A Ansiedade Por Seus Desejos Me Devora
53 Eu preciso de mais tempo

Take a Bow — Rihanna
"O amor deveria perdoar todos os pecados, menos um pecado contra o amor. O amor verdadeiro deveria ter perdão para todas as vidas, menos para as vidas sem amor."
– Oscar Wilde
Derek não tinha certeza do que estava fazendo, mas não hesitou. Pegou sua mochila e entrou no camaro pegando a autoestrada, querendo chegar o mais rápido que pudesse em Beacon Hills. Ele nunca esqueceria as palavras cruéis de Stiles, mas ele não ia suportar ver o menino passar por qualquer coisa ruim sozinho. Sentia o peito inflar de dor só de imaginar o Stiles sozinho naquela casa tendo pesadelos.
– Três meses fora e é só o menino ligar que eu saio correndo atrás dele. — o lobo murmurou irritado. — Isso Derek, se apaixone por crianças mesmo! Seja mesmo o idiota de sempre. — ele bufou frustrado e pisou no acelerador.
Stiles tinha pedido perdão, de um jeito torto, embargado e triste mas tinha. Derek podia sentir que já estava tudo perdoado quando o menino ligou para ele naquela madrugada. Era só o que Derek queria, uma ligação, uma mensagem, qualquer sinal de que Stiles sentia a falta dele e ele teve muito mais que isso, teve uma confissão velada e chorosa e isso despertou nele o ímpeto de não desistir. Mesmo se ele quisesse desistir de Stiles não era uma opção.
Chegou em Beacon Hills três dias depois da madrugada em que saiu de Nova Iorque. Estava exausto, poderia dormir meses em pé, mas ainda sentia a adrenalina da voz chorosa de Stiles dizendo que sentia sua falta. Estava parado na porta do colégio do garoto, mas pela hora até o treino de lacrosse tinha acabado. Seguiu para a mansão, mas de longe pode sentir que ele nem passara por ali. Na casa de Scott não estava e ele adorou ouvir os batimentos da menina dentro da barriga de Melissa.
Acabou encontrando Stiles em casa. Era o primeiro lugar que pensou em procurar, mas não se convenceu que o menino estaria ali. Pensou em encontrá-lo com os amigos, a família e até na escola, mas não em casa, sozinho, aparentemente com dor e machucado. O cheiro do sangue de Stiles era tão forte que deixou Derek com medo. Ele estacionou o carro de qualquer jeito e entrou pela janela do quarto do menino. Ouviu um baque surdo de algo caindo no banheiro e o próprio Stiles xingando o objeto.
Derek observou o quarto do garoto. Uma limpeza que ele não via fazia tempos por ali, sua escrivaninha tomada por remédios com tarjas distintas e três tarjas pretas. Nenhum nome ele conhecia, mas pela dosagem de cada um pareciam fortes. Estremeceu ao pensar que Stiles estivesse muito doente e se sentiu culpado por sumir da vida do garoto. Observou os quadrinhos do menino bem arrumados e várias fotos espalhadas na cama. Viu que eram todas dele.
Derek em vários ângulos que seus olhos nunca apareciam. As vezes de perfil, as vezes de costas, algumas dormindo e ele não se lembrava de posar para nenhuma. Tinham folhas na cama também, eram desenhos. Rascunhos de alguns desenhos que lembravam ele e Stiles. Esboços dele totalmente transformado em lobo, semi transformado em lobisomem e em forma humana. Todos os desenhos ele estava com Stiles, um Stiles triste.
– Derek? — Stiles o chamou, estava com uma toalha enrolada na cintura, tinha os cabelos e dorso molhado e várias feridas feias pelo corpo.
– Oi. — a garganta de Derek secou e ele quis puxar Stiles, tocá-lo por inteiro e perguntar quem tinha feito aquilo com ele.
– Como... — a voz do menino se perdeu.
Derek percebeu que Stiles estava mais forte, o cabelo bem curto e a pele um pouco castigada pelo calor que ele andava se expondo. O dorso coberto por hematomas e arranhões, grandes arranhões feitos por garras. Garras de lobisomem. Hale não pode deixar de perceber a boca ressecada e os olhos fundos, com bolsas escuras embaixo algo que o incomodava profundamente.
Stiles percebeu que Derek tinha emagrecido, sua barba estava maior e mais fofa que o habitual, seus olhos cansados, a aparência em si de exaustão total e que ele parecia tenso e triste. Como se estar ali vendo o humano na sua frente doesse de um jeito avassalador. Stiles podia entender se fosse isso, doía ver Derek parado na sua frente o analisando e não poder simplesmente pular em seu colo e sentir o sabor de seus lábios.
