A Ansiedade Por Seus Desejos Me Devora
69 Você está doente, não é?
Notas iniciais

You Make It Real — James Morrison
“Nunca desacreditei da fé que me acompanha nos desencontros da vida....”
― Marco Antonio Alvarenga
John acordou cedo naquela manhã. Mesmo estando de férias ainda tinha os mesmos hábitos de sempre. Melissa estava dormindo ainda, também quem acordaria as cinco da manhã na véspera de natal? Saiu da cama e foi fazer sua higiene, ainda de pijama foi até a cozinha e encontrou Stiles bebendo uma vitamina.
– Já? Pensei que só eu acordasse essa hora. — Stiles sorriu para o pai. — Eu nem sabia que tinha dormido aqui. — o garoto serviu café para o pai e sentiu ao seu lado.
– Derek achou melhor que eu viesse hoje e conversasse sobre uma coisa com o senhor. — John encarou o menino.
Stiles andava estranho ultimamente. A pele mais clara, o rosto abatido, olheiras visíveis. O menino estava mais forte, sem dúvidas bem mais forte que o magricela que era há alguns meses atrás, mas seu tipo físico não combinava com a expressão cansada e a notável força que o menino fazia para parecer bem.
– Você está doente não é? — John apenas afirmou, ele não precisava que Stiles dissesse a verdade, ele tinha certeza que tinha algo errado com o filho.
– Só aquela coisa do TDAH, nada além disso. — o menino respondeu firme e isso para John foi um sinal claro de que Stiles escondia algo mais. — Não é sobre isso que eu quero falar. — o menino trocou de assunto.
– Stiles não é porque estou deixando você viver sua vida com Derek e morar sozinho naquela casa que não me sinto responsável pela sua saúde. Se você estiver me escondendo alguma coisa, eu juro Stiles, juro pela sua mãe que eu vou ficar extremamente decepcionado com você. — o menino engoliu em seco e soltou o ar com calma.
– Eu não tenho nada além do que eu disse. Meu TDAH está se agravando, com isso vem a síndrome do pânico e os ataques ficam mais frequentes. Estou paranoico e quase não consigo dormir, pelo menos, não sozinho. Derek está cuidando de mim e eu sei pai, eu não tenho o direito de mentir e eu não estou. — John encarou o filho por mais alguns segundos e pareceu relaxar.
– O que você queria conversar comigo então? — o menino abriu um sorriso que iluminou o xerife.
– Quero pedir permissão para ir para o México com Derek. São só alguns dias. Coisa de uma semana, para aproveitar as férias. — Stiles estava tão animado que o xerife não sabia como recusar.
– Eu deveria dizer não, mas faz quase um ano que você não se mete em encrencas, então eu vou permitir. — Stiles deu um salto sobre o pai e começou a beijá-lo e abraçá-lo como fazia quando ganhava um presente na infância.
– Você é o melhor pai! O melhor! — o menino foi afastado pelo xerife.
– Me deixe respirar Stiles! — John se afastou. — Quando vocês vão? — o xerife perguntou se levantando.
– Depois de amanhã. Voltamos dia dois. — eles dois ainda conversaram sobre os detalhes da viagem por mais algum tempo, até Stiles ouvir a irmã chorar e ir ver o que era.
Cláudia andava bem calminha nos últimos dias, mas naquela manhã de natal a menina estava muito agitada. Melissa já tinha tentado de tudo e a menina não aceitava mamar de jeito nenhum. Parecia agoniada com alguma coisa, mas ninguém adivinhava o por quê. Ainda eram sete da manhã e já passavam dos quarenta minutos de choro consecutivos da criança.
– Eu acho que vou levá-la ao pronto socorro, ela não para de chorar e não quer comer de jeito nenhum. — Melissa não era marinheira de primeira viagem, então todos se preocuparam quando ela começou a se desesperar.
– Minha viatura está no conserto, o gelo deixou ela em mal estado. — John já tinha vestido uma roupa decente.
– Vamos no Jeep, Derek deixou ele aqui para mim ontem a noite. — Stiles segurava a irmã no colo que já estava vermelha de tanto chorar.
– Eu vou pegar minha bolsa. — todos desceram enquanto ela ia até o quarto.
– Por que você gosta de nos assustar quando tem festa? O que você tem contra festas Cacau? — Stiles tentava distrair a menina que não parava de chorar.
– Vamos? — Melissa desceu com Scott.
– Tem certeza que ela não está com dor? — Stiles perguntou novamente vendo o alpha tocar a irmã.
– Absoluta, ela não está com dor. Se estivesse eu seria capaz de sugar. — Scott estava se sentindo mal por não ter meios de ajudar.
– Vai com eles, dirige. — Stiles passou a chave para o melhor amigo.
– E você? — John e Melissa já estavam com a menina no carro.
– Vou ligar para o Derek, de algum jeito estranho nossa irmã sempre fica calma com ele. — Scott entendeu e arrancou com o carro do amigo.
