A Alice de Westminster
1 Encontro estranho!
Eu havia acabado de me mudar para Westminster, deixando meus amigos de infância e tudo o que para mim fazia algum sentido. Eu precisava me mudar devido à transferência de emprego do meu pai, minha mãe também não gostou muito da idéia,mas o que poderíamos fazer? Nada, não havia nada à fazer.
Estávamos bem, isso eu podia afirmar com certeza. Minha relação com os meus pais sempre foi muito boa, resolvemos tudo com o diálogo. Talvez o fato de ser filha única ajude nisso. Ultimamente andávamos meio afastados, pois eu ainda não havia aceito muito bem a mudança. Eu não estava "de mal", estava só indiferente com eles, e continuaria assim até que algo realmente me atraísse naquele novo lugar.
O prédio em que fomos morar tem, pelo menos uns 50 anos, a instalação elétrica dá problema ás vezes e a garagem parece cenário de um filme de terror. O prédio tem uma piscina, mas ainda não tive coragem de entrar, parece que não purificam aquela água da maneira ideal.
Existe também um grande jardim que leva a uma antiga trilha da floresta, mas que hoje está inutilizada. Em casa eu tinha um roseiral no jardim, aqui também há um, muito mal cuidado e eu decidi que vou cuidar desse para me ocupar com alguma coisa.
Fora alguns probleminhas o lugar é calmo e agradável ao olhar. Existem muitas árvores, o que traz uma sensação de paz e contato com a natureza.
Ouvi dizer que existem animais bem grandes, como ursos e pumas por aqui e que eu não deveria me aventurar por aí, mas ficar longe do verde era praticamente impossível. Havia algo ali que me atraía.
Caminhando por entre o roseiral jurei ter ouvido alguém cantarolando. A voz masculina e suave me atraiu para um 'salgueiro chorão', sentei-me em uma de suas raízes e esperei para que esse cantor misterioso aparecesse, mas não havia niguém.
"Cada vez mais estranhíssimo!" Exclamei, rindo em seguida por perceber que havia me esquecido como se falava corretamente. Senti fome e voltei para casa.
Depois de alguns pacotes de biscoito recheado eu resolvi voltar ao roseiral. Desta vez eu vi um rapaz. Me abaixei, ficando toda encolhida sob espinhos e pétalas. Ele estava cantando uma música bonita e trazia um violão consigo.
Ele cantava muito bem. Eu queria continuar olhando, mas minhas roupas não eram as melhores para continuar ali, meu vestido azul estava ficando imundo por causa do meu contado com a terra.
Rastejei durante uns minutos e quando estava chegando quase perto do final do jardim eu ouvi o tal garoto flando comigo.
"Por que você está aí no chão?" disse ele.
"Ah! Eu estava procurando o meu brinco, ora!" Eu parecia uma idiota, mas aquela foi a primeira coisa que veio na minha cabeça.
Ele era um rapaz bonito, seus olhos castanhos me chamaram a atenção era um castanho claro, muito claro. Minha mãe costuma chamar esses tons diferentes da irís de "olhos de gato".
"Eu sou Gabriel, mas por aqui só me chamam de 'coelho'. Acredite, a história da origem desse apelido é bem longa." Ele disse, enquanto se ajoelhava para me ajudar a "procurar o brinco perdido".
"Acho que você não me disse seu nome..." ele disse.
"Ah, desculpe! Eu sou Alice."
Depois de convencê-lo a deixar o meu brinco perdido nós fomos até o prédio. Nós nos despedimos e ele me prometeu que voltaríamos a nos ver. Iriamos nos encontrar no Jardim, às 13 horas de amanhã.
Cheguei em casa e ajudei minha mãe a desembalar e arrumar mais algumas coisas que estavam nas caixas. Depois disso acabei adormecendo de tão cansada.
No dia seguinte eu acordei às 4 da manhã, fui para o computador buscar algo sobre Westminster e acabei descobrindo que a cidade foi marcada por assassinatos misteriosos e que um deles foi o culpado pelo fechamento da trilha próxima ao meu predio. "por isso o apartamento era barato!" pensei.
Alguns outros episódios ficaram sem solução naquela mesma região e um dos ultimos havia sido há três semanas atrás, o corpo foi encontrado na praça Dodgson. Era uma moça chamada Samantha.
A notícia me deixou um pouco espantada.
Mais tarde me encontrei com o Coelho, ele me levou até sua, hã, "toca".
Era um lugar embaixo da garagem, como um mini porão. A toca do coelho era onde ele se reúnia com os gêmeos "T1" e "T2" que eu acabei conhecendo por estarem lá. T1 era muito sorridente, enquanto T2 era emburrado e mau educado. T1 estava tocando flauta quando chegamos, e T2 parecia grudado ao computador. Eles investigavam justamente o que eu havia recém descoberto. Os assassinatos misteriosos de Westminster.
Notas finais
O Original de "Alice no país das maravilhas" é interpretado de várias formas, algumas versões dizem que fala sobre as mudanças que ocorrem na adolescência. Eu busquei uma outra forma de apresentar a Alice, não como a garota inocente que cai pela toca do coelho, mas com a perda dessa inocência adotando um ar questionador, mas mantendo aquela característica adolescente de fazer drama. Infelizmente não tenho previsão para um novo capítulo, direi apenas que "em breve" teremos coisas novas.
Beijos,
Littlebells.
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