– O que te fizeram? — Derek perguntou apontando para as marcas em seu corpo.
– Treinamento, Cora não tem nada de boazinha. — Stiles se utilizou do humor, mas não moveu um músculo.
– Você está mais forte, deve estar se esforçando. — o menino engoliu em seco e sentiu as bochechas esquentarem.
– O que você veio fazer aqui? — Stiles finalmente perguntou.
– Você não me deu oportunidade de te responder por telefone. Nós precisamos conversar. — Stiles suspirou vendo o lobo desconfortável.
– Eu vou me vestir. — o menino comentou se virando para o armário.
Derek teve vontade de dizer que não, que preferia pular a conversa e então beijá-lo. Beijá-lo até ter seu sabor gravado em si mesmo, mas não podia fazer isso. Ele ainda podia ouvir a mesma voz contida que Stiles usava naquele momento lhe cuspindo palavras ríspidas.
– Como foi em Nova Iorque? — Stiles estava nervoso, parecia que ele nunca tinha conversado com Derek antes, que eles não eram íntimos.
– Bom, lá anda bem frio. — Derek respondeu alheio ao assunto, estava tentando encontrar uma forma de tocar naquele assunto que doía.
Ambos se olharam, abriram a boca e soltaram o ar desistindo de falar. Aquele olhar sustentado a ferro e fogo, mostrava o quanto eles tinham muito a dizer, muito a discutir e o quanto se amavam, o quanto sentiram saudades e o quanto estavam confusos e vulneráveis.
– Você me magoou. — Derek soltou sentindo as palavras queimando sua garganta.
– Eu sinto muito por isso, muito mesmo. Eu estou tão arrependido por tudo o que falei, mas sei que isso não diminui o peso das palavras. — Stiles estava sendo sincero, não era como se Derek conseguisse duvidar de qualquer coisa agora.
– Você me magoou porque eu permiti. Me magoou porque eu acredito nas palavras que você proferiu. Acredito que eu estrague mesmo tudo o que eu toco, que eu sempre estrago tudo. Como estraguei com você, comigo, com nós. — Stiles baixou o olhar, ele não achava que Derek estragasse nada, ele se sentia o culpado por tudo aquilo. Ele e a maldita cabeça dele.
– Você não faz. — Derek encarou Stiles olhar para baixo e depois fixar o par de amêndoas em seu rosto. — Você nunca estraga nada. Eu estava com raiva e confuso, mas isso não justifica. Eu falei por me sentir ameaçado. Por não querer admitir que você estava certo. Que eu estava doente. — Stiles engoliu em seco, tinha que ter cuidado ao falar da sua saúde.
– Por isso tem tantos remédios na sua mesa? — Stiles assentiu.
– Houve uma mudança, uma mudança negativa no meu TDAH. Agora está controlado, mas eu tive crises nos últimos meses. É por isso que meu humor andou variando, meu corpo reagindo de forma agressiva a tudo. Com os novos remédios isso melhorou. — Derek entendeu, mas ele também sabia, no fundo de si mesmo que ele se sentia culpado por estragar tudo ao seu redor.
– Sabe Sti, quando você desligou o telefone eu já tinha te perdoado. De certa forma, eu te perdoei no momento em que você ligou. Só que isso não muda o que você disse, não muda o quanto machucou. — Stiles tremeu, tinha medo de Derek partir novamente. — Sabe, eu não sei se consigo ficar mais algum minuto longe do teu corpo, eu sinto que você voltou ao normal. Sinto que as coisas não estão nubladas dentro de você. Consigo ver que você não está bem, que isso que você tem é mais do que você quer contar. — os olhos de Derek brilhavam em um verde triste.
– Der... — Stiles o chamou, estava com o medo tão a flor da pele que chegava a doer. — Você disse a Malia que nós terminamos, por isso, você veio aqui? Para terminar de uma vez? Me perdoar e partir? — Derek tinha isso em mente, sabia que não estava pronto para ficar.
– Essa era a ideia, mas eu não consigo. Amar você é tão confuso, mas eu não consigo partir. Doeu tanto estar longe esses meses, ficar longe de você. Porque eu te amo Stiles, mesmo que você seja um filho da puta, desgraçado que afaste as pessoas. Mesmo que você me mande para o inferno e me machuque de formas que eu não sei se posso aguentar. Mesmo com toda essa sua mania de querer sofrer sozinho. Ainda assim Stiles, eu te amo. — Stiles estava chorando, doía ver a ferida aberta que tinha causado, corroía por dentro.
– Me perdoa Der, eu te amo. — o menino pediu deixando o corpo relaxar, sentindo a dor passar por suas veias.
