriu. ─ Estou perdoada?
─ E por que eu não te perdoaria, meu anjo?
Sorrimos abertamente.
─ Mais uma coisinha, Sarah... ─ Ela parecia triste novamente.
─ Diga.
─ Minha mãe quer se mudar.
Eu pisei no freio automaticamente.
─ O quê? ─ Arfei. ─ Não, ela não pode fazer isso!
─ O pior é que pode, sim, Sarah... ─ Mel abaixou a cabeça.
─ Não! Vou conversar com ela, você pode morar na minha casa! Não tem cabimento! ─ Parei por um segundo. ─ Isso!
─ Isso o quê, Sarah?
─ Você vai pra minha casa! O salário da biblioteca não é muito alto, mas sua mãe pode mandar o dinheiro para pagar parte das contas, não é?
─ Acho que sim. ─ Mel pareceu pensar por um longo minuto. ─ Bem... Parte do dinheiro da venda da casa é meu, como estava no testamento do meu pai. Mas não vai ter problema, Sarah? Não acho que tenham quartos suficientes e...
─ Você se esqueceu que eu me mudei para o sótão. ─ Disse, exultante. ─ Temos um quarto vago.
─ Awn, Sarah, você é demais! ─ Ela me abraçou num pulo e começou a rir comigo.
Notas finais
R: Ainda?
A: É, ainda. ¬¬
B: Awn cara...
R: Okay, a gente espera...
B: É, a gente espera..
A: Y_Y eu quero o Rob cara! Aquele poster é muito perfeito!
B: õ_o É por isso que ela tá toda emo hoje?
R: Você não sabia?
B: Pensei que fosse por causa do bloqueio criativo e..
R: Shhhh!!!
A: O bloqueio..tenho que terminar essa fic... buáááá!!
R: ò_ó Bob seu... IDIOTA!
B: NÃO TE APRESENTO MAIS O FRANK!
R: T_T ANNAAAAA!!!
B: T_T ANNAAAAA!!!
A: Parem de gritar meu nome! Eu âinda tenho que pensar numa ameaça pra não dançar!
R: *para de chorar* quebra a perna, ué.
A: hm...
B: Suas... loucas!
A e R: Ò_Ó
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