Stiles não estava mentindo quando deu aquela desculpa para Scott, ele apenas omitiu o fato de estar com uma dor de cabeça que lhe embaçava a vista e o deixava vulnerável demais para dirigir. O garoto cambaleou para dentro de casa e conseguiu chegar até o telefone. Estava preocupado com a irmã e sentiu uma tontura o atingir. Estava tendo vertigens desde que chegara em casa na noite anterior. A cabeça quase explodia de tanto martelar e a vista as vezes ficava turva demais para ele distinguir uma simples silhueta.
– Alô. — Derek atendeu o telefone da mansão por sorte, estava saindo para correr quando tocou.
– Derek, a Cacau foi para o hospital. Ela estava chorando desesperada e Scott disse que não está sentindo dor, mas ninguém consegue entender o que ela precisa. Eu estou preocupado, mas minha cabeça parece que vai explodir e eu não acho que tenho condições de dirigir, por isso, deixei Scott levá-la com meu pai e a Mel, mas eu acho que se você fosse para lá ela ficaria mais calma, você sempre consegue acalmar ela. De alguma forma vocês tem essa ligação. — Derek parou de prestar atenção quando Stiles disse que estava com dores fortes de cabeça.
– Eu to indo para ai. — ele desligou o telefone sem ao menos deixar o menino reforçar que precisavam dele no hospital, não ali.
No hospital a menina aparentemente estava tendo uma crise de asma. O medico fez o suficiente para cessar o ataque. Melissa estava mais calma e se perguntava por que sua família tinha que ter aquele histórico maldito de doenças respiratórias. John ficou extremamente aliviado em ver a filha dormir tranquila depois de ser medicada. Scott estava resolvendo as contas do hospital enquanto a irmã era liberada para ir embora.
Em casa Stiles não tinha mais consciência de nada. Tinha desmaiado poucos minutos depois de Derek desligar e não ouviu quando o telefone tocou ou quando Scott tentou contactá-lo para avisar da situação da irmã. Ele nem ao menos ouviu Derek bater na porta e depois invadir sua casa pela janela e encontrá-lo lá, caído no chão com o telefone nas mãos.
– Droga Stiles! — Derek sacudiu o garoto sem nenhuma resposta. — Stiles acorda! — ele encostou o ouvido no peito do menino e mesmo sem precisar fazer isso ouviu as batidas regulares do coração do menino. — Stiles! — Derek gritou.
Stiles não tinha consciência de nada externo, apenas sentia seu corpo todo formigar e uma sensação de calor gostosa passar por suas veias. Ele não estava sonhando ou tendo alucinações, apenas sentindo o corpo leve, leve como uma pluma. De repente, sentiu-se puxado por um berro ininteligível que o fez puxar o ar com força e retesar a coluna, abriu os olhos e deu de cara com Derek.
– Oh! Eu desmaiei? — Derek abraçou tão forte o menino que Stiles sentiu dor.
– Nunca mais faça uma merda dessas comigo! — o lobo estava agitado, seu coração batia rápido e a boca estava seca.
– Minha cabeça, está doendo. — o menino relaxado nos braços de Derek reclamou.
– Você já tomou seus remédios? — Derek perguntou colocando o menino no sofá.
– Tomei, eu só não consigo pensar com essa dor de cabeça. — Stiles levou as mãos a cabeça e apertou.
– Tudo bem Stiles, vai ficar tudo bem. — Derek o apertou contra seu peito e deixou a dor do garoto passar para ele.
A cada vez que Derek sugava a dor de Stiles ele sentia que era pior. Todo seu corpo queimava e ele sentia uma onda de dor tão forte que pensava que desmaiaria. Stiles estava quase dormindo em seus braços com a sensação de formigamento passando pelo seu corpo, a dor indo embora, a paz retornando ao seu peito. Ele quase conseguia se sentir leve. Stiles tomou consciência do que Derek fazia e se afastou.
– Pare! Você sabe que vai ficar mal. — o menino sentou no lado oposto do sofá e viu o lobo arfar.
– Você está piorando. — foi o que Derek conseguiu dizer.
– Eu sei, mas você não tem que ficar doente comigo. — o menino ouviu o telefone tocar e atendeu. — Scott? — o alpha do outro lado da linha soltou um suspiro de alívio.
– Está tudo bem Stiles? Eu estou tentando ligar há mais de meia hora. — o menino comprimiu os lábios.
– Estou bem, desculpe. O que a Cláudia tem? — o menino perguntou receoso.
– Asma. Ela está bem agora, mas precisa de mais duas horas de observação. Eu vou ficar por aqui com o John e a mamãe, mas você pode ir agitando as coisas na mansão? Eu fiquei de ajudar o Derek, mas minha mãe está desolada com o que aconteceu ainda. — Stiles entendia.
– Tudo bem, não se preocupe. Vejo vocês na mansão mais tarde. — eles se despediram e desligaram.
Quando Stiles voltou a encarar Derek, este dormia no sofá. Estava um pouco pálido e visivelmente abalado pela dor que sugou do mais novo. Stiles se aconchegou junto ao lobo e o acariciou por uma hora inteira, pensando se não deveria desistir e se deixar transformar logo. Sem esperar por algum risco. Ele não deveria prejudicar Derek, fazê-lo sofrer física e emocionalmente com ele. Ele deveria dar um fim nisso.
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