Derek não hesitou em abraçar o menino com força, grudar seu corpo no dele e sentir as batidas lentas e pesadas do coração do menor. Stiles apertou mais o abraços dele e ambos estavam emotivos. O humano parou de chorar para sentir os lábios de Derek, macios, lisos, delicados e aquela barba além do habitual arranhar sua pele com calma, o fazendo querer ficar naquele beijo para sempre.
– Não me deixar ser um filho da puta desgraçado de novo. Não me deixa falar mais coisas estúpidas e te deixar ir embora. Por favor, Der. Não me deixe estragar tudo. — o homem ouviu atentamente e sentiu seu coração aquecer, ele estava finalmente onde se sentia em casa.
– Só, cale a boca Sti. — ele ordenou colando seu lábios no do garoto, sentindo a aspereza da pele ressecada, mordendo a carne, explorando o céu da boca com a língua, querendo sugar a essência do menino para si, querendo matar as saudades que sentiu nos três meses que ficaram separados.
Stiles agarrou os cabelos de Derek, se entrou afoito ao beijo e sentiu seu estômago embrulhar numa sensação esquisita de euforia e desejo. Derek empurrou o menino contra a porta, desceu os beijos pelo pescoço, deslizando os dentes, apertando a cintura e sentindo o gosto da pele recém lavada de Stiles. O prazer estava correndo de um para o outro. O tesão começava a dar sinal recheando as calças do beta que gemeu ao sentir a mão do menino sobre o volume.
Era como se ele estivesse há anos sem ser tocado. Doía sentir aquele prazer todo, aquele desespero todo. Stiles escorregou as costas na porta, ignorando os hematomas, as feridas, apenas se preocupando em se livrar do jeans do maior, em abocanhar a ereção dura e quente dele, em fazer todo aquele volume tocar sua garganta lhe dando ânsia, em saborear o líquido pegajoso que saía da fenda miúda. Ele só queria aproveitar o cheiro, o gosto, o calor de Derek ao máximo.
Derek não estava conseguindo raciocinar, só conseguia sentir a boca macia, os lábios ressecados e a língua ávida chupando, sugando, lambendo, raspando os dentes na carne dura e macia de seu pau. Ele gemia e se deixava levar. Se deixou levar até se desfazer dentro da garganta de Stiles, se deixou desfazer até seu membro ficar flácido na boca do menino que não o largou mesmo assim.
Logo Stiles estava se dedicando a qualquer pedaço de pele exposta do lobo, o empurrando em direção a cama, jogando os papéis e fotos no chão, deixando eles voarem e se espalharem pelo carpete do quarto. Derek não vestia mais nada e ele que só tinha vestido uma cueca box preta, já não tinha certeza se seu membro se abrigava dentro da peça. Começou uma trilha úmida, morna e deliciosa pelo abdômen do lobo e voltou a judiar das coxas torneadas do homem. Mordia, beliscava, apertava, lambia, chupava, tinha todo o prazer de sentir o gosto de Derek em seus lábios.
Derek estava gostando do carinho, pelo menos estava gemendo, até sentir Stiles brincar com o pedaço de pele inchado embaixo de suas bolas e um flash da discussão deles bem naquele quarto passar novamente pela sua cabeça, as palavras girando na mente e o prazer se esvaindo. Derek estava sentindo a ereção que tinha acabado de se refazer, murchar aos poucos e Stiles sem perceber continuava a se aproveitar da virilha do lobo.
“Você é doente Derek, não pode ver as coisas correndo bem que decide destruir tudo. Porque é isso que você faz, é isso que você sempre fez. Você destrói tudo o que toca.”
Stiles começou a perceber a inquietação do namorado e o encarou, vendo o membro flácido sobre os pelos púbicos e o rosto tenso do rapaz.
– Desculpe. — foi só o que Derek conseguiu dizer, se sentia constrangido e confuso.
– Não tem problema. — Stiles deitou ao lado do maior e se aconchegou no peito dele.
– Acho que eu preciso de mais tempo. — Derek tentou se explicar e Stiles o calou com um beijo.
– Eu não to pressionando Der, está tudo certo. Não se preocupe com isso. É sério. — o menino continuou a distribuir beijos no rosto do maior. — Eu só quero você aqui. — Derek relaxou, gostava desse cuidado.
– Posso ficar com você essa noite? — Stiles deu uma risada infantil.
– Quando você pediu permissão para me expulsar da minha cama de madrugada? — Derek mordeu o nariz de Stiles que reclamou.
– Engraçadinho, por causa disso você vai dormir bem em cima de mim. — ele puxou Stiles o deitando completamente em cima de seu corpo.
– Der! — o menino soltou uma falsa reclamação e eles passaram mais algumas horas conversando sobre o tempo afastados.
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