Notas iniciais
Último de hoje galera, amanhã tem mais *-*

Feeling Good — Nina Simone

Ainda sinto tuas coxas batendo nas minhas, tua mordida na minha boca, tua vontade de rasgar a roupa, quero despir-te de medos, roubar teus segredos, e alimentar este teu corpo com os meus desejos.”

Marco Antonio Alvarenga

Os quinze dias correram e Stiles não tinha conseguido contar nada para o pai e ele sabia que precisava fazer isso e decidir como ficaria essa distância entre e ele e Derek, por causa da faculdade. Eram muitas questões misturadas as trocentas vitaminas que Deaton passou para o lobo tomar diariamente, os enjoos matinais, que eram o que mais incomodava ambos naqueles dias e a dificuldade para dormir.

– O que está acontecendo afinal Stiles? Você me tirou do plantão, me chamou até aqui, está na cidade há duas semanas e nem me avisou. O que está acontecendo? — Stiles respirou fundo algumas vezes e Derek se manteve quieto no sofá, o garoto o fez prometer que deixaria ele contar.

– Aconteceu uma coisa e essa coisa é difícil de explicar porque tecnicamente ela seria impossível, mas em um mundo como o nosso, — Stiles mexia as mãos histericamente. — nada é impossível não é? — John não estava entendendo nada.

– Desembucha de uma vez Stiles. — o garoto não sabia como explicar. — Derek o que está acontecendo? Vocês descobriram alguma ameaça perto da cidade? Algum problema na faculdade? Se meteram com caçadores de novo? — não era nada disso e Derek bufou.

– Stiles conte de uma vez. — Derek pediu sentindo um desconforto no estômago, estava ansioso e isso o enjoava.

– Derek está grávido. — Stiles falou rápido, alto e claro o suficiente para o xerife cair sentado com falta de ar. — Pai! — Derek se aproximou do xerife e desabotoou seu uniforme enquanto Stiles o abanava.

– Grávido? Um homem, ou melhor, um lobisomem como Derek Hale grávido de um filho seu? Meu neto? — Stiles assentiu.

– Acredite xerife, ninguém acreditava que isso ia acontecer, foi um acidente. — Derek soassa clichê demais falando assim.

– Pelo menos eu posso te dar netos. — Stiles soltou sem se tocar no que tinha dito. — Oh! Desculpe, não é o momento para piadas. — o garoto voltou a sentar quieto.

– Eu estou confuso e surpreso com isso tudo, mas um neto... Stiles meu filho, um neto é a coisa mais linda que você poderia me dar. — John puxou o menino para um abraço e fez com que Derek participasse junto.

Abraços em família, trabalhos se acumulando e a dúvida de como seria dali para frente. Stiles não podia mais faltar, não poderia se atrasar tanto na faculdade, então Derek fez as malas e voltou com o menino para a casa de Ivy. Ela os recebeu bem e mesmo sem saber de nada do que se passava, ficou muito feliz por ter um Derek saudável entre eles. Dali em diante, Stiles meteu a cara nos livros, enquanto cuidava de Derek e sentia sua relação com o lobo cada dia mais intensa.

O apetite sexual de Derek triplicou na gravidez, com isso os desejos estranhos também eram algo notável. A própria Ivy o pegou diversas vezes comendo macarrão com queijo e calda de chocolate, o que deu a ela uma vontade de vomitar imensa, mas ele disse que era bom e que comia desde criança, só para disfarçar. A menina reparava que Derek estava morando com eles e que Stiles o paparicava em meio as noites sem dormir por causa do final do semestre e com isso decidiu que precisava dar a eles um pouco de diversão, descontrair o clima tenso que estava rondando as provas finais dos dois e afetava diretamente no humor de Hale.

– Aqui. — Ivy jogou dois envelopes grandes nas mãos de Stiles que estava sentado entre as pernas de Hale no chão da sala enquanto estudava na mesinha de centro.

– O que é isso? — Derek quem perguntou vendo que Stiles continuou a ler o trabalho que tinha feito.

