A Alvorada dos Hyuuga
1 A Sombra do Casamento
Era um dia ensolarado de verão e todas as atenções estavam voltadas exclusivamente para um único evento, o Casamento do grande Herói da Guerra com a princesa do clã Hyuuga. A comemoração duraria horas e concentraria todos os grandes shinobis dos mais diversos países, trazendo presentes e suas considerações ao lendário ninja imprevisível nº 1 da Aldeia da Folha. Mal sabiam, que aquele era o clima perfeito para se agir, como uma sombra e definitivamente uma sombra. Que se esgueirou sobre as favelas de Konoha e caminhou até uma imensa fachada que simbolizava a entrada dos domínios da família da noiva. Lá estava um Bebê, um doce bebê de olhos pálidos e cabelos azuis tão escuros quanto o mar profundo. A mãe roncava em sonhos tão intensos que parecia se afogar no próprio descanso.
“O casamento não podia acontecer em hora mais proveitosa.” A sombra pensa. Então, envolve o bebê entre seus braços e sai dali da mesma forma que entrou, imperceptível. O rapto de tal criança não foi levado a público, os Hyuuga prezavam pela imagem da família e aquele ato de negligência não seria tolerado. A mãe, mesmo que da casa principal, foi rebaixada pelo próprio desprezo dos demais e acabou não aguentando a pressão. Seu pai fugiu, para bem longe dali, acreditava ter culpa inclusive da morte de sua amada. E a baba, que deveria estar ali, mas que não viu problema em dar uma espiada no casamento do Herói, está presa como uma forma de acalmar a própria família.
Os ANBUS foram contratados para dar prosseguimento as investigações, tendo Naruto como mediador entre o Hokage, Hatake Kakashi, e o Líder do seu Clã, Hyuuga Hiashi. Apesar dos esforços, esse bebê sumiu e por anos os AMBUS procuraram seu rastro. No entanto, o caso não se repercutiu muito, principalmente, devido a chegada de um novo bebê, o filho de um Herói de guerra. Hinata estava grávida.
Anos mais tarde, mais precisamente 10 anos, os ANBUS finalmente conseguiram encontrar redes suspeitas de rapto de crianças para treinamento intensivo no país da Água. Toda a investigação era de total sigilo para não levantar suspeita a outros clãs e não provocar uma nova guerra. Agora um menino de 9 anos e alguns meses, tão robusto quanto o próprio filho do Hokage, Boruto, fora localizado numa vila pequena e isolada, onde vivia numa casa de 3 moças jovens que cuidavam da criança como se fosse seu filho.
— Não podemos simplesmente entrar lá e pegar a criança. – Falou Nara Shikamaru com uma cara de despreocupação.
— E o que quer que façamos? Esperemos a boa vontade deles um dia quererem entregar o que nos pertence? – Falou Hyuuga Hanabi, irmã de Hyuuga Hinata.
— Não, já estamos preparando ninjas para um segundo estudo de seu modo de vida, vamos tentar persuadi-lo de longe e atrai-lo para o país do fogo. Dessa forma, podemos evitar problemas diplomáticos com outras vilas. – Falou Shikamaru.
— E como fica a situação do nosso clã? Se esses olhos caírem em mãos erradas... – Hanabi inicia um praguejo mal-acabado e logo após dá um leve suspiro. – Nosso clã sofreu por quase uma década com esse evento, não podemos esperar mais tempo.
— Seu clã só se preocupa com os olhos do garoto – Sai falou sem nenhum tom – A única preocupação de vocês é saber se os segredos que ele esconde ainda estão intactos.
Hanabi lança um olhar furioso a Sai, que responde com um sorriso falso.
— Acalmem-se, é uma situação delicada, não podemos invadir uma vila do País da Água e raptar uma criança sem explicação alguma, mesmo que ainda não saibamos do envolvimento dos líderes das vilas desses países nesse evento. – Falou Naruto tentando apaziguar o conflito. – Vamos proceder como o Shikamaru sugeriu, mandaremos novamente ANBUS para uma nova leitura da situação, temos que saber o quanto os líderes têm conhecimento do caso. Mandaremos também uma equipe de Chunnins e 1 Jounnin experiente como fachada de uma missão B, mas a ideia é escoltar o garoto até aqui.
