A Alma
7 Capítulo 6 - Crescendo
Notas iniciais
– Venha Fred — digo ao meu adorável Chow Chow que não parava de urinar nas plantas da vizinha, ele já estava tão grande para quem só tem um ano e meio de vida. Ainda me lembro de quando o ganhei no meu aniversário de 8 anos quando Melanie e Jamie ainda se encontravam aqui. Lembro que ficamos debatendo o nome perfeito para ele.
"- Acho que ele tem cara de Bob- digo.
–Se for para por Bobo já ponha direto Dog, pois são nomes muito comuns — falou Beatriz para nós.
–Que tal Fred? — perguntou Mel, passando a mão em seu pelo macio.
–Fred é perfeito! — exclamo.
–Fred é irado, mas ainda acho que Bolt é o melhor nome! — disse Jamie
–Não é não! — digo
–É sim! — ele responde
– Não!
–Sim!
–Não é não, Jamie! Pare de ser criança!
–Você também é criança! — ele me exclama fazendo bico.
– Por que não colocamos Fred Bolt? — Mel perguntou.
–Parece perfeito para mim! Esse é o cachorrinho mais fofo do mundo! — eu dizia enquanto colocava o rosto em seu pelo macio."
Voltei a realidade assim que Fred começou a se esfregar em minhas pernas, me abaixei e passei a mão em seu pelo fofinho.
– AU! AU! — ele latia para mim como quem dizia "Vamos Continuar!"
A rua em que eu levava Fred para passear ficava a poucas ruas de minha casa e no fim do morro havia uma linda campina. A paisagem mais bonita que meus olhos humanos já haviam visto, flores de diversos tipos e tamanhos perfumavam e encantavam aquele lugar, e havia uma árvore centenária que tornavam a delicadeza desse lugar mais rústico. E eu como uma Flor da Noite amava aquele lugar.
Corri apostando corrida com Fred, ele também amava esse lugar.
Assim que terminamos o morro e adentrávamos esse pequeno paraíso, tirei minhas sandálias para que meus pés tocassem o chão fofo de terra e grama, o cheiro das flores enlouquecia meu olfato e como uma tradição assim que eu passava por cada flor eu lhe dizia: " Sol brilhante, Dia longo!".
O vento bateu em meus cabelos e me fez dançar para acompanhar o ritmo, meu vestido primaveril enquanto eu dançava parecia um tutu de bailarina. Esse mesmo vento que me fazia dançar abalava as flores, o que me fez lembrar o motivo desse nome humano. ' JuuuuuuuuLiiiiiiiiii'. Esse era o som que o ar do Planta das Flores que é mais denso que o terrestre batia nas flores azuis, denominadas Cerúleas por minha causa, as mais belas flores, a flor primordial. Julie Stew, meu nome humano, que se fosse bem observado significa " O vento do Oeste", ( West = oeste, em inglês).
Fred começou a correr e brincar com as plantas desse belo lugar, me sentei no gramado verde para esperar que ele se cansasse. Quando sinto alguém tapando meus olhos.
– Quem é?- pergunto.
A pessoa encosta os lábios no meu ouvido e responde:
– Advinhe! — ao ouvir isso, eu sorri, reconhecendo-a.
– Olá Austin!
– Como você é esperta!
– Sou muito — lhe digo rindo.
– Acredito! — ele me responde rindo também.
– Ansiosa? — ele me pergunta.
– Eu não! Mas Beatriz esta morrendo. — Por um momento eu havia esquecido de que hoje era o dia da festa de 16 anos da minha irmã.
– Então você não esta se importando?
– Estou, mas minha irmã esta me estressando. Tudo be , eu entendo que ela planeja esse dia desde que ela tem 12 anos, mas ela não entende que eu não tenho culpa por eles não estarem aqui!
– Ei! Calma! Você sempre fala 'neles'. Quem são?
– Uma parte da minha vida que eu gostaria de esquecer. Não gosto nem de lembrar, eles foram embora há mais ou menos um ano e meio, mas falar deles não me faz bem, então por favor não me pergunte sobre isso!
– Desculpe, não sabia que era um assunto tão delicado assim.
– Tudo bem, você não sabia!
– Eu vou fazer você esquece-los. Vamos criar lembranças boas! Eu prometo!
– Então você terá que cumprir mesmo.
Olhei dentro de seus olhos verde-prateados e pude perceber que seus sentimentos e suas palavras eram verdadeiras, me aproximei dele e joguei-me em seus braços, abraçando-o ternamente e acabei encontrando nele o refúgio que eu necessitava, meu refúgio contar tudo e contra todos. Este lindo momento foi interrompido por Fred que pulou encima de nós.
– Fred- eu lhe disse rindo — Pare de me lamber você sabe que eu tenho cócegas!
– O que?
–Esquece o que eu disse!
– Não vou esquecer....1....2.....3... ATACAR!
– Para! PA.....R....AAA... PA....RA...- eu falava entrecortada pelas risadas. Austin chegou perto do meu pescoço e o beijou delicadamente, no mesmo momento fiquei tensa!