– Convites para a festa de hoje na Lalaurie, é uma festa privada e altamente fechada, consegui esses convites com muito custo e vocês vão, não estou nem ai para o que você, ela apontou para Stiles que a encarava pronto para argumentar. — vai dizer. — ela tinha um sorriso triunfante nos lábios. — Vejo vocês lá, agora eu estou indo que vou fazer prova antes de ir para a boite. — ela saiu sem dar chance de nenhum dos dois dizer nada.

Stiles bufou, não queria sair com tantas coisas acumuladas e seu humor andava irritadiço além do comum, Derek andava entediado de ficar em casa, se sentia inútil principalmente por não poder nem ao menos se exercitar, sentia sua barriga perder a rigidez muscular aos poucos, em breve uma barriga redonda estragaria seu físico e abrigaria seu filho, filho que ele já se sentia tão impelido a proteger, filho que não fora planejado mas que Stiles amava e Derek não via a hora de ter uma barriga de verdade, por mais estranho que fosse, Stiles já passava bastante tempo alisando a estrutura reta, o lobo mal esperava pela hora em que o bebê crescesse e começasse a se mexer.

– Vou tomar banho. — Derek levantou.

– Já? Por que não espera eu terminar aqui? Podemos ir juntos. — Stiles deu um sorriso malicioso e Derek se abaixou para morder sua bochecha. — Ai! — o menino fingiu descontentamento e riu.

– Se tomarmos banho juntos não vamos conseguir chegar na Lalaurie. — Derek tinha razão e Stiles não estava a fim de sair.

– Nós vamos? — o menino desistiu de terminar seu trabalho e se esticou no tapete da sala.

– Sim, estou cansado de ficar aqui fazendo nada. — Derek viu Stiles concordando com a cabeça e foi para o banheiro.

Lalaurie era uma boate enorme e muito sofisticada, o bar era adornado por uma cortina de cristais, tudo era vermelho lá dentro e a mobília de uma madeira tão escura, quase preta. Stiles ouvia o som envolvente das músicas, quase como as que Ivy ouvia durante seus ensaios e sentia a mão de Derek entrelaçada a sua. Eles caminharam por todo o local e o lobo chamava bastante atenção com sua jaqueta de couro, camisa branca, jeans justo e as botas escuras e pesadas, Stiles tinha orgulho da aparência de Derek e gostava que o olhassem, admirassem e então vissem que eles dois eram um só e que ninguém poderia tocá-lo senão o próprio Stilinski.

Derek decidiu por sentar em uma mesa afastada do bar, tinha uma ótima vista do palco, do bar e de toda a boite. Stiles sentou e pediu duas águas tônicas o que deixou o garçom intrigado, ele não tinha idade para beber, apesar de poder estar em um lugar como aquele e Derek estava proibido de ingerir algo como qualquer gestante. Jogando conversa fora e aproveitando a música e o clima até agradável da boite, Stiles e Derek se sentiam envolvidos pela atmosfera local o que os impulsionou para um longo e profundo beijo que deixou Derek completamente sem fôlego.

– Olha se não é meu casal favorito. — Ivy apareceu vestindo um robe de cetim preto bem amarrado e com os cabelos loiros puxados no alto da cabeça em um rabo de cavalo perfeito.

– Você está linda. — Stiles elogiou se encostando no namorado.

– Tenho que concordar com o Stiles, Ivy.. — Derek sorriu e voltou a beber sua água tônica a menina sentou.

– Tracy. — ela sorriu e viu se ninguém tinha ouvido seu nome. — Aqui eu sou a Tracy. — Derek arqueou as sobrancelhas.

– Você vai dançar? Tipo, tirar a roupa, ficar peladona? — Derek revirou os olhos com a pergunta de Stiles e Ivy gargalhou.

– É lógico que eu vou dançar, ainda mais hoje que as gorjetas são as melhores. — a menina piscou. — Espero que vocês se divirtam por aqui, eu preciso voltar para o camarim, entro daqui meia hora. — ela deu um beijo rápido na testa de cada um os manchando de batom vermelho e saiu.

