Yellow — Coldplay

E que a tua submissão seja minha obsessão.”

Marco Antonio Alvarenga

Faziam semanas que Stiles não aparecia em casa, quer dizer, na casa do melhor amigo já que lá agora seu pai estava morando. Ele não podia negar que sentia falta da irmã e que o Pack estava estressado com a tensão que envolvia toda aquela situação, mas tudo tinha acabado bem e apesar dele entender em partes os motivos do pai em surtar, ele não conseguia entender como John desconfiou dele de um jeito tão sujo. Ele até poderia dar outra chance para eles, mas o xerife teria que procurá-lo, não ele, não com seu orgulho tão ferido.

– O que é isso? — Derek perguntou chegando no loft e vendo o menino com dezenas de pastas espalhadas pela cama.

– Lista de faculdades, quero analisar cada uma com bastante cuidado. — Derek jogou a jaqueta sobre a poltrona e tirou a camisa se jogando ao lado do garoto que estava digitando coisas no notebook.

– Já tem suas preferidas? — Stiles fez que não. — Ainda faltam seis meses para o exame de qualificação certo? — o garoto assentiu. — Está com fome? — Stiles sentiu o estômago roncar e riu.

– Acho que sim. — Derek puxou o notebook do colo do menino e o beijou.

– Vamos comer no centro, o Pack vai se reunir na mansão hoje poderíamos... — Stiles beijou Derek novamente.

– Eu não quero ver o Pack hoje. — o menino voltou a beijar os lábios de Derek lentamente. — Eu quero pedir comida e passar o resto da noite aqui com você, escolhendo as melhores faculdade e sentindo seu calor. — os beijos continuaram lentos e delicados.

– Tudo bem. — Derek puxou o garoto mais para perto empurrando boa parte das pastas para o chão. — Mas amanhã vamos visitar a sua irmã. — Derek comentou enquanto Stiles acariciava sua nuca.

– Não, eu não vou naquela casa. — Stiles tornou o beijo mais intenso para tentar calar Derek.

– Ela sente sua falta Sti. — Derek se afastou a contragosto. — É sua irmã, não seu pai. É a Cacau. — Stiles bufou e puxou o notebook para o colo novamente.

– Pede para Mel trazer ela aqui. — Stiles rolou o mouse sem prestar atenção nas informações da tela.

– Você não pode fazer um esforço pela sua irmã? — Derek insistiu apoiado na coxa do garoto.

– Vai parar de me encher se eu for? — Stiles encarou Derek com impaciência.

– Não, mas posso te dar uma trégua. — Derek riu e viu o menino rolar os olhos.

– Eu quero comida chinesa. — foi a vez de Derek revirar os olhos.

– Eu odeio comida chinesa. — Derek reclamou ficando de pé.

– Eu não quero ir na casa do meu pai. — Stiles insistiu.

– O de sempre? — Derek já estava de pé.

– O de sempre. — o menino sorriu vitorioso e voltou a olhar seu computador.

No dia seguinte Stiles recebeu três chamadas da delegacia, mas não atendeu nenhuma por conta do celular no mudo. Foi para o treino de lacrosse e rendeu bem, ficou impressionado consigo mesmo, não tinha um bom desempenho assim desde que Derek ficou três meses longe. Quando entrou em seu Jeep, louco para ir para casa e tomar um banho e então ver sua irmã que ele não admitia mas estava morrendo de saudades, foi abordado por ninguém menos que seu pai.

– A gente pode conversar? — Stiles não esperava ver o xerife no estacionamento da sua escola, uniformizado e querendo conversar com ele.

– Vai me ofender de novo? — Stiles estava desconfiado e John podia entender isso.

– Não. — o xerife não aguentava mais ficar longe do filho, não depois da conversa que teve com Derek.

Derek levou Stiles para o hospital na manhã seguinte ao cio e enquanto o garoto era atendido viu John parado no balcão. John hesitou ao ver o filho retornar ao leito e teve uma imensa vontade de culpar Derek por tudo, mas no fundo ele sabia que era culpa dele que seu filho estava lá de novo, com os pontos provavelmente arrebentados por ter fugido do hospital e como Stiles tinha dito, Derek estaria com ele, mantendo-o a salvo, como ele se negou a acreditar.

John. — Derek chamou o xerife que o encarou sério. — Stiles vai ficar bem, ele só precisa de um tempo. — isso era uma boa notícia.

– Ele me odeia agora, não é como se você tivesse obrigação de me manter informado. — John apreciava a postura responsável de Derek, mesmo que isso significasse que ele estava errado, de novo.

– Ele é seu filho e você se importa com ele. Eu sei que é difícil acreditar que eu não quero usar o Stiles para me manter no controle, que o que temos é real, mas isso não faz dele menos seu filho certo? — Derek estava certo. — Então espere ele ter seu próprio tempo e converse com ele, Stiles é puro demais para virar as costas para a única família que tem. — o xerife queria dizer alguma coisa, contra argumentar aquilo, mas gostava de saber que Stiles o perdoaria, gostava da certeza que Derek tinha.

– Eu bati nele Derek, o ofendi de uma forma que não consigo nem repetir, fiz isso por ter medo dele se machucar, dele estar se deixando iludir, mas olha só, eu fui o causador de todas as suas dores, se eu não tivesse deixado aquele monstro na minha casa quando ele pediu, se eu tivesse confiado nele quando me disse que vocês se amam. — Derek puxou John para um abraço.

– Está tudo bem xerife, Stiles ama o senhor de qualquer jeito, você é humano e erra, eu mesmo errei muitas vezes e Stiles me perdoou, ele me mostrou que existe muita vida além de um erro, que nem tudo é nossa culpa. — John se afastou.

– E se ele nunca me perdoar? — Derek sorriu.

– Você só vai saber se tentar. — John sabia que aquilo era a mais pura verdade.

Agora John estava parado, em frente ao seu filho enquanto o mesmo esperava que alguma coisa fosse dita, mas com o silêncio os massacrando o que pode se ouvir foi uma lufada pesada de ar saindo dos pulmões de Stiles e ele sentando no capô de seu Jeep azul.

– Você deveria começar pedindo desculpas, dizendo o quanto está arrependido de me dizer aquelas coisas e me bater... — a voz de Stiles sumiu conforme a mão de John acariciava sua face.

– Eu tinha um discurso, mas agora eu só consigo pensar em te abraçar. — Stiles afastou o rosto do contato com a mão áspera.

– Está esperando o que para me abraçar então? — Stiles desceu do carro e ficou parado alguns centímetros do pai.

– Você algum dia vai poder me perdoar? Entender por que eu fiz tantas coisas horríveis? — Stiles não conseguia compreender, mas já tinha perdoado o pai no momento em que ele o procurou, porque também estava morrendo de saudades.

– Me abraça logo. — Stiles resmungou sentindo o xerife esmagá-lo em seus braços. — Ok, um pouco mais fraco senão vou precisar de um balão de oxigênio. — eles riram e John se afastou um pouco.

– Pensei que isso seria mais difícil. — John bagunçou os cabelos do filho.

– Seria se eu não fosse tão molenga. — eles voltaram a rir. — Estou indo visitar a Cacau, você vem? — Stiles perguntou observando o estacionamento, nenhum sinal da viatura.

– Claro. — o xerife subiu no carro do filho e seguiram conversando sobre coisas aleatórias e se acertando no caminho.