A Alma
18 Perguntas
Notas iniciais
– Então Julie conte-nos mais sobre a sua vida – tia Maggie fala enquanto caminhamos para a cozinha, lugar onde tio Jeb disse que se fazia e comia a comida.
–Muitas coisas aconteceram em onze anos mal posso esperar para contar! – meu estômago ronca.
– Depois de comermos- Melanie fala de forma maternal.
–Uau!- é a única palavra que consigo dizer para demonstrar a surpresa em ver aquele espaço. A cozinha era um lugar de porte médio com muitas mesas e um longo fogão que servia de bancada também.
– Fiz um bom trabalho, não é?- Tio Jeb vangloria-se.
–Aham- concordo.
O jantar era pão recheado com algum tipo de queijo e pela cara de todos parecia que era um prato especial, sentamos em uma mesa mais afastada.
–Comece a contar então! – Peg diz excitada.
–Como se você não soubesse metade delas- respondo.
–Você esta certa- ela concorda rindo – Primeiro as novidades! Como esta o namoro?
–Namoro? –tio Jeb, Melanie, Tia Maggie, Sharon e ate Jamie exclamam espantados.
– Você tinha que começar com esta pergunta! Bom, esta um caos.
– Por quê? – pergunta Peg.
– Ele te fez algo? – exigiu saber Melanie.
– Não, não fez. Austin continua o mesmo, Peg, e continua brigando comigo pelo fato de eu lutar pelos humanos. Assim como Bia.
–Bia? – questiona Mel- Ei! Antes de responder isso quero que me conte quem é esse garoto? Onde o conheceu e essas coisas!
– Sim. Alguns anos após a partida de vocês apareceram novos moradores em sua casa, pois sua mãe não queria ficar naquela casa com tantas lembranças suas – respondo sua pergunta antes mesmo que ela faça- e eu consigo me lembrar deste dia, eu vi algumas coisas bagunçadas na porta e sai correndo do carro e Bia me acompanhou já estava ate com um convite de sua festa de dezesseis anos na mão, só que para nossa surpresa não eram vocês que estavam na casa e sim Austin e sua família.
– Continue – Sharon ordena. – Quando ele te pediu em namoro?
– Demorou alguns anos para o pedido acontecer e foi na minha festa de dezesseis anos.
– A festa foi linda! – Peg exclama!
– Foi mesmo! Só que não ocorreu em uma boa hora porque eu havia acabado de ‘’descobrir’’ que você estava morta, fato que acabei de descobrir que não é verdade! – sorrio.
– Vamos parar com essa choradeira e de lembrar momentos tristes – Peg diz assim que sente o clima da mesa ficar triste – Como esta seu irmão?
– Bem- minto, pois sou incapaz de falar o que fiz com Justin.
– Que irmão? – os Styder exclamam!
– Eu falei que muitas coisas acontecem em onze anos – respondo rindo.
– Como isso? – Melanie pergunta espantada.
– Quando tinha aproximadamente treze anos minha mãe ficou grávida e então eu ganhei um lindo irmãozinho.
–Como ele é?- me questiona Jamie.
– Loiro com olhos azuis.
– Iguais aos seus olhos?- pergunta.
– Aham. Eu e Austin dizíamos as pessoas desconhecidas que ele era nosso filho. – rio lembrando essa época.
– Pior que parecia mesmo! – Peg disse – Porque Jus tem os seus olhos e os cabelos de Austin.
– Como esta Bia? – pergunta Melanie.
– Bem, Mel, mas as noticias dela não vão lhe agradar!- digo.
– Por quê?
– Bia resolveu ser Buscadora – a expressão de Mel muda de nostálgica para brava – só que ela tinha um bom motivo! – defendo-a.
– Então nos diga qual é? – Sharon grita nervosa!
– Ela queria encontrar vocês e parte disso é minha culpa, ela não me aguentava ver chorando pelos cantos! Vocês fazem ideai de quanto eu sofri nestes onze anos! – exclamo – Acho muito fácil vocês a julgarem sem saber a loucura em nos encontrávamos!
– Não sei como pode dizer isso! Vocês roubaram nossas vidas não vejo como sentir piedade de você! – Letícia fala pela primeira vez – Desculpa se perder algumas pessoas a fizeram sofrer, mas você poderia se lembrar por um único instante que você – ela aponta o dedo para mim – estava vivendo muito bem em uma casa aconchegante enquanto alguns de nós quase morríamos para roubar um pedaço de pão para alimentar um amigo. – as palavras dela me chocam.
– Letícia – escuto Jamie dizer- acalme-se! Julie só esta contando os fatos ocorridos nos anos em que passamos separados.
– Não sei como você pode aguentar ela depois de tudo o que você passou! Sendo que ela é a culpada de tudo!
– Hm? Não entendo o que você diz! – Jamie exclama.