— Não, Eu não confio em Chunnins, eu mesma faço isso! – Hanabi bateu na mesa.
— Já esta decidido Hanabi, você já está envolvida demais com o ocorrido. Não vai nessa missão – Naruto soou autoritário enquanto veias saltavam do rosto de Hanabi por pura fúria.
— Se algo acontecer com ele, saiba que os financiamentos do clã Hyuuga também vão sumir como o garoto. – Ameaça ela e logo após sai da sala com fortes pisadas no chão. Naruto então com uma cara de preocupação continua.
— Certo, Sai, quero que prepare a Equipe AMBU, vocês partem para a Vila Oculta da Nevoa hoje. Precisamos resolver isso com urgência. – Falou Shikamaru. Sai consentiu com um sorriso e saiu numa espiral negra que logo exalou um cheiro forte de tinta.
— Vou preparar o Time 4 para a investida sobre a vila da Neblina. – Continuou Shikamaru.
— Tudo bem, mas eu quero que você coloque o Konohamaru como Jounnin encarregado. Ele tem experiencia com situações como essa. – Falou Naruto.
Shikamaru saiu e Naruto voltou a sua papelada, mas a cabeça continuou nas nuvens. “Se algo der errado, temos que estar preparados para um conflito, mas se nos preparamos para um conflito estaríamos assinando um atestado de culpa”.
— Droga. – Naruto pragueja sozinho em sua sala.
Ao mesmo tempo, em um local não tão distante dali, Sai se encontrava com outros 7 membros mascarados e encapuzados. Cada um apresentava máscaras distintas e desenhos que simbolizavam vários animais. Cão, Urso panda, Gato, Tigre, Víbora, Coala, Águia e por fim a máscara do próprio Sai, que não havia nada que representasse nada, apenas um recipiente branco com furos para visão.
— O Hokage nos enviou uma nova missão, precisamos descobrir até onde o Mizukage sabe e suas pretensões com o menino. – Ele falou de forma clara e vazia.
Todos consentiram sem falar uma única palavra e então se dispersaram junto com o Sai numa sincronia perfeita.
O dia então se depositou sobre o horizonte, mas deixando todo peso da situação sobre os ombros do Hokage que de pouco a pouco se afastava de seu filho de forma involuntária.
— Pai! Hoje eu completei mais uma fase do... – O filho do herói parou, gritos saiam da porta do quarto dos seus pais. Era cedo da noite, nem havia jantado ainda, mas aos poucos pode ouvir mesmo que de maneira abafada, seus pais num embate claro.
— Você tem que acalmar sua irmã! – Naruto fala com som autoritário.
— Ela só esta preocupada, todos estamos, nosso pai piorou muito em saúde nesses últimos 10 anos, ele se culpa pela morte do irmão, pela morte do Neji e agora pelo desaparecimento do pequeno. – Hinata rebateu de forma doce, mas ainda assim, firme.
— Mas não é me confrontando que ela vai resolver, vocês precisam entender que estamos fazendo o possível para resolver esse caso o quanto antes.
— Hanabi sempre foi forte, com uma postura de líder, diferente de mim, você precisa ter paciência com ela.
— Eu queria ter tempo para ter paciência. – Naruto boceja. – Bem, tenho que ir agora, vou ter que trabalhar hoje até tarde. Se houver um conflito, precisaremos de dinheiro, então tenho que mandar o máximo de Genins possíveis para missões de alto lucro.
— Não acha arriscado fazer isso? – Hinata indaga.
— Não tenho outra escolha.
— Sempre se tem outra escolha.
Na madrugada daquela noite, 4 ninjas se encontravam no portão de Konoha verificando seus itens para partir a missão.
— Estão prontos time 4? – Pergunta Konohamaru.
— Sim. – Responde os 3 Chunnins em igual coro.
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