A Alma
4 Acontecimentos
Notas iniciais
Alguns meses depois .......
– Não acredito que o meu aniversario de 8 anos esta chegando — eu disse enquanto prendia a parte de trás da panturrilha numa das barras de ferro do macaquinho e soltava meu corpo para trás, minhas mãos se arrastavam no chão e meus cabelos batiam no barro. Margareth, minha mãe nesse planeta iria me passar um sermão.
– É muito legal mesmo, é verdade que vai ter uma cama elastica enorme? — perguntou-me Jamie colocando seu rosto perto do meu e sorrindo com aquele belo soriso contagiante de mil sóis, seus dentes estavam caindo e ele estava com pequenas 'janelinhas' em sua boca , seus olhos e seu cabelo castanhos mostravam a vivacidade desse belíssimo dia de sol.
– Vai ter sim, e um castelo pula-pula também.
Uma coisa que aprendi nesses 8 anos de convivência com os humanos é que principalmente quando se é criança cada dia você esta diferente, a poucos meses, ah, aqueles turbulentos meses, eu estava baixa e meu cabelo estava no ombro e agora eu estava quase na altura de Jamie, que apesar de ser mais novo é mais alto do que eu, e meu cabelo estava no meio de minhas costas. Os corpos humanos são estranhos, belo mas ainda assim estranhos.
– Sabe no que eu estou pensando?
– No que?
– Duvido que você pule dali! — Jamie afirmou apontando para a ponte que interligava uma casa da árvore a outra, o único problema é que estava a quatro (4) metros do chão.
– O que eu ganho se pular?
– Seguirei e farei tudo o que você quiser.
– Então, vá me comprar um sorvete.- respondi no mesmo momento que saía do brinquedo e caminhava para a escada da casa na árvore.
Minha mãe humana sempre me diz que esse contato tão próximo aos humanos estava me fazendo mal, mas eu adorava essa ingenuidade e irresponsabilidade infantil. Coloquei- me de pé no corrimão da ponte e pulei aqueles segundos de adrenalina que percorria meu corpo trazia uma sensação incrível de ser livre, mas assim que cheguei ao chão um 'creck' e a dor insuportável de meu braço me fizeram gritar.
–AIIIIIIIIIIIIII! Jamie — eu gritei chorando
– Julie o que aconteceu? — escutei a voz de Mel, mas não via seu rosto, pois meu rosto estava de cara com a grama e meus olhos tinham pequenos pontos pretos que se misturavam ao verde da grama. Mas espera se Mel estava aqui Bia também estaria. Ai não estou frita!!
– Eu cai lá de cima- menti esperando que elas não percebessem a mentira na minha voz.
– Minha doce flor, vai ficar tudo bem — disse Beatriz passando a mão por meus cabelos — Mel nós aguentamos ela?
– Mas é claro que sim.
Mel e Bia subiram a rua em direção a minha casa com Jamie ao encalço delas, e eu em seus braços. E assim que abriram a porta mamãe venho nos receber.
– Ai Meu Deus o que aconteceu? — perguntou ela horrorizada
– Julie caiu no parquinho acho que ela quebrou o braço.
– Obrigada Melanie e Jamie, vou levar ela ao médico agora.
– Boa sorte, Julie — disse Mel depositando um beijo em minha testa e assim puxando a mão de Jamie para fora enquanto ele me acenava um adeus.
Mamãe ligou o carro e me pôs lá dentro, Bia entrou no banco de trás e foi segurando minha mão boa durante todo o percurso. Assim que adentramos o hospital, os médicos nos atenderam rapidamente e em menos de 30 minutos estávamos fora do hospital com medidas restritivas que não me permitia sair de casa.
– Cerúlea — disse mamãe, ela nunca me chamava pelo nome inteiro — eu já avisei para ter cuidado, esse humanos estão de fazendo mal, meu amor.
– Não estão, Marga- eu respondi a ela — eles me fazem bem
– Você passará seu aniversário de 8 anos assim, e não reclame — ela me disse quando eu iria abrir a boca.
Bom esse braço quebrado não seria um problema, pois a ansiedade bateu em meu corpo humano. Faltavam apenas alguns dias até meu aniversário.
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