– Pronto, parei!
– Tenho que ir, vou me arrumar. Venha Fred!
– Me espere! Tenho que voltar para a casa também!
Ele correu em minha direção e pegou minha mão, e assim fomos caminhando por todo o percurso até minha casa.
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– UAU! Você esta maravilhosa! — Austin exclamou assim que abri a porta de casa.
– Obrigada! Você esta arrasando corações!
Ele sorriu para mim, seus olhos verdes que brilhavam de excitação, para seu terno preto que caia perfeitamente em seu corpo de 12 anos e sua gravata rosa que combinava com a faixa de meu vestido.
– Vamos! — ele falou me encaminhando para o carro.
– Obrigada por me darem carona- digo enquanto entro no carro na parte traseira e sento ao lado de Mary, que vestia um vestido estilo princesa lilás e tinha em seu lindo cabelo uma faixa de mesma cor — Meu cunhado veio buscar minha irmã em um carro rosa e meus pais tiveram que ir antes.
Austin entrou no carro e se sentou ao meu lado, e fechou a porta.
– De nada, querida — respondeu a mãe de Austin, Christine com seus belos olhos verdes e cabelos castanhos, ela estava sentada ao lado de George, o pai de Austin, alto e loiro dos olhos verdes.
Eu sempre achei incrível o fato de todos terem os olhos verdes.
– Amei seu vestido! — May falou a mim.
– Lindo, neh? Minha irmã que escolheu- Meu vestido era em um tom dourado ouro, a parte do busto era cheio de pedrarias e saia era rodada e ia te um pouco acima do joelho. Havia uma faixa rosa na cintura que tinha um laço atrás. Minha sapatilha era da mesma cor da faixa de meu vestido, da gravata de Austin e de meu esmalte. Meu cabelo preto caí a em cachos perfeitos e minha maquiagem era rosa — Você esta maravilhosa, como sempre, Mary.
Eu estava encostada em Austin e permiti que minha cabeça encostasse em seu ombro, ele pegou a minha mão e eu observei como elas ficavam juntas ambas bem pálidas, minha mão cheia de pulseiras e anéis, e sua mão normal. Observei como elas se completavam perfeitamente. Levantei meu rosto e olhei para ele sorrindo, e ele me retribuiu sorrindo.
A viagem para o salão onde ocorreria a festa durou uns 15 minutos, até que chegamos em grandes portões de ferro que estava decorado com o monograma da festa, após a passagem desses portões viam-se imensos jardins que levavam há um palácio. Rolei os olhos, isso era bem a cara de Beatriz.
– Que lindo- Mary exclamou pulando no carro.
– Agora entendo todo o trabalho que a Bia teve nestes anos.
Beatriz estava na porta recepcionando os convidados, seu vestido era rosa claro com finas alças, ele era longo e cheio de paetês. Seu cabelo lindamente cacheado estava liso.
– Olá Bia, você esta linda! — eu lhe digo.
– Obrigada, tampinha — ela me responde, mas no mesmo instante ela olha em meus olhos e eu olho nos dela e vejo a dor que passam por eles. Minha irmã não sabia que eu sabia que ela havia separado um vestido para Melanie, para o caso de ela voltar, para que ela não se sentisse esquecida. Ela me abraça e diz em meu ouvido — Gostaria que eles estivessem aqui.
– Eu também! Ela estaria orgulhosa de você, da mesma forma que eu estou.
– Você esta maravilhosa, nunca te vi tão bela — ela me falou e foi receber os outros convidados.
O salão estava decorado em tons de rosa e dourado, as cadeiras eram douradas, as toalhas e arranjos eram rosa. Os guardanapos estavam todos bordados com o monograma da festa.
– Olá querida- mamãe disse enquanto se aproximava de mim — O que você esta achando?
– Esta tudo lindo, mamãe, vocês trabalhara muito.
– Que bom que você esta gostando. — ela disse e se retirou, mamãe não aceitava o fato de que eu e Bia sofríamos tanto pela perda de Mel e Jamie.
– Sua irmã sabe dar uma festa! — Austin exclamou quando chegou próximo de mim.
– Sabe mesmo.
A festa ocorreu como Beatriz havia planejado, após a recepção ela dançou com papai, cantou o parabéns e trocou de vestido para aproveitar a balada.
– Vamos dançar? — Austin perguntou a mim.
– OK.
Eu gostava de dançar mas toda aquela barulheira me deixava atordoada.
– Vamos para outro lugar?
– Claro, sei o lugar perfeito — ele me respondeu.
O lugar perfeito que ele falava era um gazebo no jardim, ela estava decorado com flores rosas e brancas.
– Esta tudo perfeito e lindo.
– Você esta mais — ele disse enquanto pegava minha mão e me conduzia para uma dança.- Prometi a você que faríamos boas lembranças e eu já estou cumprindo.
Eu sorrio, e finalmente após quase dois anos eu consegui me sentir bem novamente.
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