Cinquenta minutos depois, mais três drinques sem álcool, algumas águas tônicas, beijos quentes e idas intermináveis ao banheiro, Derek começou a sentir a inquietação de Stiles. Puxou o menino para mais um beijo quente quando ouviu a mulher anunciar o espetáculo.

– É com grande prazer que eu apresento a vocês a nossa atração principal de hoje. Lady Tracy. — Stiles encarou Derek com receio, aquela seria a mesma Ivy que destruía a cozinha até para beber leite direto da garrafa?

– Ok, isso vai ser interessante. — o menino comentou vendo as luzes se apagarem e um holofote focar no meio do palco.

– Não tenho a menor dúvida disso. — Derek retesou a coluna para observar melhor o show.

Ivy entrou no palco sendo outra mulher, se um dos dois amigos a encontrasse daquele jeito na rua, nunca a reconheceriam. Cabelos loiros presos em um rabo de cavalo adornado por uma presilha prateada e brilhosa, os olhos em um channel escuro e marcado realçando a íris azul esverdeada, o rosto levemente corado pela maquiagem, os lábios rubros, a expressão dura e sensual, adulta demais para a menina que chorava assistindo filme infantil com Stiles.

Derek reparou que a menina escondia suas curvas na roupa, o lobo não podia negar que Ivy era linda, ele nunca sequer cogitou esconder sua opinião da garota ou do namorado e isso nunca incomodou Stiles que se sentia igualmente afetado pela beleza da garota, mas eles nunca a tinham visto daquela forma. Sensual e proibida para menores. Seus seios fartos presos em uma roupa justa de couro, os bicos marcando a peça, as tiras transpassando a barriga lisa, o tronco bem acinturado, os quadris largos, as coxas definidas e nuas, a bota que chegava até acima do joelho tão alta quanto qualquer um ali acharia possível se equilibrar e um caminhar avassalador.

Uma música muito conhecida pelos dois começou a tocar, Derek em uma das conversas pela madrugada descobrira que era a música preferida de Ivy, porque era a mesma música que seus pais dançavam sempre que comemoravam aniversário de casamento ou tinham algum encontro romântico. Stiles conhecia a mesma história de uma das noites em que ficaram revendo fotos e montando seus murais de lembranças e se perguntava como uma menina tão doce podia parecer tão madura e decidida naquele momento, prendendo a atenção de muito mais que trezentos caras da elite Norte Americana.

Movimentos lentos, calculados, bonitos e sinuosos. Ela era sensual em cada passo, nas viradas lentas, nos quadris descendo e subindo, em como deslizava os dedos pelo dorso curvilíneo. Rodeando o poste, deslizando os dedos, fingindo reconhecer o metal frio, passando uma perna, depois outra, se agarrando, girando, subindo, descendo, rebolando lentamente contra a estrutura, se deixando escorregar até o chão, se pondo de ponta a cabeça e voltando a ficar de pé. Isso estava prendendo a atenção de Stiles e Derek gostou do rubor que tomava o rosto do menino, sinal de timidez, conflito e excitação.

– Você gosta de vê-la Sti? — Derek raspou a barba por fazer na curva do pescoço do namorado que estremeceu.

– N-não. — Stiles estava mentindo, dentro dele uma guerra era travada entre sentir tesão pela sua amiga e fazer isso na frente do seu próprio namorado.

– Não é isso que seu corpo está me dizendo Stiles. — Derek resvalou a mão por cima da ereção que se apertava nas calças de Stilinski.

– Isso é errado, ela... Ivy, quer dizer, Tracy, é minha amiga. — Stiles apertou os olhos, não queria continuar se equiparando aos caras que colocavam dinheiro na borda do palco e com a outra mão tocavam suas ereções.

– Não é, ela está ali fazendo um personagem. É como o Batman, pense que ela poderia ser a mulher gato. Não é a Ivy, é Tracy. — Stiles ofegou, estava com tesão e ter Derek o estimulando verbal e fisicamente o desnorteava.