– Vocês não eram vizinhos? – vejo Jamie concordar com a cabeça – Então porque ela não te salvou? – vejo a dúvida nos olhos de Jamie isso destrói meu coração e antes que eu perceba estou chorando – Talvez ela não seja a deusa que vocês tanto veneram!- ela diz e vai embora, e então os olhos de Jamie se encontram com os meus e observo enquanto ele se afasta de mim para correr atrás dela.
– Jamie?- sussurro, pois sei que mesmo que eu grite ele não voltaria.
Meus olhos percorrem a mesa e vejo que Doc, Sharon e Maggie já foram embora. Sinto os braços de Peg e Melanie em minha volta mais isso não me conforta pois sei que por mais que Melanie esteja me confortando esta pensando nas palavras ditas por Leticia.
– Ela esta errada! – Tio Jeb diz e levanta – Venha garota! – ele começa a andar mais rápido e quase corro para acompanha-lo – Não ligue para o que ela diz eu acredito em você e isso é o que importa!
– Obrigada- digo e o abraço.
– Você ainda usa – ele fala assim que vê o colar em meu pescoço.
– Não vejo motivo para não usar.
– Sabe, eu sempre acreditei em você desde o momento em que coloquei os olhos em você soube que você era diferente, e acho já deve saber porque lhe dei o colar.
– Por que acredita em mim?
– Porque a considero como uma filha e peco que me perdoe pelo jeito como agi com você na ultima vez em que nos vimos.
– Sei que você fez o que era preciso!
– Obrigada!
– Quero que saiba que nunca deixei de visita-las e que sempre levava flores e conversava com elas – quando digo isso percebo que sua carranca se transforma em uma cara de choro e ele me abraça como se precisasse de ajuda para se manter de pé.
– Obrigado por não deixa-las sozinhas!
– Nunca deixaria!
– Venha, vou lhe mostrar onde o garoto esta.
– Não acho que Jamie queira me ver.
– Ele quer sim- ele me guia para uma caverna nomeada como Sala de Jogos e no momento em que adentro vejo alguém encolhido em um canto, sorrio para tio Jeb e vou ao encontro de Jamie.
– Oi. – digo.
– Oi- ele fala.
– Me desculpa! Eu arranjaria um jeito de te salvar se soubesse como! – as lagrimas escorrem novamente pelo meu rosto – Eu tentei eu juro! Você precisa acreditar em mim! – exclamo.
– Eu acredito em você – ele vira de frente para mim e vejo seus lindos olhos castanhos inchados de chorar – eu que tenho que pedir perdão se pareceu que eu não acreditava em você! Só que enquanto você falava da minha antiga vida- Nossa antiga vida – corrigi-o- isso! Nossa antiga vida, eu pude perceber o quanto sinto a falta das brincadeiras, de meus pais, de ir à escola, de minha tia e de minhas primas. Julie- ele pega minhas mãos – só naquele momento eu percebi o quanto tempo não te via, só naquele instante eu senti toda a dor daqueles onze anos e naquele momento eu queria que tudo voltasse a ser como era antes – ele me abraça com força – o quanto eu queria nunca ter te deixado. -Abraço-o com mais força.
–Você nunca me abandonou! Só fomos afastados por um tempo. – continuamos nos abraçando por um tempo ate que escutamos passos e ele se levanta e coloca-se na minha frente de forma protetora.
– Ei calminha ai, moleque! – Ian diz – não vou machuca lá.
– Eu sei.
– As coisas foram tensas hoje. Como você esta? – ele pergunta a mim.
– Um pouco melhor!
– Daqui a pouco você se acostuma- ele sorri para mim- só vim aqui para trazer os colchonetes que o velho pediu. Juízo vocês dois – ele deixa as coisas no chão e ri da minha caea de incompreensão.
– Ignore Ian! Ele é sempre assim.
– Ele parece ser legal.
– E é – bom acho que ele disse isso, pois suas palavras foram interrompidas por um bocejo.
– Acho melhor irmos dormir – Jamie concorda.
Ele coloca um colchonete ao lado do outro, aponta o dele e o meu.
– Só vou concordar porque você parece ser uma das únicas pessoas que ainda não me odeia – digo.
– Não ligue para Letícia, ela ainda não te conhece.
– Ok então – me deito.
Ele deita no colchonete ao meu lado e me puxa para perto dele, eu o abraço sentindo o cheiro de sua pele.
– Isso é real? – ele pergunta.
– Depende do que você considera como real.
– Você é real para mim, e realmente espero que isso não seja um sonho porque se for sofrerei muito amanha.
– Eu também.
Paramos de falar com um instante e acho que ele esta dormindo.
– Estou feliz que você esteja aqui – ele me aconchega melhor em seus braços.
– Eu também – digo antes que de dormir.
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