– Você sente? — Stiles encarou o namorado, estava com as bochechas quentes de vergonha e tesão. — Sente tesão quando vê ela dançar? — Derek sorriu.

– Por que não verifica você mesmo? — o lobo insinuou e Stiles correu a mão pela virilha de Derek encontrando sua ereção dura e pulsando logo acima. — Sabe o que eu fico imaginando? — Stiles reprimiu um gemido ao sentir Derek desabotoar um dos botões do seu jeans. — Você ali naquele palco interagindo com ela. Eu adoraria ver você ser provocado por ela Stiles, adoraria ver você de pau duro quando ela ao invés de sentar naquela cadeira fria e solitária, sentasse no seu colo e provocasse seu pau. Eu ia assistir tudo e ia adorar me enfiar entre vocês depois. — Stiles gemeu e sentiu os dedos de Derek correrem seu pau por dentro da cueca de um jeito discreto.

– Pensei que lobos fossem territorialistas. — Stiles retrucou com a respiração cortada e a mão enfiada nas calças do lobo o masturbando também.

– Eu sou, você nunca encostaria nela de verdade, mas isso aumentaria meu desejo, minha vontade de me enterrar em você ou de estar no lugar dela, rebolando no seu colo. — o garoto estava sem controle de mais nada.

Tracy começou a tirar a roupa, lentamente se livrou das tiras transpassadas pelo dorso, eram movimentos sutis, delicados e sensuais, quase inacreditáveis para uma garota tão desastrada. Depois se voltou ao pole dance indo o mais alto que conseguia e desamarrando o sutiã de couro, largando o corpo de forma que escorregasse violentamente pelo poste quase tocando o chão com a cabeça, os seios balançavam com o movimento ofegante de respiração, os mamilos rijos e róseos e a face ruborizada pelo esforço e adrenalina.

Derek gostava de ver a garota ficar nua pouco a pouco, podia isolar a respiração dela e de Stiles e ver como a pulsação do pênis do garoto era parecida com o trepidar dos seios de Ivy. Stiles estava quase lá, tinha se sobressaltado com o movimento brusco na apresentação e Derek sentiu isso em um aperto na glande de seu pênis o fazendo chegar ao orgasmo sujando sua própria roupa íntima.

Stiles observou a garota se livrar das peças jogadas pelo palco e voltar a cadeira, fazer movimentos ritmados ao som, tocar seus seios, chupar alguns dedos, umedecer a pele com saliva e trocar expressões de puro prazer enquanto encenava seu papel. O humano estava hipnotizado, gostaria mesmo de experimentar uma ou duas coisas que Derek tinha sussurrado em seu ouvido e não demorou para se desmanchar ao ouvir o quanto seria bom fodê-lo na frente de todos aqueles caras e que adoraria ser fodido enquanto Tracy, o personagem nada parecido com Ivy, os observava. Isso foi demais até para a mente verborrágica e pervertida de Stiles e o garoto não se importou de sujar a mão do lobo ou a barra da própria camisa enquanto gozava e gemia sem tirar os olhos da garota.

Ivy estava próxima do grande final e continuou sua dança, seus movimentos e até arriscou molhar-se com vodca enquanto engatinhava no chão e rebolava sensualmente para o amontoado de homens que enxiam o palco de notas de cem. Desamarrou um a um dos laços delicados da peça de couro apertado e manteve a peça segura mesmo quando nada mais a prendia e seu sexo estava prestes a ser mostrado a todos eles. Arriscou um ou dois passos no poste, recolheu cada gorjeta com uma expressão maliciosa e então subiu na cadeira, os saltos firmes apesar de muito finos, arrancou a peça em um só movimento e se jogou novamente no palco, derrubando a cadeira e vendo as cortinas baixarem enquanto ela encarava a todos com o olhar fixo em uma só mesa a dos amigos que pareciam ter apreciado além da conta seu show.